Portugal é grande quando abre horizontes

10
Ago 19

Neste estranho sábado de Agosto, noto duas observações.

O maior partido da oposição – o PSD – não tem uma linha clara sobre a greve dos camionistas de combustível. O comunicado oficial que publicou sobre o assunto tem a clareza própria de quem não sabe o que dizer ou fazer. É um comunicado mal cozido em águas de bacalhau. Nada propõe de concreto, para além do adiamento da acção sindical para depois das eleições legislativas de Outubro e de uma vaga referência a uma mediação com “mais recato”, por parte do governo. É assinado por um dos vice-presidentes, quando deveria ser assumido abertamente pelo presidente do partido, dado o impacto estratégico desta greve.

Talvez alguém pudesse lembrar a Rui Rio que situações como estas definem a qualidade da liderança.

Mas isto de liderança é outra conversa.

A segunda observação refere-se à posição de apoio que vários sindicatos anunciaram. Não seria de esperar outra coisa, apresso-me a acrescentar. Mas também digo que há aqui matéria para reflexão sobre a maneira de agir de uma parte do movimento sindical português. Sobre os direitos e os deveres dos sindicatos, sobre a subordinação das reivindicações sectoriais aos interesses estratégicos nacionais, sobre a politização do movimento, o respeito das instituições e das autoridades legitimamente constituídas, e assim sucessivamente.

A liberdade exige uma visão madura e equilibrada da democracia. O debate desta equação parece estar por fazer, conforme nos lembram os sindicatos agora apoiantes.

 

publicado por victorangelo às 22:14

09
Ago 19

Não sei se já tentou explicar ao seu gato que, num Estado democrático e com um governo constitucionalmente legitimo, é essencial reconhecer a autoridade do governo. Claro que não é fácil convencer o bicho, mas há que insistir, repetir e não perder a paciência. Se o seu gato lhe falar do 25 de Abril e da liberdade, diga que sim. São aspectos determinantes da nossa vida. Mas repita que sem um Estado forte, a agir dentro da lei, não há sociedade que se entenda nem respeito pelos interesses de todos, que são mais importantes que os interesses específicos do seu gato e dos seus companheiros de goteira.

Caso não tenha gato, experimente falar com um pássaro, um pardal, por exemplo. Há muitos, por aí.

 

publicado por victorangelo às 20:58

25
Abr 19

Depois de um dia a viajar, aqui deixo a minha saudação relativa ao 25 de Abril. 45 anos depois, ontem como hoje, o que conta é que cada um se sinta livre, sem medo. Que cada cidadão saiba que vale a pena emitir uma opinião, com bom senso, construtiva, no respeito por todos, sem medo de se ser apelidado disto ou daquilo.

E isto é válido para todos os quadrantes políticos, excepto, claro, para os extremistas racistas, violentos e intolerantes.

publicado por victorangelo às 20:46

08
Mar 19

Neste Dia Internacional da Mulher, uma referência de homenagem a todos os que lutam, homens e mulheres, para combater a violência doméstica e os mais variados tipos de violência praticados contra as mulheres e as raparigas. Também, uma menção especial para o grande desfile pela democracia que as mulheres da Argélia hoje organizaram. E à decisão do governo britânico de dar protecção diplomática a Nazanin Zaghari-Ratcliffe, uma britânica de origem iraniana, que os clérigos que controlam o poder no Irão mantêm em detenção há cerca de três anos, por razões injustificadas e inaceitáveis.

publicado por victorangelo às 20:08

02
Mar 19

Escrevo muitas destas palavras com um lápis. É um truque. Ou, talvez apenas, uma ilusão. Mas, conta. Ajuda-me a ter sempre presente que tudo é precário, que pode ser apagado facilmente ou mudar de tom. Sobretudo quando se trata de coisas políticas.

publicado por victorangelo às 12:13

23
Jan 19

A agência de noticias Reuters lançou um inquérito internacional sobre “o desafio global mais urgente” que deveria ser tratado no encontro de Davos deste ano. Participaram nesta iniciativa mais de 300 mil pessoas.

As respostas estavam condicionadas em virtude da pergunta só permitir uma escolha entre quatro grandes desafios, excluindo assim outros que considero igualmente importantes, como, por exemplo, os relacionados com a pobreza, o desemprego, a Inteligência Artificial, a gestão das megacidades ou ainda a questão dos direitos humanos, agora que vários autocratas estão no poder. Sem falar, claro, do populismo.

Os quatro desafios seleccionados pela Reuters tinham que ver com o clima, o comércio, a habitação e a desigualdade do género.

As alterações climáticas parecem ser o problema mais sério e urgente para 62% dos que responderam. O comércio internacional, que inclui os conflitos comerciais em curso, ficou em segundo lugar, mas apenas com 19% das respostas. Seguiram-se o acesso a uma habitação condigna (12%) e a questão da desigualdade entre os homens e as mulheres, com 7% das respostas.

Se fosse forçado a escolher, qual seria a resposta, de entre as quatro opções em cima da mesa?

 

publicado por victorangelo às 19:50

05
Mai 18

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10359

O link para o meu programa desta semana na Rádio de Macau, um trabalho semanal de equipa com Hélder Beja, um homem de letras, e a jornalista Catarina Domingues. Ambos vivem em Macau há vários anos.

publicado por victorangelo às 17:16

30
Abr 17

Sou simplesmente ateu. Sem militância. Por isso, de um ponto de vista religioso, a próxima visita do Papa Francisco ao Santuário de Fátima deixa-me indiferente.

Reconheço, no entanto, que estas matérias têm outras dimensões, para além das relacionadas com a fé. Mesmo quando se trata de uma peregrinação, como é o caso desta vez. Assim, há o lado político da visita. O impacto económico. A dimensão securitária. A questão da imagem de Portugal.

Por todas estas razões, a visita do Papa deve merecer uma atenção especial. É fundamental que corra bem.

Depois, cada um poderá voltar à agitação dos seus estados de alma.

publicado por victorangelo às 19:19

25
Abr 17

Para celebrar o dia, publiquei esta manhã um tweet em que afirmava que “a liberdade e a seriedade do diálogo são as pedras angulares na construção de país próspero e justo”.

Assim o creio.

É fundamental que os cidadãos vivam num clima político e social que lhes permita expressar livremente os seus pontos de vista e, quando necessário, lutar pelas opções colectivas que lhes pareçam mais apropriadas para o bem comum. Tudo isto sem receios, sem outros limites que os da tolerância e da decência.

A opressão é a principal inimiga da natureza humana.

Portugal é hoje um país livre de totalitarismos. E assim deve continuar.

Por outro lado, uma sociedade moderna deve necessariamente assentar no diálogo entre as várias correntes de interesses. Não há nações monolíticas. Nem se aceitam vanguardas iluminadas. A unanimidade não constitui um valor desejável. A força e o dinamismo de um país provêm da confrontação pacífica das ideias e do bom funcionamento das instituições representativas.

Nestes domínios do debate de ideias e das instituições ainda temos muito caminho para percorrer, apesar dos progressos alcançados. Não o reconhecer significaria que não se aproveitou o dia para reflectir sobre o que somos e o que temos que continuar a construir.

 

publicado por victorangelo às 20:08

21
Abr 17

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) deu um parecer negativo sobre o projecto de lei relativo ao acesso a dados de tráfego de localização e outros dados provenientes das telecomunicações dos cidadãos.

Priva, assim, os nossos serviços de informações de um instrumento de trabalho de investigação que se tem revelado particularmente importante, noutros países do nosso espaço europeu, no combate ao terrorismo.

Uma vez mais, Portugal surge perante os parceiros exteriores, como o elo fraco em matéria de informações de segurança.

A CNPD tem uma sensibilidade “democrática” que não entendo. Parece estar congelada no tempo, há trinta ou quarenta anos atrás.

publicado por victorangelo às 17:46

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