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Crescemos quando abrimos horizontes

22
Jan 20

A radicalização de posições faz mal à política. Um país, Portugal, por exemplo, tem sempre um tecido social diverso, por muito forte que seja a identidade nacional. Aliás, o próprio conceito de identidade nacional, em vários dos Estados da Europa Ocidental, é cada vez mais difícil de definir. Voltarei a essa reflexão um destes dias. Agora, concentro-me na diversidade de interesses e de opiniões que existe em cada sociedade. E que deve ser respeitada.

O papel dos actores políticos só pode ser o de tentar encontrar áreas de entendimento entre os diferentes segmentos da sociedade.  Nenhum país medra se passa o tempo em guerra civil consigo próprio. Apostar na divisão e no ataque sistemático contra os que pensam de outra maneira é má política, é coisa do passado. Liderar é saber construir consensos, erguer as bandeiras que contam para a maioria e ter a coragem de propor plataformas abrangentes. Liderar é unir e garantir o progresso colectivo.

Este blog não se cansará de repetir a mensagem da convergência. Como também não deixará de criticar os radicais que andam nas praças públicas e que se acham senhores da verdade. Infelizmente, temos uma boa colecção deles. E vemos, com preocupação, que fazem mais ruído e captam mais atenção do que lhes seria devido. Mas não há razões para hesitar nem para que nos deixemos atemorizar.

Um radical é um simples de espírito, uma pessoa de uma ideia só. Não creio que seja difícil demonstrar que essa simplificação do argumento não é resposta que se possa aceitar.

publicado por victorangelo às 20:19

01
Jan 20

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República vale a pena ser ouvida. Breve, vai directamente às grandes preocupações que Marcelo Rebelo de Sousa vê perfilarem-se em 2020. A saúde, a segurança, a coesão e a inclusão sociais, a ênfase numa sociedade baseada no conhecimento e,ainda, a questão do investimento.

Por detrás das palavras, o Presidente diz-nos que o Sistema Nacional de Saúde está com muitas dificuldades e que a segurança das pessoas não é tão boa como certos arautos do poder nos querem fazer acreditar – e eu, que sei um pouco de segurança, continuo a pensar que o país tem um grau de insegurança que merece mais atenção. Também nos lembra que as desigualdades sociais e a pobreza são uma realidade nacional, que a economia precisa de mais competências e de mais, bem mais, investimentos, públicos e privados.

Estas prioridade não nos podem fazer esquecer outras. Mas já seria óptimo se, neste ano que agora começa, se começasse a dar-lhes mais atenção.

 

 

publicado por victorangelo às 19:30

17
Dez 19

Quando saí de casa, às três da tarde, a temperatura exterior era de 17 graus centígrados. Tive que olhar duas vezes para o termómetro, para poder acreditar. 17 graus, no dia 17 de Dezembro, em Bruxelas, só dava para ficar com os olhos esbugalhados. Uma temperatura absolutamente inacreditável, nesta altura do ano, nesta cidade.

Já ontem se tinha falado, na comunicação social, dos 15 graus registados em várias partes da cidade.

O clima anda maluco. Só não o vê quem não quer. Ou, então, é político e acha que que o melhor é deixar andar. Essa é, aliás, a maneira de pensar de muitos políticos. Deixar andar, fingir que não há problema, tratar do imediato e não fazer ondas.

 

publicado por victorangelo às 21:36

06
Dez 19

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/victor-angelo/uma-estranha-festa-de-aniversario--11588995.html

Acima vos deixo o link para o texto de opinião que publico no Diário de Notícias. Nessa escrita, levanto algumas questões menos ortodoxas, no seguimento da celebração dos 70 anos da NATO.

Faço-o num estilo diferente do que me é habitual. Que acham dessa maneira de escrever? A preocupação foi a de não chover no molhado, de fugir ao que muitos dos outros dizem e repetem.

publicado por victorangelo às 09:44

20
Nov 19

 

Os governos das últimas décadas deixaram a indisciplina instalar-se em muitas das escolas públicas. Muitos dos alunos fazem apenas o que lhes passa na real gana. Não se aplicam, não estudam, não sabem escrever e falar português, não respeitam nada nem ninguém. É o caos à solta. Serão, quando chegarem à vida adulta, incapazes de se adaptar às exigências do progresso e de uma vida social produtiva. Andarão por aí, a arrastar a sua indigência e o incivismo que aprenderam nas escolas.

 

O impacto de tudo isto no futuro de Portugal é imenso. A culpa terá que ser atribuída aos que assumiram responsabilidades políticas nos últimos vinte ou trinta anos e que não tiveram a coragem de agarrar o problema. A sua incompetência, falta de coragem, de patriotismo e o oportunismo político que os inspiraram irão custar muito caro ao nosso país.

 

publicado por victorangelo às 21:41

13
Nov 19

Continuamos a olhar para a política com uma lente clubista. Os do meu clube são bons, os outros são uma desgraça. Esta maneira de ver não leva o país, qualquer país, muito longe. Serve apenas para dividir os cidadãos, criar clivagens destruidoras e empurrar as grandes questões para as margens, lá onde aterram todos os problemas que nunca mais encontram solução. A política deixa então de ser uma procura permanente de equilíbrios entre os diversos interesses que compõem a sociedade. Transforma-se num campo de batalha, onde hoje ganham uns, amanhã outros, num carrossel que gira sobre si mesmo.

O verdadeiro líder político é aquele que consegue fazer alianças, sobretudo agora, nas nossas sociedades cada vez mais fragmentadas. Governar sem apoios amplos é deixar de lado uma parte significativa do eleitorado. É a imposição de posições meramente ideológicas num contexto que exige respostas amplas e tão consensuais quanto possível.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:38

08
Out 19

Fui aluno, na universidade, da Professora Manuela Silva. Mais tarde, terminada a licenciatura, em 1971, ela foi o primeiro patrão. Na altura, Manuela Silva havia sido nomeada directora do Gabinete de Estudos do INE. Era um serviço de elite, dentro do Instituto. Ao proceder à sua nomeação, o então Secretário de Estado do Planeamento, João Salgueiro, um homem honesto e moderno para a altura, queria proceder a uma revitalização do INE, que era dirigido por uma direcção-geral que havia sido ultrapassada pelo tempo e pelas novas exigências na área das estatísticas. E Manuela Silva levou com ela cinco novos quadros, todos recém-licenciados e com excelente percurso académico. Assim entrei eu. Ainda me lembro que no parecer que ela enviou para despacho do director-geral e que foi encaminhado para o governo, Manuela Silva dizia que um dos factores que levavam à minha selecção tinha que ver com o potencial de liderança que eu revelava. Interessante.

Já depois do 25 de Abril, trabalhei de novo com ela, embora brevemente, por razões que se prenderam com a agitação política que se vivia em 1976.

Depois, a vida levou-nos para destinos diferentes. Mas sempre mantive uma grande admiração por Manuela Silva, pelas suas capacidades intelectuais, pela coragem das suas opiniões, a dedicação que manteve toda a vida às questões sociais, à luta contra a desigualdade e pelo facto de ser uma líder no meio dos círculos católicos progressistas. Foi também uma mulher que fez da sua vida uma dádiva ao bem comum e às ideias em que acreditava.

Manuela Silva disse-nos adeus hoje. Nós devemos dizer-lhe que há vidas que marcam os outros. A sua foi certamente uma delas. Um exemplo.

 

publicado por victorangelo às 21:01

29
Set 19

Hoje, mais do que nunca, é fundamental mostrar boa-fé, quando se faz política. Os eleitores têm acesso a muitas e diversas fontes de informação. Alguns poderão ter imensas dificuldades perante tanta informação. Mas uma grande parte acaba por formar uma opinião ou ver o seu ponto de vista confirmado. E uma das características que procuram nos políticos de agora, depois de tantas decepções e enganos, é a da sinceridade.

A lisura de intenções dá votos. Por isso, se eu fosse conselheiro de algum político dir-lhe-ia que, acima de tudo, é necessário mostrar que se anda na política e em campanha pelo bem comum. Porque se acredita na causa pública, no projecto que se defende, numa maneira positiva e altruísta de governar o que é de todos.

A imagem e a narrativa devem reforçar o sentimento de franqueza e de verdade que procuramos transmitir. Está aí o segredo do apoio popular.

Creio dever lembrar isto, agora que estamos todos em campanha, uns activamente, outros por tabela e porque não conseguimos fechar os olhos à realidade que nos cerca.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:41

25
Set 19

O meu escrito sobre Greta Thunberg bateu o recorde de visualizações. E provocou vários tipos de reacções. Não estranhei, por ter visto nos jornais de hoje, um pouco por vários países, o tipo de comentários que Greta suscita. A verdade é que a jovem activista não deixa ninguém indiferente. Nem todos os comentários serão positivos. Alguns são mesmo cínicos e ofensivos, mal-criados num ou noutro caso. As redes sociais são assim e cada um oferece o que pode e expõe-se como melhor entende.

Mas que estamos num período de grandes movimentos de cidadania, nomeadamente sobre a crise do clima, não haverá maneira de o negar. Esses movimentos estão a mudar a maneira como se faz política. A democracia representativa, que tem sido o nosso modelo de democracia, tem que se adaptar às novas formas de expressão da vontade popular, ter em conta os líderes informais que vão surgindo – Greta é um exemplo desse novo tipo de liderança que brota para além das instituições tradicionais – bem como o poder das redes sociais.

A democracia representativa está no meio de uma grande transformação. Não tenhamos dúvidas.

publicado por victorangelo às 21:10

04
Set 19

Em política, o sucesso consegue-se quando se sabe misturar o compromisso com a demolição sistemática da oposição. Boris Johnson sabe demolir. Tem a oratória e a virulência. Mas falta-lhe a parte do compromisso. Não tem essa arte e não entende que não se pode hostilizar tudo e todos. Há que estabelecer acordos com alguns. Não o fez e está hoje numa situação impossível. Não perdeu ainda o poder, é verdade. Mas acentuou ainda mais as divisões e as fracturas. Contribuiu de modo único para a polarização da sociedade britânica. Nada disso é positivo.

publicado por victorangelo às 23:26

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