Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Não podemos aceitar que se baixem os braços

O fatalismo não pode ser uma filosofia de governação. Um governo a sério não pode baixar os braços e dizer apenas que as coisas vão estar muito difíceis nos próximos dias e nas semanas que aí vêm. Tem que propor soluções, fazer recomendações, liderar. É verdade que estamos à beira de um agravamento da crise pandémica. Mas há sempre maneira de mitigar as crises, no curto prazo. São essas medidas de aconselhamento, de prevenção e de mitigação que devem constituir o cerne da comunicação governamental. Constatar apenas que os casos irão aumentar e reconhecer que haverá um maior número de óbitos não é resposta. Um governo não se pode dar por vencido.

 

O momento e os dias que se seguem

A pandemia está, de novo, a paralisar a Europa. E estamos apenas no início do Outono. O que temos pela frente, nas próximas semanas e nos meses que se seguirão, é a continuação do abrandamento das actividades económicas, com vários sectores fechados ou a funcionar a lume muito ténue, com a saúde pública a ser incapaz de responder aos múltiplos desafios, bem como a um agravamento das crises psicológicas e mentais. Sem esquecer os riscos de crise política. A pandemia acabará por minar a credibilidade de muitos governos. Se eu estivesse no poder, daria uma atenção muito especial a esse risco. Numa situação de grande complexidade, é preciso manter uma liderança clara e saber falar aos cidadãos. Estamos num daqueles momentos em que a comunicação bem feita é essencial.

Quem fala muito acaba por não ser ouvido

A intervenção do Presidente francês perante a Assembleia Geral da ONU foi exageradamente longa. Emmanuel Macron falou durante mais de cinquenta minutos, quando outros falaram cinco vezes menos. Teve a preocupação de definir uma agenda pormenorizada do que deveria ser, no seu entendimento, o trabalho das Nações Unidas e da comunidade internacional nos próximos tempos. Definiu cinco áreas prioritárias, cada uma delas com toda uma série de pontos e acções para levar a cabo. No final, ficou apenas uma ideia: falou demasiado, perdeu a atenção de quem o queria ouvir e a sua intervenção foi considerada como sendo uma manifestação de arrogância.

Já várias vezes disse que o Presidente Macron fala demasiado, faz intervenções demasiado extensas e com detalhes a mais. É um mau hábito e uma falta de cortesia. Acaba por irritar os seus pares, que acham que o francês pensa que é mais esperto do que eles.

Fazer longos discursos, na vida política de agora, é um erro.

O comportamento que se espera do líder

Quem ocupa um lugar de liderança, está de serviço de dia e de noite. A fronteira entre a vida pública e a privada é muito ténue. Liderar é dar o exemplo. E para que se continue a liderar, é fundamental manter um comportamento coerente. Sem isso, lá se vai a credibilidade. E fica apenas o apoio dos incondicionais do chefe e do partido. Ou seja, perde-se uma fatia que é importante para tornar a base do poder mais ampla, mais abrangente. Um exemplo que tenho presente, agora que escrevo estas linhas, foi o dado por Kofi Annan. Comportava-se sempre, mesmo nos momentos mais amistosos e fora das obrigações oficiais, com a dignidade e a presença que se espera de um Secretário-Geral. Se tivesse sido primeiro-ministro, ter-se-ia comportado sempre como um primeiro-ministro. Não iria em futebóis, como dizemos nós, que não somos primeiro-ministros.

A leitura das imagens políticas

Os analistas políticos passam muito tempo a estudar as imagens que as reuniões de líderes produzem. Sobretudo quando se trata de um tête-à-tête, como hoje aconteceu em Sochi entre Vladimir Putin e Alexander Lukashenko. A análise dessas fotos diz muito, a quem sabe destas coisas, sobre o estado de espírito dos protagonistas. As da reunião de hoje mostraram que o dirigente russo teve pouca paciência para as longas conversas de Lukashenko. A agitação das pernas e as expressões do rosto revelaram essa impaciência. Dir-se-ia que considera o bielorrusso como um perdedor, que mais tarde ou mais cedo terá que ser substituído.

A minha experiência de contactos com ditadores ensinou-me que não gostam de líderes que deixam escapar o poder. As ruas de Minsk mostram isso mesmo. Lukashenko perdeu o controlo da rua. Como também perdeu o controlo da propaganda, algo que um político arguto como Putin considera um erro muito sério.  

Uma resposta diferente perante uma crise inédita

As consequências económicas, sociais e humanas do choque pandémico serão cada vez mais dramáticas, à medida que o tempo de excepção se prolongar. O nível da gravidade está directamente relacionado, numa correlação linear, com a duração da pandemia. Estamos, na realidade, a entrar numa gravíssima crise nacional. Perante isso, fico boquiaberto quando vejo que os líderes do governo apenas se preocupam em encontrar uma aliança pontual, sobre questões de segunda ordem, com movimentos políticos radicais e representativos de uma pequeníssima parte dos portugueses. É evidente que esses partidos têm alguma importância e não devem ser excluídos. Mas a verdadeira preocupação deveria ser, perante o volume dos desafios que temos pela frente, a de criar uma dinâmica política que servisse de plataforma de acção para os partidos que maior representatividade têm. A coragem política, numa situação excepcional, deveria traduzir-se na procura de acordos estruturais e fundamentais entre o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata. Outros partidos e movimentos poderiam juntar-se, se assim o entendessem, a essa plataforma. O essencial será, porém, que a grande maioria dos portugueses sinta que os partidos que os representam estão juntos, quando o país atravessa e vai enfrentar desafios absolutamente inéditos e de grande dimensão.

A uma crise inédita há que responder de maneira diferente. E liderar com imaginação e uma forte dose de coragem política.

Preocupações e uma nova política

Neste final de agosto, uma sondagem realizada por encomenda do jornal Le Figaro revela que 8 franceses em cada 10 estão preocupados com a situação sanitária que existe no país e a maneira como está a evoluir. O mesmo número de inquiridos vê com inquietação o comportamento da economia, as dificuldades que as empresas têm pela frente e a crescente deterioração do poder de compra. Estas duas apreensões traduzem uma visão realista dos próximos tempos. Existem, igualmente, noutros países da UE. Na verdade, há que estar preocupado e pensar na política de uma forma diferente, uma política que una o maior número de cidadãos no combate às crises.

E em Portugal, que podemos dizer sobre isto?

 

As palavras que fazem perder o poder

Um dirigente sabe que é observado 24 horas por dia. A liderança ao mais alto nível exige uma dedicação exclusiva e um cuidado extremo com os actos e as palavras. Quando se é chefe, é-se chefe de dia e de noite. Por outro lado, um líder numa posição de poder tem que falar com elegância. A formalidade  e o protocolo contam muito, já dizia Mestre Confúcio, como os seus Analectos nos lembram. O líder não pode falar como um carroceiro mal-polido. Quando o faz está a perder força. Quando isso põe uma categoria social contra ele, está a perder poder. É a erosão do poder.  

 

Daqui até ao final do ano

A minha coluna de opinião desta semana, no DN em papel, que ontem foi posto à venda, olha para os próximos quatro meses que faltam para terminar o ano. A pandemia e as eleições presidenciais americanas serão as duas principais determinantes, com toda uma série de consequências, de grande complexidade e cheias de incertezas.

O texto contém várias mensagens, que não escaparão às mentes atentas. Mas, acima de tudo, sublinha a importância das lideranças, que podem empurrar os acontecimentos num sentido ou no outro. E lembra-nos que em política nada deve ser dado por adquirido. Perde quem mostra excesso de confiança e pouco apreço pela capacidade de luta do adversário.

O DN deve permitir o acesso livre ao meu texto amanhã.

 

Optimismo em política

Espera-se de um líder político que projecte uma atitude positiva. A nação precisa de acreditar no futuro. Aí reside a essência da política. O resto é administração pública. Por isso, acho preferível votar num dirigente que consegue fazer passar uma mensagem optimista, do que apoiar um pessimista, por muito sagaz e moderno que seja, mas que se revela incapaz de mobilizar os cidadãos. Mais ainda, sempre considerei que o negativismo e o bota-abaixo sistemático não levam a parte alguma. O extremismo, de direita ou de esquerda, deve ser visto apenas como uma nota de pé-de-página, fora da esfera governativa. No meu quadro de referência, qualquer aliança com um dos extremos pouco mais é do que um ato de oportunismo político. Como tal, só é aceitável em casos excepcionais e por um tempo limitado.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D