Portugal é grande quando abre horizontes

19
Mai 19

No meu país ideal não há lugar para as faltas de civismo e a desobediência às regras. Como também não há espaço para que um dirigente político de primeira linha possa dizer alto e bom som que a norma no seu partido é a de não ultrapassar a velocidade de 139 km/hora.

publicado por victorangelo às 19:50

10
Mai 19

Fala-se muito na crise da democracia. Inventa-se toda uma série de explicações. Escreve-se peças académicas sobre o assunto. E, sobretudo, esquece-se que a raiz dessa crise está na maneira como os partidos políticos funcionam. Em muitos deles, tudo é decidido de cima para baixo. Manda o chefe e os outros não têm outro papel que o de obedecer. Não há democracia interna, não há debate para além do dizer que sim ao chefe e aos seus.

A crise da democracia resulta de partidos que deixaram de a praticar nas suas fileiras, que perderam a representatividade política que deveriam ter e que não permitem às novas elites e às ideias frescas que vinguem.

publicado por victorangelo às 14:56

08
Mai 19

Ficar parado, à espera do futuro, não é solução.

publicado por victorangelo às 20:14

Mesmo quando o problema é complicado, uma resposta elegante é já uma boa parte da solução.

publicado por victorangelo às 20:08

Na acção política, agir como um tacticista leva ao descrédito. Com o tempo, as pessoas perdem a confiança. E sem confiança não há política que valha.

publicado por victorangelo às 16:36

01
Mai 19

Segui com algum cuidado a transição que acaba de ter lugar no Japão, do Imperador Akihito para o seu filho, o agora Imperador Naruhito.

Apesar da distância cultural que nos separa do Japão, este acto político deve fazer-nos reflectir. É, também, uma fonte de inspiração quando se pode observar uma outra prática do exercício do poder e do simbolismo. Sobretudo, quando o principal objectivo é o de assegurar a unidade nacional e o orgulho colectivo, que é indispensável para que haja optimismo e se possa acreditar no futuro.

As palavras que utilisarei, para resumir a transição que agora ocorreu e que tem uma importância enorme para a população japonesa, são cinco:

Simplicidade.

Brevidade.

Tradição.

Cerimonialismo

Elegância.

Mais ainda. O Primeiro Ministro Shinzo Abe discursou esta manhã, durante menos de dois minutos, para reconhecer a autoridade do novo Imperador. Referiu-se apenas a três ideias-chave, cuja menção me parece igualmente relevante. Unidade nacional. Paz internacional. Florescência da cultura japonesa. Três objectivos que cabem bem no novo período imperial, que procura combinar harmonia com beleza (Reiwa).

Em matéria política e de liderança, foi uma lição. Que aqui partilho.

publicado por victorangelo às 17:44

27
Abr 19

Há 98 anos, Portugal era um país pobre, pouco instruído e profundamente rural. Um país de servos, sem perspectivas, perdido na ignorância dos preconceitos de outrora e dirigidos por incompetentes políticos. Foi nesse ambiente que o meu Pai nasceu, numa aldeia de Pombal. Faria hoje anos. E veria agora um país diferente. Os políticos talvez não sejam mais competentes do que os de outrora. Nem menos oportunistas. Mas os Portugueses são hoje mais vivos, melhor preparados para enfrentar o futuro e mais abertos a todo um leque de ideias, para além da cartilha tradicional.

publicado por victorangelo às 20:53

03
Abr 19

A experiência ensinou-me que o problema não consiste em o governo ser de esquerda ou de direita. Muitas vezes, as diferenças programáticas entre ambos os lados são apenas ligeiramente perceptíveis. Não há grande diferença entre o Manuel e a Manuela.

O problema da governação existe quando nos defrontamos com uma mistura desastrosa que combina incompetência com oportunismo. À esquerda ou à direita, líderes incompetentes e trapaceiros trazem para o poder afilhados e apaniguados igualmente nulos, gananciosos e corruptos. Os que mandam rodeiam-se de quem não os ponha em causa. Fica tudo ao mesmo nível de inépcia, de mesquinhez e de cupidez.

E, assim, o país não avança.

publicado por victorangelo às 15:27

02
Abr 19

Vale a pena olhar para a Holanda. É um país que funciona bem, disciplinado, que sabe tratar de si e dos seus interesses nacionais, sem descurar o desempenho de um papel positivo na construção europeia.

Vejamos alguns dados.

A dívida pública holandesa representa 52,4% do PIB nacional. Este é um valor que está dentro do limite autorizado para os países da zona euro, o famoso tecto dos 60%.

A taxa de desemprego situa-se nos 3,4%. Ou seja, existe uma situação próxima do pleno emprego. Por isso, o mercado de trabalho tem cerca de um milhão de ofertas de emprego por preencher. É verdade que a língua – uma língua difícil para quem não venha do mundo germânico – é um obstáculo à imigração. Mas as oportunidades existem.

Os rendimentos das famílias continuam a aumentar, de ano para ano. Uma das razões tem que ver com uma carga tributária relativamente moderada. Não existe na Holanda uma cultura governativa de caça aos rendimentos dos cidadãos, ao contrário do que se verifica em Portugal e noutros Estados da União Europeia. Estados em que em vez de se procurar criar riqueza acabam por restringir a criatividade das pessoas. A outra razão deriva de um sistema de negociação de convenções colectivas de trabalho bem organizado, realista e inspirado na ética do bem-estar colectivo.

Uma das ameaças mais sérias, a curto prazo, para a economia holandesa seria um Brexit sem acordo. O Reino Unido é o segundo parceiro comercial da Holanda. O Primeiro-Ministro Mark Rutte está consciente desse risco. Tem mantido um diálogo com as principais associações económicas do seu país, para além dos contactos frequentes que estabelece com as instituições em Bruxelas e com os principais líderes europeus. Mark Rutte é, aliás, um candidato a ter em conta, nas negociações que começarão em breve, relativas aos principais cargos em Bruxelas. Tem andado a mexer-se nesse sentido. E tem apoios.

 

 

publicado por victorangelo às 17:57

31
Mar 19

Nestes últimos tempos, tem-se falado muito sobre a família e a política. Ou, melhor dito, sobre as famílias que estão no governo. Assim, penso que poderia ser interessante partilhar uma história pessoal, que não sendo sobre a participação na política se relaciona com as relações entre a família e certas posições na praça pública.

Uma das minhas filhas trabalhou em várias missões internacionais de paz, no Kosovo, na R.D. do Congo e ainda no Haiti. A determinada altura foi-lhe oferecida a possibilidade de entrar para o quadro profissional da ONU. Era uma oferta muito interessante. Teve, no entanto, que indicar no formulário apropriado que o seu Pai – eu, sim, eu – era um alto funcionário de carreira das Nações Unidas. Pediu, no seguimento, uma excepção à regra que impede o recrutamento de quem tenha um familiar muito chegado já em funções na ONU. A razão que apresentou foi que não se antevia qualquer hipótese de influência do pai no trabalho futuro da filha. Ainda, que a função do pai não tinha influenciado, de modo algum, a decisão de lhe oferecer uma perspectiva de carreira. A resposta que veio do secretariado das Nações Unidas em Nova Iorque foi negativa. Não havia espaço para excepções, para desvios na interpretação da regra, apesar da candidata reunir todas as exigências requeridas e ter demonstrado, nas diferentes missões, um mérito profissional elevado.

As regras cumprem-se. E os princípios respeitam-se, mesmo quando não estão em letra de forma.

E na política ao mais alto nível, na governação do Estado, a sabedoria aconselha prudência, bom senso, respeito pela ética e pelas aparências, no sentido da imagem que se projecta. Caso contrário, abre-se flanco à crítica, fragiliza-se a liderança e dá-se espaço à desconfiança. A desconfiança acaba sempre por atingir muito seriamente o artista, por mais habilidoso que seja. Destabiliza-o, pelo menos.

 

publicado por victorangelo às 17:24

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