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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma grande confusão

Pessoas com nível universitário estão de tal modo confusas, que acreditam nas teorias conspiratórias mais estranhas. É como se tivessem perdido os valores, as normas de referência, a confiança nas instituições, a esperança no futuro. Quando tento falar com alguns amigos que se encontram nesse tipo de encruzilhada acabo por ficar sem palavras, incapaz de vencer esse pessimismo. E os políticos oportunistas, bem como os tontos que estão em posições de poder, acabam por tirar proveito dessa confusão. Estamos, assim, num período bastante perigoso da nossa história. As redes sociais, as televisões inspiradas na técnica dos chouriços, que de meia em meia hora reforçam as ilusões ditas anteriormente, os palhaços dos circos onde reside o poder, tudo isto contribui para aumentar a confusão, as fantasias e o nosso tribalismo.

Isabel II: reflectir sobre a sua popularidade

Ninguém é obrigado a fazer fila durante 12 ou mais horas para passar uns segundos em frente do caixão de Isabel II. Que centenas de milhares de pessoas o façam é extremamente significativo: a Rainha, enquanto pessoa, marcou várias gerações de britânicos e de outros povos do Commonwealth. Também foi claramente apreciada por muitos que nada têm de ver com a história e a cultura do Reino Unido e dos países a ele ligados. Uma das características que poderá explicar um nível ímpar de apreço será a serenidade com que exerceu a função. A serenidade é um atributo pouco frequente entre os líderes políticos. Poderá dizer-se que no seu caso era fácil ser serena, na medida em que o cargo era permanente e vitalício. Mas ela sabia que nos dias de hoje, nada na política pode ser tido como favas contadas. A opinião pública pesa muito e é muito instável. Perde-se com facilidade, na actividade da governação, a credibilidade. Ela não a perdeu.

Aprender com Isabel II e outros grandes líderes

Quando penso em Isabel II ou noutras grandes personalidades – algumas fizeram parte da minha vida profissional, mas não vou mencionar nomes – a grande questão é sempre tentar perceber o que aprendi com elas. Líderes assim devem ser sempre pensados, acima de tudo, pela positiva, pelas lições que deles podemos tirar, directa ou indirectamente, pela inspiração de vida que nos dão. Cinismo e humor malevolente não fazem parte da minha maneira de encarar essas vidas excepcionais. Isso não que dizer que não lhe reconheçamos falhas e erros, mas, num balanço final, o positivo pesa mais do que o negativo. A não ser que estejamos a falar de ditadores, de líderes corruptos, de criminosos de guerra, claro. Nesses casos, o negativo é a marca que fica.

No caso de Isabel II, o sentido do dever, a dedicação à sua função institucional e o respeito pelas pessoas, pelas regras que permitem consolidar a estabilidade nacional, são aspectos que não posso deixar de sublinhar. Compreendeu qual era o seu papel dentro de um sistema aceite pela maioria e procurou responder ao que era esperado. Com muita serenidade, com elegância e um sorriso permanente e com uma expressão de quem se sente bem no papel que o destino lhe deu.

Faz pensar, não é verdade?

Gorbachev: um líder

Mikhaïl Gorbatchev, que hoje foi sepultado, ficará para sempre associado a uma fase marcante do Século XX, o desanuviamento entre os dois blocos geopolíticos da época e a libertação dos povos da Europa do Leste e da Rússia. Lembra-nos, ainda, que a personalidade e a vontade do líder dão dimensões fundamentais em matéria política. Se forem bem utilizadas, para além da superficialidade das coisas e da procura constante da popularidade, podem transformar o nosso mundo, pequeno ou grande, aqui ou em dimensões mais vastas.  

 

Liderança política

Numa sociedade que vive à volta da televisão, quem aparece no ecrã personifica o partido. Para o bem e para o mal. Os cidadãos telespectadores julgam o partido a partir da imagem e da narrativa que é transmitida pelos programas televisivos. Não há que ter ilusões sobre isso. Daí que a responsabilidade do líder seja imensa.

Por outro lado, o líder tem um poder de decisão enorme dentro do seu partido. Por exemplo, a palavra final sobre as listas de candidatos cabe ao chefe máximo.

Por tudo isto, a sua responsabilidade, em caso de derrota, é enorme. Como também o é, em caso de vitória.

 

Demissão, o passo natural que quem perde deve dar

É prática habitual, nas democracias, que um líder partidário peça a demissão, após uma derrota pesada numa eleição. Uma derrota a sério descredibiliza politicamente quem esteve à frente da campanha. Tentar justificar o fracasso com a maneira como os adversários conduziram a sua estratégia é uma desculpa de mau pagador.

Trata-se de assumir a responsabilidade, que é isso que se espera de um dirigente democrático. Não é algo que deva ser pedido de fora, do exterior do partido. Mas também não deveria ser necessário chegar-se a uma situação em que a queda é imposta a partir de dentro. Deveria, isso sim, ser uma decisão imediata e livre do líder. Assim se percebe quem tem estofo de líder, quem compreende o que significa ser responsável e ter espírito democrático.

O dia seguinte às eleições

Os resultados eleitorais mostraram um elevado grau de maturidade dos cidadãos. Houve empenho em participar, apesar da situação pandémica, e uma votação útil à esquerda, onde a única opção razoável, para a maioria, era um voto no PS. À direita, houve uma dispersão, por uma razão que me parece clara: a alternativa de direita, que era encabeçada por Rui Rio, não convenceu. Rio mostrou não ter o carisma nem uma imagem de estadista que fossem suficientes para captar eleitores. Apareceu, aos olhos de muitos, com demasiada ligeireza, que não convencia as pessoas que havia ali um dirigente de um futuro governo. Faltou-lhe gravidade, no sentido de solenidade de maneiras e tratamento profundo das questões.

O grande vencedor foi, na verdade, António Costa. Conseguiu fazer passar uma mensagem de seriedade política, de estabilidade e equilíbrio. Tem todo o mérito. Até porque não foram umas eleições fáceis. Uma parte do eleitorado que desta vez disse não à abstenção veio para votar à direita. Mas Costa soube manter a sua base de apoio e captar os que haviam anteriormente votado comunista ou pelo Bloco.

Uma maioria absoluta é muito melhor do que uma geringonça a cair aos bocados. Sobretudo uma geringonça com um partido do passado e outro de irrealistas românticos, incapazes de compreender como cresce um país e que alianças externas deve ter. O fim desse estranho arranjo político é talvez o ponto mais positivo desta eleição.

A dúzia de deputados do Chega irá fazer algum barulho na Assembleia da República. Mas como diria o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo, se ainda estivesse entre nós, será só fumaça. O povo mostrou, acrescentaria, ser sereno.

O resto é democracia.

Votar na mediocridade existente

A imagem que fica, depois de tantos dias de campanha, incluindo a pré-campanha, é de que os políticos que por aí aparecem não têm o nível necessário para dirigir um país como o nosso, que precisa de levar uma grande volta. É a campanha dos medíocres que irão fazer mais do mesmo. Votar torna-se, assim, um mero descargo de consciência e não um acto de escolha. Vota-se, qualquer seja a escolha, ao nível dos grandes, em mais do mesmo.

Abstenção

A poucos dias do momento eleitoral, parece-me que se deveria insistir mais no apelo ao voto. Em plena pandemia e perante a crescente e visível descredibilização que os debates e as acções de campanha eleitoral têm ocasionado, o risco de uma taxa muito elevada de abstenção é enorme. Muitas pessoas têm medo de ser contaminadas. Por outro lado, não vislumbro uma liderança verdadeiramente mobilizadora que justifique a deslocação aos locais de voto. Se alguma coisa se conseguiu nas últimas semanas foi um acentuar da má imagem que, de um modo geral, mancha a classe política portuguesa.

 

A entrevista que dei ao DN (6)

De Joe Biden a Xi Jinping, de Jair Bolsonaro a Narenda Modi, passando por Vladimir Putin, Boris Johnson, Emmanuel Macron, Ali Khamenei, Cyril Ramaposa ou Fumio Kishida, concorda com quem diz que geral os líderes de hoje são uma sombra das grandes figuras do passado, mesmo recente?

Os tempos são outros, é muito difícil fazer comparações. No passado, o poder e as relações sociais tinham a forma de pirâmides. Aceitava-se mais facilmente a hierarquia e o comando vindo do topo. Hoje, vivemos em sociedades tendencialmente horizontais, cada um vê-se como igual ao seu vizinho. A autoridade, para ser aceite, precisa de outros atributos, muito para além do formalismo das funções. Para mais, existe uma abundância de informação largamente acessível, mas geradora de confusões, de fragmentação das opiniões e de espaço oportunístico para os mais diversos manipuladores da opinião pública. Num mundo horizontal, confuso e fragmentado, só pode ser um líder aceite e positivo quem conseguir dar um sentido otimista e mobilizador ao contexto em que vivemos. O líder tem de saber explicar o que se passa, propor um rumo e dar esperança ao futuro.

Quando digo liderança positiva, refiro-me a quem tenha uma agenda progressista e transformadora da sociedade, ao contrário de um Donald Trump, que também considero um líder, mas negativo. Também não estou a falar de líderes neutros, populares certamente, mas que não aproveitam essa popularidade para fazer avançar os seus países.

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