Portugal é grande quando abre horizontes

05
Abr 15

Uma das características marcantes da Esquerda portuguesa é a sua fragmentação. As divisões resultam de uma notória falta de liderança combinada com a inexistência de um projecto credível e agregador. No meio de tudo isso, existe um Partido Socialista às aranhas e um Partido Comunista amarrado a uma visão impraticável da sociedade e das relações de Portugal com os seus parceiros naturais.

Por isso vamos ter, nos próximos meses, no que respeita às eleições presidenciais do próximo ano, mais candidaturas à esquerda.

Tudo isto favorece claramente a Direita.

publicado por victorangelo às 20:19

16
Out 13

Amanhã e Sexta-feira estarei na Noruega, no quadro da minha colaboração com o Ministério dos Negócios Estrangeiros desse país. É sempre um prazer voltar a Oslo, com a sua atmosfera bon enfant, descontraída, um ambiente em que a palavra crise não tem cabimento.

 

Para quem vem de Portugal, onde a crise económica é hoje uma crise de desespero e de falta de perspectivas, o contraste não pode ser maior. Estar em Oslo ajuda-nos a perceber que Portugal não pode continuar obcecado consigo próprio nem num estado de revolta permanente. Nada disso ajuda a construir o futuro. Há que acreditar nas nossas capacidades, ser tolerante em relação aos que pensam de modo diferente do nosso e ser honesto e generoso na relação com os outros. E, acima de tudo, ter uma elite que pensa no progresso colectivo e não apenas no seu proveito pessoal.

 

Tudo isto parece ingénuo. Mas é possível, com um outro tipo de gente à frente da política e da opinião pública. Com gente com sentido da história e não do proveito pessoal que possam tirar de uma efémera passagem pelo poder.

publicado por victorangelo às 21:59

10
Mar 13

A Assembleia da República acaba de nomear dois deputados para o Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP). Um deles vai mesmo servir como presidente desse Conselho de vigilância das “secretas”.

 

Num exemplo de renovação da classe dirigente portuguesa, os escolhidos são dois políticos que chegaram à política por serem filhos dos seus papás, que, por sua vez, foram homens políticos de marca. É a renovação em família. 

publicado por victorangelo às 21:46

25
Nov 12

No seguimento do meu texto de ontem e dos comentários que suscitou, uma das questões que precisa de ser discutida parece ser a seguinte: quem são os principais países aliados do nosso país?

 

Portugal tem que contar com a cooperação e a convergência de interesses de países amigos, que partilhem os mesmos valores, os mesmos interesses e a mesma visão do futuro. Quais são esses países?

 

Nenhum povo, nesta era de interdependências, pode aspirar a viver isolado.

 

A questão subsidiária é como proteger os nossos interesses, numa comunidade de países similares e amigos? Cabe a nós, como é evidente, proteger o que nos parece ser do nosso interesse. E, ao mesmo tempo, entender o que deve ser partilhado e posto numa plataforma comum de ambições.

 

E, do outro lado da medalha, quem são os países que mais poderão ameaçar os nossos interesses e o nosso futuro?

 

Por que será que o debate público não abarca este tipo de questões? 

publicado por victorangelo às 20:37

07
Nov 11

Fiz uma pausa no exercício de reflexão estratégica -- os desafios globais no horizonte 2030 -- para dar uma aula no ISCSP aos alunos do segundo ano de mestrado em Relações Internacionais. Foram duas horas de análise crítica sobre o papel da ONU em matéria de manutenção da paz. A assembleia mostrou interesse genuíno pelo tema, apesar de ser um assunto distante das suas preocupações quotidianas.

 

Como também se revelou muito interessada pelo sentido da minha reflexão prospectiva para os próximos 20 anos, ou seja, durante um período de grande instabilidade, de mutações profundas e de desafios complexos.

 

Aproveitei para lhes lembrar, já no fim, que o pensamento estratégico, em relação aos acontecimentos possíveis no futuro, é essencial. Coloca-nos na linha da frente. Dá muito trabalho, muito mais que a análise do imediato ou do dia de ontem, mas permite-nos um posicionamento mais vantajoso. Portugal, e os jovens, em particular, deveriam dar mais atenção a estas questões. Ganharíamos todos.

publicado por victorangelo às 21:51

05
Nov 11

Como se pode achar normal que o PM de Portugal não seja convidado para a tomada de posse do novo Governo Regional da Madeira?

 

Que se passa com o Estado português? 

 

Com as instituições da República?

 

Que aconteceu aos nossos dirigentes, que aceitam isto como se de nada se tratasse?

 

Este país precisa, na verdade, de levar uma grande volta.

publicado por victorangelo às 20:20

27
Mai 10

O Presidente Barack Obama teve, hoje, uma conferência de imprensa difícil. O grupo de jornalistas que segue a Casa Branca, gente de grande valor profissional, não o poupou. As questões centraram-se no desastre ecológico que tem estado a acontecer no Golfo do México, no seguimento da rotura que ocorreu numa das plataformas de exploração da BP. O encontro procurou esclarecer se o Presidente e a sua equipa haviam, ou não, estado à altura, respondido com a atenção e os meios que a catástrofe requeria.

 

As perguntas foram feitas de um modo muito directo, informado, com recurso ao contraditório, sem papas na língua, mas sem agressividade, com respeito pela função presidencial. Um exemplo de como se faz jornalismo responsável. Barack Obama não fugiu nem procurou ludibriar a opinião pública. Esclareceu, manteve a calma, foi cordial e claro. Assumiu as responsabilidades, com serenidade, sem jogos de espelhos. Um exemplo de como se faz liderança política.

publicado por victorangelo às 20:55

04
Mar 10

 

Durante as minhas viagens de ontem, pensei muito na tragédia daquele menino de 12 anos que, em Mirandela, se lançou às águas bravas do Rio Tua. Embora muito longe de Portugal, Mirandela, bullying nas escolas portuguesas, e o gesto desesperado do Leandro, preocuparam-me. Mais. Revoltaram-me.

 

Penso que as escolas do nosso país não têm sabido tratar da questão muito grave que é o bullying. Não é dada orientação sobre o assunto. Os políticos, por seu turno, a começar pelos diferentes ministros e secretários da Educação, não entendem, nem nunca quiseram compreender, a gravidade do problema. Como em muitas outras áreas, deixam andar. Não se sentem responsáveis. Não vêem. Não estão à altura. Temos uns políticos que voam ao nível baixinho da mediocridade. Até nesta área tão evidente, que é a violência contra as nossas crianças.

 

O bullying, e todas as formas que as praxes escolares tomam, sejam elas praticadas na adolescência ou no início da juventude, nos institutos militares, de polícia, nas universidades, e noutros locais de aprendizagem e de formação de jovens, são práticas inaceitáveis. Devem ser vistas como indicadores de um povo primitivo, sem elevação moral, velhas reminiscências de um gosto por barbaridades. Violam a dignidade da pessoa e os direitos humanos. Têm que ser proibidas. E severamente punidas.

 

Estamos no Século XXI, meus senhores e minhas senhoras.

publicado por victorangelo às 19:24

29
Dez 09

 

Um dia ao telefone. A diplomacia das palavras. A procura de plataformas comuns.

 

No comunicar é que está o ganho. Sem diálogo, não há futuro.

 

Ao fazer o balanço do dia, penso na falta de diálogo que caracteriza a política portuguesa. Andam todos a dizer coisas. A tentar marcar pontos. Sem que haja entendimentos. É só conversa, numa guerra de palavras, inspirada pelo sectarismo e a exclusão.

 

 

publicado por victorangelo às 19:49

28
Nov 09

 

Portugal encontra-se numa situação de grande complexidade e muito preocupante.

 

O caso Face Oculta esconde muita coisa, mas também revela ligações estranhas entre a justiça e a política. Ao ponto de se dever perguntar quem julga a justiça, quem investiga a Procuradoria-geral da República? Passam-se coisas de pasmar nestas instituições, não há dúvida. A justiça serve a política, diz muita gente, e os políticos não querem que a justiça funcione.

 

Os partidos políticos estão a voar baixinho. Parecem estar a enveredar por uma fase de conflito e de obstrução, sem que se vislumbre qual é a estratégia.  Eleições em breve, logo que possível? O que se passou ontem na Assembleia da República, uma coligação de facto, objectiva e interesseira, dos que estão fora da governação, foi apenas uma indicação do que nos espera nos próximos tempos. A escolha parece ser a de encurralar o governo, apostar na demagogia e na irresponsabilidade sem consequências de maior, por ser barata para quem está na oposição.

 

A identificação partidária cega-nos o discernimento. Vemos o país e os seus problemas pelo prisma da cor do partido que nos é próximo, sem independência nem equilíbrio de raciocínio. Somos cada vez mais sectários. Mais curtinhos na análise dos desafios. Mais estreitos na resposta.

 

O Presidente continua em Belém.

 

A economia está a perder o dinamismo e a confiança nas instituições. Sem confiança não há desenvolvimento. Não há investimento, nem se atrai os melhores cérebros.

 

Socialmente, temos mais desemprego, mais desespero, mais pobreza, e mais espírito de funcionário. A mentalidade de assistido social e de misericórdia, tão própria de outros tempos, está de novo a ganhar terreno. Em vez de se pensar em qualificação profissional, pensa-se em subsídios. Mesmo sendo estes uma miséria.

 

Os media vão dando uma no cravo e outra na ferradura. Mas, para além da televisão, pouco contam. Os jornais e as revistas de referência circulam sempre entre os mesmos, e pouco mais. Não pesam, não são capazes de influenciar o rumo que se deveria adoptar. Só os canais televisivos podem fazer a diferença. Mas existe receio. E há negócios a salvaguardar.

 

Resta a net. Hoje, muitos dos portugueses estão ligados à rede. Há que gerar um movimento de levantamento nacional através da net. Escrever sobre a mudança, falar do futuro com os olhos abertos e apostando em horizontes mais amplos. A net pode também criar espaço para os novos líderes.

publicado por victorangelo às 20:56

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