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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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A vida na Ajuda

Já aqui escrevi sobre a zona circundante do mercado da Ajuda. É como uma pequena aldeia de gente pobre numa freguesia de Lisboa. Os comerciantes da zona são quase todos à moda antiga. Tratam os clientes com muita atenção, como se fossem todos vizinhos e conhecidos. Mas são quase todos pessoas de uma certa idade. Isso pode significar que, a prazo, esta área comercial está condenada.

Entretanto, nota-se que várias casas antigas, em geral muito pequenas, têm sido ou estão a ser remodeladas. Várias acabarão como Alojamento Local. A freguesia já tem um bom número de alojamentos locais. Muito provavelmente, irão aparecer mais.  

Sair do meu bairro, perto do Ministério da Defesa e ir até ao mercado da Ajuda é uma caminhar no tempo e na escala social. É uma digressão que vale a pena fazer. Embora na volta, existam muitas ruas que são sempre a subir.

 

 

Lisboa, uma cidade de ricos e pobres

No meu dia a dia, Lisboa reduz-se a uma parte da freguesia de Belém. É cada vez mais raro ir além desse limite, quando se trata de deslocações dentro da cidade. Mas hoje fiz algo que já não fazia há muito. Peguei no carro e andei às voltas por Lisboa. Ficaram-me duas ou três impressões. Por um lado, que a animação voltou ao centro da cidade e aos lugares turísticos. Por outro, que há muita habitação a cair de podre, muitos prédios que precisariam de uma renovação a sério. E que a Câmara Municipal não poda as árvores ao longo das vias públicas. Certas ruas e avenidas têm árvores que tapam a luz do dia aos moradores. Nesses prédios deve ser necessário ter as luzes acesas durante o dia todo.

Também tive a oportunidade de observar a ciclovia da Almirante Reis. Ocupa um bom espaço, na subida e na descida da avenida. São vias largas. Mas sem ciclistas, sem uso, pelo menos nesta tarde de domingo.

No final da volta, e tendo em conta os números que saíram das eleições autárquicas em Lisboa, perguntei a mim próprio como vai ser possível tratar desta cidade que bem precisa de uma gestão a sério. A vitória de Carlos Moedas pode facilmente ser transformada numa vitória de Pirro.

Ainda sobre a eleição em Lisboa

Um erro frequente em política é o de subestimar os adversários. Dir-se-ia que Fernando Medina cometeu esse erro, nestas eleições autárquicas. Ter-se-á deixado embalar pelas sondagens, que o davam largamente vencedor.

Não se percebe bem como foi possível ter sondagens com resultados tão enganadores, mas aconteceu. E o presidente cessante deve ter acreditado nelas, como aliás seria de esperar.

Temos aqui uma segunda lição, para além da que se refere ao erro de subestimar a competição. Essa segunda lição é que não se deve dar demasiado crédito às sondagens. Mesmo sabendo que a maioria das sondagens são hoje feitas com base em técnicas comprovadas, é fundamental continuar a lutar por cada voto, procurar convencer cada eleitor, mostrar que não se acredita em favas contadas.

Uma terceira lição diz respeito à arrogância. Cada candidato deve mostrar que se sente à vontade, que não se deixa levar em ondas de entusiasmo, que está ali para ser eleito e não para ser consagrado. A arrogância, verdadeira ou vista como tal, faz perder votos. É muito mal-aceite pelos cidadãos. Nos tempos da sociedade digital e do individualismo que daí nasce, cada eleitor vê-se como igual aos outros, incluindo aos candidatos. Não quer ver e não apoia quem se sente acima do cidadão lambda, do cidadão comum, do meio da escala.

As autárquicas são o que são

As eleições autárquicas têm uma dinâmica própria. Dependem de vários factores locais, das personalidades dos candidatos e da imagem que projectam em termos de eficiência. Essas são dimensões importantes, pelo menos tão relevantes como a identificação partidária. Nalguns casos, são mesmo mais determinantes. Por isso as pessoas votam por Santana Lopes, Isaltino Morais, Fernando Ruas, Rui Moreira e tantos outros.

Lisboa é, no entanto, um caso diferente. Trata-se do município mais visível. A eleição ganha facilmente um significado que extravasa a dimensão local. Foi o que agora aconteceu. O presidente cessante está muito identificado com o primeiro-ministro, António Costa. Por isso, houve quem votasse contra a renovação do seu mandato para mostrar desagrado em relação ao primeiro-ministro. Ou para garantir um certo equilíbrio de poderes, numa visão que preferiria ver como presidente da capital alguém da oposição, para que não fosse tudo da mesma panela.

Mas essa é apenas uma parte da verdade.

De qualquer modo, o resultado da eleição em Lisboa é difícil de ler. Trata-se certamente de uma grande surpresa. Dizer que Lisboa é terra de ricos e por isso vota como votou, é uma maneira simplória de apresentar a coisa. Seria mais fácil falar da personalidade dos dois candidatos, que são na realidade diferentes e contrastantes.

Agora o que interessa é que os eleitos, provenientes de vários partidos, possam trabalhar em conjunto, de modo construtivo. É aí que se verá a maturidade de cada um. A cidade tem imensos problemas, alguns próprios, outros semelhantes ao que acontece actualmente nas grandes urbes. Perante isso, só posso desejar que os eleitos se mostrem à altura. Tentar bloquear o novo presidente, ou uma parte da equipa, acabaria por prejudicar os habitantes de Lisboa. Espero que isso não aconteça.

 

 

 

Na Baixa em baixa

Hoje fiz algo que não fazia há quase um ano: ir à Baixa de Lisboa. E encontrei uma Lisboa a meio gás, ou mesmo menos. Os estabelecimentos comerciais que continuam abertos pouco mais fazem do que tentar sobreviver. E vários fecharam de vez, incluindo lojas que faziam parte da identidade da Baixa.

A única animação era a de um cidadão tresloucado, que percorria o Rossio de peito descoberto, a gritar palavrões e a assustar os poucos turistas que por ali andavam. Era óbvio que ninguém sabe o que fazer numa circunstância destas e que não há um tratamento oficial deste tipo de desgraças. Como em muitas outras coisas, deixa-se andar e finge-se que não se vê.

Havia também muita confusão sobre as novas medidas do governo sobre a covid, em particular sobre a necessidade de fazer valer um certificado de vacinação ou coisa equivalente, para ganhar acesso a um alojamento num hotel ou casa de Alojamento Local. Muitos dos poucos turistas que aparecem são jovens e, por isso, ainda não estão vacinados. Com as novas exigências, ficam numa situação embaraçosa.

Os engraxadores continuam a fazer parte da paisagem do Rossio. Mas não serão mais do que seis. E hoje já ninguém anda com sapatos que peçam graxa. Era o meu caso. Mas mesmo assim, sentei-me em frente de um deles. Limpou-me os mocassins por três euros e disse-me estar convencido que piores dias virão.

A desorganização e a pobreza que nos rodeia

Viajar de Queluz para Belas e depois na direcção de Caneças, virando em A-da-Beja, passando pelo Casal do Rato e ir desaguar no Centro Comercial Dolce Vita Tejo, que não tem nada a ver com a proximidade do rio, antes pelo contrário, está longe que se farta, é uma volta pela vida pobre e problemática. As urbanizações são densamente povoadas, nuns casos, noutros são o resultado de uma fixação populacional espontânea, que depois foi organizada como pôde ser. É um circuito que nos lembra as imensas dificuldades que as vidas de muitos dos nossos cidadãos periurbanos enfrentam. É o subdesenvolvimento às portas da capital. Apenas um exemplo. É o desordenamento do território num país onde o que se não vê não existe. É, acima de tudo, a prova provada da incapacidade da política portuguesa  

Um candidato que se acha superior ao cidadão de todos os dias

“Acredita, Lisboa pode ser muito mais do imaginas.” Vi este slogan em vários sítios da cidade e senti-me incomodado. O autor do slogan, um candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, está a dizer-me que não tenho imaginação suficiente para poder pensar numa cidade mais limpa, mais bem urbanizada, mais segura, mais acessível, e assim por diante. Di-lo a mim e a todos os vivem na capital e acham que é possível fazer muito mais por Lisboa do que aquilo que não tem sido feito.

Peço desculpa, mas acho o slogan infeliz e arrogante.

O desmiolado da Praça do Império

Estou inteiramente de acordo em considerar demagógica a decisão do presidente da Câmara de Lisboa relativa aos brasões que se encontram na Praça do Império, frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Para além da demagogia, a retirada desses brasões só pode ser vista como uma manifestação de radicalismo desmiolado.

Se Fernando Medina está de facto preocupado com essa praça a primeira coisa que deveria fazer seria a de mandar limpar e arranjar as escadarias e o túnel que a liga à esplanada do Padrão dos Descobrimentos. Essa infra-estrutura está frequentemente nauseabunda e também precisa de uma remodelação. Tem, por exemplo, dois ascensores para cadeiras de rodas. Nenhum deles funciona há meses e meses.

As ruas da Ajuda

O velho bairro da Ajuda, junto ao mercado do mesmo nome, nesta parte ocidental de Lisboa, é como uma aldeia dentro da cidade grande. Há de tudo, incluindo gente com poucos meios, a viver em alojamentos minúsculos e que tem a rua como sala de estar. Muitas destas pessoas têm já uma idade avançada, mas continuam a mexer-se, que a vida de quem é pobre não dá para grandes descansos. Existe toda uma série de comércios à antiga, desde o vendedor de passarinhos que cantam a alegria da vida, apesar das gaiolas em que vivem, ao comerciante de trapos e trapinhos. Também há a loja dos telemóveis, com um sikh indiano ao balcão, um estranho que se refugiou neste canto de transição para um futuro melhor.

Hoje visitei a senhora da ourivesaria, por causa de uma questão de relógios. Não sei que idade tem, mas dou-lhe, sem favor algum, que ela não precisa da minha bondade, mais de 85 anos. Disse-me que o artesão relojoeiro a quem ela dá as tarefas mais complicadas tem setenta e tal anos. E quando ele parar, para o negócio. Não há uma nova geração de artesãos a vir por aí acima. Ainda me disse que na Casa Pia há uma formação desse tipo, mas é só canudo. Quem de lá sai, nada tem como experiência do assunto e acaba fazendo outras coisas.

Para mim, isto foi apenas uma ilustração do que será o futuro próximo do bairro. Ofícios que desaparecem, com o andar dos tempos. Até a arte de vender frutas e legumes no mercado ao lado tem cada vez menos praticantes. Uma boa parte das bancadas estão abandonadas.

O que fecha, já não abre. O pouco que ainda vai abrindo são cabeleireiros de senhoras e uma ou outra loja chinesa ou de telemóveis. Compra-se hoje, barato, para deitar fora dentro de dias, quando deixar de funcionar. Mas anda-se com o cabelo arranjado, pois aqui a elegância consegue-se por um preço em conta.

 

O turista de cabelos brancos

Durante a caminhada desta manhã, que faz parte da minha rotina, vi pela primeira vez este verão dois ou três pequenos grupos de turistas do tipo “reformados”. Até agora, o pouco que se via era gente jovem ou relativamente nova. Os da chamada terceira idade não apareciam. Medo do vírus? Provavelmente. Mas hoje apareceram. Veremos se isso volta a acontecer nos próximos dias. Como me disse o meu amigo proprietário de um restaurante que se situa perto dos “pastéis”, essa categoria de turistas tem mais massa do que os jovens. Talvez. Mas a verdade é que as indicações que tenho, de outras partes da Europa, é que todos estão muito agarrados à carteira. O consumo não é o que era. E os mais velhos têm, muitas vezes, que ajudar financeiramente os mais novos. E vem aí o inverno, os invernos, diria, que as nuvens parecem ser muitas, grossas e de vários tipos.  

 

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