Portugal é grande quando abre horizontes

24
Jan 19

O Ministro da Administração Interna deveria mostrar um pouco mais de iniciativa. E menos medo político.

Cabe-lhe explicar, de modo claro e sem qualquer timidez política, que a Polícia de Segurança Pública é uma instituição fundamental da ordem democrática portuguesa e que tem investido imenso, nos últimos 30 e mais anos, na formação dos seus oficiais e agentes. Poderá, num caso ou outro, haver deslizes e comportamentos inaceitáveis. Mas, no seu conjunto, é uma instituição que deve ser respeitada. Faz um trabalho comparável ao que de bom se faz na Europa. O seu papel é fundamental para o bom funcionamento da sociedade portuguesa.

E é esse papel que o seu pessoal procura desempenhar dia e noite.

publicado por victorangelo às 20:02

17
Out 17

Nada sei sobre incêndios nem sobre proteção civil.

Mas, nas minhas múltiplas andanças, vi umas coisas que têm que ver com os comportamentos expectáveis de certas categorias populacionais. Por isso, penso houve aqui um comportamento colectivo, típico de situações como as que existiram durante o fim-de-semana. Cerca de 700 fogos em zonas de pequena propriedade rural – e mais um número significativo de incêndios na Galiza, num contexto de economia agrária semelhante – levam-me a suspeitar que a maioria destes fogos poderá estar ligada a práticas agrícolas do passado e que ainda perduram.

Alguns dos casos terão mão criminosa, gente que quis acrescentar lume e achas para o espectáculo de um pobre país em chamas. Mas muitos terão que ver com as chuvas que se anunciavam para os dias da semana entrante. Os pequenos agricultores sabiam que vinha aí a muito ansiada água e que seria então a altura de preparar as terras para as culturas outonais. Quantos não terão procedido a queimadas que depois deram em tragédia?

A queimada sempre foi uma técnica agrícola de pobre. Sempre se fez na véspera das chuvas. Será uma tradição inapropriada, sem dúvida. Mas quem somos nós para o dizer a quem procura sobreviver numa economia rural de pobreza?

 

publicado por victorangelo às 20:51

05
Mai 15

Neste dia em que um camião foi atacado e levado para parte incerta por cinco homens armados na auto-estrada do Norte – a A1 – a poucos quilómetros do Porto, volto a dizer que a violência contra as pessoas e a propriedade são um problema muito sério, no Portugal de agora. Basta comparar as notícias diárias sobre incidentes graves de insegurança, espalhadas nos mais diversos órgãos de comunicação social, com as publicadas na Bélgica, um país com uma dimensão semelhante à nossa, para se ver que temos um problema bem significativo. E que se tem agravado nos últimos anos.

É, além disso, um problema que os políticos da governação procuram esconder. A narrativa que lhes interessa é a de um país seguro. Uma vez mais o discurso público tem como objectivo escamotear a falta de capacidade política para resolver um problema que afecta muitos, em particular os mais pobres, os mais idosos e as mulheres. E que poderia ser resolvido, se houvesse coragem política, competência e preocupação de verdade com o bem-estar dos cidadãos.

publicado por victorangelo às 22:06

03
Mai 15

No dia em que a GNR celebra os seus 104 anos de existência, é importante escrever a palavra reconhecimento. Na verdade, essa força de polícia merece uma apreciação positiva e um agradecimento, por parte de todos nós.

Também me parece importante voltar a afirmar que o poder político, à direita e à esquerda, continua sem ter a coragem necessária para pedir à GNR e à PSP que, em conjunto, apresentem uma proposta de reforma da maneira como se deve reorganizar, de modo mais eficaz e coordenado, a manutenção da ordem pública e a segurança dos cidadãos, no país moderno que Portugal pretende ser.

publicado por victorangelo às 21:56

19
Nov 14

Independentemente das opções políticas e das preferências partidárias, parece-me positivo que uma mulher com reconhecido mérito profissional tenha sido empossada como ministra da Administração Interna.

A experiência mostra que a melhor maneira de fazer avançar a agenda da igualdade entre os homens e as mulheres passa pela nomeação de mulheres competentes para cargos de grande responsabilidade política.

E em questões de igualdade do género temos que reconhecer que ainda há muito por fazer, quer em Portugal quer noutros países europeus. A esse título basta ver a mesma página da Presidência da República que reporta a tomada de posse da nova ministra e percorrer as imagens fotográficas de um grupo de senhores que está a promover um projecto sobre o talento português, sob o nome um pouco estranho de “Transforma Talento Portugal”. Só homens…Que isto do que eles entendem como talento é certamente coisa de homens, na cabeça de quem os nomeou e também nas vistas de quem aceitou fazer parte da coisa…

publicado por victorangelo às 20:00

11
Ago 14

Os polícias que encontramos nas ruas de Lisboa andam fardados com uma camisa azul, de um escuro desbotado, que nos diz ser de tecido de má qualidade. Ficam com um aspecto de polícia pobre, que é de facto o que são. E para acentuar ainda mais a imagem, uma boa parte, tudo gente muito jovem, passa o tempo de patrulha encostado às paredes da cidade, a falar ao telemóvel. Garbo profissional deve ser um conceito que ficou esquecido nos manuais do passado.

 

Eu, que tenho todo o respeito pela dedicação dos nossos polícias, fico à espera de mais, que isto da imagem, em matéria de segurança pública, vale muito.

publicado por victorangelo às 19:22

12
Mai 14

O Palito anda a monte desde 17 de Abril, dia em que matou duas mulheres da sua família e feriu outras duas. A zona em que se esconde é uma zona rural, relativamente montanhosa, no norte do distrito de Viseu.

 

A GNR mobilizou meios excepcionais, mas não o consegue encontrar. Nem vivo nem morto.

 

Para além dos custos financeiros elevados da operação, há aqui uma questão de credibilidade que está em jogo. Não deveria ser possível a um homem simples como o Palito, por muito bem que conheça o terreno em se move, conseguir fintar a polícia durante tanto tempo. Hoje em dia, há meios, técnicas e conhecimentos mais do que suficientes para impedir que uma situação destas se arraste.

 

Não é apenas o prestígio da polícia – incluindo da Polícia Judiciária, que está no terreno com a GNR – que fica afectado. É a autoridade do Estado, a começar por quem é responsável pelo Ministério da Administração Interna.

 

No país mais eficiente que eu gostava de ter isto seria tratado com outra prioridade e com a celeridade necessária.

publicado por victorangelo às 19:38

02
Mai 14

Um casal amigo, que mora na zona, dizia-me ontem que a estrada nacional entre a Quinta do Conde e Azeitão mete respeito, a partir das 10:00 horas da noite. Parar nos sinais, por exemplo, faz-se com o coração na boca. Ser seguido de perto por um outro carro é uma ansiedade. Existe medo, na estrada, medo dos assaltos e do carjacking.

 

Há dois ou três anos atrás não era assim. Agora é. E é tema de conversa, quando as pessoas se encontram. Pena que o ministro da Administração Interna não faça parte dos serões destas pessoas, onde estes medos são partilhados.

publicado por victorangelo às 21:16

21
Abr 14

No dia da sua tomada de posse, parece-me importante desejar os maiores sucessos ao novo Comandante-geral da Guarda Nacional Republicana (GNR). A instituição tem oficiais, sargentos e praças de grande valor. Com um bom comando, tudo deverá correr pela melhor.

 

Já ao nível político, as questões são outras.

 

A instituição continua a ser liderada por oficiais generais provenientes do Exército. Já será altura de promover a prata que cresceu na casa, e dar a oportunidade a um, dois ou três dos coronéis que subiram nas fileiras de chegar ao generalato da GNR.

 

Por outro lado, é altura de pensar a sério no futuro da instituição. Será que ainda se justifica, numa democracia madura, ter toda uma força de polícia com uma cariz militar?

 

Como também é altura de pensar na relação funcional entre a GNR e os outros serviços de polícia, em particular a Polícia de Segurança Pública (PSP) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). A matriz moderna das polícias, que é civil, a eficiência do combate ao crime e a proteção efectiva dos cidadãos pedem que se pense a sério na convergência de todas estas instituições num serviço nacional unificado de polícia.

 

Note-se o uso, na frase anterior, da palavra “convergência”. Tem que ser um processo gradual. Tem que respeitar as tradições de cada força e serviço. Mas precisa de ser encarado. E tem que haver a coragem política de o iniciar.

publicado por victorangelo às 20:06

03
Abr 14

Soube-se, ao fim do dia, que o governo decidiu que será a Força Aérea, não a GNR, que participará, do lado português, na missão da União Europeia na República Centro-Africana. Esta é, na verdade, uma decisão que cabe ao governo. E é importante que Portugal faça parte desta intervenção europeia. Mas dito isto, ficamos com a impressão que estamos, uma vez mais, perante um trapalhada política. Durante várias semanas, o governo assistiu, mudo e sereno, a toda uma campanha junto da opinião pública, que nos explicou com um certo pormenor que a GNR estava a preparar um pelotão de agentes especiais, que seria depois despachado para Bangui. O pormenor era tal que até nos diziam qual seria o tipo de funções que esses militares de polícia – estranha designação, mas assim é – iriam desempenhar.

 

Agora dizem-nos que afinal tudo isso havia sido feito sem que houvesse uma decisão política. Nesse caso, pergunto: quem tomou e com que autoridade, a decisão?

 

Há aqui uma história que não se entende. Que está a ser contada de modo incompleto. Sem mais esclarecimentos, sem que se entenda quem é responsável pela salsada, temos várias instituições a ficar muita mal nesta fotografia de cores mal definidas.

 

Ora, estas coisas não se compadecem com enredos.

publicado por victorangelo às 21:20

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