Portugal é grande quando abre horizontes

12
Jun 19

No seguimento dos discursos do 10 de Junho, e depois de reconhecer a qualidade do que foi proferido pelo João Miguel Tavares, queria lembrar que alguns dos melhores discursos políticos foram curtos e directos. Por exemplo, em 1863, muito antes do aparecimento do Twitter e do número reduzido de caracteres que impõe, o Presidente Abraham Lincoln pronunicou um discurso memorável, conhecido na história como a alocução de Gettysburg, para falar da Guerra Civil e do futuro. Vivia-se um momento muito grave na história dos Estados Unidos. O discurso teve uma duração inferior a três minutos. E continua a ser citado, nos dias de hoje.

publicado por victorangelo às 16:30

11
Jun 19

O Presidente da República Portuguesa e o Primeiro Ministro disseram em Cabo Verde que são pela abolição dos vistos entre os países da CPLP.

Na minha opinião, há aqui um cheirinho a promessas falsas e um pendor evidente para a demagogia.

Os países da CPLP, com excepção de Portugal, podem decidir abolir a exigência de vistos. Cada um decidirá por si. Mas Portugal faz parte do acordo de Schengen. E enquanto estiver na área de Schengen terá que seguir os princípios comuns que os Estados membros de Schengen acordaram entre si. Não pode optar individualmente por um regime de excepção.

O Presidente e o PM têm consciência disso. Dizem, no entanto, o contrário, quando estão na Cidade da Praia ou quando falam com os Moçambicanos ou os Angolanos. Esse comportamento é absolutamente ridículo. Tomam por parvos os cidadãos e os dirigentes políticos dos países da CPLP. O que é sempre uma má ideia, na política e na vida.

publicado por victorangelo às 20:40

05
Fev 19

O Presidente da República visitou ontem o problemático Bairro da Jamaica, no Seixal. Foi uma visita inapropriada e errada.

O Presidente tem o direito de visitar o que entende. Mas, enquanto Chefe de Estado, todas as visitas têm uma leitura política. E mais ainda esta, que pareceu dirigida contra o Governo, em particular contra as declarações do Primeiro-Ministro na Assembleia da República sobre os incidentes que ocorreram nesse bairro, e contra a ordem pública, representada pela PSP.

O Presidente tem que saber encontrar um equilíbrio entre a proximidade com os cidadãos e o respeito pelos pilares institucionais da República. Não pode, de modo algum, alinhar-se de um lado sem ouvir, de preferência em simultâneo, o outro. Tem que ouvir com as duas orelhas e manter o cérebro no meio.

É verdade que, entretanto, teve o apoio verbal de um radical da extrema-esquerda. Mas isso é pouco. Pode mesmo ser visto como um certo tipo de infantilismo a apoiar um outro tipo de infantilismo. Tudo sem sentido de Estado.

Será certamente lembrado quando a próxima campanha eleitoral para as presidenciais tiver lugar.

publicado por victorangelo às 16:32

03
Jan 19

Penso que as declarações públicas do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, após a sua audiência protocolar com o novo Presidente da República do Brasil, foram demasiado efusivas. O Presidente português teria marcado pontos se se tivesse limitado a declarações mais formais. Penso que, neste caso, não esteve bem e deu espaço aos que criticam, aqui em Portugal, as suas orientações políticas.

Nestas coisas, tratando-se de uma personalidade não apenas controversa, quer no Brasil quer fora dele, mas também com ideias políticas muito extremistas e desequilibradas, convém limitar os comentários oficiais ao que é estritamente cerimonioso e pouco mais.

publicado por victorangelo às 17:45

20
Set 16

Uns breves comentários, no fim de um dia muito agitado.

Portugal, que tem uma economia pobre, não precisa de radicalismos anticapitalistas e de infantilismos doutrinários. Necessita, isso sim, de serenidade política que atraia investimentos e dê confiança a quem pode criar economia e emprego.

O primeiro-ministro não pode dar a impressão que não controla as suas hostes, sobretudo os mais exaltados dos extremistas e outros “jovens turcos” que andam aos pulos para serem vistos pela pacóvia que controla os meios de comunicação social.

Veja-se se a lista dos chefes de Estado que o Presidente tem a intenção de encontrar em Nova Iorque, nas margens da Assembleia-Geral da ONU e prometa-se, de seguida, uma velinha à Virgem de Fátima.

Entretanto o Wall Street Journal publicou um artigo de opinião contra António Guterres. Diz que o nosso compatriota não soube gerir o ACNUR, invocando para isso uma investigação interna da ONU, recente, que de facto existe, mas que não incrimina Guterres. Enfim, um artigo de lixo num jornal influente.

publicado por victorangelo às 22:14

20
Abr 16

O Presidente da República disse hoje que a Marinha portuguesa não dispõe dos meios necessários para desempenhar as funções de soberania que lhe competem. Infelizmente, isso é bem verdade. E mais ainda, é incompreensível num país que diz que o mar é uma das suas prioridades e um dos seus grandes trunfos em termos de desenvolvimento. Ora, no mundo real, as prioridades e os trunfos são protegidos, com todos os meios e mais alguns. Não o fazer corresponde a falta de coerência política e põe em risco um recurso fundamental para o crescimento e a grandeza do país.

publicado por victorangelo às 21:27

25
Jan 16

Portugal: eleição presidencial de 24/01/2016

  • MRS: o único titular de um alto cargo institucional que tem uma legitimidade sólida; o seu maior desafio é mantê-la
  • Ganhou em todos os distritos
  • Uma vitória que faz algum tipo de ponte entre diferentes sectores de opinião
  • Divisões no seio do PS, o grande perdedor da noite, por ter dois candidatos e por se identificar de modo muito claro com um deles, em contramão dos históricos do partido
  • Estimo que cerca de 1/3 do eleitorado do PS seja próximo do centro
  • A crispação vai aprofundar-se entre o PS e os seus apoios parlamentares, sobretudo do lado do PCP
  • O espaço do PCP está mais apertado, entre a ala esquerda do PS e o BE
  • O discurso político do PCP está fora de sintonia com a maneira de falar sobre política que hoje se pratica
  • A candidata do BE tem um potencial eleitoral que é importante reconhecer
  • 17 pontos percentuais da abstenção serão explicados pela inadequação ou falta de actualização dos cadernos eleitorais; não serão 9 440 mil eleitores, mas sim cerca de 7 836 mil
publicado por victorangelo às 12:05

15
Jul 14

Ver Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa semanal de ontem na TVI, uma coisa que eu não fazia há muito tempo, foi um descalabro. O professor está em nítida perda de velocidade e argúcia intelectual. O que diz é crescentemente superficial, o comentário pela rama, para agradar a um vasto círculo de possíveis apoiantes. Só que o círculo é indefinido e as opiniões são cada vez mais corriqueiras e assentes em análise de joelho e de palpite.

 

Faz pena ver Marcelo a descarrilar assim. Talvez seja tempo para pensar noutras actividades, na reforma, nos netos, sei lá em quê...

 

Por outro lado, o jornalista que o entrevistou, nem vale a pena lembrar o nome, foi uma lástima. Esteve perdido durante a conversa. Mal conseguia articular uma frase. Devia estar ali por engano e para fazer um frete.

publicado por victorangelo às 12:56

18
Jan 14

O pacote da recandidatura de Passos Coelho à direcção do PSD, agora formalizada, inclui um acordo subjacente: apoiar Durão Barroso como o candidato oficial dos sociais-democratas à Presidência da República em 2016. Passos acha que Barroso tem a experiência e a maturidade política necessárias. Mas acima de tudo, sabe que é um “candidato de confiança”, que irá “pagar” o apoio que lhe vier a ser dado. É, para Passos, uma aposta segura.

 

Já o mesmo não se poderá dizer de Marcelo Rebelo de Sousa. É demasiado independente para o gosto do primeiro-ministro. Essa é a sua principal desvantagem, aos olhos de Passos Coelho. Sem esquecer que o velho ditado: “cá se fazem, cá se pagam”. Marcelo vai ter que pagar a falta de respeito que tem mostrado por Passos.

 

Assim é a política que temos.

publicado por victorangelo às 20:33

28
Jul 13

No seu comentário televisivo de hoje, Marcelo fez uma série de piruetas mais ou menos infelizes e intelectualmente desonestas, para tentar salvar a reputação do Ministro Machete. Ou seja, a amizade e a cumplicidade partidária foram mais importantes que a análise isenta.

 

Na verdade, o ministro aparece na fita deste novo governo apenas como um expediente de última hora, para tentar calar os velhos barões e baronesas do PSD, que Machete bem representa. É que a “velha escola” do partido estava furiosa com o peso dado ao CDS e a Portas, na nova estrutura governativa. Ao colocar um representante dos “antigos” num posto do governo de grande importância e prestígio, Passos calou o ruído que as baronias estavam a preparar.

 

Na verdade, contou mais o clima interno dentro do PSD que o interesse nacional. Que com Machete no MNE fica seguramente mal servido. 

publicado por victorangelo às 21:47

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