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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma visão da campanha presidencial

Um candidato, homem ou mulher, às próximas eleições presidenciais portuguesas tem que se demarcar muito claramente de Marcelo Rebelo de Sousa, para que a sua candidatura faça sentido. Declarações genéricas sobre a democracia e a liberdade não marcam pontos. A democracia e a liberdade são fundamentais mas não estão ameaçadas no Portugal de hoje. Fazer desses dois temas as bandeiras principais é insuficiente para marcar posição e conquistar votos. O que deve estar em causa é uma visão diferente, inédita e promissora, do futuro de Portugal, não apenas no período pós-covid, mas num horizonte mais amplo. O candidato que queira ter alguma hipótese, algo que não será nada fácil, de qualquer modo, tendo em conta o apoio popular de que goza o actual presidente, tem que saber falar do nosso futuro colectivo de uma maneira que inspire e mobilize. Na minha opinião, seria aí que estaria o segredo de uma boa campanha. E trataria de um tema que Rebelo de Sousa não consegue imaginar.

 

Contingências

Continuo sem entender a razão que levou o Conselho de Ministros a anunciar que será declarado um estado de contingência para todo o país a partir de 15 de setembro. A isso acrescentou que ainda não decidiu que medidas estarão incluídas na contingência. Essas medidas só serão decididas uma semana antes.

Temos aqui várias questões.

 Primeiro, os dados actuais mostram que há um aceleramento do número de contágios. Conviria que houvesse um apelo público do Primeiro Ministro para lembrar as medidas e os comportamentos que se esperam dos cidadãos. Seria uma chamada de atenção, apresentada como um acto de confiança no sentido cívico dos cidadãos.

Segundo, o anúncio de um futuro regime de contingência é um desencorajamento para potenciais turistas que estariam a planear uma visita a Portugal para a segunda metade de setembro. O impacto disto na economia do turismo é evidente.

Terceiro, estas decisões precisam de ser bem explicadas à população. A senhora ministra não o conseguiu fazer. Não sei qual é a explicação. Mas fica a impressão que a coisa não foi discutida a fundo na reunião do Conselho de Ministros. Ou então, que se trata de uma jogada política e que não se quis abrir o jogo.

O Presidente, entretanto, fez um comentário de alinhamento total com o governo. Não parece bem. Deveria dizer apenas que se o governo decretar a emergência haverá que a cumprir. O Presidente fala demais e sobre matérias que são da exclusiva responsabilidade do governo.

Quem fala pouco ou nada é o chefe do PSD. É um exemplo de uma oposição sem posições.

Uma governação grosseira e populista

Em matéria de pandemia, passámos de cavalo para burro. Os países europeus mantêm as portas fechadas e não deixam entrar os residentes em Portugal. E não permitem que os seus nacionais venham de férias ao nosso país. Isto significa, pura e simplesmente, que a estação turística deste Verão terá que ser feita com a prata da casa. O impacto disso na economia nacional é significativo. Com o descontrolo que levou ao aumento dos contágios, ficamos todos a perder. A pandemia não se controla com retórica política. Andar a fingir que estamos na linha da frente, como tem sido o hábito de quem tem o poder, só engana quem é tolo. Neste caso da covid, a imagem de um país é feita com factos e dados, não depende da conversa cor de rosa. Também não resiste a um palrar superficial, que fala de nós como se fossemos os melhores do mundo, tudo para alegrar os bacocos que somos. 

A mensagem de Ano Novo

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República vale a pena ser ouvida. Breve, vai directamente às grandes preocupações que Marcelo Rebelo de Sousa vê perfilarem-se em 2020. A saúde, a segurança, a coesão e a inclusão sociais, a ênfase numa sociedade baseada no conhecimento e,ainda, a questão do investimento.

Por detrás das palavras, o Presidente diz-nos que o Sistema Nacional de Saúde está com muitas dificuldades e que a segurança das pessoas não é tão boa como certos arautos do poder nos querem fazer acreditar – e eu, que sei um pouco de segurança, continuo a pensar que o país tem um grau de insegurança que merece mais atenção. Também nos lembra que as desigualdades sociais e a pobreza são uma realidade nacional, que a economia precisa de mais competências e de mais, bem mais, investimentos, públicos e privados.

Estas prioridade não nos podem fazer esquecer outras. Mas já seria óptimo se, neste ano que agora começa, se começasse a dar-lhes mais atenção.

 

 

A brevidade é prova de inteligência

No seguimento dos discursos do 10 de Junho, e depois de reconhecer a qualidade do que foi proferido pelo João Miguel Tavares, queria lembrar que alguns dos melhores discursos políticos foram curtos e directos. Por exemplo, em 1863, muito antes do aparecimento do Twitter e do número reduzido de caracteres que impõe, o Presidente Abraham Lincoln pronunicou um discurso memorável, conhecido na história como a alocução de Gettysburg, para falar da Guerra Civil e do futuro. Vivia-se um momento muito grave na história dos Estados Unidos. O discurso teve uma duração inferior a três minutos. E continua a ser citado, nos dias de hoje.

Os vistos e os nossos demagogos

O Presidente da República Portuguesa e o Primeiro Ministro disseram em Cabo Verde que são pela abolição dos vistos entre os países da CPLP.

Na minha opinião, há aqui um cheirinho a promessas falsas e um pendor evidente para a demagogia.

Os países da CPLP, com excepção de Portugal, podem decidir abolir a exigência de vistos. Cada um decidirá por si. Mas Portugal faz parte do acordo de Schengen. E enquanto estiver na área de Schengen terá que seguir os princípios comuns que os Estados membros de Schengen acordaram entre si. Não pode optar individualmente por um regime de excepção.

O Presidente e o PM têm consciência disso. Dizem, no entanto, o contrário, quando estão na Cidade da Praia ou quando falam com os Moçambicanos ou os Angolanos. Esse comportamento é absolutamente ridículo. Tomam por parvos os cidadãos e os dirigentes políticos dos países da CPLP. O que é sempre uma má ideia, na política e na vida.

Arrebatamentos presidenciais

O Presidente da República visitou ontem o problemático Bairro da Jamaica, no Seixal. Foi uma visita inapropriada e errada.

O Presidente tem o direito de visitar o que entende. Mas, enquanto Chefe de Estado, todas as visitas têm uma leitura política. E mais ainda esta, que pareceu dirigida contra o Governo, em particular contra as declarações do Primeiro-Ministro na Assembleia da República sobre os incidentes que ocorreram nesse bairro, e contra a ordem pública, representada pela PSP.

O Presidente tem que saber encontrar um equilíbrio entre a proximidade com os cidadãos e o respeito pelos pilares institucionais da República. Não pode, de modo algum, alinhar-se de um lado sem ouvir, de preferência em simultâneo, o outro. Tem que ouvir com as duas orelhas e manter o cérebro no meio.

É verdade que, entretanto, teve o apoio verbal de um radical da extrema-esquerda. Mas isso é pouco. Pode mesmo ser visto como um certo tipo de infantilismo a apoiar um outro tipo de infantilismo. Tudo sem sentido de Estado.

Será certamente lembrado quando a próxima campanha eleitoral para as presidenciais tiver lugar.

Não convém ir além da formalidade

Penso que as declarações públicas do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, após a sua audiência protocolar com o novo Presidente da República do Brasil, foram demasiado efusivas. O Presidente português teria marcado pontos se se tivesse limitado a declarações mais formais. Penso que, neste caso, não esteve bem e deu espaço aos que criticam, aqui em Portugal, as suas orientações políticas.

Nestas coisas, tratando-se de uma personalidade não apenas controversa, quer no Brasil quer fora dele, mas também com ideias políticas muito extremistas e desequilibradas, convém limitar os comentários oficiais ao que é estritamente cerimonioso e pouco mais.

Comentários de hoje

Uns breves comentários, no fim de um dia muito agitado.

Portugal, que tem uma economia pobre, não precisa de radicalismos anticapitalistas e de infantilismos doutrinários. Necessita, isso sim, de serenidade política que atraia investimentos e dê confiança a quem pode criar economia e emprego.

O primeiro-ministro não pode dar a impressão que não controla as suas hostes, sobretudo os mais exaltados dos extremistas e outros “jovens turcos” que andam aos pulos para serem vistos pela pacóvia que controla os meios de comunicação social.

Veja-se se a lista dos chefes de Estado que o Presidente tem a intenção de encontrar em Nova Iorque, nas margens da Assembleia-Geral da ONU e prometa-se, de seguida, uma velinha à Virgem de Fátima.

Entretanto o Wall Street Journal publicou um artigo de opinião contra António Guterres. Diz que o nosso compatriota não soube gerir o ACNUR, invocando para isso uma investigação interna da ONU, recente, que de facto existe, mas que não incrimina Guterres. Enfim, um artigo de lixo num jornal influente.

O mar e a Marinha

O Presidente da República disse hoje que a Marinha portuguesa não dispõe dos meios necessários para desempenhar as funções de soberania que lhe competem. Infelizmente, isso é bem verdade. E mais ainda, é incompreensível num país que diz que o mar é uma das suas prioridades e um dos seus grandes trunfos em termos de desenvolvimento. Ora, no mundo real, as prioridades e os trunfos são protegidos, com todos os meios e mais alguns. Não o fazer corresponde a falta de coerência política e põe em risco um recurso fundamental para o crescimento e a grandeza do país.

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