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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Uma França de ódios e fragmentos

As eleições legislativas decorreram ontem. Na França. Hoje, os dirigentes dos diversos partidos que concorreram contra o partido do presidente Emmanuel Macron só mostraram uma preocupação: uma oposição absoluta contra o governo do presidente. Ninguém procurou explicar como poderia contribuir para tornar a França melhor e mais moderna. Todos quiseram sublinhar que o seu objectivo era o de tornar a governação de Macron impossível. Isto revela um misto de imaturidade política com uma fortíssima personalização da vida política francesa. A hostilidade contra Macron conta muito mais do que a procura de compromissos nacionais.

É contra Macron, por este estar no poder. Mas também existem segmentos da população que têm uma enorme antipatia contra Jean-Luc Mélenchon. Para já não falar de Marine Le Pen. A fragmentação política ocorre à volta de ódios contra certas personalidades, por razões justificadas ou por oposição a posições extremas.

Um traço saliente das legislativas francesas

Nas minhas duas intervenções este serão na CNN Portugal chamei a atenção para a vitória espectacular e preocupante do partido de Marine Le Pen nas legislativas de hoje em França. Passar de 8 lugares para 89 mostra que um grande número de eleitores já olha para esse partido da extrema-direita como fazendo parte da normalidade democrática. O discurso político de Le Pen tornou-se mais abrangente, mais amplo nos temas que trata, mais aceitável. Mas por detrás desse discurso está uma filosofia política abominável, uma intolerância que se manifestará se chegarem ao poder e uma aliança com gente como Vladimir Putin. 

Esta foi, para mim, uma das conclusões mais marcantes das eleições de hoje. E convido os analistas a pensarem nisso. Não podem passar ao lado de uma tendência que é preocupante. 

Eleições em França

A primeira volta das legislativas francesas mostrou, sobretudo, que uma boa parte dos cidadãos prefere não votar. A taxa de abstenção foi equivalente à registada em 2017: 51,3% dos inscritos não compareceram. Um desinteresse assim levanta muitas questões fundamentais. Esse é certamente um dos grandes debates políticos que continua por fazer e uma questão que precisa de ser tratada de modo muito sério.

A segunda volta terá lugar no próximo domingo. Mas fica claro desde já que haverá uma larga maioria presidencial. O que não é certo é que seja uma maioria absoluta. Ainda o poderá ser, mas não são favas contadas.

Também ficou claro que Jean-Luc Mélenchon conseguiu um bom resultado. Está muito longe de poder realizar a sua ambição – ser nomeado primeiro-ministro – mas terá uma representação importante, embora não determinante, na Assembleia Nacional. Falta agora saber quantos serão os deputados do seu partido e quantos serão os que representarão as outras partes constituintes da sua coligação eleitoral: ecologistas, socialistas e comunistas.

O partido de Marine Le Pen teve um bom número de votantes – 19% –, mas terá um grupo parlamentar relativamente pequeno.

O centro-direita teve menos votos – 11,4% – mas mais bem repartidos. Terá cerca de três vezes mais deputados do que Le Pen.

As eleições francesas e o Presidente Macron

https://www.dn.pt/opiniao/emmanuel-macron-os-seus-e-tambem-nossos-desafios-14929468.html

Este é o link para a minha crónica de opinião, hoje publicada no Diário de Notícias. 

Cito de seguida umas linhas desse texto.  

"As eleições francesas ocorrem numa altura em que a Europa precisa de se manter coesa. E não apenas em relação à Rússia de Vladimir Putin, embora esse seja o desafio mais imediato. Na verdade, a UE tem conseguido preservar um bom nível de coerência na resposta a Putin. Digo isto, mas também reconheço que, no futuro, poderá ser mais complicado manter a unidade europeia."

Macron perante uma realidade política muito complexa

Apesar do resultado obtido por Marine Le Pen ser próximo dos 42% dos votos expressos, seria um erro dizer que que cada um desses votos é da extrema-direita. Uma parte dos que votaram a seu favor fê-lo para marcar a sua oposição a Emmanuel Macron. Uns, por causa do estilo do presidente, outros por não apoiarem a sua proposta de aumentar a idade da reforma para os 65 anos, outros ainda por verem em Macron um defensor da globalização e assim sucessivamente. O voto em Le Pen foi a maneira de mostrar o seu desagrado.

Uma análise dos resultados da primeira volta permite uma conclusão mais acertada sobre o peso da extrema-direita. Somando os resultados obtidos pelos candidatos dessa área, temos 32,53% dos franceses a votar radicalmente à direita. Esse valor é preocupante. Quando um em cada três cidadãos vota dessa maneira, algo está errado nessa nação. É isso que precisa de ser entendido. A começar pelo facto de que uma boa parte desses votantes pertencem ao operariado e às classes com menores rendimentos. Outrora, muitos deles votavam pelos comunistas e pelos socialistas. Mas esses partidos tradicionais desapareceram do leque político nacional. E o partido de Le Pen, que é uma salganhada ideológica, oferece um ponto de ancoragem política a essas pessoas.

Emmanuel Macron não vai ter uma tarefa fácil. O conjunto dos votantes antissistema, todos os extremismos confundidos, representam cerca de 56% da população. É muita gente. E para além de Marine Le Pen, Macron terá de se haver com Jean-Luc Mélenchon, um demagogo da extrema-esquerda. Mélenchon está a preparar uma campanha eleitoral para as legislativas de junho que poderá ter um sucesso relativo importante. A principal tarefa de Macron, até junho, será a de criar um espaço de convergência ao centro, de modo a diminuir as votações em Le Pen e Mélenchon. Não será fácil.

Emmanuel Macron e nós

https://www.dn.pt/opiniao/macron-tem-de-saber-ganhar-14771451.html

Link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Transcrevo, de seguida, esse texto. 

Macron tem de saber ganhar

Victor Ângelo 

Na primeira volta da eleição presidencial francesa, cerca de 56% dos eleitores votaram de modo radical, contra o sistema. Um resultado assim revela um mal-estar social profundo, num país que é um dos pilares da UE e membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É preocupante. Uma análise mais fina reforça a nossa inquietação – em cada três cidadãos, um votou pela extrema-direita. Ou seja, optou por uma visão retrógrada do que deverá ser a França de amanhã, pelo ultranacionalismo xenófobo e a favor de um líder prepotente, que se considera um salvador da pátria. E fê-lo com a convicção intransigente de quem vê o mundo a preto e branco, sem matizes nem respeito por ideias diferentes das suas. Os radicais são assim.

A primeira volta sublinhou, de novo, a fragilidade das democracias. Quando Donald Trump chegou ao poder, acreditou-se que a ameaça que ele personificava era muito própria do sistema institucional americano. Uma situação similar, na Europa, parecia improvável. Entretanto, agora a 3 de abril, o autocrata Viktor Orbán voltou a ser reeleito, pela terceira vez, como primeiro-ministro da Hungria. Mas esse facto foi mais ou menos varrido para um canto, com a desculpa que a Hungria pesa pouco no xadrez das relações europeias e que Bruxelas saberia como responder. Desta vez temos a França, uma peça-chave no nosso tabuleiro, e Marine Le Pen a bater à porta do Palácio do Eliseu.

Le Pen percebeu, ao longo dos últimos cinco anos, que não é com vinagre que se apanham moscas. Moderou o discurso, arquitetou promessas sociais aliciantes, embora irrealistas, e, acima de tudo, apostou na empatia, no contacto pessoal com os eleitores. Vestiu a pele de uma democrata, mas continua, na sua essência, a ser uma extremista primária e perigosa. E, como todos os extremistas, é incapaz de ter uma visão de conjunto, de saber interpretar a complexidade dos problemas, reduzindo tudo a duas ou três ideias simplistas, que servem de pau para toda a obra.

É um erro considerar que Orbán ou Le Pen, ou gente da mesma prática política, são apenas uns democratas iliberais. São, isso sim, cada um à sua maneira, verdadeiras ameaças contra a democracia. Ponto final.

Certos intelectuais gostam de falar de “democracia liberal”. Mas esse é um conceito bacoco, utilizado apenas para soar a erudito. Ou há democracia, sem outros qualificativos, mas com tudo o que isso implica em termos das liberdades, da diversidade de opiniões e da separação dos poderes, ou não há. É isso que hoje se não vive na Hungria e que amanhã poderá acontecer em França. O mesmo se deve dizer da exaltação do nacionalismo populista e étnico, que é um atentado contra a consolidação da UE. Esses exaltados têm uma visão meramente oportunista e mercantil do projeto comum. No caso de Le Pen, as medidas que propõe levariam fatalmente à saída da França da UE, se fossem levadas a cabo.

No interesse da democracia em França e da unidade europeia, é fundamental que Emmanuel Macron ganhe a eleição. Pensar que a sua vitória são favas contadas poderá levar à derrota. Vive-se, em França, como noutros países, um período de incertezas, de frustrações e de crítica vulgar das elites. O frente-a-frente televisivo de 20 de abril será certamente muito importante. Mas poderá não ser tão decisivo quanto o foi o debate equivalente, há cinco anos, quando Macron pôs a nu a ignorância que Le Pen trazia na bagagem. É agora preciso ir mais longe. Macron tem de falar de modo concreto e evitar as ideias vagas e a verborreia. O fluxo palavroso é uma das suas fraquezas. Ele, como outros políticos que conheço, confundem loquacidade com boa comunicação. É um erro. A política hoje faz-se falando a pessoas reais dos seus problemas e das suas aspirações, das dificuldades do presente e do futuro com otimismo. Tudo isso, com serenidade e um profundo toque humano. Barack Obama mostrou ser um mestre nessa arte. Esperemos que Macron o consiga igualmente fazer. É vital barrar Marine Le Pen.

 

Le Pen e a nossa ansiedade

Na hierarquia das nossas preocupações, enquanto europeus, a tragédia ucraniana continua a ocupar o primeiro lugar. Não é por termos medo dos russos de Vladimir Putin. É, isso sim, por se considerar inaceitável e um crime a agressão russa, bem como pelo sofrimento e destruição que tem provocado na Ucrânia. Agora, em segundo lugar, temos a incerteza que a eleição presidencial francesa nos traz. Uma vitória de Marine Le Pen é pouco provável, mas está dentro dos limites das possibilidades. Se isso acontecesse, a União Europeia teria uma enorme crise pela frente. O programa eleitoral de Le Pen, se fosse implementado, levaria à paralisação da UE.

 

Emmanuel Macron

A primeira volta da eleição presidencial francesa teve o desfecho previsto: trata-se de escolher entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen. Não sendo francês, mas europeu, para mim a escolha seria fácil: Macron deve ser reeleito. Por todas as razões e mais uma: não podemos ter uma extremista nacionalista à frente de um Estado-membro da União Europeia. Sobretudo, de um país como a França. Le Pen tem-se vestido, durante os últimos tempos, de pele de cordeiro. Mas na realidade é um monstro político, que não deve ser, de modo algum, apoiado.

 

Uma França fragilizada

https://www.dn.pt/opiniao/quando-os-generais-escrevem-cartas-abertas-13625957.html

O link acima abre o meu texto de hoje -- desta semana -- no Diário de Notícias. 

O texto é um alerta para a crise política e societal que se vive actualmente em França. O ponto de partido assenta numa tomada de posição sobre a situação do país, que foi tomada por um número significativo de oficiais generais na reserva bem com outras altas patentes, essas já reformadas. 

Cito de seguida umas linhas dessa reflexão.

"Foi neste contexto que apareceu há dias uma carta aberta, assinada por 24 oficias generais na reserva e por uma centena de oficiais superiores e mais de mil militares de outras patentes, com um ou outro ainda no ativo e o resto, reformado. A carta, publicada na revista ultranacionalista Valeurs Actuelles, parecia querer servir de alavanca para reforçar as posições da direita radical. Foi vista pelo governo e por muitos com estupefação e como um apelo a um hipotético golpe de Estado."

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