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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (MDGs)

O Instituto Marquês de Valle Flor perguntou-me:


1) Que balanço faz dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio?


2) Na sua opinião, o que seria essencial incluir na nova agenda para o desenvolvimento global pós-2015? Se pudesse indicar um novo objetivo de desenvolvimento, qual seria?


3) Numa época de crise, qual acha que pode ser o contributo de Portugal e da Europa para este desenvolvimento global?

 

E eu respondi:

 

VICTOR ÂNGELO - Vogal do Conselho de Administração da Fundação PeaceNexus, Suíça, e Antigo Secretário-Geral Adjunto e Representante Especial das Nações Unidas

 

1) Apesar dos atrasos e dos recursos insuficientes, o balanço é positivo. E há razões para manter vivo um certo optimismo e continuar a insistir. Os ODM passaram a ser o quadro de referência obrigatório para quem discorre ou intervém na área do desenvolvimento. Pela primeira vez, os mais diversos actores internacionais – governos, instituições multilaterais, organizações não-governamentais, investigadores, media e outros – passaram a ter um prisma comum, credível e capaz de concentrar as atenções. Isto permitiu uma melhor conjugação de esforços, uma advocacia mais focalizada bem como manter a ajuda ao desenvolvimento na lista das preocupações internacionais, numa altura em que a cooperação internacional para o desenvolvimento estava em risco de se transformar numa preocupação marginal e de perder fundos e meios. Os ODM vieram provar que vale a pena adoptar um “realismo ambicioso”. Demonstraram, igualmente, que existe um entendimento que a pobreza e as questões complementares que lhe estão associadas são problemas globais que exigem o empenho de todas as nações.

 

2) Antes de se falar de novos objectivos, haverá sempre que lembrar os que foram definidos em 2000, tendo a meta de 2015 em mente, e que ainda estarão por atingir, quando entrarmos nesse ano. A segurança alimentar e o acesso à água potável continuarão a ser uma necessidade premente para muitos, em África e noutras partes do globo. Convém sublinhar isso com um traço muito forte, porque nos estamos a referir a prioridades absolutas. Os direitos cívicos, a participação política em democracia, o reforço do poder dos cidadãos em relação ao Estado, formam um conjunto de questões que deverão, na próxima geração dos objectivos, merecer uma atenção mais apurada. Sem cidadania activa e livre não há desenvolvimento sustentável e equitável.

 

3) A Europa e, por conseguinte, Portugal, tem de abrir os seus mercados aos produtos dos países em desenvolvimento, ao mesmo tempo que deverá manter um nível de financiamento da cooperação que se aproxime dos 0,7% do PIB. Deverá ainda saber combinar a cooperação institucional com o apoio ao investimento privado, nomeadamente na área das energias e na transformação radical da agricultura dos países em desenvolvimento, respeitando, no entanto, os princípios da boa gestão dos solos, da utilização racional da água e dos outros recursos naturais e respeitando o meio ambiente e a biodiversidade. A Europa deve ainda estabelecer parcerias de apoio ao desenvolvimento que permitam uma maior integração da sua ajuda com os esforços e as prioridades dos países em desenvolvimento. Finalmente, a avaliação independente dos programas de desenvolvimento deve fazer parte do cerne da cultura de cooperação.

África e Europa

No ano 2050, a África terá 1,8 mil milhões de pessoas. Hoje tem cerca de 1,0 mil milhões. Quando cheguei ao continente, pela primeira vez, há 32 anos, os africanos eram cerca de 480 milhões.

 

O crescimento populacional e as migrações para os centros urbanos vão ser dois dos grandes desafios do futuro. Lado a lado com as questões ligadas à saúde, à educação, ao emprego, à habitação e às infra-estruturas sociais.

 

O Norte de África (Magrebe) e a África Ocidental são duas das regiões de maior crescimento populacional e de densidade mais elevada. Grande parte do crescimento populacional irá ocorrer nos países que constituem essas duas regiões. São também regiões que tradicionalmente enviam grandes números de emigrantes para a Europa mediterrânica. A gestão dos movimentos migratórios internacionais será igualmente um desafio de grandes proporções.

 

Ou seja, reflectir sobre África é também reflectir sobre o futuro da Europa.

Futuro de Mulheres

 

Há que sorrir, é preciso acreditar, mas  o caminho da igualdade e da esperança é duro e irregular, como a lombada de um camelo. Os caminhos do deserto estão juncados de cascalho, de pedras soltas que fazem escorregar os animais e torcer os pés dos caminhantes.

 

 

As mãos já revelam a dureza dos poucos anos de vida.

 

 

O olhar concentrado dos anos  que já não são tenros.

 

 

 

Há sempre um irmão mais novo que é preciso carregar às costas.

 

 

O sorriso feliz de quem tem ainda cara de criança.

 

 

A cantar, na turma, com sorte, que a escola é para poucas raparigas e por tempo limitado, que o casamento precoce retira as futuras mulheres do ensino.

 

 

Uma cara pobre.

 

Fotos Copyright V. Ângelo

Dogdoré, na fronteira do impossível

 

Dogdoré é uma localidade a 25 kms da fronteira com o Darfur (Sudão). Está situada numa zona de transição entre a savana árida saheliana e a floresta de acácias de zonas secas. Com cerca de 4 000 habitantes, aos quais se juntaram 24 500 deslocados ou refugiados internos, Dogdoré tem conhecido desde Setembro uma onda de ataques violentos, por homens armados, que atacam as autoridades locais, bem como as ONGs que assistem as populacões.

 

ACF ( Action Contre la Faim ), Medecins Sans Frontieres-France e o Comité Internacional da Cruz  Vermelha tiveram que suspender provisoriamente as suas operaçóes de assistencia na zona.

 

 

 

 

Chefe militar de Dogdoré. A discussão sobre as questões de segurança levou a que prometesse uma presenca mais coerente e continua das Forcas Armadas na região, para evitar as infiltrações mortíferas dos Jenjaweeds.

 

Prometeu igualmente que os soldados respeitariam os diretitos humanos das populações civis.

 

 

A intervenção, durante a reunião, do Coronel Herri Ali, comandante da Guarda Nomada, que patrulha o deserto e a savana montada em dromedários, foi igualmente importante. O Coronel mostrou que compreende que a comunidade internacional espera que as suas patrulhas sejam feitas com respeito pela vida e os bens das pessoas. Com disciplina e dentro da lei.

 

 

 

Um dos chefes de comunidades que vivem em Dogdoré. A pobreza, a falta de água, de assistência médica, e de escolas, são, para além da questão fundamental da segurança, os problemas partilhados por todas as comunidades que vivem nesta área.

 

 

 

 


Jovem lider local. Sem acompanhamento, que será o seu dia de amanhã? Que futuro, para alem da violência?

 

 

 

Homens de Dogdoré. As mulheres ficaram em casa.

 

 

Fotos Copyright V. Angelo

 

 

Uma mulher do Sahel

 

Copyright V.Angelo

 

 

Esta mulher, jovem, foi das que mais falou na reunião de hoje.

 

Segurança, água potável, escolas, foram os temas da sua intervenção. São as preocupações mais importantes do seu povo.

 

Não é fácil ter a coragem de falar quando os homens da aldeia estão presentes na mesma reunião. Esta jovem não teve receio de o fazer.

 

Merece todo o destaque.

 

Gayle Williams, 34 anos

Gayle foi hoje sepultada no cemitério britânico de Cabul. Não a conhecia. Assassinada pelos extremistas religiosos associados aos Talibãs, no início da semana, enquanto trabalhadora de uma organização não-governamental humanitária a operar no Afeganistão, simboliza todos os que se dedicam 'as causas da paz e do desenvolvimento, de um modo voluntário, por vezes em condições extremamente difíceis e perigosas.

 

Nos últimos doze meses, 63 agentes de organizações humanitárias perderam as suas vidas, na Somália, no Afeganistão, no Sudão, no Chade e noutros países. A esse número haverá que acrescentar os 25 funcionários da ONU, que também foram vítimas da violência, em várias partes do mundo, durante o mesmo período.

 

O que nos perturba ainda mais e' que estas pessoas foram mortas não por acidente, mas sim por serem trabalhadores humanitários. Foram escolhidas propositadamente como alvos. Este e' um facto novo.

 

O colapso dos pobres

O Secretário-geral das Nações Unidas considera que existe um risco muito sério de colapso dos sistemas bancários em certos países emergentes e em desenvolvimento, se a crise financeira internacional não for controlada nas próximas semanas.

 

A maioria dos países menos desenvolvidos não tem recursos financeiros suficientes para responder 'as dificuldades de tesouraria e de capitais dos seus bancos, e o FMI não será capaz de responder aos diferentes pedidos de ajuda que surgiriam nessa altura.

 

Se assim vier a acontecer, muitos dos ganhos em matéria de luta contra a pobreza irão pura e simplesmente por água abaixo. Abrir-se-á igualmente uma nova página na história da crise actual, que passara' então a ser verdadeiramente global.

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