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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A discussão bravia que por aí vai

A classe política e os comentadores do costume andam muito ocupados a discutir uma nomeação partidária – do partido do governo, é óbvio – para uma comissão importante. Mas, perante os problemas que o país enfrenta e as reformas estruturais que deveriam ser discutidas e feitas, isto é uma ninharia. O pessoal agarra-se a ninharias com unhas e dentes. Confunde, assim, o acessório com o que é essencial. E quem está no poder, goza.

 

A guerra também se ganha na frente da opinião pública internacional

A destruição, que hoje ocorreu por decisão e acção das autoridades israelitas, do edifício que acolhia os escritórios da Al-Jazeera e da Associated Press em Gaza ficará na história da região e de um conflito que não tem tréguas. Independentemente do resto, tratou-se de uma decisão com altos custos políticos. Na guerra da opinião pública internacional, que é uma frente de combate que também conta e muito, foi um imenso tiro nos pés que Benjamin Netanyahu decidiu arriscar. E acertou em cheio. Não teve em conta, além disso, que a mesma opinião pública já não tinha qualquer tipo de simpatia pelo governo de Netanyahu. Nem pelas linhas políticas que o fazem agir como age.

Tempos muito difíceis

Estes são os dias do cerco. As notícias sobre a epidemia – as novas estirpes, os níveis de contágio, a mortalidade, as histórias de muitos sobre as sequelas, as restrições à mobilidade, o impacto sobre a vida das pessoas e a economia, a lentidão na execução dos programas de vacinação, e mais e mais – estão a deixar muitos de nós profundamente alarmados. E cada dia que passa dá a impressão de que a epidemia está cada vez mais próxima do nosso círculo.

A verdade é que as semanas que aí vêm serão muito difíceis. A comunicação social tem um papel fundamental à sua frente. Há que contar a história, mostrar que um comportamento responsável vale a pena e, ao mesmo tempo, procurar manter um clima de serenidade.

Os pensadores e os escrevinhadores

Questionar é o ponto de partida do acto de pensar. Só é possível se houver liberdade e se o pensador tiver a coragem e a imaginação suficientes para dar bom uso a essa liberdade. Muito do que aparece escrito e é dito é apenas uma repetição do que outros criaram, sem se acrescentar um qualquer laivo de interrogação ou de dúvida. Nesses casos, aquilo a que eles chamam pensamento mais não é do que um eco.

Infelizmente, há quem ache que repetir e mencionar autores ilustres, sem qualquer pensamento crítico, é uma prova de cultura, de formação académica e de inteligência. Eu não vejo isso assim. Considero essas manifestações mera vaidade, exibicionismo, oportunismo e pobreza de espírito.

O verdadeiro pensador procura reequacionar o que já foi dito e colocar a questão no contexto actual. Depois, tenta entender o que essa questão pode significar na definição dos tempos futuros.

Na realidade, duvidar é a essência do progresso.

 

O renascimento do Diário de Notícias

O Diário de Notícias voltou às bancas hoje, no dia em que perfaz 156 anos de existência. A partir de agora, volta a estar presente nas nossas vidas, com o seu cheiro a tinta fresca e com uma qualidade que fazem desse diário uma referência.

É uma boa notícia. A sua publicação quotidiana exigirá um grande esforço por parte de todos os que nele labutam ou com ele colaboram. Sei que estão prontos para o desafio.

Entretanto, a edição comemorativa de hoje era vendida com acompanhamento: trazia como oferta, para que se pudesse celebrar o aniversário com estilo, uma pequena garrafa de espumante. Lá foi, à saúde de todos e ao bom sucesso do projecto DN.

Ser poupado no uso dos média

Conviria lembrar aos dirigentes do Estado – e aos políticos em geral – que a banalização e o uso muito requente das intervenções mediáticas acabam por minar a autoridade de quem o faz. Comunicar é importante, nos dias de hoje, é mesmo essencial saber fazê-lo bem, de forma clara e acessível. Mas vir à televisão ou aparecer nos jornais por dá cá aquela palha tem um impacto negativo sobre o simbolismo que deve estar associado ao exercício do poder.   

Um intelectual cansativo

O meu amigo é um português de gema que gosta de discorrer sobre relações internacionais e geopolítica. Ainda bem, que assim se ganha uma perspectiva mais ampla do contexto em que nos inserimos. O problema é a rigidez e o viés da análise. Cada incursão num tema leva-o sempre à formulação de críticas acerbas aos dirigentes europeus e às posições políticas ocidentais, independentemente da justeza ou não da decisão em causa. Por exemplo, quando estão em jogo Angela Merkel e Vladimir Putin, o seu raciocínio consiste em dar a volta aos factos e justificar ou procurar desculpar o líder russo. Na pior das hipóteses, Putin é descrito como sendo anti-ocidental e nunca se faz referência ao despotismo que o inspira ou à corrupção que é um dos pilares da sua política. O meu amigo acha que ser de esquerda é proceder assim, apoiar quem nos é hostil. Também acha que, ao apresentar as coisas dessa maneira, está a ser mais esperto do que os outros. Na realidade não faz análise, toma partido e faz política. E ao fazê-la, esquece-se dos nossos interesses. Pensa apenas na imagem que quer projectar, a de um estratega, quando na realidade pouco mais é do que uma espécie de irmão metralha, estudioso e activo, mas que confunde a esquerda com o deita-abaixo. Amigos assim, evito, pois são, além do mais, cansativos.

Um Carnaval de preocupações

Não é hábito falar de problemas no dia da Terça-feira Gorda. Mas a verdade é que existem grandes preocupações no ar. A epidemia de coronavírus Covid-19 continua a ser o grande título das notícias. E tem várias facetas, não sendo apenas uma questão de saúde pública. O impacto sobre a economia internacional e as inconveniências que provoca na vida de certas pessoas, obrigadas a um regime de quarentena, são dois dos aspectos mais marcantes, neste momento.

Uma vez mais, repito que é fundamental não criar situações de pânico colectivo. Aqui, a comunicação social tem um papel da maior importância. Explorar cada caso, até se dizer basta, é um erro e uma irresponsabilidade. Ou será apenas atraso mental? Os políticos também têm que mostrar serenidade. Isolar as pessoas em risco, sim, fechar fronteiras, seja de que maneira for, não me parece correcto. Prudência não é a mesma coisa que exagero.

Entretanto, a vida continua e há que tratar de muitos outros assuntos. Em Portugal, um deles é certamente o da segurança e da ordem interna. O que se passou recentemente na Segunda Circular de Lisboa e a violência nas ruas e nos lugares de diversão nocturna mostram que estamos a resvalar rapidamente para situações de incumprimento cívico agravado, de desordem e de violência em bando. Nestas coisas, deixar andar é abrir as portas à desordem e à instabilidade social. Em matéria de segurança interna, a única política que conta é a que não deixa passar nem um mero vidro partido. É a tolerância zero.

Será que isto é difícil de entender pelos políticos?  

Os tolos e os espertos

Estão a dar gás ao fulano. E ele e os seus aproveitam-se dessa estupidez. Pouco a pouco, irão tentar ser a personificação de tudo o que é oposição da velha direita ao Partido Socialista, da raiva que sempre existe contra quem parece não querer largar o poleiro político. Procurarão ser vistos, por uma parte dos eleitores, como a única réplica corajosa e ousada a António Costa e aos seus. Tentarão marcar a agenda mediática. Não são tolos. Antes pelo contrário, estão a crescer e a marcar pontos.

Assim crescem os movimentos políticos desse género.

Livremente tolos

Somos, de facto, muito únicos. Nomeadamente, ao nível da comunicação social. Desde o início da semana, são múltiplos os artigos, comentários, textos de opinião, editoriais e notícias sobre o que se passa num partido minúsculo. Um partido que, nas eleições legislativas de Outubro, teve menos de 56 000 votos. Ou seja, uns pós acima de 1% dos votos expressos. Páginas e páginas a tratar da insignificância, que é um tema que habitualmente nos apaixona. 

Shakespeare diria “tanto alarido a propósito de nada”.

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