Portugal é grande quando abre horizontes

24
Mar 19

Estima-se que apenas pouco mais do que 10% da população adulta francesa leia um jornal diário. E uma boa parte dessas pessoas fá-lo pela internet, sem qualquer tipo de contacto com o papel. A maioria informa-se através da televisão, ou então, ao ouvir as rádios, nas suas viaturas, enquanto se desloca na prossecução dos seus afazeres quotidianos. Porém, na verdade, a televisão é que conta.

Estas constatações obrigam a uma interrogação muito séria sobre o futuro da imprensa escrita. E não apenas em França, onde um jornal de referência como Le Monde está endividado até ao nariz, mas também em Portugal e noutros países.

publicado por victorangelo às 17:16

12
Fev 19

Escrita com dentes, capaz de morder os adversários e de atrair leitores, não falta nas nossas colunas de opinião.

O que falta, e muito, é juntar aos dentes uma boa dose de miolos. Morde-se a torto e a direito, mas sem a reflexão necessária. Sem a profundidade e os prismas de análise que os temas exigiriam. Como se cada questão não devesse ser tida em conta a partir de vários ângulos, esquecendo-se deste modo que a vida é mais complexa do que umas dentadas no adversário. E do que umas penadas no assunto.

Assim temos estado a criar uma opinião pública que se baseia apenas em sobressaltos emocionais e preconceitos.

Que pobreza.

 

 

publicado por victorangelo às 17:25

07
Fev 19

Temos que acreditar nos jornais de referência, na comunicação social que faz um trabalho sério. Os media são fundamentais para o bom funcionamento da democracia. Sobretudo nestes tempos, em que existe muita manipulação das informações, enxurradas de notícias falsas e páginas sem fim de comentários ligeiros, tendenciosos ou pouco honestos. Por isso, quando a comunicação social dá espaço a textos ou programas de opinião tem igualmente a obrigação de procurar a diversidade e o contraditório. E de aclarar, quando a opinião estiver baseada em falsidades. Se o não fizer, estará a perder a credibilidade que tanta falta lhe faz. E a nós, também.

publicado por victorangelo às 17:35

07
Jan 19

Tem-se falado muito de televisão, nos últimos dias. É um debate sem fim porque a programação televisiva é antes de tudo um negócio. Existe uma competição feroz entre os diferentes canais generalistas, que depois se traduz em vendas de anúncios. O preço da publicidade depende do número de telespectadores, das chamadas audiências. Cada canal está constantemente à procura do que possa ser popular e diferente do que a porta ao lado apresenta. A diversão pura e simples, fácil de entender e com a participação – passiva ou activa – do público alvo, parece ser a via mais segura para captar telespectadores. Nestas coisas, os únicos limites, as linhas vermelhas que não deverão ser ultrapassadas, são as que se referem à promoção da criminalidade, da ilegalidade e das ideias intolerantes, atentatórias da dignidade das pessoas.

Este não é um fenómeno tipicamente português. Assim acontece noutros países da UE.

O que é muito nosso, e muito mau, é a qualidade dos telejornais. Sobretudo, os da hora do jantar. Aí, estamos de longe na categoria do péssimo. Uma hora, ou mais, de banalidades, é inaceitável. Qualquer crítica dos canais generalistas portugueses deveria começar por uma análise demolidora do lixo que define os telejornais de maior audiência. São uma vergonha que precisa de ser constantemente denunciada.

publicado por victorangelo às 15:41

15
Mar 18

Vi num jornal impresso, não vale a pena lembrar-me em qual, uma fotografia da dirigente do CDS, tirada na altura do encerramento do congresso do seu partido. Os comentários que acompanhavam a foto ilustravam bem a palermice a que se chegou, no terreno fértil da política à portuguesa.

Cada peça do vestuário dessa senhora tinha uma seta a apontar o preço, da blusa aos sapatos. Os valores seriam vistos, na maior parte dos países europeus, como moderados. Em Bruxelas, mereceriam a epígrafe de baratos. Ora, o autor da proeza construiu a imagem de modo a que se pensasse em extravagâncias, em exageros de quem tem muito para gastar.

Não sou apoiante de Assunção Cristas. E muito menos das ideias retrógradas que constituem a genética política e o sistema de valores do seu partido.

Mas quero fazer duas ou três observações.

Primeiro, creio que o jornalista não teria produzido o mesmo tipo de observações se o líder fosse um homem. Vejo aqui, francamente, mais um exemplo de discriminação contra as mulheres que ousam fazer política. Pode ter sido um erro inconsciente, mas não deixa de ser um vestígio claro de subalternização das mulheres e da difícil aceitação de lideranças femininas.

Segundo, é verdade que na política parece valer tudo. Todavia, no jornalismo responsável não deve ser assim. Sublinhar o trivial não é aceitável na comunicação social responsável.

Finalmente, em terceiro lugar, publicações assim acabam por contribuir para a expansão das vistas populistas e demagogas. Muito mau. O populismo é inimigo da democracia e do futuro.

 

 

publicado por victorangelo às 17:31

12
Fev 17

A minha neta disse-me, à hora do almoço, que tinha passado a noite sem dormir e a manhã deste domingo muito angustiada. A razão: tentara repetidamente bocejar, sem o conseguir. Disse-lhe, então, que a tentaria ajudar. E assim foi, o que lhe abriu o apetite e deixou a preocupação com os bocejos para trás.

Não lhe expliquei, no entanto, donde vinha a minha perícia em bocejos. Para quê dizer-lhe que a adquiri a ouvir discursos políticos de gente sem chama, ao ler textos de opinião nos jornais, escritos por uns fulanos especializados na pretensa ciência dos ecos palavrosos, ou nas inumeráveis reuniões intergovernamentais que o meu trabalho na ONU me obrigou a assistir?

Os intermináveis telejornais das televisões portuguesas também são uma excelente fonte de bocejos. Mas como eu tenho outras oportunidades de me enfadar, dispenso ver tais programas.

 

publicado por victorangelo às 20:40

10
Fev 17

Antes de entrar no avião peguei em vários jornais. Um deles, o Correio da Manhã. E valeu a pena, a curiosidade.

Não me lembro de alguma vez ter lido um exemplar do CM com a atenção que lhe dei desta vez. A atenção de quem tenta perceber as razões do sucesso de um diário, num país em que os jornais estão numa trajectória de crise aguda.

Independentemente dos conteúdos, vi um jornal em que as notícias são dadas em quatro linhas, os textos de opinião numa dezena, tudo muito condensado, rápido, sem divagações e variado. Ou seja, quem manda na coisa sabe que os leitores não têm tempo para grandes leituras, querem notas breves e directas, não gostam de conversa fiada e palavras e mais palavras a encher frases de difícil digestão. Assim se chega ao grande público, se influencia a maneira de estar e de ver.

E tudo por um euro, bem redondinho, uma moeda única que dá direito a muita novidade.

publicado por victorangelo às 22:07

08
Fev 17

Raramente olho para os ecrãs das televisões nacionais. Essa é a minha prova dos nove, que mostra bem que perdi e já não tenho qualquer sentido patriótico. Sou um estrangeirado. É isso que certos amigos insinuam. Mas a verdade é mais simples. Resume-se em duas linhas. Primeiro, desde 1978 que estou fora do país. Vi muita coisa, gentes variadas e muitas situações. Segundo, com a idade perdi a paciência para ouvir burrices e saloiadas. E é isso que se conta e que se vê, debate e apresenta nos canais portugueses. É isso que enche os nossos tempos de antena.

Mas isto preocupa-me. Uma boa parte desses burros são políticos jovens, com sangue na guelra e muita ambição. Os que ainda não passaram pelo governo acabarão por passar. E custa-me imaginar o meu país ser dirigido por essas excelências mal-amanhadas. Portugal não pode voltar a ser um país rural, regido por curtinhos de vista e trauliteiros da coisa partidária.

Aí, voltam-me os sentimentos patrióticos à superfície, para dizer que não, que não quero o meu país nas mãos desses pacóvios acelerados e magistralmente primários. Por mais programas de televisão e de rádio por onde tenham passado, não passam de uns meias-tigelas com horizontes limitados.

 

publicado por victorangelo às 21:43

27
Jan 17

Hoje apareceram por aí uns dados da GNR sobre atropelamentos nas passadeiras e mais outras coisas.

Em matéria de trânsito e acidentes, os atropelamentos nas passadeiras são um verdadeiro problema nacional, tenho-o dito várias vezes. Infelizmente, os comentários de hoje sobre o assunto não ajudam. Disse-se e os jornais repetiram, com a preguiça intelectual do costume, que a maioria das vítimas estava vestida com roupas escuras. Isso explicaria a sua má sorte e acabaria por colocar as culpas nos atropelados.

É um erro. Mata-se e fere-se gente portuguesa nas passadeiras por excesso de velocidade, por falta de cuidado, cabeça e de civismo de quem anda ao volante, e também porque a justiça é lenta, ineficiente até dizer já chega e leve na punição dos criminosos.

Essas sim, essas são as razões.

O resto é conversa de tolos.

publicado por victorangelo às 20:34

Deixo aqui o link para o meu programa desta semana na Rádio TDM de Macau, feito em colaboração, como sempre, com Rui Flores, uma das estrelas do comentário internacional nesse território da China.

Magazine Europa (24 de Janeiro de 2017)

publicado por victorangelo às 17:23

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