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Crescemos quando abrimos horizontes

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Putine e Medvedev

Tive hoje uma reunião com uma alemã, uma personalidade reconhecida nos círculos internacionais e que trabalhou directamente com Dmitri Medvedev em São Petersburgo na primeira metade dos anos 90. Fazia parte das suas funções, então, ter um encontro semanal com Vladimir Putine, na altura o responsável, na região de São Petersburgo, pelas relações com as instituições estrangeiras com projectos nessa parte da Rússia.

 

Achou, nesses tempos, e continua a achar, que ambos são encantadores, mas também profundamente estratégicos. São gente que sabe embalar as mensagens, mas sem perder de vista os objectivos que têm em vista. São líderes que sabem trabalhar a forma e manter uma visão clara sobre a substância. Ou seja, gente que há que tratar com muita atenção, sem amadorismos nem espontaneidades.

Ainda bem que assim foi

Vladimir Putin é o grande ausente da cimeira do G8. Fez-se representar por Medvedev, com a desculpa que está muito ocupado em Moscovo, com a formação do novo governo.

 

Em matéria de política internacional, esta ausência é uma manifestação de desagrado, que procura atingir sobretudo o país anfitrião, neste caso, os Estados Unidos. Creio, no entanto, que o Presidente Obama, em vez de se sentir ofendido, agradeceu o gesto. Vladimir é um conviva embaraçoso, numa altura de eleições presidenciais na América. Quanto mais longe, melhor.

Cimeiras e ansiedades

O dia começou, como sempre, do outro lado do mundo. Só que desta vez, foi com a Cimeira do G20, em Seul. Uma reunião sem muito ânimo, o que não impediu a aprovação de um comunicado final, com vinte e três páginas. O trabalho dos "Sherpas", os assessores que preparam estas coisas, foi mais produtivo do que o dos seus chefes. Mesmo assim, ainda houve espaço para tentar convencer os participantes a dar um segundo mandato a Ban Ki-moon. 2011, lá para Outubro, vai ser o momento de eleger um novo SG para a ONU. Os Coreanos procuraram aproveitar a estada de gente tão influente na sua capital para dar a entender, de modo claro, que continuam a apostar no seu homem.

 

Depois, soube-se em Moscovo que um Coronel, patrão da secção americana da espionagem exterior, o Departamento S, como é conhecida a secção, no Serviço Federal de Segurança, se tinha passado para o lado americano. Foi ele quem revelou os nomes dos onze espias que haviam sido presos em finais de Junho, nos EUA. Ainda bem que o fez, pois permitiu à indústria da imagem e da coscuvilhice descobrir a bela Anna Chapman. O problema é que os dirigentes russos não acharam graça a essa transparência do Coronel. Agora anunciaram que Vladimir Putin já encomendou a execução, se o apanharem, desta personagem estranha, de nome impronunciável e em paradeiro incerto.

 

Este anúncio de que cá se fazem cá se pagam surge num momento muito oportuno. Dentro de dois dias, os Presidentes Obama e Medvedev têm uma cimeira bilateral em Yokohama, no Japão. E estarão de novo juntos em Lisboa, falta uma semana. Nada melhor do que anunciar-se uma expedição punitiva, a ser executada talvez em solo americano, para tornar a agenda destes encontros mais atractiva.

 

Também houve uma reunião de urgência dos ministros das finanças da Alemanha, França e Reino Unido, para ver como vão responder ao agravamento acentuado da crise financeira irlandesa. Enquanto as atenções se fixam na Irlanda, folgam as costas do nosso Santos nacional.

 

Mas o mais interessante acontecimento do dia terá sido a venda em leilão de um vaso chinês do século XVIII. Londres continua a ser a capital dos leilões e o vasinho lá foi, por 43 milhões de libras. Comprado por um homem vindo de Beijing. Ou seja, o dia acabou como havia começado. No Oriente. Agora já não se pode falar do perigo amarelo. Mas de um mundo de olhos em bico, creio que sim.

Vêm aí os Russos

O Presidente Dmitry Medvedev confirmou hoje que estará em Lisboa a 20 de Novembro, para participar numa cimeira com a NATO. É uma boa notícia. O desanuviamento entre as duas partes ainda tem muito caminho a percorrer. Ainda existem muitas suspeições. Se o futuro das relações passar por Lisboa, terá valido a pena todo o investimento feito com a realização da cimeira.

 

A abolição dos vistos entre a UE e a Rússia deveria ser, no meu entender, o próximo passo. Não é nada do outro mundo, não tem custos, não compromete a segurança, nem de um lado nem do outro. Permitiria, isso sim, um maior intercâmbio económico e turístico. Que seria vantajoso para ambas as partes.

 

A questão dos vistos poderia ser um cavalo de batalha da diplomacia portuguesa. Quando vierem a ser abolidos, Portugal estaria, assim, associado a essa medida. Ganharia em termos de imagem e de interesse, num país tão rico como a Rússia, um país que vai ser um dos grandes investidores do futuro.

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