Portugal é grande quando abre horizontes

04
Ago 14

A saga do BES, um banco que foi arruinado pelos seus administradores em virtude de acções fraudulentas, ilegais e manhosas, continua a ser o tema de todas as conversas.

 

Se é verdade que a solução encontrada pelo Banco de Portugal foi a menos má numa situação de catástrofe, a situação a que se chegou na sexta-feira, também é verdade que o banco supervisor permitiu, por indecisão e falta de força política, que as coisas se arrastassem até ao ponto de ruptura. Se o Banco de Portugal tivesse sido prudente, e nestas coisas a prudência é a regra que deve primar, teria tomado medidas de afastamento da administração do BES em Setembro de 2013. Foi nessa altura que se tornou evidente que havia gestão danosa.

 

Uma vez mais, lembro-me do que aprendi nas andanças pelo mundo. Quando o risco é grande a indecisão torna-o maior. O mal corta-se pela raiz, diz o ditado popular.

 

Agora, sendo as coisas o que são, é fundamental colocar o Novo Banco à venda tão depressa quanto possível. A actual administração, com Vítor Bento à frente, não tem experiência nem os contactos suficientes no mundo financeiro internacional que permitam ir além de uma fase transitória. Também aqui a experiência ensinou-me que o transitório deve ser sempre o mais breve possível. Por isso, deve procurar-se atrair o interesse de grandes grupos financeiros internacionais, para que comprem o Novo Banco. Mas aqui há vários problemas. Primeiro, não sei até que ponto a nossa opinião política está aberta à ideia de um banco internacional passar a ser o dono de uma parte significativa da banca nacional. Segundo, o mercado interno é pequeno, existem já bancos a mais, e por isso será difícil interessar um grupo de peso estrangeiro, um grupo sério e experiente. Terceiro, é difícil de dizer quanto vale o Novo Banco. Quantos dos créditos “bons” não serão na realidade montantes impossíveis de receber, nomeadamente no domínio do crédito à habitação e no financiamento de certas actividades económicas estapafúrdias. Poderá valer menos, para um investidor vindo de fora, que os 4 900 mil milhões agora disponibilizados. Quem vai pagar a diferença?

 

Enfim, para já, vamos andando.

 

publicado por victorangelo às 10:46

01
Fev 14

Portugal está nas mãos de fundamentalistas fiscais. Por isso, o micro-agricultor que for ao mercado vender umas nabiças, é obrigado a emitir factura. Uma loucura à portuguesa.

 

Em contraste, o serralheiro-sapateiro que tem loja aqui no meu bairro de Bruxelas, na rua comercial da minha zona, nem máquina de pagamento automático é obrigado a ter. Só aceita dinheiro contado e não passa factura.

 

Hoje, por exemplo, fui pagar a minha conta pendente. Resumia-se a duas letras em metal, um 18 capaz de resistir à ferrugem, para colocar do lado da rua da porta de casa, para que o leitor, quando me visitar, não se enganar no número da porta, e mais uma reparação de uns sapatos. Paguei a conta, que incluía também o trabalho de montagem das duas letras. 100 Euros. Desculpe, mas tem que ser em dinheiro. Factura? Não, não há.

 

Sem desculpas.

 

Nem crises na inspecção de finanças. Nem ASAEs e GNRs.

publicado por victorangelo às 20:20

09
Jan 14

Talvez não seja bem entendido, mas a operação de venda de dívida pública a cinco anos que hoje teve lugar mostrou que Portugal está a recuperar a sua credibilidade financeira. A taxa de rendimento da operação, que determina o valor dos juros a pagar, ficou a um nível bastante razoável, na casa dos 4,657%.

 

Cabe agora aos responsáveis políticos tirar partido da imagem mais favorável do nosso país para tentar atrair capitais que invistam na economia nacional. O investimento é o grande desafio. Não está a ser ganho. E por isso, a criação de emprego e de oportunidades de negócios, que são questões fundamentais para os cidadãos, continuam a não mostrar resultados. Para as famílias, é isso que conta como critério de sucesso ou de fracasso das políticas em curso.

publicado por victorangelo às 21:37

02
Dez 08

O insuspeito Financial Times, um dos melhores órgãos de comunicação social, ousou dizer, uns dias atrás, que o ministro das finanças de Portugal é o pior da zona euro.

 

Como o melhor é o senhor das finanças da Finlândia, e como estamos a chegar ao Natal, a solução seria a de enviar o nosso homem pouco-sorrisos fazer um estágio em Helsínquia e ao mesmo tempo ir pedir a bênção do Pai Natal. Talvez o PN -- não confundir com o PM -- lhe ponha um pouco de habilidade política no sapatinho.

 

 

publicado por victorangelo às 21:16

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