Portugal é grande quando abre horizontes

13
Abr 14

Já aqui escrevi sobre o salário mínimo. O assunto está agora novamente no topo do debate público em Portugal. Não é por nada, é apenas porque as eleições estão à porta. É uma discussão oportunista, nada mais.

 

Mas para além da demagogia eleitoral, a verdade é que o salário mínimo em Portugal é inaceitavelmente baixo. E isso não tem muito que ver com a produtividade do trabalho. Tem que ver com um tecido empresarial pouco sofisticado, que apenas consegue funcionar se o custo do trabalho se mantiver reduzido. Na minha opinião, o argumento da produtividade deve ser virado às avessas: um aumento dos salários obrigará os empresários a serem mais competitivos, a modernizarem a maneira de fazer negócios. Aumentar o salário mínimo é um incentivo à reforma e modernização da economia.

 

 

publicado por victorangelo às 19:54

09
Set 10

Não podia deixar de escrever, esta semana, na Visão, sobre a revolta nos bairros de caniço, que cercam Maputo e a Matola.

 

Não foi apenas a questão do aumento do custo de vida, insuportável para quem sobrevive ao nível da miséria. Foi a expressão de um profundo mal-estar, numa terra de grandes desigualdades sociais.

 

Há trinta anos, Maputo e arredores teriam cerca de 750 000 habitantes. Nessa mesma área urbana vivem agora cerca de 1 700 000 pessoas. As migrações trouxeram a pobreza dos campos e transformaram-na na miséria das cidades. O caniço é hoje um labirinto de frustrações e um viveiro sem fim de gangues criminosos.

 

O meu texto sublinha igualmente o que de positivo se conseguiu fazer, nestas duas últimas décadas. Mas sugere um novo paradigma de desenvolvimento para Moçambique. Um modelo que não beneficie apenas as elites.

 

O artigo está disponivel no sítio seguinte:

 

http://aeiou.visao.pt/mocambique-os-desafios-do-canico=f571716

publicado por victorangelo às 19:46

02
Set 10

Começou um segundo dia de distúrbios civis na zona metropolitana de Maputo. O governo aposta numa presença maciça das forcas de segurança nas principais artérias, como meio de resolução da crise mais imediata, a da ordem pública. 

 

Para além da intervenção de ontem ao fim da tarde do Presidente Guebuza, ninguém mais pareceu a falar em público e a tentar apaziguar os ânimos. As elites políticas, intelectuais e religiosas estão fechadas em casa, sem voz nem entendimento do seu papel numa situação social como a presente.

 

Como referi ontem, o país precisa de mudar de modelo de desenvolvimento. Precisa de equacionar, como muitos outros em África, a questão da urbanização rápida, que está a transferir a pobreza dos campos para as grandes cidades. Necessita, igualmente, de reflectir sobre a modernização do sector agrícola, sobretudo no que respeita à produção de bens alimentares de consumo corrente. Não se compreende que Moçambique importe o que come, do país vizinho, quando tem um potencial agrícola enorme. É altura de passar aos investimentos na agricultura comercial. Sem preconceitos ideológicos. Essa é também uma das maneiras de evitar o êxodo rural.

 

publicado por victorangelo às 10:05

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