Portugal é grande quando abre horizontes

09
Ago 19

Não sei se já tentou explicar ao seu gato que, num Estado democrático e com um governo constitucionalmente legitimo, é essencial reconhecer a autoridade do governo. Claro que não é fácil convencer o bicho, mas há que insistir, repetir e não perder a paciência. Se o seu gato lhe falar do 25 de Abril e da liberdade, diga que sim. São aspectos determinantes da nossa vida. Mas repita que sem um Estado forte, a agir dentro da lei, não há sociedade que se entenda nem respeito pelos interesses de todos, que são mais importantes que os interesses específicos do seu gato e dos seus companheiros de goteira.

Caso não tenha gato, experimente falar com um pássaro, um pardal, por exemplo. Há muitos, por aí.

 

publicado por victorangelo às 20:58

14
Mai 19

Na parte francófona da Bélgica, 53% dos inquiridos responderam que seriam a favor de um cartão de cidadão europeu, em vez do nacional. Contra, pronunciaram-se 42%.

Esta questão faz parte de um conjunto mais vasto de interrogações e de reflexões sobre a promoção da cidadania europeia. Pessoalmente, penso que se trata de um debate saudável. O futuro da Europa só fará sentido se for vivido, no essencial, de modo partilhado. E debater estas coisas não retira nada da personalidade cultural e histórica de cada nação. O passado conta e fez de cada país europeu o que ele hoje é. Mas o futuro conta ainda mais e esse tem toda a vantagem em ser construído em cooperação.

publicado por victorangelo às 20:59

24
Abr 19

A grande lição que tiro da maneira como muitos responderam, em França, ao incêndio da catedral de Notre-Dame é clara. Mostra-me a importância da história, dos valores e dos símbolos que definem a identidade de um povo. Não é uma questão religiosa, nem um menosprezo pelas dificuldades da vida que muitos enfrentam.

publicado por victorangelo às 20:50

16
Abr 19

Emmanuel Macron dirigiu-se esta noite à nação. Fê-lo com muita dignidade e equilíbrio. Contrariamente ao que alguns esperavam, não veio falar das medidas políticas que já decidiu tomar, na sequência das manifestações dos Coletes Amarelos e das centenas de reuniões que promoveu, nos últimos meses, com os autarcas e os eleitores, ao nível local. Falará dessas medidas em breve.

Hoje, veio partilhar a dor nacional que os franceses sentem, depois do que aconteceu à Catedral de Notre Dame. E falar da reconstrução da mesma. Dor e esperança foram as duas mensagens que deram expressão e alma à sua alocução. Tudo isso num momento em que a história e o simbolismo permitem oferecer aos franceses aquilo que muitas vezes lhes falta: uma certa unidade nacional, um sentido patriótico, à volta dos valores que transcendem o imediato e as lutas partidárias.

O Presidente esteve à altura.

publicado por victorangelo às 22:38

07
Jan 14

Um futebolista ímpar ou um artista de génio dão mais alento a um país do que a grande maioria dos políticos. Abrem as portas da esperança, unem os cidadãos, dão orgulho à nacionalidade, fazem acreditar no impossível. E é isso que um país precisa. E, infelizmente, é isso que os políticos não sabem fazer.

 

Ser político não é a mesma coisa que ser um alto funcionário do Estado ou um administrador de uma empresa. Os funcionários e os administradores fazem falta enquanto gestores e especialistas. Têm a obrigação de prestar serviços públicos e de garantir a eficácia do sistema da governação e da segurança dos cidadãos.

 

Existe a tendência para considerar os políticos como super-gestores.  Assim, a definição do bom político acaba por se confundir com a de um bom funcionário. Por isso vemos políticos com a mão na massa, a meterem-se em tarefas que não lhe deveriam caber, em assuntos que os funcionários e quadros superiores deveriam tratar. É a velha confusão entre a direcção estratégica e a intromissão nas questões correntes.

 

O político define os objectivos, representa os cidadãos e dá, tal como os atletas de grande mérito, ou os poetas, pintores e músicos excepcionais, asas à imaginação popular. Só os políticos que conseguem sonhar alto é que podem ser comparados aos heróis do povo.

publicado por victorangelo às 20:57

25
Jan 13

Hoje voltei ao Mosteiro dos Jerónimos, para me recolher por uns momentos perante os mausoléus de Luís Vaz de Camões e de Vasco Gama. Foi como ir à fonte e beber a água que nos dá ânimo e esperança num futuro mais grandioso que a mediocridade do presente.

 

publicado por victorangelo às 20:50

18
Dez 12

O estranho – estranho por ser divulgado pelo Governo às pinguinhas, conforme os interesses do dia e os arranjinhos com os jornais - projecto de Conceito Estratégico de Segurança Nacional, elaborado por um conjunto de personalidades pouco ou nada representativas das forças de segurança interna, é incorrecto ou tímido no que diz respeito às funções da GNR e da PSP. Defende um modelo dual que claramente não funciona e que deveria ser discutido, dissecado e revisto, nomeadamente à luz das práticas adoptadas noutros países europeus e no quadro das nossas realidades orçamentais.

 

Também não responde a uma questão de base: Para que serve, a que ameaças responde uma força de segurança militarizada? Dizer que serve para combater o terrorismo e a criminalidade violenta não é resposta, pois quer a PSP quer a GNR têm hoje condições para o fazer. Deveriam, isso sim, amalgamar as suas capacidades, nesta e noutras áreas. 

 

O projecto de Conceito ignora, por outro lado, todos os outros serviços de polícia existentes no país - SEF, ASAE, PJ, Polícia Marítima, etc. - , uma proliferação que deveria ser examinada com cuidado.

 

De qualquer modo, segundo penso, de pouco serve andar a discutir isto numa altura em que o poder político não tem um mínimo de condições de aceitação para poder levar avante uma qualquer reforma que faça sentido no sector da segurança. 

 

Na verdade, o debate sobre a segurança e a defesa nacional continua por fazer, o borrão de Conceito é apenas um background paper, um documento de trabalho, longe de ser um documento de estratégia e a reestruturação do sector não será senão cosmética, receio. 

publicado por victorangelo às 19:56

08
Dez 12

3.     Existe uma lacuna no entendimento entre as elites políticas e as de segurança.

 

A minha experiência dos últimos anos permite-me verificar que um fosso similar existe noutros países da UE, não sendo esse pois um fenómeno unicamente português. No nosso caso, constato que a partir da segunda metade da década de 80 a liderança política de Portugal mostrou falta de sensibilidade para as questões militares e de inteligência. O diálogo dos responsáveis políticos com as forças de defesa e segurança passou a ser num só sentido e mais pobre de conteúdo. Deixou, mais exactamente, de haver diálogo, para passar a haver um monólogo, da responsabilidade de políticos que pouco ou nada conheciam sobre o assunto e a quem as forças não reconheciam subliminarmente autoridade substantiva na matéria. Alguns dos ministros e altos dirigentes civis do Ministério da Defesa nesses anos revelaram uma por vezes total desconexão com as chefias militares, escondendo mal muitas vezes a incompetência por detrás de um biombo erudito, mas revelador de soberba intelectual.

 

Hoje, analisando o processo à volta da elaboração do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, podemos chegar, com agrado, à conclusão que há mais diálogo. Esse novo tipo de relacionamento precisa, no entanto, de ser institucionalizado. Noutros países, e o caso da Grã-Bretanha é um bom exemplo, os principais responsáveis políticos do governo, a começar pelo primeiro-ministro, sentam-se regularmente à mesa – nalguns casos, uma vez por semana - com as chefias militares, de inteligência e de polícia, no quadro de um Conselho Nacional de Segurança, para debater os riscos que vão surgindo e tomar medidas e acertar respostas, coerentes e coordenadas.

 

Portugal deveria seguir uma via semelhante, reforçando e elevando significativamente o que é hoje uma prática sem periodicidade fixa, ao nível apenas do ministro da Defesa Nacional e das chefias militares. Esta prática ad hoc precisa de passar a um escalão de responsabilidade diferente, tornar-se regular, amiúde e abrangente. 

publicado por victorangelo às 20:24

28
Ago 12

Sarcasmo à parte, faz-me na verdade pena ver tanta boa cabeça a discutir uma questão como a do futuro da RTP sem ter em conta várias coisas: 

 

1. Que é preciso definir o que se entende por serviço público de televisão, na segunda década do século XXI.

 

2. Que não se conhece a posição do governo, que se tem mantido surdo e mudo sobre o assunto.

 

3. Que se desconhece o que irá acontecer à RTP África e à Internacional.

 

4. Que o debate ocupa todo o espaço de discussão disponível, por isso interessar às diferentes cadeias de televisão existentes.

 

5. Que há muito mais para discutir, no que respeita ao futuro de Portugal.

 

6. Que muito disto não passa de uma manobra de diversão.

 

7. Que falta muita serenidade e substância no debate público, quer em relação a este assunto quer em geral.

 

E a lengalenga continua.

publicado por victorangelo às 22:40

25
Set 10

A situação política e económica em que Portugal se encontra é preocupante.

 

Estamos no patamar de uma crise política de grande alcance. Os líderes dos principais partidos estão, como já tem sido hábito, a entrar numa fase de personalização dos assuntos. Deixa de ser a susbtância da questão que interessa. O debate foge, então, para as questões ligadas ao relacionamento entre pessoas. Quem ofende quem, quem se sente ofendido, quem deixa de falar com quem, quem perde as estribeiras quando enxerga o outro, é a fuga para a luta entre egos, quando o que está em jogo são os interesses nacionais.

 

Como também estamos a cavalgar a onda da crise económica. A nossa economia está cada vez mais parada. Menos competitiva e menos atraente para eventuais investidores. O poder de compra das famílias está seriamente comprometido. Há mais pobres, mais dificuldades, mais miséria encoberta e, também, aberta. O anúncio de novos impostos, de mais controlos e de mais burocracia afastam os que poderiam estar interessados em investir. Se a isso juntarmos uma mão-de-obra que é, em média, pouco qualificada e incapaz de se inserir na economia internacional, o panorama para os próximos tempos fica ainda mais escuro.

 

Como disse várias vezes, é a altura de um sobressalto patriótico. De pedir aos dirigentes que tenham juízo e que se sentem à mesma mesa, para que procurem chegar a um acordo em relação às grandes questões nacionais. Como reduzir o défice público é certamente uma dessas questões. Na fase actual, essa pergunta só tem uma resposta viável: por via da redução das despesas públicas. Não das despesas sociais, pois essas já estão nas lonas, cortar mais seria lançar no desespero milhares de famílias. Mas um corte dos salários da função pública não é de excluir. Antes pelo contrário. É, cada vez mais, uma possibilidade. Como também não será de excluir uma redução drástica das transferências para as empresas públicas. Com o corolário de uma gestão mais racional dos meios existentes nessas empresas, a começar pelos privilégios concedidos aos seus administradores. Como se pode conceber que uma minúscula empresa pública de águas ou de serviços municipalizados tenha administrações com regalias exorbitantes? Para quê? Para compensar um risco empresarial que não existe? Para motivar a criatividade de administradores que não necessitam dela, pois operam com base num monopólio de serviços?

 

Cada vez mais vozes reconhecem a gravidade do momento presente. Mas muitas dessas vozes já mostraram que para além das palavras, pouco mais trazem de concreto.

 

Resta a dúvida: Como se pode contribuir para o sobressalto nacional? 

publicado por victorangelo às 16:59

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