Portugal é grande quando abre horizontes

13
Ago 19

Uma década de grandes transformações – 2010-2019:

  • Aceleração dos movimentos migratórios internos e internacionais
  • Acentuação do extremismo político
  • Retorno dos nacionalismos radicais
  • Desigualdades crescentes, precariedade e sentimento de insegurança
  • Entrelaçamento (emaranhar) de desafios complexos (ex: o clima, o terrorismo, a segurança humana, as mega-metrópoles urbanas, a robotização, etc )
  • Emergência da China como uma super potência
  • Marginalização da ONU; o regresso à política do poder - a razão da força.

 

 

publicado por victorangelo às 16:05

02
Ago 19

Kristalina Georgieva é uma pessoa com muita experiência no que diz respeito às questões da economia internacional. É actualmente a directora executiva do Banco Mundial em Washington, ou seja, a número dois da instituição. Muitas vezes, nestas organizações, o “segundo comandante” tem pouco peso, servindo sobretudo para tratar de questões protocolares, assistir a casamentos e enterros, como se costuma dizer de muitos vice-presidentes. Não é o caso de KG. Ela tem poder efectivo.

Acaba agora de ser seleccionada como a candidata europeia para o lugar de cabeça do Fundo Monetário Internacional. A sua selecção revelou várias coisas.

Quem manda efectivamente na União Europeia é a França. Foi o ministro francês da Finanças quem coordenou e guiou todo o processo.

A Europa do Norte alinha-se cada vez mais por detrás das posições holandesas.

A UE apenas respeita as regras quando lhe convém. Neste caso, KG está fora do critério da idade – tem mais de 65 anos, o limite que até agora tem sido a regra. Esse critério serviu, no passado, para eliminar candidatos de valor. Neste momento, a UE quer mudar as regras de um jogo que já está a meio, porque a sua candidata não cabe nele.

A atribuição mais ou menos automática do cargo maior do Fundo a um Europeu é um anacronismo. A UE deveria mostrar modernidade e realismo, permitir que outros candidatos, de outras partes do mundo, pudessem igualmente entrar na corrida.

KG não se conformou com o insucesso da sua candidatura ao posto de Secretário-Geral da ONU. Na sua opinião, via-se com mais trunfos do que António Guterres. Vai, agora, receio bem, se for confirmada como Managing Director do FMI, mostrar alguma rivalidade em relação a Guterres. É verdade que essa rivalidade seria mais acentuada se ela tivesse sido nomeada para a cabeça do Banco Mundial, uma organização que tem na sua carga genética a competição com a ONU. Mas, mesmo assim…

No que respeita à nossa aldeia, o governo e os media andaram um par de semanas a tentar enganar-nos com as hipóteses que Centeno teria. Foi um misto de promoção política do governo de António Costa com a parvoíce habitual e patrioteira de certos jornalistas. Temos, na verdade, uma aldeia muito curiosa, de engana parolos e de fantasistas.

 

publicado por victorangelo às 22:33

29
Jun 19

A minha apreciação da cimeira do G20, que acaba de ter lugar em Osaka, é positiva. Mesmo tendo presente que os Estados Unidos não aprovaram a parte do comunicado final que se referia às alterações climáticas. Em nota de pé de página, disseram, e isso já não é nada mau, que têm em conta, na sociedade americana, as questões do carbono e da poluição, acrescentando ainda que o país se preocupa com a qualidade do ambiente nas suas cidades. A verdade é que os municípios têm uma grande autonomia, nessa e noutras matérias.

É bom que os líderes se encontrem. O contacto pessoal facilita o diálogo. E o diálogo é a única via para a resolução pacífica dos conflitos de interesse.

Também é verdade que estamos numa situação internacional muito tensa e perigosa. Pelo que sei, os principais líderes reconheceram a complexidade da situação. Deram um grande enfoque às questões do comércio e da economia. Esses temas são como um paravento. Sabem que há outros por detrás, de ordem estratégica e securitária, que têm igualmente que ser tratados. Com urgência, acrescentaria.

Os encontros desta natureza permitem igualmente uma série de discussões bilaterais bem como várias conversas informais. Essas são duas das grandes vantagens das cimeiras. Osaka foi fértil nessa área. Veremos se o clima internacional reflecte, nos próximos tempos, algum desanuviamento.

As Nações Unidas estiveram representadas pelo Secretário-Geral, como já é costume. Mas os líderes não dão espaço à organização. Essa é uma preocupação que tem que ser posta em cima da mesa da opinião pública internacional.

publicado por victorangelo às 17:35

14
Jun 19

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/06/hormuz-tensions.html

O meu post em língua inglesa sobre a situação no Estreito de Hormuz. As Nações Unidas devem tomar a iniciativa. Essa é a única maneira de fazer baixar a tensão, que neste momento é muito elevada.

publicado por victorangelo às 16:50

30
Abr 19

O meu post deste serão sobre a situação na Venezuela, em Inglês

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/04/venezuela-mediation-mediation-mediation.html

publicado por victorangelo às 21:24

31
Mar 19

Nestes últimos tempos, tem-se falado muito sobre a família e a política. Ou, melhor dito, sobre as famílias que estão no governo. Assim, penso que poderia ser interessante partilhar uma história pessoal, que não sendo sobre a participação na política se relaciona com as relações entre a família e certas posições na praça pública.

Uma das minhas filhas trabalhou em várias missões internacionais de paz, no Kosovo, na R.D. do Congo e ainda no Haiti. A determinada altura foi-lhe oferecida a possibilidade de entrar para o quadro profissional da ONU. Era uma oferta muito interessante. Teve, no entanto, que indicar no formulário apropriado que o seu Pai – eu, sim, eu – era um alto funcionário de carreira das Nações Unidas. Pediu, no seguimento, uma excepção à regra que impede o recrutamento de quem tenha um familiar muito chegado já em funções na ONU. A razão que apresentou foi que não se antevia qualquer hipótese de influência do pai no trabalho futuro da filha. Ainda, que a função do pai não tinha influenciado, de modo algum, a decisão de lhe oferecer uma perspectiva de carreira. A resposta que veio do secretariado das Nações Unidas em Nova Iorque foi negativa. Não havia espaço para excepções, para desvios na interpretação da regra, apesar da candidata reunir todas as exigências requeridas e ter demonstrado, nas diferentes missões, um mérito profissional elevado.

As regras cumprem-se. E os princípios respeitam-se, mesmo quando não estão em letra de forma.

E na política ao mais alto nível, na governação do Estado, a sabedoria aconselha prudência, bom senso, respeito pela ética e pelas aparências, no sentido da imagem que se projecta. Caso contrário, abre-se flanco à crítica, fragiliza-se a liderança e dá-se espaço à desconfiança. A desconfiança acaba sempre por atingir muito seriamente o artista, por mais habilidoso que seja. Destabiliza-o, pelo menos.

 

publicado por victorangelo às 17:24

05
Mai 18

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10359

O link para o meu programa desta semana na Rádio de Macau, um trabalho semanal de equipa com Hélder Beja, um homem de letras, e a jornalista Catarina Domingues. Ambos vivem em Macau há vários anos.

publicado por victorangelo às 17:16

14
Abr 17

O Presidente dos EUA conseguiu pôr uma boa parte do mundo a falar dele. Sobretudo, a tentar adivinhar qual será o seu próximo passo e a procurar perceber qual é a estratégia, que linha política está a ser seguida.

Estes são tempos particularmente complexos

E a iniciativa está, neste momento, do lado do Presidente. É ele quem vai determinar a agenda dos próximos dias, dos tempos que temos pela frente.

Ora, sabendo-se o que se sabe e tendo em conta o que se tem visto, a situação está a deixar muitos dirigentes, em vários cantos do globo, francamente preocupados.

Creio que há razões para que assim seja.

publicado por victorangelo às 20:57

19
Mar 17

Aprende-se muito sobre relações de força em matéria de política internacional, quando se trabalha numa posição estratégica directamente ligada ao Conselho de Segurança da ONU ou numa agência eminentemente política, como é o caso do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Tive a sorte de fazer os meus trinta e tal anos nessas “zonas de combate”.

Quem vem das agências humanitárias não tem a mesma experiência sobre as questões de poder. Tem muitas outras vivências e valores, é certo. Traz uma dimensão humana muito forte, que é algo de mérito absoluto.

Mas a política internacional é muito complicada e nem sempre muito sensível às facetas humanitárias.

Isto daria pano para uma dissertação.

Não cabe aqui.

Noto, todavia, que o novo Secretário-Geral teve esta semana duas oportunidades bem complexas de ver como funcionam as relações de poder em Nova Iorque.

Uma relaciona-se com os cortes que a Administração Trump decidiu aplicar ao financiamento da ONU. São reduções financeiras de grande monta, que põem em causa o funcionamento de partes importantes do sistema onusiano. Vão obrigar a liderança da ONU a navegar em águas extremamente agitadas. E trazem exigências e condições que irão fortemente condicionar a autonomia de poder do Secretário-Geral.

A outra diz respeito à demissão de Rima Khalaf, a Secretária-Geral-Adjunta das Nações Unidas e responsável pela Comissão Económica para o Próximo Oriente ( ESCWA). Rima é uma mulher de reconhecida coragem e de grande competência técnica. Uma personalidade influente no mundo árabe.

O Secretário-Geral não concordou com a publicação de um relatório sobre Israel, que ela patrocinou, e exigiu que o mesmo fosse retirado do sítio da ESCWA. Rima disse que não, que o relatório tinha mérito e respondeu à pressão vinda de Nova Iorque pedindo a demissão das Nações Unidas. O Secretário-geral tratou o assunto através da sua Chefe de Gabinete, sem falar directamente com Rima Khalaf, o que me parece ser algo de excepcional, digamos assim, e foi acusado de submissão cega aos americanos e aos israelitas.

Este episódio ficará nos anais por várias razões. Todas elas, bem complexas e sujeitas a interpretações diversas.

É que isto das relações internacionais tem que se lhe diga.

publicado por victorangelo às 16:27

12
Dez 16

Hoje é dia de voltar a dar os parabéns a António Guterres. O discurso que pronunciou na tomada de posse foi completo e claro. Tocou nas questões mais prementes, sublinhou bem e repetidamente a importância dos direitos humanos e explicitou as prioridades do novo Secretário-Geral.

A tarefa não será fácil. Para mais, a chegada a Washington de uma administração radical, e que aposta mais no confronto do que na diplomacia, não irá tornar mais leve a missão que Guterres tem pela frente.

O reforço da credibilidade da ONU e da sua centralidade – nos últimos tempos assistimos à tendência para empurrar as Nações Unidas para as margens sombrias dos grandes conflitos, um processo de subalternização que deverá ser travado e revertido – são duas preocupações que vejo como fundamentais.

Tenho a certeza que Guterres o entende da mesma maneira.

publicado por victorangelo às 19:56

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