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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Putin está cada vez mais perigoso

Esta semana, Vladimir Putin pareceu mostrar alguma confusão estratégica. Um dia disse uma coisa, no seguinte afirmou o contrário. Tudo à volta do uso de armas nucleares e de alta tecnologia. Parece confusão, mas não é. É um jogo para desnortear o inimigo.

Ele está a trazer o tema para cima da mesa, com a clara intenção de fazer uso desse tipo de armamento, se se achar ameaçado. Uma utilização preventiva, acabou por dizê-lo. Mas a noção de agir antes dos outros, por parecer que há uma ameaça que está prestes a ser concretizada, é altamente perigosa. Por isso continuo a dizer que estamos agora num momento particularmente arriscado do conflito.

A leitura que faço das suas palavras e das imagens públicas que vão aparecendo, retratando-o aqui e acolá, confiante e bem-disposto, fazem-me temer que Putin esteja convencido que chegou o momento de alargar o conflito. E que tenha feito a avaliação que poderá sair desta confrontação vitorioso. Ora, um conflito desse tipo, com armas nucleares e ultra-sónicas, não acaba com vitórias. Acaba, isso sim, com um grau impensável de destruição.

O risco de uma grande guerra é cada vez maior

https://www.dn.pt/opiniao/emmanuel-macron-e-o-seu-labirinto-15450578.html

Este é o link para a minha crónica de hoje no Diário de Notícias. 

Alguns leitores pensam que exagero quando escrevo sobre os riscos de um conflito de grandes proporções. Infelizmente, não o creio. E gente bem informada, como o Secretário-geral da NATO, também acha que podemos estar à beira de um conflito global. Putin não hesitará, se chegar à conclusão que está em riscos de perder. 

Como de costume, cito umas linhas do meu texto. 

"Frente a Vladimir Putin, Emmanuel Macron tem de deixar de parecer o ingénuo da fita. Deve mostrar que está preocupado com a escalada contínua da agressão russa e dizer claramente que a história nos ensina que as escaladas levam sempre à erupção de conflitos de grandes proporções. Esse é o grande perigo agora iminente e é esta a mensagem que deve ser repetida, seja por que via for."

Parar a política da destruição

https://www.dn.pt/opiniao/colocar-os-pontos-nos-is-15413373.html

Este é o link para o meu escrito de hoje no Diário de Notícias. Estamos muito longe de se poder iniciar um processo de negociações. O falado encontro entre Joe Biden e Vladimir Putin é uma miragem política. Não existe um mínimo de condições que possa servir de ponto de partida comum. Putin está convencido que vai vencer a resistência ucraniana e a paciência ocidental. A sua táctica é a da destruição. A destruição leva, na sua maneira de ver, à rendição. 

Cito o último parágrafo do meu texto. 

"Não vejo a atual direção russa pronta para se retirar dos territórios ocupados. Tem de ser expulsa ou convencida a sair. E para isso, a Ucrânia precisa de todo o apoio possível e da assistência de uma coligação de países aliados. Não cabe à NATO organizar uma coligação dessas. Mas alguns dos seus Estados-membros devem começar a falar dessa possibilidade, fora do quadro da Aliança Atlântica. E dar um prazo a Putin para que cesse as hostilidades. Esta agressão deve ser transformada numa oportunidade para definir uma nova arquitetura de segurança na Europa."

A NATO, a China e a Rússia

A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Nato deu hoje uma atenção muito especial à competição entre o Ocidente e a China. Penso ter sido um erro. Neste momento, o que conta é acabar com a agressão da Rússia de Vladimir Putin contra a Ucrânia – e também contra a Europa. É aí que está o perigo mais imediato. Sobretudo agora, que estamos a entrar no inverno. A agressão russa pode causar a morte de milhares de pessoas por causa do frio, da falta de gás para o aquecimento das habitações. Os meses que aí vêm são extremamente difíceis em termos de temperaturas e humidade. Sem aquecimento, muitas pessoas, sobretudo as mais idosas, estarão em risco de vida. É preciso denunciar esse facto e apontar o dedo na direcção de Putin.

O que a Nato deveria estar a discutir, no que respeita à China, é outra coisa: como convencer a China a tomar a atitude responsável que deveria adoptar, enquanto grande potência, e desempenhar um papel que leve Putin a parar a agressão. Essa é a China que se quer na cena internacional. Essa é a questão que os países da Nato deveriam considerar como prioritária em matéria de diplomacia.
O resto é, para já, rivalidade entre os EUA e a China. Poderá ser tratado mais tarde. E com serenidade, se se aplicar francamente o princípio de uma só China, mas com dois sistemas.  

Os truques habituais de Vladimir Putin

A criação de um evento paralelo, que desvie as atenções internacionais da humilhação ou da condenação que a Rússia está a viver nos grandes fóruns internacionais, é uma táctica habitual do Presidente Vladimir Putin. É um especialista no sequestro das agendas das grandes reuniões, fazendo-as desaparecer do mapa mediático, para que não se note o isolamento russo.

Hoje foi o bombardeamento de uma aldeia fronteiriça polaca com mísseis russos. A partir de então todos se esqueceram de Bali e do G20, das críticas à política criminosa de Putin e aos apelos ao fim da guerra. O espaço noticioso e os comentários foram preenchidos pela violação armada da fronteira polaca.

O modelo seguido por Putin implica igualmente a negação de qualquer responsabilidade russa. Mal os mísseis haviam caído na terra polaca que já estava o governo russo a negar qualquer tipo de envolvimento e, como estás nos manuais de procedimentos do Kremlin, a dizer que tudo isto era uma provocação contra a Rússia.

Numa pequena entrevista que dei à Antena 1, aconselhei que a resposta a este acto de agressão fosse firme, ou seja, diplomaticamente forte, mas prudente. Porquê? Simplesmente por se tratar de um desenvolvimento gravíssimo no nosso relacionamento com Putin. Deve ser respondido de modo coerente. E sublinhar que não podemos continuar a viver com um  vizinho que não respeita as regras da boa vizinhança.

Os ucranianos ao ataque: e depois?

A contra-ofensiva das tropas ucranianas contra os invasores russos, na região norte, perto da cidade de Kharkhiv, é bastante significativa. Mostra a capacidade militar e a coragem dos ucranianos, a fraqueza operacional e a falta de motivação das tropas russas, e a superioridade do armamento entretanto recebido dos EUA e de outros países ocidentais. Estes avanços ucranianos têm uma importância política importante, ao darem um novo alento às populações agredidas por decisão de Vladimir Putin. Mas, atenção! Não significam que a guerra tenha entrado numa fase de debandada e de derrota russas. Estamos muito longe do fim da ocupação. A violência desta agressão absolutamente injustificada irá continuar. E por isso, é fundamental encontrar uma resposta que a faça parar, negociar e recuar. Os russos têm de entender que essa é a única solução e que só assim farão parte da grande família europeia.

Os desafios desta rentrée

https://www.dn.pt/opiniao/uma-rentree-bem-complexa-e-agora-15147747.html

Este é link para o meu texto de hoje, o texto da rentrée, no Diário de Notícias. 

E este é o último parágrafo desse meu escrito:
"É altura de se ser franco e direto. A agressão coloca-nos perante três opções e pede-nos uma decisão firme e clara. Uma solução inspirada na técnica do banho-maria não resulta. Na realidade, com o tempo, acaba por encorajar o infrator e outros com intentos semelhantes. Aqui, ou se acende o lume ao máximo - na convicção de que no final se estará do lado dos vencedores e dos sobreviventes - ou se procura uma receita alternativa, uma via política. É essa a escolha determinante que os nossos líderes têm de fazer."

NATO: refém da Turquia, da Rússia e da China?

https://www.dn.pt/opiniao/notas-a-margem-da-cimeira-da-nato-14982822.html

Este é o link para a minha crónica de hoje no Diário de Notícias. Cito, de seguida, um parágrafo do meu texto.

"Para além da aprovação do novo conceito estratégico, o desfecho do que está a acontecer na Ucrânia é que será verdadeiramente transformador. A cimeira de Madrid reconheceu que não se pode deixar a Rússia vencer o conflito que provocou. Nos tempos de hoje, a violação da lei e da ordem internacionais não deve trazer vantagens para o infrator. Já a reunião do G7, uma cimeira algo confusa nas vésperas do encontro de Madrid, havia chegado à mesma conclusão. Mas uma declaração desse tipo só tem valor se for traduzida em ações concretas que impeçam a vitória de Moscovo."

Hoje, errei publicamente na minha análise

Num directo para o noticiário das 18:00 horas da RTP 3, disse, entre muitas outras coisas, que estava convencido que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, iria continuar a vetar a entrada da Suécia e da Finlândia para a NATO. E expliquei as razões.

Uma hora e meia depois, o Secretário-Geral da NATO anunciou que a Turquia, a Suécia e a Finlândia haviam chegado a um acordo e que o veto havia desaparecido. Ou seja, a minha análise estava errada.

Foi, na verdade, uma surpresa. Não apenas para mim. Para todos os que não estavam no âmago das negociações. Até o meu “amigo Boris” foi apanhado de surpresa, por exemplo.

Para além da surpresa, existem outras preocupações. Nomeadamente sobre a possibilidade de ver deportados para a Turquia certos oponentes entretanto refugiados na Suécia.

Terei que voltar, por causa dessas preocupações, ao assunto. Espero que da próxima vez não erre, não seja desmentido por acontecimentos de última hora.

Discutir ideias, sem ofender as pessoas

Não creio que os meus textos mostrem que ando confuso. Digo isto por ver vários dos meus amigos baralhados perante os acontecimentos correntes. São pessoas bem-intencionadas, que procuram informar-se. Não compreendo como acabam por ficar com as ideias aos ziguezagues. Por exemplo, neste dia em que a Rússia cometeu mais um crime de guerra, ao atacar e destruir um centro comercial na cidade ucraniana de Kremenchuk – um alvo inteiramente civil – um amigo mandou-me uma mensagem e telefonou-me para mostrar a sua preocupação com a crescente militarização dos Estados Unidos e a influência que isso está a exercer nas escolhas europeias em matéria de defesa. A mensagem foi fácil de tratar: existe uma tecla “delete”. A chamada telefónica foi mais complicada. Tenho um grande respeito por esse amigo e não queria tornar a coisa num assunto pessoal. Tentei focar a discussão na questão e não na pessoa. Não foi fácil. Muitos intelectuais não conseguem fazer a diferença entre destruir um argumento e a ofensa pessoal. Mas tentei e continuarei a tentar.

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