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Crescemos quando abrimos horizontes

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NATO: refém da Turquia, da Rússia e da China?

https://www.dn.pt/opiniao/notas-a-margem-da-cimeira-da-nato-14982822.html

Este é o link para a minha crónica de hoje no Diário de Notícias. Cito, de seguida, um parágrafo do meu texto.

"Para além da aprovação do novo conceito estratégico, o desfecho do que está a acontecer na Ucrânia é que será verdadeiramente transformador. A cimeira de Madrid reconheceu que não se pode deixar a Rússia vencer o conflito que provocou. Nos tempos de hoje, a violação da lei e da ordem internacionais não deve trazer vantagens para o infrator. Já a reunião do G7, uma cimeira algo confusa nas vésperas do encontro de Madrid, havia chegado à mesma conclusão. Mas uma declaração desse tipo só tem valor se for traduzida em ações concretas que impeçam a vitória de Moscovo."

Hoje, errei publicamente na minha análise

Num directo para o noticiário das 18:00 horas da RTP 3, disse, entre muitas outras coisas, que estava convencido que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, iria continuar a vetar a entrada da Suécia e da Finlândia para a NATO. E expliquei as razões.

Uma hora e meia depois, o Secretário-Geral da NATO anunciou que a Turquia, a Suécia e a Finlândia haviam chegado a um acordo e que o veto havia desaparecido. Ou seja, a minha análise estava errada.

Foi, na verdade, uma surpresa. Não apenas para mim. Para todos os que não estavam no âmago das negociações. Até o meu “amigo Boris” foi apanhado de surpresa, por exemplo.

Para além da surpresa, existem outras preocupações. Nomeadamente sobre a possibilidade de ver deportados para a Turquia certos oponentes entretanto refugiados na Suécia.

Terei que voltar, por causa dessas preocupações, ao assunto. Espero que da próxima vez não erre, não seja desmentido por acontecimentos de última hora.

Discutir ideias, sem ofender as pessoas

Não creio que os meus textos mostrem que ando confuso. Digo isto por ver vários dos meus amigos baralhados perante os acontecimentos correntes. São pessoas bem-intencionadas, que procuram informar-se. Não compreendo como acabam por ficar com as ideias aos ziguezagues. Por exemplo, neste dia em que a Rússia cometeu mais um crime de guerra, ao atacar e destruir um centro comercial na cidade ucraniana de Kremenchuk – um alvo inteiramente civil – um amigo mandou-me uma mensagem e telefonou-me para mostrar a sua preocupação com a crescente militarização dos Estados Unidos e a influência que isso está a exercer nas escolhas europeias em matéria de defesa. A mensagem foi fácil de tratar: existe uma tecla “delete”. A chamada telefónica foi mais complicada. Tenho um grande respeito por esse amigo e não queria tornar a coisa num assunto pessoal. Tentei focar a discussão na questão e não na pessoa. Não foi fácil. Muitos intelectuais não conseguem fazer a diferença entre destruir um argumento e a ofensa pessoal. Mas tentei e continuarei a tentar.

O G7 tem várias preocupações

A cimeira do G7, que hoje começou na Baviera, tem quatro grandes preocupações em cima da mesa:

  1. A política de agressão de Vladimir Putin, que está num crescendo e é bastante preocupante. Como irá evoluir este conflito nos próximos tempos?
  2. A nova maneira da China conduzir a sua política externa, que é mais explícita nos ataques aos EUA e à NATO. Aqui, a aprovação pelo G7 de uma Parceria Global de Infra-estruturas, num total de 600 mil milhões de dólares para o período 2022-27, deve ser vista como estando em competição directa com o programa chinês da Nova Rota da Seda.
  3. O estado da economia mundial: inflação, disrupções das cadeias de abastecimento de matérias-primas e de componentes, insegurança alimentar, endividamentos insustentáveis, etc.
  4. Manter a coesão entre os países membros do G7.

Quando se erra, deve-se corrigir o erro

https://www.dn.pt/opiniao/a-lituania-e-borrell-erraram-devem-emendar-a-mao-14962082.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Despertou muito interesse. 

Cito de seguida umas linhas desse texto.

"Para mais, tudo isto tem uma conotação política muito delicada. Abre-se, deste modo, uma nova frente de confrontação direta entre a UE e a Rússia. Particularmente perigosa e que nos distrai da preocupação fundamental, urgente e prioritária, que é a de concentrar todas as energias no apoio à Ucrânia e aos seus esforços de legítima defesa. É perigosa porque oferece à Rússia um pretexto fácil de explorar para uma investida muito forte contra a Lituânia, um país membro da NATO. Ora, a Lituânia, tal como os seus dois vizinhos mais a norte, a Letónia e a Estónia, é muito difícil de defender. Vários exercícios estratégicos, simulados ao mais alto nível de comando da NATO - tive a oportunidade de participar em alguns - mostraram repetidamente a fragilidade extrema de qualquer um desses três países, no caso de uma intervenção militar hostil vinda da vizinhança. São territórios pequenos, sem profundidade estratégica, fáceis de ocupar. Abrimos, assim, um conflito num ponto fraco do nosso espaço de defesa. Não é certamente uma decisão estratégica inteligente, menos ainda sensata. Mais, não havia necessidade."

Kaliningrado: um erro europeu

A interdição imposta pela Lituânia contra o trânsito através do seu território, por via-férrea, de certos bens pertencentes à Rússia e que estão na lista de sanções da UE, é muito grave. E é um erro que pode provocar uma confrontação entre a Rússia e um país membro da NATO.

Os bens estão a circular entre partes da Rússia – a passagem pela Lituânia faz-se por um corredor especial, estabelecido para o efeito – e não devem ser considerados como exportações ou importações do Oblast de Kaliningrado. São transferências domésticas.

Josep Borrell considera que a Lituânia tem razão. Eu considero que não. E mais. Isto deixa-me muito preocupado.

Apoiar a Ucrânia

A visita conjunta dos dirigentes da Alemanha, França, Itália e Roménia a Kyiv foi bastante positiva, quer do ponto de vista do apoio político quer material. A reunião do Grupo de Contacto, realizada ontem na sede da NATO, também deve ser vista como positiva. Essa reunião destinava-se a coordenar a ajuda material à Ucrânia. Essa ajuda tem de chegar ao país sem demoras.

Entretanto, Moscovo começou a cortar o fornecimento de gás à Europa. Prevejo que ainda corte mais, muito em breve.

100 dias de agressão

https://www.dn.pt/opiniao/ucrania-olhar-para-alem-dos-cem-dias-da-agressao-14910364.html

Link para o texto que hoje publico no Diário de Notícias. 

"Como já várias vezes referi, as sanções têm fundamentalmente três objetivos. Expressar uma condenação política. Reduzir a capacidade financeira que sustenta a máquina de guerra. E desconectar a Federação Russa das economias mais desenvolvidas, para realçar que há uma conexão entre o respeito pela lei internacional e a participação nos mercados globais.

As sanções deverão fazer parte de uma futura negociação de normalização das relações. Mas só poderão ser levantadas quando o Kremlin deixar de ser visto pela Europa e pelos seus aliados como um regime imprevisível e ameaçador."

Como contradizer um colega de programa?

Durante a entrevista que esta noite dei à RTP3 foi repetido, pelo outro interveniente, que que aquilo que se passa na Ucrânia é uma guerra entre a Rússia e os Estados Unidos, combatida em território ucraniano. Como se tratava de duas entrevistas paralelas, não quis contestar essa afirmação errada. Mas da próxima vez terei de o fazer. Essa leitura dos acontecimentos está muito fora da caixa e esconde a agressão da Rússia contra a Ucrânia. 

A encruzilhada

Nas duas entrevistas que realizei hoje com dois canais televisivos insisti, acima de tudo, na necessidade de se acabar com a ilegalidade que é a agressão da Rússia contra a Ucrânia e iniciar um processo que leve à paz. Sei que isso é extremamente difícil de conseguir. Mas a continuação da guerra é ainda mais perigosa. Aprofundará a destruição da Ucrânia e poderá levar a um conflito mais amplo, de consequências imprevisíveis.

 

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