Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

A relação entre a Europa e os Estados Unidos

A questão dos submarinos australianos alterou profundamente a política nacional francesa no que respeita ao seu relacionamento com a administração do Presidente Joe Biden. Mas é ainda mais séria, por ter feito perder a confiança na cooperação de defesa entre uma parte da Europa, representada pela França, e os Estados Unidos.

Vai, entre outros aspectos, ter um impacto no funcionamento político e operacional da NATO. A França já não se sentia à vontade numa organização que tem a Turquia como membro. E ficou ainda menos convencida, perante o comportamento americano, que decide sem consultar e tem apenas em conta a preocupação com o crescimento da influência global da China. Ora, a China, para a França e para outros dos seus aliados europeus, é um problema distante, secundário e mais aparente do que real. Para esse grupo de aliados, os desafios de defesa e segurança estão bem mais perto das fronteiras europeias, quer a Leste quer a Sul.

Temos aqui um momento de viragem. Mas ainda não é possível medir todas as suas dimensões.

Zapad 2021: mostrar os músculos ao inimigo

As forças armadas russas estão a levar a cabo o exercício Zapad 2021. Este exercício militar decorre junto das fronteiras da União Europeia. Tem lugar todos os quatro anos. O de agora é o maior exercício realizado na Europa nos últimos 40 anos. Participam nele cerca de 200 mil militares, alguns deles vindos da Bielorrússia. Segundo as normas em vigor, deveria ter observadores da NATO. Mas os russos declararam que o exercício só mobilizaria 13 mil efectivos, uma mentira que lhes permite furar a obrigação de convidar observadores ocidentais.  

No essencial, trata-se de simular uma invasão do território russo por tropas ocidentais e, em seguida, treinar a resposta e expulsar os invasores. Para isso, o exercício integra cerca de 80 aviões e helicópteros, 300 tanques e 15 navios. Uma parte da simulação passa-se no Árctico, que é um novo foco de possíveis tensões entre a Rússia e o Ocidente.

É um exercício convencional, como se as guerras de amanhã fossem como as de ontem. Os russos sabem que assim não é. São, aliás, especialistas em novos tipos de agressões, híbridas e aquém do limiar que provocaria uma declaração de guerra. Mesmo assim, fazem um exercício clássico, para mostrar a todos, incluindo à sua população, que a Rússia tem poder militar para dar e vender. É uma exibição de força, tradicional mas efectiva.

 

 

Um exemplo suíço

Na semana passada, tive a honra, pela sexta vez, de liderar os dois últimos dias da formação que o governo suíço dá anualmente aos seus quadros destacados em países onde existe algum tipo de conflito nacional.

Essa formação é feita numa base militar especialmente vocacionada para o apoio a destacamentos suíços no estrangeiro. Os participantes são civis, que se encontram ou se preparam para servir as embaixadas do país em lugares como Kinshasa ou na Birmânia, ou ainda para trabalhar para operações de paz, missões de mediação política ou de capacitação policial. Dura quinze dias, em regime de internamento e dedicação exclusiva. Passa em revista questões de segurança, de política internacional, os mandatos da ONU, NATO, OSCE e outras organizações, procede a exercícios de simulação de resolução de conflitos e de análise política.

Uma das questões mais centrais tem de ver com a liderança. Que significa boa liderança? Que exemplos podem ser estudados? Como ir mais além, na compreensão da questão da liderança, muito para além de um simples enunciado de princípios e atributos genéricos, muitas vezes lidos em livros escritos por que nunca praticou uma qualquer liderança de uma operação complexa?

A Suíça investe neste tipo de matérias e acaba por desempenhar um papel bem superior ao que seria de esperar, tendo em conta a neutralidade e a dimensão do país.

 

Um momento histórico

Uma semana depois da queda de Cabul e da administração apoiada pela comunidade internacional – directa ou tacitamente – continuamos a defrontar-nos com três grandes questões. A evacuação de todos os que devem ser evacuados. O reconhecimento diplomático do governo que vier a ser estabelecido. E o impacto desta crise sobre o papel das potências ocidentais na cena mundial.

Cada uma destas questões dá pano para muitas mangas. Mostram, igualmente, que estamos num momento de viragem na história moderna da humanidade. Pode parecer um exagero dizer algo assim. Estou convencido que não o é. Que este é na verdade um virar de página com grandes consequências.

Donald Trump e os Talibãs

Hoje escrevi a minha crónica semanal para o Diário de Notícias, depois de uma pausa de duas semanas. A crónica será publicada na edição de amanhã. E tinha forçosamente de ter como tema o Afeganistão. Esse é o assunto por excelência, neste momento. Mas muito se tem escrito sobre o Afeganistão. Incluindo prosas emocionais e pouco realistas. E muita repetição de ideias feitas.

O desafio era enorme. Que escrever, a partir de que ângulo, de modo a acrescentar algo ao debate, sem maçar o leitor com mais do mesmo? O leitor verá como tentei dar a volta a esta questão. E como procurei não esquecer as pessoas, mesmo quando a escrita é sobre questões geopolíticas.

O papel nefasto de Donald Trump esteve sempre presente na minha mente, à medida que o texto avançava. Tinha a intenção de mostrar o que aconteceu à volta do acordo que Mike Pompeo assinou, a mando de Trump, a 29 de Fevereiro de 2020, e de como esse processo abriu o caminho para a tomada do poder pelos Talibãs.

Acabei por não o fazer. Mas é algo que terá que voltar à baila. Joe Biden assumiu as suas responsabilidades. Trump também deve ser confrontado com as suas.  

  

 

O desespero como resultado final

As imagens de hoje, que mostram centenas de afegãos agarrados a um avião militar norte-americano prestes a levantar voo, não serão jamais esquecidas. Resumem, no seu dramatismo, o que ficará para a História, quando se falar das duas décadas de intervenção ocidental no Afeganistão. Os sacrifícios de muitos militares, o sofrimento de milhares de famílias, os biliões gastos, a incompetência e a corrupção de muitos políticos não serão nunca minimizados. Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete da memória. Mas, o desespero de quem se agarrou ao avião diz tudo, passado, presente e futuro.

 

Ashraf Ghani

Ashraf Ghani foi hoje forçado a abandonar a presidência do Afeganistão. A queda do seu regime tem um significado enorme, não apenas para a história do seu país como também para a maneira como as democracias ocidentais intervêm nos conflitos de outros povos, com outras culturas e em contextos geoestratégicos profundamente complexos. Vai ser preciso reflectir sobre tudo isso, nos próximos dias.

Entretanto, quero aqui lembrar que passei uns dias com Ashraf Ghani, em 2005, em Long Island, a uma hora de carro de Nova Iorque, num retiro organizado para altos quadros da ONU. Ghani havia deixado de ser ministro das finanças recentemente. Nessa qualidade, e por ser um antigo colega do Banco Mundial e das Nações Unidas, foi convidado a participar nas nossas discussões geopolíticas e a partilhar connosco a sua visão sobre o futuro do Afeganistão.

A imagem que me ficou na memória, ao longo de todos estes anos, lembra-me que se tratava de uma pessoa afável e, acima de tudo, de um sonhador que falava pelos cotovelos e com os pés pouco assentes na terra. Organizações como a ONU gostam de gente faladora, que atira ideias às rajadas, e nem sempre se apercebem que a conversa esconde uma grande ausência de realismo e de capacidade de ouvir os outros. Ghani era uma figura idolatrada, por tudo isso e porque o Afeganistão estava no topo da agenda.  

Não quero aqui fazer o balanço dos seus anos na presidência. Fica apenas o registo da sua saída em fuga.

E também uma palavra de precaução em relação aos políticos que falam sem parar e imaginam realidades que não são consistentes com o quotidiano das pessoas.

O Afeganistão que sofre

O que está a acontecer no Afeganistão é inaceitável e elucidativo.

Inaceitável porque não se pode deixar o país cair de novo nas mãos sanguinárias e primitivas dos Talibãs. Todos sabemos o que significa ter esses fanáticos no poder. A comunidade internacional não pode, de modo algum, aceitar os Talibãs como líderes do Afeganistão.

Elucidativo, por revelar as fragilidades da Aliança Atlântica, a subordinação absoluta aos interesses norte-americanos, o egoísmo político da grande potência e a pobreza estratégica dos dirigentes do mundo ocidental.

A teoria de que uma guerra só deve servir para abrir, tão cedo quanto possível, uma via de solução política foi uma vez mais esquecida. Com isso, sofrem os que combatem, os civis e todos aqueles que vêem os seus direitos serem pura e simplesmente espezinhados.

Nós, os americanos e o Afeganistão

https://www.dn.pt/opiniao/afeganistao-tantos-sacrificios-para-que-13918806.html

Acima partilho o link do meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

E agradeço desde já a todos os que me enviaram comentários sobre esta análise, bem como aos que a partilharam com outros possíveis leitores. 

Como é habitual, cito de seguida um parágrafo do meu texto.

"Para Washington, o Afeganistão passou a ser visto como uma guerra sem fim e como uma distração em relação ao novo foco agora bem mais importante: a China. E vê a rivalidade entre as duas superpotências como resolvida na região onde se insere o Afeganistão. Por issso, não quer perder mais tempo e recursos nesse espaço geopolítico onde a China já conta com a subordinação dos dois países que mais importam: o Paquistão e o Irão. O corredor económico China-Paquistão, que termina no porto paquistanês de Gwadar, no Mar da Arábia, é talvez o projeto mais relevante da Nova Rota da Seda. Aos olhos de Beijing, está garantido. Por outro lado, o Irão assinou um acordo económico de longo prazo com a China em março de 2021. Os investimentos chineses deverão atingir os 400 mil milhões de dólares nos próximos anos. É a passagem do Irão para a órbita da China. No meio, restará o Afeganistão do caos e do radicalismo, mas sem capacidade para prejudicar os interesses chineses na região. Os talibãs dependem desses dois vizinhos, sobretudo do Paquistão, e não deverão agir contra os seus interesses."

Jogos geoestratégicos

Não vi o jogo de Portugal contra a Hungria. Mas pessoa amiga foi-me mantendo ao corrente. E lembrava-me, cada vez que me enviava uma mensagem, que o futebol é de facto um grande aglutinador. E os adversários são tratados como se fossem inimigos vitais. Perante isso, e face à insistência com que Joe Biden falou sobre a China, pensei que seria uma excelente iniciativa tratar dessa rivalidade entre os dois gigantes num campo de futebol. E os adeptos teriam assim a oportunidade de se insultar mutuamente. O problema é que os americanos não são grandes praticantes da modalidade e os chineses estão apenas agora a descobrir – e a investir a sério – nesse desporto. Dantes foi o ping-pong que aproximou essas duas grandes nações. Agora poderia ser a bola.

Se assim fosse, ficaria menos preocupado.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D