Portugal é grande quando abre horizontes

06
Out 19

É uma parvoíce intelectual, para além de ser um chavão frequentemente repetido, falar na “desintegração do Ocidente”. Qual desintegração, qual carapuça! E o Ocidente, fica aonde? Começa após o quintal de Vladimir Putin e termina à porta de Donald Trump? E passa ao lado das ruas sem flores onde moram Marine Le Pen ou Matteo Salvini?

“Ocidente” é um conceito impreciso e ultrapassado.

O que se passa, isso sim, é a afirmação da pluralidade das culturas humanas. Passámos a reconhecer que estamos agora num mundo em que a diversidade é reconhecida, se afirma e ganha força. E somos convidados a aceitar que o percurso para o futuro não deverá ser feito com base numa perspectiva imperial, que tentaria impor uma certa maneira de estar e de ver a vida. Também não poderá assentar num confronto entre civilizações.

A afirmação de outras culturas é o resultado de um desenvolvimento mais equilibrado do mundo. A sua pujança traduz, na melhor das hipóteses, optimismo e vitalidade económica, noutras, um certo tipo de revanchismo ou, simplesmente, desagravo, depois de uma longa história de humilhações e de escárnio. De uma maneira ou outra, trata-se de uma realidade que deve ser vista como positiva e enriquecedora.

Olhemos em frente, é o que também gosto de sugerir. O futuro só terá paz e progresso se for construído a partir do entendimento, da compreensão entre as várias culturas e da cooperação entre sistemas de valores que poderão ser divergentes em vários aspectos mas que deverão coincidir quando se tratar de questões fundamentais. Destas, sublinho duas, que considero prioritárias e deverão ser os pilares da nossa casa comum: o respeito pela dignidade de cada indivíduo e o esforço comum pela conservação da natureza e do meio ambiente.

 

publicado por victorangelo às 16:41

01
Jun 19

O respeito e o amor pelos animais tornam-nos mais humanos, mais sensíveis ao valor da vida, dos outros e da natureza.

publicado por victorangelo às 10:55

18
Mar 19

O ciclone Idai deixou a maioria das infra-estruturas da cidade da Beira, em Moçambique, destruídas, para além de ter morto um milhar ou mais de pessoas. Foi um enorme desastre natural. Trouxe desafios inimagináveis para as famílias e para as autoridades.

A solidariedade internacional, e a ajuda de emergência, chegou primeiro da África do Sul, um país que tem capacidade para responder a este tipo de crises. Outros se seguirão, assim o espero. Portugal deveria responder também, na medida dos meios possíveis. E a população portuguesa precisa de mostrar que não fica indiferente quando algo desta gravidade acontece num país a que a história e o passado recente nos ligam.

 

publicado por victorangelo às 20:01

22
Abr 16

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Um dos primeiros animais vistos no Parque de Ranthambhore, a cinco horas de comboio a sul de Nova Deli.

O parque é um centro de atração famoso, por causa dos tigres. Mas ver os ditos é quase um milagre. A maior parte dos visitantes vai e volta sem ver nenhum tigre. Vê, isso sim, muitos turistas, incluindo muitos turistas indianos, que as classes com posses e mais jovens viajam imenso, por todos os cantos do seu país.

Fiquei três dias inteiros no parque. Ao segundo dia já pensava que o tigre é como um deus: acredita-se que existe mas ninguém o vê. E nesse dia, ao acaso de muitas voltas e de muito sofrimento no mato, que as pistas de Ranthambhore são umas quebra-costas dos diabos, acabei por estar lado a lado com uma mãe tigre e as suas duas crias, já de um ano de idade. Com dois anos, separar-se-ão da mãe e cada uma irá constituir um novo território exclusivo e solitário.

 

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publicado por victorangelo às 20:20

17
Nov 14

Acaba de chegar às salas de cinema americanas e outras um filme de longa-metragem sobre o Parque Nacional de Virunga. Vale a pena ver.

O parque tem uma área que equivale a quase duas vezes a superfície do Algarve e situa-se na fronteira leste da República Democrática do Congo, na extrema com o Uganda e parte do Ruanda. É a “casa” de várias centenas de gorilas das montanhas, uma espécie em vias de extinção. Depois de um longo período de ameaças, por parte de milícias armadas e de caçadores furtivos, o parque tem conseguido, nos últimos anos, recuperar e proteger a sua riqueza natural.

Essa recuperação tem estado a ser ameaçada pelos interesses de uma companhia de exploração de petróleo inglesa, que dá pelo nome de SOCO International plc. O filme documenta o jogo de influências e as manipulações de funcionários e outros agentes contratados de SOCO. A companhia queria que uma parte significativa do parque, que é considerado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, deixasse de ser reserva natural e pudesse ser objecto de pesquisas petrolíferas.

O director do parque, Emmanuel de Mérode, um nome de referência em matéria de coragem e de conservação da natureza, tem conseguido opor-se a esses desígnios. Em April passado foi vítima de uma emboscada, levou vários tiros e só não morreu por acaso.

Recentemente, depois de muita indignação internacional, SOCO resolveu retirar-se do Congo (RDC).

Curiosamente, um dos administradores não-executivos de SOCO é um antigo embaixador português, hoje jubilado e ligado a interesses bancários. Alguém por quem sempre tive muita consideração.

publicado por victorangelo às 20:42

05
Jul 10

O Parque Natural Sintra-Cascais e' um desalento, um caos, um conjunto de povoados feios e pobres, sujos e mal enjorcados, uma graçola ridícula cheia de construções, fábricas, pedreiras, ferro-velho e dunas destruídas pelas motos de quatro rodas. E' mais um triste exemplo do faz-de-conta em que o país se transformou.

 

Afinal, andamos a enganar quem?

publicado por victorangelo às 22:05

20
Mar 10

 

N'Djaména está sem ligações aéreas com o resto mundo desde Quinta-feira. Completamente isolada. Sucessivas tempestades de areia e de pó fino fecham o horizonte e paralisam a vida quotidiana. As casas, as máquinas, as pessoas, está tudo com uma camada de pó, como se fosse uma nova pele, bem espessa, que se viesse sobrepor ao coiro duro que a natureza nos deu. O pó não pede licença para entrar no íntimo das nossas vidas. Penetra por todos os orifícios, enche-nos a boca e a os miolos, fica tudo emperrado, com o sabor da terra seca a dominar-nos o pensamento.

 

Só quem tenha experimentado este tipo de fenómenos climáticos pode compreender o que é viver no meio de nuvens de poeira.

 

A minha viagem de regresso, prevista para amanhã, está agora suspensa no ar pesado que sopra dos desertos. Será que vou poder voar? Hoje à noite, o prognóstico é muito negativo.

 

 

publicado por victorangelo às 18:50

03
Ago 09

 

Copyright V. Ângelo

 

De regresso ao centro de África, trouxe comigo as cores das árvores da minha rua de Lisboa. Para que nos lembremos que as árvores fazem parte das nossas vidas. São fontes de muita coisa, incluindo de beleza e tranquilidade. Os tons de verde fazem bem à alma que viaja pelos cantos escuros e claros da vida.

 

No Sahel, é a estação das chuvas. Até finais de Setembro. As Nações Unidas no Leste do Chade vão plantar algumas centenas de árvores, para que a mensagem também tenha que ver com a natureza, com uma visão do futuro, um preparar a terra para as novas geraçôes.

 

 

publicado por victorangelo às 22:39

24
Mar 09

 

Estamos em Março, mal saídos do Inverno, e já aparecem incêndios florestais por toda a parte. É uma vergonha nacional, um indicador forte da incompetência dos poderes políticos, um deixar andar que tem a figura de um crime de negligência, de falta de protecção do património nacional.

 

Não podemos aceitar que o país continue a arder. Temos que ir à raiz do problema e ter a coragem de tomar decisões. Não aceitamos desculpas de quem não tem unhas para tocar a viola pública. Precisamos de ver executadas as medidas, que são conhecidas, que impedirão que Portugal continue a arder.

 

Chega de preguiças políticas, de indiferenças, de medos e de falta de consciência nacional. E de subdesenvolvimento intelectual.

 

publicado por victorangelo às 21:44

13
Fev 09

 

Copyright V. Ângelo
 
 
 
Depois da passagem, ontem, perdida, pelo deserto, hoje voltamos 'as águas tranquilas do Ubangui, com o Congo Democrático na outra margem. Há quem diga que e' o fim das terras, ou do mundo, mas olhem que não... E' apenas outra maneira de viver os tempos de agora.
 
Quem visita Bangui, fica nas margens do rio que corre para as florestas sem fim...
 
 
 

 

publicado por victorangelo às 19:39

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