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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Um Portugal mais interveniente

Não se trata de saber qual é o armamento de que se dispõe. Também não tem que ver com um noção convencional da diplomacia, a que procura agradar a gregos e a troianos e não fazer qualquer tipo de ondas. “Soft power” significa que o país tem capacidade para influenciar os outros, sem qualquer tipo de recurso à força ou à ameaça do seu uso. Tem muito que ver com a imagem exterior que o país projecta, com o seu prestígio internacional, e com o seu apetite para desempenhar um papel activo na procura de soluções para as grandes questões que afectam a paz e a segurança aqui e acolá, ou numa qualquer região do globo.

É verdade que temos estado a assistir ao regresso da política da força. A força num sentido amplo, abrangente, com várias facetas, não apenas a militar. Mesmo assim, as soluções baseadas nos valores da paz, do respeito entre as nações, da conjugação de interesses, continuam a merecer um lugar de destaque na diplomacia internacional. E a serem reconhecidas como a via para respostas duráveis a crises profundas.

A Noruega tem sido um excelente exemplo da utilização inteligente do “soft power”. Pesa muito mais na cena mundial do que o seu tamanho e isolamento geográfico deixariam pensar. É um actor credível e ousado, na resolução de conflitos e na procura de respostas às grandes questões dos nossos tempos.

Nós também o poderíamos ser. Precisaríamos de ultrapassar o paroquialismo que nos fecha na nossa aldeia mental, cultivar a imagem exterior de Portugal e ousar. Teríamos muito a ganhar com uma aposta desse género.

 

Apoiar os artistas da terra

Passo estes dias, até sexta-feira, no ventre de uma montanha, na costa oeste da Noruega. As salas de reunião e os gabinetes de trabalho foram construídas recentemente. Os corredores que nos levam aos diversos compartimentos do “ventre” têm decorações pintadas nas paredes, obras dos artistas da região. Como se trata de uma construção recente, a regra, nesta terra, é que 2% do valor total da obra sejam destinados ao enriquecimento artístico do edifício. À compra de expressões artísticas locais. Boa ideia. Apoia a criação e humaniza o cimento, sobretudo este, muito especial e bem dentro de uma montanha que, vista de fora, é simplesmente como muitas outras.

O petróleo do Mar do Norte está a ficar sem gás

O voo desta manhã de Londres Heathrow para Stavanger, a capital do petróleo na Noruega, tinha dezassete passageiros, num avião grande e novo em folha. Já o voo similar, em janeiro, estava meio cheio, numa linha que sempre foi muito procurada. Será que isto tem alguma coisa que ver com a quebra do preço do petróleo? Será que as companhias de exploração petrolífera estão numa fase de contenção de gastos?

Fiquei sem resposta.

A Noruega é um actor activo na cena internacional

Cheguei ao fim da tarde a Oslo, para participar na reunião anual do programa norueguês de apoio às operações de paz da ONU. Estou aqui enquanto membro do Conselho Consultivo Internacional do programa patrocinado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega. O Conselho tem seis membros, quatro dos quais são Africanos e um é Indiano. Sou o único europeu no grupo. A administração do programa é feita pelos noruegueses, representados ao nível político pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. É um programa que tem 15 anos de existência e que mostra bem o interesse que Oslo dá às questões da manutenção da paz, da segurança internacional e da resolução de conflitos em África. Revela igualmente um posicionamento muito activo do país em relação ao trabalho da ONU.

A minha ambição, nesta área, passa por tentar conseguir uma maior participação europeia nas questões de manutenção da paz.

Ricos, com chuva e monotonia

Amanhã viajo de novo para Stavanger, na Costa Ocidental da Noruega. Stavanger é um perfeito exemplo de uma cidade rica num canto perdido do fim do mundo. Vive-se bem e em segurança nessa terra. Mas a vida, sobretudo nesta altura do ano, é um aborrecimento. Não há nada para fazer, não há animação, é apenas trabalho e casa, casa e trabalho. Com chuva e vento, como será o caso nos próximos tempos.

Verão com nuvens

O meu texto de hoje na Visão é uma digressão de Verão, escrita na costa ocidental da Noruega, em Stavanger.

 

Passo a citar o que publico na Visão:

 

Reflexões norueguesas

Victor Ângelo

 

Escrevo esta crónica de Verão junto à janela. Lá fora, a paisagem abre-se e fica dominada pelo fiorde de Stavanger, o mar e a cadeia de montanhas que define o horizonte. Olhando bem, tranquilidade, vastidão e curiosidade, no sentido de querer ir mais além e descobrir o que está para lá dos recortes das baías e das serras, são os pensamentos que me ocorrem. Ou seja, viajar, mas não nos gigantescos navios cruzeiros, conto três esta manhã no meio da cidade, que o centro de Stavanger foi construído nas margens da ponta do fiorde. Os navios são uma feira ruidosa, um novo tipo de turismo de massas a fingir que é luxo.

 

Situada na costa oeste do país, capital do petróleo norueguês, Stavanger é uma urbe em crescimento acelerado. Mantém, no entanto, a característica que melhor define as cidades da Noruega: vida sem sobressaltos e próxima da natureza. Mostra, igualmente, que é possível conciliar a riqueza do petróleo com a construção de um futuro harmonioso, viver-se uma vida confortável mas sem exibicionismos de novo-rico. A disciplina individual e coletiva é o segredo da coisa. Disciplina na vida cívica, na política, em casa, na maneira como se constrói o futuro. Aqui, aprende-se que a disciplina social é um fator essencial para a prosperidade de um povo.   

 

Stavanger é também um exemplo de diversidade étnica. Nos anos setenta foi o porto de abrigo para muitos refugiados vietnamitas, acolhidos que foram por estas terras. Estão integrados. A jovem militar que se ocupou do meu acesso seguro a meios informáticos, quando aqui cheguei há uns dias em missão, tinha um nome meio norueguês meio vitenamita. A sua fisionomia não enganava ninguém: representava bem a beleza do extremo-oriente.  A Noruega sempre foi um país generoso em termos de asilo político. Agora há gentes de diversas nacionalidades: refugiados vindos do Iraque, do Afeganistão, Curdos da Turquia, famílias da Somália e muitas mais. Quando se vai à polícia local tratar da documentação, o primeiro passo consiste em selecionar a língua, das várias disponíveis, em que se quer ser atendido. Na frente económica, encontramos imigrantes de várias partes da Europa. Desde a vizinha Suécia – trabalhar na Noruega é uma alternativa mais vantajosa – até à Polónia. A comunidade polaca é das mais numerosas. Também há portugueses, como não podia deixar de ser. Por coincidência, atrás de mim, no avião vindo de Frankfurt, sentava-se um casal do Porto, imigrantes na Noruega desde há alguns anos.  

 

O sítio onde trabalho é guardado por jovens militares a cumprir os seis meses de serviço obrigatório. Este é um dos poucos países europeus que conservou essa prática. Tem dinheiro para o fazer. O modelo não é, por isso, exportável. Mas, enquanto me perco a contemplar a paisagem, reconheço que a Europa precisa de refletir a sério sobre o seu sistema coletivo de defesa. Os desafios existem, como podemos ver do lado da Ucrânia e da Rússia, nas águas e nas margens Sul e Oriental do Mediterrâneo, na frequência crescente dos ataques cibernéticos. Reconheço, porém, que a defesa da Europa é hoje um conceito complexo, que vai muito para além da resposta militar. Passa por repensar a aliança com os EUA, que têm, de longe, o melhor sistema de defesa do mundo. Passa, igualmente, por uma redefinição do papel das forças armadas e do seu relacionamento com as polícias, os serviços de informações, os diplomatas e a opinião pública. O fiorde lembra-nos que estas coisas são bem mais vastas do que parecem. Mesmo na pausa do Verão, que este ano tem estado agitado.

Frio de Verão

A minha filha mais nova enviou-me uma fotografia das suas férias na Inglaterra. A imagem mostra-a toda embalada contra o frio e a chuva, ao lado do meu neto de dois anos, esse de botas de borracha até aos joelhos e com um impermeável que apenas lhe deixava os olhos, grandes que os tem, a descoberto. Ao lado deles, foi apanhada na fotografia, por acaso, uma criança inglesa. Essa aparece na foto com um vestido leve de verão, sem mangas e sem mais agasalhos. Fartei-me de rir e lembrei à filha que quem vive permanentemente, como ela vive, na Andaluzia, tem sempre frio no Norte da Europa.

 

Depois, mal tinha acabado de brincar com o contraste, resolvi sair do escritório, para ir comprar qualquer coisa para o jantar. Antes de sair, protegi-me bem, que o meu olhar rápido pela janela disse-me que lá fora estava um frio danado e mesmo, chuva. Verão em Stavanger, na costa oeste da Noruega, digo eu. Quando cheguei à rua, havia mais. Um vento forte, vindo do lado do mar. Mas mal tinha dado uns passos encontrei um colega norueguês, a passear despreocupado no centro da cidade. Estava vestido com um polo ligeiro, de manga curta, e umas calças de veraneante. Ao ver-me tão bem aconchegado, com casacão e tudo, não conseguiu fechar a boca. Disse-me: vê-se mesmo que vens de Portugal!

 

Ainda o ouvi dizer que o tempo até não estava mau, para quem vive em Stavanger…

Reformas e maneiras de ver

Na Noruega, os funcionários públicos reformam-se aos 66 anos. E a lei prevê que um aumento progressivo desse limite etário, à medida que a esperança média de vida aumente.

 

Ninguém acha estranho. Estranho é, isso sim, pedir a reforma antecipada, sem que existam razões de força maior para o fazer.

 

Não creio que o facto de terem apenas direito a 15 minutos de paragem para o almoço possa ser considerado como razão suficiente para pensar numa antecipação da reforma...

 

Noruega e Portugal

Amanhã e Sexta-feira estarei na Noruega, no quadro da minha colaboração com o Ministério dos Negócios Estrangeiros desse país. É sempre um prazer voltar a Oslo, com a sua atmosfera bon enfant, descontraída, um ambiente em que a palavra crise não tem cabimento.

 

Para quem vem de Portugal, onde a crise económica é hoje uma crise de desespero e de falta de perspectivas, o contraste não pode ser maior. Estar em Oslo ajuda-nos a perceber que Portugal não pode continuar obcecado consigo próprio nem num estado de revolta permanente. Nada disso ajuda a construir o futuro. Há que acreditar nas nossas capacidades, ser tolerante em relação aos que pensam de modo diferente do nosso e ser honesto e generoso na relação com os outros. E, acima de tudo, ter uma elite que pensa no progresso colectivo e não apenas no seu proveito pessoal.

 

Tudo isto parece ingénuo. Mas é possível, com um outro tipo de gente à frente da política e da opinião pública. Com gente com sentido da história e não do proveito pessoal que possam tirar de uma efémera passagem pelo poder.

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