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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Intolerâncias

O projecto de construção de uma mesquita e de um centro islâmico a uma distância de dois quarteirões do Ground Zero, na baixa da cidade de Nova Iorque, continua a ser o principal tema político nos Estados Unidos. Parece incrível mas é verdade. Uma grande maioria dos habitantes da cidade, e dos americanos, opõem-se ao projecto. Gente conhecida pela sua abertura de espírito, pela sua modernidade e pelo vanguardismo das suas ideias, tem feito campanha contra.

 

É um caso paradigmático da intolerância americana em relação a tudo o que possa ter um cheirinho muçulmano. Isto num país que foi construído com base na liberdade religiosa.

 

 

Os novos pobres de Nova Iorque

 

Dizem-me que os preços dos apartamentos mais pequenos, uma espécie de T1 com 40 metros quadrados,  baixaram, em termos médios, de cerca de 25%. Com 750 000 dólares já se pode comprar qualquer coisa em Manhattan, uma sala e um quarto.

 

Certos jovens, com os dentes afiados e grande agilidade mental, perderam os empregos que tinham nas empresas financeiras que vivem à volta de Wall Street. Estão actualmente numa situação de bancarrota. Compraram, nos dias fáceis, apartamentos que custaram 5 milhões de dólares. Hoje, esses andares valem, quando aparece comprador, o que é raro, metade desse valor. O condomínio custa uma fortuna cada mês, vários milhares de dólares. E não há dinheiro para suportar esse custo. É a derrocada.

 

Mas, pelo menos, há optimismo, de novo. Muita gente pensa que o pior da crise já passou. Que as políticas de Obama estã a dar resultado. Veja-se os dados do PNB, ontem divulgados.

 

Encontrar maneira de sobreviver este período, até à recuperação económica, é o drama do quotidiano. Amanhã a vida voltará a correr bem. Mas é preciso lá chegar.

 

Um drama que não impede os bons restaurantes de continuar cheios. Um jovem de Nova Iorque nunca come em casa. Mesmo se está na bancarrota.

Verão poupado, são os dias de hoje

 

No edifício da ONU, em Nova Iorque, vive-se à Verão. Durante este período, não há fatos, casacos ou gravatas, a não ser que se trate de uma ocasião muito especial. É uma maneira de poupar umas largas centenas de milhares de dólares em ar condicionado. A temperatura ambiente é mantida dois ou três graus acima do que era habitual, nesta altura do ano.

 

Ao fim do dia, na Primeira Avenida, à porta do edifício do PNUD, um casal de reformados italianos, de visita a Nova Iorque, talvez o sonho de uma vida, pergunta-me onde é o "Palácio das nações Unidas". Era mesmo em frente, no outro passeio da avenida. Quando apontei para a velha torre que abriga o Secretariado da ONU, tornou-se visível, nas suas caras, a decepção. Vir de tão longe para ver aquele monstro de cimento e vidro, tão velho que tem os dias contados.

 

Assim se passa muitas vezes com a ONU ao nível do terreno. Onde se espera ver uma maravilha, vê-se o cair de um sonho. Mas a realidade das relações internacionais é assim.

Em Nova Iorque

 

A cidade continua a dar o ar de ser um sítio de gente nova. Mais uma vez, esta foi a primeira impressão com que fiquei, ao chegar ontem à noite. Uma cidade que se mexe a passos rápidos, em que se tem que ser ágil das pernas e da mente.

 

Agilidade é uma característica essencial. Os reumáticos como eu, e os mais velhos,  acabam por girar apenas à volta do seu bairro e pouco mais. A não ser que tenham muito dinheiro para gastar. Então, tudo é fácil e acessível. Com dinheiro, abundante, é o melhor local para viver, se gosta de cidades. E se se consegue viver em caixas de fósforos.

 

Mas Nova Iorque está cada vez mais cara. Essa é a segunda impressão com que se fica. Mesmo o trivial é caro. Está ali, disponível a dois passos, mas os preços têm subido de modo bem sensível.

 

 

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