Portugal é grande quando abre horizontes

01
Set 14

Hoje entrei pela primeira vez na minha agência do meu Novo Banco. A última vez que lá fora ainda a coisa era conhecida pelo nome antigo. E tinha clientes. Hoje, fiquei com a impressão que está tudo muito morno, ou mesmo parado. Que não há actividade.

 

O que me levou ao Novo foi uma situação ridícula com o cartão de crédito de uma das minhas filhas. Por sinal, a que tem a conta mais alimentada. O cartão que lhe haviam dado tinha um crédito de 500 euros apenas. Um plafond insuficiente, que ainda se tornava mais difícil de gerir com ciclo de crédito a fechar a 12 de cada mês mas a conta dela a ser debitada apenas a 30. Ou seja, na prática, o cartão só dava para uma dúzia de dias de operação por mês. E ficava rapidamente inoperacional, com o limite dos 500 euros a ser atingido num ápice.

 

Fui ao atendimento personalizado. E apercebi-me, por comparação com outros bancos noutros países, que os dois miúdos que se ocupam desse tipo de atendimento não têm poder de decisão nem capacidade para fazer o aconselhamento que certas situações que saem da rotina exigem. A boa vontade não chega, nestas coisas de banca e de dinheiros. Nem o fato e a gravata e a menina bonita ao balcão. E com a reputação do banco fortemente abalada, fiquei a pensar que o Novo deveria, isso sim, chamar-se Verde, Muito Verde. Também fiquei com a impressão que não vai ser fácil vender esta coisa “nova” por um valor que cubra o que o Estado acaba de lá pôr, para salvar a barraca. Verde e com pouco ponta por onde se lhe pegue.

publicado por victorangelo às 22:42

04
Ago 14

A saga do BES, um banco que foi arruinado pelos seus administradores em virtude de acções fraudulentas, ilegais e manhosas, continua a ser o tema de todas as conversas.

 

Se é verdade que a solução encontrada pelo Banco de Portugal foi a menos má numa situação de catástrofe, a situação a que se chegou na sexta-feira, também é verdade que o banco supervisor permitiu, por indecisão e falta de força política, que as coisas se arrastassem até ao ponto de ruptura. Se o Banco de Portugal tivesse sido prudente, e nestas coisas a prudência é a regra que deve primar, teria tomado medidas de afastamento da administração do BES em Setembro de 2013. Foi nessa altura que se tornou evidente que havia gestão danosa.

 

Uma vez mais, lembro-me do que aprendi nas andanças pelo mundo. Quando o risco é grande a indecisão torna-o maior. O mal corta-se pela raiz, diz o ditado popular.

 

Agora, sendo as coisas o que são, é fundamental colocar o Novo Banco à venda tão depressa quanto possível. A actual administração, com Vítor Bento à frente, não tem experiência nem os contactos suficientes no mundo financeiro internacional que permitam ir além de uma fase transitória. Também aqui a experiência ensinou-me que o transitório deve ser sempre o mais breve possível. Por isso, deve procurar-se atrair o interesse de grandes grupos financeiros internacionais, para que comprem o Novo Banco. Mas aqui há vários problemas. Primeiro, não sei até que ponto a nossa opinião política está aberta à ideia de um banco internacional passar a ser o dono de uma parte significativa da banca nacional. Segundo, o mercado interno é pequeno, existem já bancos a mais, e por isso será difícil interessar um grupo de peso estrangeiro, um grupo sério e experiente. Terceiro, é difícil de dizer quanto vale o Novo Banco. Quantos dos créditos “bons” não serão na realidade montantes impossíveis de receber, nomeadamente no domínio do crédito à habitação e no financiamento de certas actividades económicas estapafúrdias. Poderá valer menos, para um investidor vindo de fora, que os 4 900 mil milhões agora disponibilizados. Quem vai pagar a diferença?

 

Enfim, para já, vamos andando.

 

publicado por victorangelo às 10:46

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