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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Apoiar a Ucrânia

A visita conjunta dos dirigentes da Alemanha, França, Itália e Roménia a Kyiv foi bastante positiva, quer do ponto de vista do apoio político quer material. A reunião do Grupo de Contacto, realizada ontem na sede da NATO, também deve ser vista como positiva. Essa reunião destinava-se a coordenar a ajuda material à Ucrânia. Essa ajuda tem de chegar ao país sem demoras.

Entretanto, Moscovo começou a cortar o fornecimento de gás à Europa. Prevejo que ainda corte mais, muito em breve.

O que escrevo e o que é lido

Um texto como o que ontem publiquei no Diário de Notícias é escrito com todo o cuidado, palavra a palavra. Depois, o que demorou horas até chegar à versão publicável é lido a correr por muitos dos leitores. Por isso, recebo comentários, mesmo os mais favoráveis, que mostram que a leitura foi feita de modo apressado. Tiram conclusões que não estão no texto ou que não decorrem do que foi escrito.

Ontem por exemplo, as mensagens principais eram claras: é preciso alargar as sanções a todas as áreas estratégicas que tenham que ver com o financiamento do aparelho militar russo e do cerne do regime; Vladimir Putin não pode fazer parte de uma Europa pacífica e cooperante; cabe à população russa democratizar o seu sistema político; a ajuda militar à Ucrânia é legítima e muito urgente; trata-se de criar as condições para que a sua legítima defesa seja efectiva; a unidade das posições europeias é uma questão fundamental; o risco de uma confrontação armada entre a Rússia e a nossa parte da Europa é elevado.

Não se trata de defender posições belicistas. Também não é uma questão de pessimismo. É, isso sim, realismo e defesa dos valores essenciais em matéria de relações entre os Estados.  

A China e as suas ambiguidades

https://www.dn.pt/opiniao/por-onde-anda-a-pretensa-lideranca-chinesa-14668270.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Transcrevo, de seguida, a minha crónica. 

Por onde anda a pretensa liderança chinesa?

Victor Ângelo

Foi preciso deixar correr 12 dias de agressão contra a Ucrânia, para Xi Jinping descer à terra e discutir a sua leitura da crise com Emmanuel Macron e Olaf Scholz. Na véspera, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, havia organizado uma longa conferência de imprensa, focada no mesmo assunto.

Ao analisar estas duas intervenções, fica-me a impressão que Beijing pretende, em simultâneo, agradar a gregos e troianos, ou seja, aos europeus da UE e ao regime de Vladimir Putin, e, por outro lado, agravar a retórica contra os EUA. Xi procurou encorajar o diálogo entre os europeus e o Kremlin, bem como criar uma linha de fratura entre a posição europeia e a americana. Assim se pode resumir a iniciativa chinesa.

Acima de tudo, o objetivo de Xi é o de projetar uma imagem de compostura e serenidade, na defesa do sistema multilateral e da paz. Quer aparecer como o grande apologista dos princípios internacionais, enquanto os americanos deveriam ser vistos como os instigadores de conflitos, incluindo o que agora se sofre na Ucrânia. A China estaria sobretudo preocupada com a promoção da cooperação Internacional – a palavra cooperação foi mencionada no discurso de Wang mais de 80 vezes –, o desenvolvimento e a prevenção de crises humanitárias em larga escala.

Tudo isto é um exercício de estilo nos domínios da propaganda e da ambiguidade. A China precisa manter uma relação muito estreita com a Rússia. São dois grandes vizinhos, com várias complementaridades, para além da imensa continuidade geográfica. Beijing importa matérias-primas extraídas na Rússia – sobretudo petróleo, cerca de 60% do total das importações vindas da Rússia – e oferece uma válvula de escape à economia do vizinho. Mais importante de tudo, vê nos EUA um inimigo comum. A geografia aproxima os dois países e a geopolítica une-os. Trata-se, porém, de uma união frágil: baseia-se fundamentalmente nas vontades de Xi e Putin. Não tem expressão popular sólida, pois cada povo possui um quadro cultural muito próprio, sem raízes nem referências partilhadas.

E a China também sabe fazer contas: num ano, as trocas comerciais com a UE ultrapassam os 800 mil milhões de dólares, enquanto com a Rússia andam bem mais abaixo, na casa dos 105 mil milhões. Este valor é mais ou menos igual ao do comércio anual entre a China e os Países Baixos. Política e economicamente, Xi Jinping depende de um mercado europeu aberto e amistoso. Para o dirigente chinês, o comércio internacional é essencial para manter o ritmo de crescimento do nível de vida dos seus cidadãos. Isso tem de ver com a sua continuidade no poder. É o argumento fundamental para justificar a sua legitimidade e autoridade absoluta.   

O facto é que a liderança chinesa não apoia o assalto militar que Putin ordenou contra a Ucrânia. Pelo que acima escrevo, e por três outras razões. Primeiro, porque desrespeita dois dos princípios fundamentais da política externa chinesa, o da inviolabilidade das fronteiras nacionais e o da não-ingerência nos assuntos internos de outros Estados. Segundo, porque desestabiliza e põe em risco de crise profunda as economias europeias. Terceiro, porque reforça o papel dos EUA na NATO e a sua influência na Europa.

Contudo, Xi Jinping não acha prudente criticar, nem mesmo falar agora com Putin. Prefere passar por Macron e Scholz e aconselhá-los a um diálogo com o Kremlin, fingindo que não vê que essa via está, neste momento, bloqueada. Putin não ouve os europeus.

Perante a resistência ucraniana contra os invasores, Putin está decidido a repetir o que outros ditadores fizeram ao longo da história: expandir o uso da força armada, incluindo o bombardeamento de civis – um crime de guerra –, e o cerco das cidades, ao velho estilo medieval. Xi Jinping sabe quais são os custos desse tipo de loucura criminosa. Foi o que o levou a contactar os líderes europeus. Deveria, isso sim, mostrar que as suas palavras sobre o valor do multilateralismo e das negociações diplomáticas fazem sentido e mexer-se com clareza no Conselho de Segurança das Nações Unidas e junto do seu parceiro Putin. Só assim poderá ser levado a sério.  

 

 

Ucrânia: as notas do dia

Quatro pontos sobre a invasão e a agressão à Ucrânia, neste fim de dia, que é o Dia Internacional da Mulher:

  1. A protecção da população civil, os crimes de guerra e os corredores humanitários.
  2. O embargo à compra de petróleo e gás russos, a posição americana e a europeia e as possíveis respostas do Kremlin.
  3. A posição da China perante o conflito, as conversações de hoje entre Xi Jinping, Emmanuel Macron e Olaf Scholz.
  4. Os MIGs polacos, os americanos e a possível reacção russa.

Cada dia traz-nos uma agenda bem carregada.

Olaf Scholz

O discurso que o Chanceler alemão, Olaf Scholz, pronunciou ontem no Bundestag, o Parlamento federal, foi memorável. Constituiu uma viragem histórica, no que respeita a política externa da Alemanha. Se os analistas não estivessem inteiramente focados na crise ucraniana, estariam agora a comentar o que Scholz disse. E também sublinhariam que o líder da oposição, da CDU de Angela Merkel, apoiou sem reservas o que o Chanceler social-democrata anunciou. Ou seja, a quase totalidade dos representantes políticos ao nível federal aprovou as novas orientações em matéria de política externa.

Um dos aspectos mais relevantes é promessa de, a partir de agora, investir na modernização e na eficácia das forças armadas do país. É a famosa questão dos 2% do PIB serem gastos na área da defesa. Um outro aspecto refere-se a investimentos no domínio da energia, de modo pôr um ponto final à dependência em relação à Rússia. Lamentavelmente, no entanto, a nova política energética assenta na expansão da importação de gás liquefeito – para isso serão construídos dois novos portos especialmente apetrechados – e na revisão das decisões que levaram ao fecho das centrais nucleares.

Muito do que disse teve como pano de fundo a ameaça que Vladimir Putin representa. Muito especialmente, a agressão contra a Ucrânia.

 

Na senda de Macron

As deslocações de Emmanuel Macron a Moscovo, Kiev e Berlim serviram, acima de tudo, para manter a opção diplomática aberta. Essa é a única conclusão que se pode tirar, para já.

Mas também serviu para colocar a Europa à mesa das negociações. Vladimir Putin e Joe Biden têm mostrado querer tratar do problema entre eles, como se os europeus não contassem. Macron e os dirigentes da Ucrânia, Alemanha e Polónia disseram-lhes agora que também fazem parte do jogo, seja ele de xadrez ou de poker. Essa é uma mensagem forte. Convém continuar a repeti-la.

A intenção de organizar brevemente uma cimeira com os quatro líderes do processo chamado de Normandia vai no mesmo sentido, ou seja, permitirá à França, à Alemanha e à Ucrânia terem um encontro frente a frente com Vladimir Putin. É fundamental que essa cimeira tenha lugar.

Em Washington, nota-se que existem reservas e dúvidas no que respeita às iniciativas tomadas por Macron. A posição americana está muito influenciada por analistas que lêem nas movimentações militares russas uma probabilidade muito alta de um conflito armado. Essa é, neste momento, a grande diferença de apreciação sobre o que poderá acontecer nas próximas semanas. Os americanos apostam num cenário de invasão, enquanto os europeus acreditam que vale a pena investir na diplomacia

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