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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A hostilidade de Donald Trump

O discurso do Presidente norte-americano perante a Assembleia Geral das Nações Unidas teve praticamente um só tema: a China. Foi uma intervenção curta, à volta de sete minutos, para não deixar espaço para desvios para outros temas. A China foi apresentada como a causadora da pandemia e da crise económica associada, uma crise global. Numa outra época, um discurso assim seria visto como uma declaração de guerra. Hoje, é visto como fazendo parte da campanha eleitoral de Donald Trump. Penso, no entanto, que tem consequências mais profundas. Veio agravar a tensão que já existe entre os dois países. Uma tensão que se agravou durante o mandato de Trump e que irá provavelmente marcar os anos vindouros, esteja Trump ou não à frente dos Estados Unidos. Ao escrever isso, faço-o com muita preocupação sobre as consequências futuras dessa rivalidade.

Daqui até ao final do ano

A minha coluna de opinião desta semana, no DN em papel, que ontem foi posto à venda, olha para os próximos quatro meses que faltam para terminar o ano. A pandemia e as eleições presidenciais americanas serão as duas principais determinantes, com toda uma série de consequências, de grande complexidade e cheias de incertezas.

O texto contém várias mensagens, que não escaparão às mentes atentas. Mas, acima de tudo, sublinha a importância das lideranças, que podem empurrar os acontecimentos num sentido ou no outro. E lembra-nos que em política nada deve ser dado por adquirido. Perde quem mostra excesso de confiança e pouco apreço pela capacidade de luta do adversário.

O DN deve permitir o acesso livre ao meu texto amanhã.

 

Confusão no Mali

No seguimento da rebelião militar que está a ocorrer no Mali, falei este serão com colegas que estão em Bamako e no norte do país. A situação continua confusa. O Presidente Ibrahim Boubacar Keita e o Primeiro-Ministro continuam detidos num importante campo militar a cerca de 15 quilómetros da capital. O mesmo acontece a outros ministros e algumas altas patentes das Forças Armadas. No centro de Bamako houve algumas pilhagens e distúrbios. O resto da capital e as províncias mantém-se calmas.

Esta insurreição acontece num país que beneficia de um forte apoio da França, da União Europeia e das Nações Unidas. Esses apoios têm fechado os olhos, para não ver que a política do governo do Presidente Keita não vai no sentido da paz, da inclusão étnica e do combate à corrupção. Tem havido, isso sim, um alinhamento com que está no poder. Essa opção dos parceiros externos não tem ajudado o país a sair da crise em que se encontra desde há uma dezena de anos. Ora, o país tem gente muito bem formada que com o apoio certo teriam podido endireitar a situação e combater a pobreza e todos os tipos de tráficos que entretanto se foram enraizando.

Para a ONU, a continuação da crise no Mali deveria levantar uma série de questões muito sérias. Agradar à França não é certamente a opção política mais acertada. A imparcialidade não pode ser uma palavra vazia de conteúdo.

Silêncios em tempos de crise

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/01-ago-2020/este-tempo-nao-e-para-estatuas-12483419.html

O link que aqui deixo leva ao meu texto desta semana no Diário de Notícias, edição impressa em papel de 1 de agosto. 

Aconselho uma leitura de todas as palavras do meu escrito. Cada palavra tem o seu peso relativo. 

Obrigado. 

Uma passagem rápida por uma vida

O Director Interino do Diário de Notícias, Leonídio Paulo Ferreira, deu-me um tratamento do tipo cinco estrelas na edição impressa de hoje do seu jornal. Foi uma foto de primeira página, a mostrar a minha tenda de campanha na fronteira com o Sudão, no decorrer de uma processo de resolução de um conflito armado que existia na região. Nessa altura, a minha posição na ONU colocava-me ao nível de Secretário-Geral Adjunto, mas a tenda não era nenhum palácio. Não tinha casa de banho mas tinha ar condicionado, um luxo no meio do mato mais hostil que se possa imaginar. E foram 4 páginas de vida, incluindo referências aos processos eleitorais, de paz, à negociações com um sucesso muito limitado, como foram as que durante 4 anos conduzi pessoalmente com Robert Mugabe, etc. Ficou, é claro, muita coisa por dizer. Muitos nomes de gente excepcional que fui encontrando e com quem trabalhei, como Julius Nyerere, Kofi Annan, Xanana Gusmão, Gus Speth, e outros, que não houve espaço para contar. Sem mencionar os encontros e desencontros com gente como Jean-Bedel Bokassa, Muammar Gaddafi, Idriss Déby, Teodoro Obiang Nguema e vários líderes rebeldes, incluindo na Filipinas e à volta do Sudão. Também não deu para falar dos exercícios militares com a NATO, que foram outra escola de vida.

São histórias que ficarão por contar. Mas a entrevista que hoje é publicada pelo Leonídio já dá um cheirinho do que é andar pelo mundo dos conflitos e da política internacional. Como diria o outro, os livros são importantes. A vida vivida é-o ainda mais.

Aqui deixo os meus sinceros agradecimentos ao Leonídio. E a todos os que tiveram a paciência de ler tantas páginas.   

 

Os 75 anos da Carta da ONU

A Carta das Nações Unidas festeja hoje os seus 75 anos de existência. Assinada em São Francisco, na Califórnia, foi um documento visionário, aprovado por líderes de grande envergadura, que tinham acabado de viver a guerra mundial e queriam criar as condições políticas para que não voltasse a haver um conflito dessa magnitude.

No essencial, a Carta continua válida. Nas minhas actividades de agora, faço muitas vezes referência ao documento. E à autoridade que confere ao Conselho de Segurança e ao Secretário-geral. Na Carta não há equívocos nessa matéria. Só que a realidade política internacional está em transformação e nem sempre as novas circunstâncias são favoráveis ao desempenho de um papel mais activo, por parte da ONU.

Essa é a situação actual. O Conselho de Segurança está profundamente dividido. E as grandes potências procuram soluções bilaterais, fora do âmbito das Nações Unidas. O Secretariado e as agências estão inteiramente dependentes da boa vontade – que não é nenhuma – dos membros permanentes. Perderam a capacidade de definir a agenda, de tomar iniciativas estruturais e de poder lembrar os valores que devem reger as relações internacionais. Estão em modo de sobrevivência, que é um modo que, normalmente, não leva a parte alguma. Esperar que os tempos difíceis e os líderes actuais passem podem parecer uma boa estratégia, a de ganhar tempo. Veremos se vai dar resultado.

Prefiro uma intervenção mais visível e mais centrada no que é, de facto, essencial para o mundo de hoje.

De qualquer modo, é bom lembrar os 75 anos e a pertinência da Carta.

Três grandes conclusões

Ontem ao serão e hoje durante o dia, falei com antigos colegas e outros, espalhados por vários pontos do mundo. Esta é a vantagem da era digital e das aplicações de comunicação entre as pessoas. Fala-se para toda a parte, a custo zero, basta haver internet. Para mim é importante manter o contacto com gentes de outros horizontes, que fui conhecendo ao longo do meu percurso pelo mundo.

Das conversas, saíram três conclusões, partilhadas por todos.

Estamos mais pobres. Nalguns países, a pobreza atingiu níveis que nos fazem lembrar a miséria em que essas populações viviam há trinta e tal anos, na década de 80 do século passado. Noutros, são os esquemas de financiamento do desemprego e do subemprego que disfarçam a coisa. A França, por exemplo, adoptou hoje um sistema de financiamento do desemprego parcial que irá durar dois anos e custará vários milhares de milhões. Ou seja, um mecanismo que esconde a crise e que procura dar uma prancha de salvação às famílias que se encontram perdidas no alto mar de um profundo choque estrutural. Ao aprovar uma duração de dois anos, o governo francês mostrou que isto está para durar.

Estamos mais provincianos. Cada povo fecha-se dentro das suas fronteiras, reais ou imaginárias. Os outros representam uma ameaça de contágio. Não há ligações aéreas ou de outro tipo, só aparecem voos de emergência ou de repatriamento, como a Índia fez este fim de semana, ao fretar, uma vez mais, um avião entre Nairobi e o regresso à terra. Até as rotas de navegação comercial estão ameaçadas, porque as companhias de frete marítimo não conseguem fazer a substituição das tripulações e os navios vão ter que deixar de navegar, por razões de regras, de seguros, que não podem ser renovados se não houver uma tripulação fresca a bordo. Voltámos ao vício dos controlos alfandegários, por tudo e por nada. Os exportadores chineses, por exemplo, têm milhões de pacotes acumulados nas alfândegas nacionais do seu país à espera de ser inspeccionados, uma inspecção sanitária sem critérios definidos mas que justifica todo um novo corpo de inspectores do empata o jogo. Mais perto de nós, ali para os lados da nossa fronteira com a vizinha, temos gente nas aldeias que fica nervosa quando vê um carro espanhol passar.

Estamos a assistir ao estado de coma das instituições internacionais. As Nações Unidas e outros actores globais perderam a voz e a iniciativa. Não há nenhuma tentativa de governação internacional. A um problema que é de todos, global, responde-se com o silêncio das agências da globalidade. Aceita-se o princípio do salve-se quem puder. As missões de paz não recebem direcção política de Nova Iorque e as agências do desenvolvimento, nomeadamente o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), foram enfraquecidas por tudo, por todos e por reformas inspiradas por quem não conhecia o funcionamento do sistema. O Banco Mundial e o FMI também não aparecem na praça pública.

Não quero ver estas conclusões com pessimismo. Mas que são um grande desafio de liderança, isso são.

 

Tempo de cooperação internacional

Não temos experiência de como tratar rupturas tão vastas e perturbadoras como a actual. Por isso é importante dizer, com toda a humildade, que aprendemos à medida que avançamos e ao ver o que outros estão a pôr em marcha.

 A situação nacional de cada um pode ser diferente, mas há sempre lições a tirar, com a experiência dos outros. Por isso e por se tratar de uma crise global, a cooperação internacional deve ser uma das chaves de resposta. Quanto maior for a coordenação entre os Estados, melhores serão os resultados. Temos que levantar a voz e pedir que as medidas que cada um vai tomando sejam integradas num conjunto que lhes dê coerência e que lhes sirva de alavanca. Daí a importância das organizações multilaterais e inter-governamentais. Mas atenção, essas organizações precisam de ser ousadas e de propor medidas coerentes. A liderança que possam desempenhar terá que vir da qualidade das propostas que façam. Isso é verdade no que respeita ao sistema da ONU, como também o é quando se pensa na Comissão Europeia ou noutras entidades regionais, como, por exemplo, a União Africana ou a Organização dos Estados Americanos (OAS).

Infelizmente, as organizações internacionais não têm mostrado a iniciativa que delas gente como eu espera. A própria Comissão Europeia tem sido lenta e tímida.

 

O mundo que aí vem

Hoje fechou a Rússia, por um mês. Cerca de um terço da população mundial está agora confinada. Uma situação destas deverá acarretar profundas alterações, em todos os domínios, uma vez terminada a crise. A reflexão sobre o mundo novo já está em curso, aqui e lá, cada um no seu canto e de modo muito incipiente. Os políticos prefeririam que tudo voltasse a ser como dantes, como em Janeiro de 2020. Seria como um simples despertar de um pesadelo horrível. Creio que não será assim. A maneira de trabalhar, a organização da economia, as viagens e o relacionamento com o longínquo, o pensar estratégico, as relações entre as pessoas, a atitude perante a natureza e o ambiente, as escalas de valores e o discurso social, tudo isso poderá conhecer transformações profundas. Penso que seria importante pôr um grupo de reflexão em marcha, com o objectivo de reflectir sobre essas possíveis alterações. Talvez isso pudesse ser uma iniciativa do Secretário-geral da ONU. Ou de uma fundação com The Elders.

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