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Crescemos quando abrimos horizontes

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O Dia das Nações Unidas

Celebra-se hoje o Dia das Nações Unidas. São 76 anos de existência. Desses, estive 32 com a organização, tendo trabalhado nas áreas da população (demografia), do desenvolvimento, da acção humanitária e das políticas de manutenção da paz. Nos países europeus não se entende bem quais são as diversas funções da ONU. Fora da Europa, a presença em cada país é mais visível e as Nações Unidas são mais bem conhecidas. Para muitos, fazem a diferença entre a vida e a morte, através da assistência humanitária ou dos programas de apoio aos cuidados de saúde primários, ou ainda por causa da presença das missões de paz. Por isso, e porque tem havido toda uma série de ataques contra as organizações multilaterais, é importante lembrar o dia e a contribuição quotidiana do sistema das Nações Unidas.

A pobreza no mundo

Hoje e há muitos anos nesta data, as Nações Unidas dizem-nos que é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. E agora, com o impacto da pandemia, temos cerca de 120 milhões de pessoas que, durante o ano passado, foram aumentar as fileiras de quem é extremamente pobre. Destes novos “extremamente pobres”, 60% vivem na Ásia do Sul. O número global de pessoas em situação de extrema pobreza estará agora à volta de 800 milhões. Estas pessoas vivem com menos de 1,64 euros por dia e per capita. O objectivo de erradicar a pobreza por volta de 2030 parece actualmente impossível de realizar.

De um modo geral, a proporção de pobres é maior entre os mais jovens. Uma situação essas provoca instabilidade, insegurança, radicalização e movimentos migratórios em massa. Também se constata que as mulheres são em geral mais pobres, criando-se assim uma situação de dependência, de fragilidade e condições que permitem o abuso e a exploração das mulheres.

Uma outra nota que se deve sublinhar neste dia: as alterações climáticas, que resultam sobretudo da industrialização e do modo de vida dos povos nos países mais desenvolvidos, irão sobretudo afectar os mais frágeis, nos países mais pobres.

 

 

A mediação é a melhor solução

https://www.dn.pt/opiniao/mais-e-melhor-mediacao-em-tempos-de-conflitos-14219425.html

Deixo acima o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

O texto procura transmitir duas mensagens. Uma, sobre o poder. Convém negociar com quem tem na verdade poder. A segunda, é sobre o mediador. A mediação só pode dar resultado se o mediador for credível. Menciono quatro características que, se existirem, permitem ao mediador ter credibilidade.

Transcrevo, se seguida, o último parágrafo do texto. 

"Um outro aspeto crítico diz respeito à autoridade do mediador. A credibilidade em política resulta da combinação de quatro características primordiais: espírito de missão, realismo político, equilíbrio de opiniões e confiança em si próprio. Vários mediadores nomeados nos últimos anos pelas Nações Unidas têm mostrado não possuir esse conjunto de qualidades. Por tendência, Nova Iorque presta mais atenção aos jogos regionais, à obtenção de apoios políticos em certos quadrantes, no Conselho de Segurança ou junto de Chefes de Estado influentes na região em causa, do que à experiência e personalidade dos nomeados. Daqui resulta uma certa marginalização da ONU e um esbater da sua imagem.  Durante o segundo mandato, António Guterres deverá empenhar-se na resolução desta debilidade. O reforço da capacidade de mediação deve ser uma das áreas prioritárias de um tempo que se advinha fértil em conflitos. Assim o clamam, diariamente, muitos milhões de pessoas vítimas de violências políticas ou à beira da ravina."

Afeganistão: e agora?

https://www.dn.pt/opiniao/nao-podemos-varrer-o-afeganistao-para-debaixo-do-tapete-14196999.html

Este é o link para o meu texto desta semana, hoje publicado no Diário de Notícias. 

Trata-se de reflexão prospectiva sobre o futuro a curto prazo do regime talibã. Abordo a urgência humanitária, a situação económica e a questão do reconhecimento diplomático do novo regime. 

"O reconhecimento do novo regime, incluindo a sua representação na ONU, vai depender da posição que cada membro do G20 vier a adoptar. Acontecimentos recentes mostram uma tendência para o estabelecimento de contactos pontuais, enquanto ao nível político se continuará a falar de valores, de direitos humanos, da inclusão nacional ou do combate ao terrorismo. E a mostrar muita desconfiança para com a governação talibã. Com o passar do tempo, se não surgir uma crise migratória extrema ou um atentado terrorista que afecte o mundo ocidental, o novo regime afegão, reconhecido ou não, poderá ser apenas mais um a engrossar a lista dos estados repressivos, falhados e esquecidos."
Este parágrafo fecha o meu texto. 

Joe Biden na ONU

Tive a oportunidade de ver o vídeo da intervenção do Presidente Joe Biden na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi um discurso forte, bem articulado e positivo. Agora a questão é traduzir as palavras em acções concretas e convincentes.

Saliento de seguida uma série de pontos extraídos da sua comunicação ou resumindo algumas das ideias principais.

Este é um momento de viragem na história. Estamos mais interconectados do que nunca. As novas tecnologias podem dar mais poder às pessoas ou serem utilizadas para as reprimir. Por toda a parte, pode ouvir-se um apelo ao respeito pela dignidade humana. Não queremos uma nova Guerra Fria. Os EUA estão prontos para aprofundar a ajuda ao desenvolvimento e humanitária. É preciso desenvolver as infraestruturas nos países em desenvolvimento. Apoio à acção contra o aquecimento global. Mais solidariedade americana no que respeita ao combate contra a Covid-19. A questão palestina passa pela criação de dois Estados na região. Os direitos das pessoas devem estar no centro dos sistemas políticos. As intervenções militares são um último recurso, as políticas devem ter a primazia.

Imagino que António Guterres gostou do que ouviu. Eu gostei. Mas sou um optimista moderado e desconfiado.

Sobre a 76ª Assembleia-Geral da ONU

Começa amanhã a 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Uma boa parte das comunicações serão por via digital. Mesmo assim, teremos alguns líderes em Nova Iorque, para além de Joe Biden. A União Europeia estará representada em excesso, dirão alguns – Ursula von der Leyen, Charles Michel e Josep Borrell. De qualquer modo, a mensagem vinda de Bruxelas é clara: a UE quer aprofundar o seu relacionamento com o sistema das Nações Unidas e apoia a agenda do Secretário-Geral. Sobretudo no que diz respeito à expansão das campanhas de vacinação aos países mais pobres e na área do clima. Em ambos os casos, a equipa que lidera as instituições europeias tem tido um comportamento bastante construtivo.

Emmanuel Macron não estará em Nova Iorque. Trata-se de uma decisão anterior à crise actual à volta dos submarinos. Mas calha bem. Seria difícil ter um encontro pessoal com Joe Biden, neste momento. A França sente-se profundamente ofendida com o que aconteceu e a maneira como aconteceu. Está prevista, para um dia desta semana que ainda não parece definido, uma conversa telefónica entre os dois presidentes. É melhor começar o tratamento da questão desse modo. Veremos, no entanto, o que será dito durante esse telefonema.

Uma jornalista do Diário de Notícias, Susete Francisco, uma profissional por quem tenho muito apreço, perguntava-me hoje que mais-valia tem o discurso do Presidente Rebelo de Sousa na Assembleia-Geral. Sublinhei que sim, que existe uma mais-valia. É importante ver o Chefe do Estado donde provém o Secretário-Geral apoiar a agenda que este propõe. Nestas coisas, o simbolismo conta, mesmo quando não passa de um eco. O eco amplia a mensagem.

A situação internacional está bastante complicada. A tendência é para que se complique ainda mais. Nestas circunstâncias, é preciso lembrar a todos o papel que as Nações Unidas podem desempenhar. E não apenas no domínio humanitário. A organização existe para resolver questões políticas e para salvaguardar os direitos de cada pessoa. É a partir daí que se deve construir a agenda internacional.

Um exemplo suíço

Na semana passada, tive a honra, pela sexta vez, de liderar os dois últimos dias da formação que o governo suíço dá anualmente aos seus quadros destacados em países onde existe algum tipo de conflito nacional.

Essa formação é feita numa base militar especialmente vocacionada para o apoio a destacamentos suíços no estrangeiro. Os participantes são civis, que se encontram ou se preparam para servir as embaixadas do país em lugares como Kinshasa ou na Birmânia, ou ainda para trabalhar para operações de paz, missões de mediação política ou de capacitação policial. Dura quinze dias, em regime de internamento e dedicação exclusiva. Passa em revista questões de segurança, de política internacional, os mandatos da ONU, NATO, OSCE e outras organizações, procede a exercícios de simulação de resolução de conflitos e de análise política.

Uma das questões mais centrais tem de ver com a liderança. Que significa boa liderança? Que exemplos podem ser estudados? Como ir mais além, na compreensão da questão da liderança, muito para além de um simples enunciado de princípios e atributos genéricos, muitas vezes lidos em livros escritos por que nunca praticou uma qualquer liderança de uma operação complexa?

A Suíça investe neste tipo de matérias e acaba por desempenhar um papel bem superior ao que seria de esperar, tendo em conta a neutralidade e a dimensão do país.

 

Notícias do Afeganistão

Grupos de mulheres vieram para a rua em Cabul e numa ou outra cidade de província para lembrar aos talibãs os seus direitos. Registo e admiro a coragem que mostraram ter.

Também noto que a formação do novo governo, no seguimento da tomada do poder pelos talibãs há quase três semanas, continua a ser negociada. Isso quererá dizer que há mais divergências entre eles do que aquilo que se possa pensar. E que os equilíbrios de poder não estão a ser fáceis.

Entretanto, a economia e a situação humanitária continuam em queda livre. Chegou alguma ajuda alimentar vinda do Golfo (Qatar) e do Paquistão. São gotas de água, mas são bem-vindas. E o Secretário-Geral-Adjunto da ONU para a Coordenação Humanitária esteve hoje em Doha, para consultas com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar. Foi uma boa iniciativa.

As Nações Unidas e o poder talibã

https://www.dn.pt/opiniao/as-nacoes-unidas-face-ao-desafio-taliba-14083549.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

Cito um parágrafo:
"A agenda humanitária é uma boa porta de entrada para conversações mais amplas. É verdade que não se deve misturar o campo humanitário, que tem como objetivo único e primordial salvar vidas, com matérias políticas. A ajuda que atenua o sofrimento humano, impede o atrofiamento físico e mental das crianças e mantém vivas as pessoas é um dever da comunidade internacional, independentemente dos sistemas de governação e das escolhas ideológicas. Mas pode possibilitar a abertura de uma via de aproximação e de diálogo político."

O Afeganistão e o Conselho de Segurança da ONU

Neste dia em que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução frouxa, para pedir aos talibãs que respeitem a promessa que fizeram de deixar sair do país quem tiver os documentos de viagem necessários, é preciso lembrar as realidades que a população está a viver.

Assassinatos sumários de membros das forças militares e de segurança, especialmente de mulheres com postos de responsabilidade no aparelho securitário que foi derrubado. Esses assassinatos estão a acontecer um pouco por toda a parte, sobretudo nos centros urbanos.

Repressão das mulheres e raparigas. Impedidas de ir trabalhar, de voltar às salas de aula. E os dirigentes confirmaram hoje à UNICEF que as raparigas só poderão frequentar o ensino primário.

Uma crise económica muito profunda. Não há dinheiro disponível, uma parte da economia não funciona e o país atravessa um período de seca muito grave, que provoca uma quebra significativa da produção alimentar. À crise económica seguir-se-á uma crise humanitária massiva.

Medo generalizado. As pessoas sabem o que significa uma governação talibã.

Ansiedade na região, que teme ver chegar um número impressionante de refugiados e um acréscimo do terrorismo, com grupos a operar a partir do Afeganistão.

Essas são as realidades. A resolução do Conselho de Segurança pouco mais é do que um tiro de pólvora seca. A França havia proposto uma resolução um pouco mais enérgica, embora fundamentalmente ligada às questões da evacuação e da ajuda humanitária, mas não conseguiu construir um consenso, que permitisse a sua aprovação. A atitude no Conselho é de esperar para ver. Ou seja, não agir quando o deveria fazer.

 

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