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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Portugal na República Centro-Africana

O destacamento de uma companhia de Comandos para a República Centro-Africana, no quadro da MINUSCA, foi uma decisão correcta. É importante que Portugal participe mais activamente e de modo mais visível nas operações de manutenção da paz da ONU. Mostramos assim a vontade que temos de responder às nossas responsabilidades internacionais, enquanto país que reconhece e respeita as regras que hoje servem de base às relações internacionais.

Não fomos apenas e tão só porque a França nos pediu. É verdade que a França tem um interesse histórico – e nem sempre pelas melhores razões – na RCA. E por isso tem advogado, junto dos seus parceiros da UE, no sentido de uma contribuição efectiva dos europeus para a composição da missão da ONU na RCA. Mas isso não seria suficiente para nos levar a participar. E também não o fazemos para tentar obter, em troca, algum favor político ou diplomático de Paris.

Neste momento, em que andam loucos à solta na arena internacional, é essencial falar dos compromissos que o bom relacionamento entre as nações requer. É igualmente necessário reafirmar que uma boa parte desses compromissos passam pelo quadro da ONU. Como também se deve ter presente que os países que podem devem contribuir para a estabilização dos que estão a atravessar um período de crise interna.

Portugal dá, como muitos outros, o bom exemplo.

Genebra

Genebra tornou-se numa das praças mais importantes em matéria humanitária e de reflexão sobre as grandes questões internacionais. São várias as organizações que têm sede ou escritórios importantes na cidade, para além das que pertencem ao sistema das Nações Unidas. Isto faz de Genebra um centro cosmopolita, onde se vai e está por razões que não têm nada que ver com os estabelecimentos bancários estabelecidos na Rive Gauche da cidade.

E lá vou eu, uma vez mais, a caminho de Genebra. Desta vez, para dirigir um seminário sobre o futuro das operações de paz.

A "inteligência" e as missões de paz

Kidal, uma aglomeração que é uma das capitais regionais do norte do Mali, não muito longe da fronteira com a Argélia, é uma terra do fim do mundo. Situada no meio de centenas e centenas de quilómetros de deserto – o Saara em todo o seu esplendor e com toda a sua força – a localidade é uma praça-forte da rebelião Tuaregue. Os guerrilheiros do movimento independentista – Movimento Nacional para a Libertação de Azawad – têm uma base militar na cidade, onde aguardam que o processo de paz decida que destino lhes será dado. A umas centenas de metros dessa base temos o aquartelamento das tropas especiais francesas, que fazem parte da operação Serval. E mais à frente, o campo militar das Nações Unidas. As tropas regulares do Mali também deambulam pela cidade.

 

É um sítio perigoso. Sempre o foi. Hoje, apesar dos diferentes contingentes, foi palco de mais um acto terrorista gratuito. Dois jornalistas franceses, um homem e uma mulher, foram raptados à porta de um notável local e friamente assassinados uns quilómetros mais à frente. A mensagem dos assassinos é simples: não pensem que estamos vencidos!

 

Mas acabarão por o ser. Para isso, é fundamental que a dimensão “inteligência” da missão de paz funcione adequadamente. Que existam especialistas, militares e policiais, que cooperem e que saibam recolher e tratar as informações. É para este tipo de situações que o trabalho de “inteligência” deve estar virado. Não para espiar os cidadãos e os líderes de países amigos.

 

 

Fenómenos sísmicos

O meu texto na Visão on-line sobre a participação de Portugal em missões de paz ( http://aeiou.visao.pt/portugal-a-paz-e-o-mundo=f564719 ) -- trabalho que mencionei neste blog há dois ou três dias -- tem estado a atrair uma série de comentários, incluindo comparações entre o que as nossas Forças Armadas e de Segurança tiveram como funções antes do 25 de Abril de 1974 e as responsabilidades internacionais a que têm sido chamadas nos últimos vinte anos.

 

Da discussão é possível, uma vez mais, deduzir que a questão da descolonização continua atravessada na alma e nas emoções de muitos cidadãos. Embora tenham decorrido 36 anos, a verdade é que para muitos, os traumas vividos na altura continuam a marcar a sua visão da política externa portuguesa e, em particular, a sua relação com algumas das antigas colónias.

 

Creio que é normal que assim seja, pois o que aconteceu no seguimento do 25 de Abril foi uma mudança radical da história portuguesa. As transformações políticas e sociais de fundo têm grande peso na vida dos povos. E nem todos viram essas alterações sob o ângulo positivo e renovador que representaram.

 

Numa altura de crise política como a que Portugal vive hoje -- um fenómeno indiscutível, profundo, que pode ter consequências sísmicas comparáveis a Abril de 1974, e que só pode ser negado por quem sinta que a crise é, acima de tudo, um indicador da sua incapacidade de liderança e do fracasso das suas políticas -- é ainda mais tentador comparar o agora com o anterior. Só que os tempos e as circunstâncias são outros.

Portugal e a Paz

Esta semana, na Visão, foi altura de escrever sobre militares, polícias e guardas republicanos e a partcipação de Portugal em missões internacionais de paz.

 

O link para o artigo é:

 

http://aeiou.visao.pt/portugal-a-paz-e-o-mundo=f564719

 

Boa leitura e comentários, por favor.

Problemas

 

No seguimento do grave incidente com o nosso helicóptero, que transportava 12 capacetes azuis, viajei para Abéché, com uma delegação do governo. Tivemos uma guerra de mapas. De um lado, o Chefe do Estado-Maior do Exército, a dizer que estávamos na zona errada. E a perguntar quais eram as nossas intenções. Do outro, o meu comandante militar, com as cartas desenhadas com base nos pontos marcados pelo GPS do helicóptero, a mostrar que a máquina se pousara 20 quilómetros a Oeste do sítio indicado pelo CEME.

 

A luta entre o conhecimento do terreno e a tecnologia informática. A palavra contra a técnica.

 

Como ninguém conseguia convencer o outro, optámos por uma solução temporária: tréguas. E por reafirmar a boa vontade de cada uma das partes. Uma maneira de diminuir a tensão. Dar tempo para encontrar uma solução, amanhã, que salve a honra de ambos.

 

Estamos, aliás, num período de grandes discussões sobre o futuro. Uma operação de manutenção de paz resulta numa estrutura pesada, com centenas de veículos, milhares de pessoas, dezenas de aviões e helicópteros, geradores de todo o tipo, bases militares que parecem cidades, perdidas no meio do nada, pistas de aeroportos, hospitais militares, um mundo de coisas caras num país de gente pobre. A operação tem um impacto significativo sobre a sociedade e o ambiente. O futuro depende de uma decisão do Conselho de Segurança, mas também do país que acolhe a operação. No nosso caso, o Chade tem muitas dúvidas enquanto que a República Centro-Africana não tem nenhuma.

 

Tudo isto dava para escrever um tratado. Mas fiquem apenas estas notas soltas, para que se entenda um pouco mais a complexidade destas coisas. Como dizia um dos meus coronéis, quando se está em operações, não há tempo para pensar. Passa-se o tempo a resolver problemas. Ou a tentar.

Manter a segurança, obter os meios necessários

 

Hoje todos criticaram a MINURCAT, a operação de manutenção de paz e de segurança na República Centro-Africana e no Chade. O embaixador francês. O Presidente do Chade. E outros. Acham que a MINURCAT não tem meios suficientes para assegurar a sua missão. 

 

Depois dos raptos e de outros incidentes contra refugiados, seria de esperar uma reacção deste tipo.

 

A questão dos meios é, na verdade, um ponto essencial. Mas não convém esquecer que os meios de que se dispõe são tão somente os que os estados membros da ONU disponibilizam.

 

Este tema merece muito pano para mangas.

 

Há que pensar a sério nas operações militares e de segurança das Nações Unidas. 

 

Em Portugal, estas matérias estão muito fora das preocupações dos políticos e dos meios académicos. Aqui, vive-se um outro mundo, fora do planeta global.

 

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