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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A maneira de falar é muito importante

Utilizar as expressões “forretas” e “poupados” não ajuda o nosso país. O Zé do Cacete ou o comentador televisivo com um ar de vinho tinto mal apurado são certamente fãs desse tipo de linguagem. Mas, a política tem que ser feita com outro espírito. O relacionamento entre os Estados membros da União Europeia deve assentar em discussões construtivas entre os líderes e numa narrativa pública positiva.

Uma relação séria e com peso e medida. Crítica, não haja dúvidas, capaz de defender os nossos interesses, certamente, directa, para que se entenda, mas dentro dos limites que promovem o bom entendimento entre parceiros de um mesmo projecto.

O projecto europeu é para continuar

Hoje, os ministros das Finanças do Eurogrupo voltam a reunir-se para discutir como custear os investimentos excepcionais que a pandemia vai exigir. Esta é uma questão muito delicada, que tem dividido a zona euro em dois campos. Também deu azo ao aparecimento de toda uma série de colunas de opinião, aqui na nossa praça, que se inspiraram mais no emocional e nas ideias feitas do que numa análise da realidade do que é o mosaico europeu.

A UE é o resultado de um equilíbrio de interesses diversos, de vários tipos, não apenas económicos, de modo a garantir um certo modo de vida, que tem na democracia, na segurança humana e na prosperidade os seus principais pilares. Este equilíbrio será mais forte se os diversos países membros conseguirem evitar grandes disparidades entre eles. Creio que em relação a isso não há dúvidas nas diferentes capitais e nas cebeças de quem pensa nestas coisas pela positiva. Como também não me parece que hajam dúvidas quando se trata de reconhecer as diferenças que existem e peso negativo que essas disparidades trazem para o projecto comum.

Mas estas coisas entre Estados constroem-se progressivamente. Em certas áreas e em dados momentos, é possível avançar mais depressa. Outras vezes, estaremos perante um trabalho penoso de discussão, de resolução das divergências. É nessa altura que é precisa muita diplomacia, ideias claras e argumentação inteligente.

Certos comentaristas caem na estupidez ou, então, no jogo barato e afirmam, por exemplo, que os Estados membros têm como modelo uma Europa desigual, com níveis de desenvolvimento diferentes. Esse afirmação soa bem, nos meios que querem destruir a união, mas não corresponde à verdade.

Isto está feio e para durar

O que ainda não estava fechado, está a fechar agora. Incluindo aeroportos – aqui encerra o de Charleroi, também conhecido como Bruxelas Sul, para além do Nacional de Bruxelas passar a funcionar a 5% da sua capacidade  – e as clínicas polivalentes. O médico de clínica geral só está autorizado a receber quem esteja doente de verdade, mas não com os sintomas do Covid-19. O resto é feito pelo telefone.

É cada vez mais claro que o confinamento está para durar. O discurso público, aqui nestas bandas, está a preparar as pessoas para o anúncio da continuação do período de fecho em casa. Compreendo. Como também compreendo o impacto profundo de tudo isto no sistema económico. Trata-se de um choque como nunca aconteceu. É a economia e o comércio globais que estão sob uma ameaça devastadora. Não é a globalização que é posta em causa, são as pessoas e as empresas. Por isso escrevia ontem que é absolutamente fundamental que desde já se formulem os planos de recuperação económica e que, também a partir de agora, se injecte dinheiro nas empresas e se ponham em funcionamento meios de auxílio às famílias mais afectadas. Os desafios são claramente dois, e mais nada.  Responder ao vírus e salvar o tecido económico, incluindo a garantia de subsídios às famílias dependentes do sector privado. Estas são as prioridades. Os líderes não podem falar de uma sem mencionar o que irão fazer com a outra.

 

Inquietações e confiança

Voltando à questão da liderança, que é fundamental neste momento de grande crise, o verdadeiro líder percebe a gravidade da situação mas tem que saber projectar uma réstia de esperança. No seu íntimo, vive um turbilhão de ansiedades e de incertezas. No exterior, a sua pessoa pública tem que mostrar um equilíbrio entre as inquietações e o optimismo.

A declaração de um estado de emergência tem as suas justificações. Mas assusta ainda mais uma boa parte da população. E como escrevi ontem, o medo é mau conselheiro. Deve haver consciência da importância da ameaça, mas não pode haver pânico. Uma das grandes tarefas da liderança política é fazer baixar o nível do pânico. As pessoas devem responder ao que se lhes pede, não por razões de medo cego, mas sim porque um cidadão responsável só pode comportar-se assim.

Hoje, para além da ameaça pandémica, existe uma outra, que lhe é paralela: a ameaça do desmoronamento económico. Esse risco é agora evidente. Tem proporções inimagináveis. E toca a todos, às grandes multinacionais e ao empresário individual. Ou seja, mina inteiramente o tecido económico e coloca uma boa parte dos trabalhadores na precariedade. Os governos – e é sobre isso que o líder deverá falar – terão que por a máquina de fazer notas a trabalhar a todo o vapor. Tinta e papel são a matéria-prima da recuperação.

 

 

Um Carnaval de preocupações

Não é hábito falar de problemas no dia da Terça-feira Gorda. Mas a verdade é que existem grandes preocupações no ar. A epidemia de coronavírus Covid-19 continua a ser o grande título das notícias. E tem várias facetas, não sendo apenas uma questão de saúde pública. O impacto sobre a economia internacional e as inconveniências que provoca na vida de certas pessoas, obrigadas a um regime de quarentena, são dois dos aspectos mais marcantes, neste momento.

Uma vez mais, repito que é fundamental não criar situações de pânico colectivo. Aqui, a comunicação social tem um papel da maior importância. Explorar cada caso, até se dizer basta, é um erro e uma irresponsabilidade. Ou será apenas atraso mental? Os políticos também têm que mostrar serenidade. Isolar as pessoas em risco, sim, fechar fronteiras, seja de que maneira for, não me parece correcto. Prudência não é a mesma coisa que exagero.

Entretanto, a vida continua e há que tratar de muitos outros assuntos. Em Portugal, um deles é certamente o da segurança e da ordem interna. O que se passou recentemente na Segunda Circular de Lisboa e a violência nas ruas e nos lugares de diversão nocturna mostram que estamos a resvalar rapidamente para situações de incumprimento cívico agravado, de desordem e de violência em bando. Nestas coisas, deixar andar é abrir as portas à desordem e à instabilidade social. Em matéria de segurança interna, a única política que conta é a que não deixa passar nem um mero vidro partido. É a tolerância zero.

Será que isto é difícil de entender pelos políticos?  

O meu blog

Hoje expliquei a um amigo que não ando por aqui para ganhar batalhas. A escrita é um compromisso que tenho comigo, por razões que não são para aqui chamadas. Mas é igualmente uma oportunidade para ir além do meu espaço pessoal e partilhar algumas ideias com que tem a bondade de me ler. Vistas largas, abertura de espírito e coragem opinativa são as linhas orientadoras. E, que na minha opinião, são matérias raras no mercado de opinião que são as redes sociais

A nova desordem internacional tem as suas regras

Voltámos à desordem, em matéria de relações internacionais. Cada Estado faz o que quer e pode, uns podendo pouco, mas mesmo assim tentando fazer o que lhes parece mais adequado para os interesses das suas elites.

Nesta breve introdução, incluo duas ideias. Por um lado, o retorno às relações de força em matéria internacional. Do outro, a constatação que a política de cada Estado tem em conta, acima de tudo, a salvaguarda das elites no poder e o reforço das suas bases de apoio.

A desordem é particularmente evidente na maneira como cada governo responde à questão da epidemia do coronavírus. A OMS tem regras estabelecidas para este tipo de crise de saúde pública. Fez o necessário para as a activar. Todavia, ninguém lhes presta atenção, cada um reagindo à sua maneira e ao favor das suas dinâmicas de política interna.

Aliás, uma das características da nova desordem internacional é a de ignorar o papel das organizações internacionais. As convenções, resoluções, princípios e valores, que a experiência adquirida nas décadas e mais décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial construiu, estão a ser postos de lado. O Sistema das Nações Unidas foi relegado para um canto menor do mapa das relações entre os Estados. Ignora-se, pura e simplesmente. De quem é a culpa, seria tema para outro texto, mas o que interessa sublinhar, neste momento, é que ninguém ouve as vozes que falam de respostas multilaterais e da cooperação internacional.

Há quem diga que se trata de uma situação anárquica. Não partilho essa análise. A nova desordem internacional tem as suas regras. Qualquer analista nos centros de reflexão e de inteligência prospectiva que contam – e não vou mencionar nenhum em particular, por razões de recato profissional, mas temos hoje centros de análise que congregam dezenas e dezenas de especialistas, tendo um deles, cerca de duas centenas, a reflectir e a desenhar cenários a tempo inteiro – saberá reconhecer essas regras. A desordem, na realidade, é o que resulta da competição entre poderes e da maneira como essa competição se exerce. A primazia das decisões individuais de cada Estado é o que define a nova cena internacional.

Onde uns querem ver anarquia, ou não enxergam mais do que isso, o que existe é um novo e complexo sistema de relações de forças. É aí que se inserem os interesses de quem manda e de quem quer continuar a mandar. É igualmente no seio desse sistema que se joga à defesa ou ao ataque. E que se redefinem as velhas alianças, ou se fazem novas coligações, todas elas de conveniência, e muitas delas de subordinação mal disfarçada. Voltámos, aliás, ao tempo das potências e dos outros, dos Estados de segunda ou terceira grandeza.  

Este é o xadrez onde nos inserimos. Mas, no jogo de interesses, há inserções de vários tipos, umas mais activas e inteligentes do que outras. Neste novo mosaico, certas peças, por muito pequenas que possam ser tidas, poderão, apesar de tudo, contribuir para o colorido final do conjunto.  

 

Perdidos no labirinto

Observo o que se passa com certos partidos e com certas personalidades. E repito para mim próprio aquilo que penso frequentemente sobre a política. A política é como um longo labirinto em que muitos se perdem. Entrar na política exige um grande sentido de orientação. Quem não consegue manter a direcção correcta acaba por cair numa grande confusão.

A diferença que a imaginação faz

Na minha perspectiva, um académico é diferente de um pensador. Não digo filósofo, que isso está um bocado fora de moda, pelo que uso a palavra pensador.

O académico tem a obrigação de ser objectivo, factual. Deve estudar a fundo, ler milhares e outros milhares de linhas sobre o tema que está no centro dos seus estudos e acrescentar conhecimento ao que já existe. Muitos não o conseguem fazer. Limitam-se a resumir o que outros já disseram, a repetir o que já foi foi explorado. Um bom número dos académicos que por aí andam caiem, aliás, nessa categoria de papagaios com excelentes capacidades de memorização. Dantes, chamar-lhes-ia gravadores, agora terei que dizer que são uma espécie de scanners ambulantes. Acreditam que a erudição é a mesma coisa que o conhecimento. E como há muitos tapados que também vêem a vida académica assim, acabam por ter algum reconhecimento, que é uma palavra que se pode confundir com conhecimento.  

O pensador é acima de tudo um criativo. Vive no mundo da imaginação, das hipóteses, dos cenários possíveis, da prospectiva. A academia é, para ele, uma plataforma para levantar voo e nada mais. O pensador é como que uma águia que vê a vida a partir de um ponto perdido no espaço, muito alto e amplo. Mas, contrariamente à águia, não anda à caça de coelhos desprevenidos. Não liga a essas minudências. Anda, isso sim, à procura de novos horizontes, a abrir novos destinos.

 

A guerra dos cavernosos

Este ano vou continuar a fugir de trauliteiros como o Diabo da cruz. No entanto, isto não quer dizer que não entre numa ou noutra guerra, se valer a pena. Só que com a maioria dos meus amigos e conhecidos caceteiros, não vale a pena. Nesses casos, é melhor fingir que não vi. E cada um entenderá isso como melhor lhe parecer. 

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