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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Um sabor a traição nacional

Ontem escrevi sobre a indisciplina em muitas das escolas públicas. E sobre o impacto profundamente negativo que essa indisciplina tem sobre o futuro da nossa sociedade. Acrescentei que se trata de uma questão da maior importância e, em relação à qual, tem existido, ao longo dos anos, uma demissão inaceitável da nossa classe política. Políticos oportunistas têm estado a transformar o amanhã de Portugal num caos e num grande problema. Nesta área, a da educação, como noutras. Entre as quais coloco a questão da língua portuguesa.

A língua é um dos principais trunfos de que dispomos. E não o temos sabido defender. Não é apenas o facto de se falar e escrever mal, de não se aprender a língua correctamente nas nossas escolas. Também é isso, evidentemente. Uma boa maioria dos nossos jovens é incapaz de se exprimir, de se explicar e de redigir num português decente. Isso acontece mesmo ao nível de quem tem formação superior. Basta ler certas teses de mestrado para se entender que os autores não entendem como manejar a língua, os conceitos, as subtilezas, e por aí fora. Escrevem coisas quase que incompreensíveis.

Mas é acima de tudo o ter-se aceite um acordo ortográfico que dá honras de salão ao português de quem não teve educação escolar suficiente. Quis-se agradar, acima de tudo ao Brasil de alguns, quando se sabe e bem, que no Brasil o que muita gente fala é uma salgalhada simplificada e primária da língua.

O acordo ortográfico baixou a qualidade da língua, reduziu a sua gramática e a sua qualidade expressiva. Não unificou nada de especial com o Brasil, que continua a falar e a escrever como muito bem lhe parece, mas aviltou um dos tesouros nacionais, pois a língua que partilhamos com outros em África e noutras partes do mundo é na verdade um tesouro que deveria ser polido. Foi trabalhado, isso sim, a martelo, com a fraqueza própria de todos os que apenas pensam nos seus interesses, e ficámos a perder.

Uma vez mais, a responsabilidade deve ser atribuída a quem nos governou e nos deixou ir por essa ribanceira. O sentimento que fica é de que o oportunismo e a falta de visão desses políticos tem um sabor amargo, muito próximo da traição ao que são os interesses de Portugal. Uma tragédia, mais uma.

 

 

Os oportunistas que nos cercam

Ganhar agora sem ter em conta os custos futuros. Esta é a filosofia dos oportunistas políticos. Por isso, a melhor resposta que lhes podemos dar consiste em explicar esses custos. Ou, pelo menos, tentar antever as consequências daquilo que propõem.

O oportunismo leva ao descrédito, à falta de confiança na política. Mas, acima de tudo, baseia-se na falsidade e destrói o futuro.

A política e a moeda ao ar

Para mim, a política é uma questão de projecto. Desenha-se um sonho que depois se põe à votação dos eleitores. Para os oportunistas, a política apenas ambiciona conquistar o poder e, depois, tudo fazer para o manter. É um jogo de interesses pessoais, que nada tem que ver, a não ser por acaso, com o bem comum e uma melhor gestão do que é do domínio público.

O meu amigo e o PSD

Embora ande pelo partido há muitos, bons e maus, anos, o meu amigo Fernando não gosta de Passos Coelho. E acha que está na altura de o mostrar publicamente. É uma espécie de aposta no futuro, ou seja, em 2017 ou no ano seguinte. Está convencido que o dirigente actual não se irá aguentar nas canetas por muito mais tempo. Por isso, abrir a boca em público, agora, pode ser um bom investimento junto do senhor que se seguirá. Mesmo que não se saiba quem será esse tal senhor.

E fala bem, o Fernando. Explica que há um défice de direcção, que a liderança perdeu o norte, que não há ideias nem projectos. Tudo muito bem dito, com as palavras certas e os jornalistas a beberem nessa fonte.

Só se esqueceu de acrescentar que não vai à bola com o Passos porque este o não incluiu, contra todas as expectativas e mais algumas, na lista de deputados há cinco anos atrás. E essa é, na verdade, uma razão de fundo. Tão funda, que é inconfessável.

A falta de respeito pelos políticos

Houve quem achasse que o meu escrito sobre os políticos e os tecnocratas, aqui publicado a 23 de julho, mostrava muito pouco respeito pelos políticos e pelos partidos portugueses. E sugeriram-me que clarificasse a minha posição.

Ora, o meu julgamento é claro e o post revela-o bem. Tenho, na verdade, muito pouca – e nalguns casos, quase nenhuma – admiração pela maneira como se faz política nos partidos da nossa terra. O oportunismo é a palavra que melhor define a situação. E o vazio de ideias, o principal resultado.

Encontrei, na minha vida profissional, em várias organizações internacionais, tecnocratas de grande valor. Um deles, Kofi Annan, por exemplo. Kofi nunca foi eleito para nada, a não ser para Secretário-Geral da ONU, mas não é desse tipo de eleições que estamos aqui a falar, foi toda a vida um funcionário de carreira das Nações Unidas. E vi-o tantas vezes dar cartas e voar bem acima de chefes de Estado e de Governo, que esses sim, haviam recebido um mandato popular e feito carreira nas máquinas dos partidos. Mas no fundo, eram pessoas sem grande capacidade e visão.

Embora Kofi seja o caso mais conhecido, segundo creio, a verdade é que houve e há muitos outros. Ou seja, gente que subiu e ganhou peso e influência nas estruturas internacionais, que lidou ou lida com altos dirigentes políticos e que mostrou e mostra um valor indiscutível. E que acima de tudo, não são “Yesmen”.  

Convém acrescentar, no entanto, e antes de terminar, que tenho a democracia em grande apreço. Não a confundo, todavia, com a maneira como os partidos funcionam neste nosso regime.

 

 

 

 

O grito da vitória provoca ondas de choque

O mal-estar entre os ministros das finanças europeus mais importantes é evidente. Vem no seguimento das declarações do PM Sócrates, ao dizer que as condições do programa de ajuda financeira eram mais favoráveis, no caso de Portugal. 

 

A Grécia e a Irlanda também não acharam graça a essas declarações de "vitória". Aproveitaram, no entanto, a boleia. Sobretudo, a Irlanda. Pediu, ontem, uma revisão das taxas de juros que lhe são aplicadas.

 

O oportunismo e a má-fé políticas, mesmo ocorrendo num canto perdido da Europa, acabam por fazer mossa noutras terras também.

Nevoeiros

Depois de 2270 km de estrada, só me falta ler algumas das chachadas da imprensa lusa, para ficar completamente fora de jogo.

 

Continua a haver muito fascínio na nossa imprensa e na nossa sociedade pelos senhores das grandes famílias e pelas gentes que enchem as colunas sociais. É próprio do bacoquismo aldeão que define o nosso nevoeiro político e mental.

 

 

É preciso estar atento

 

 

Copyright V. Ângelo

 

Quem tem algum poder político-administrativo, na pobreza que é o nosso país, tende a ser arbitrário, clubista e amigo da onça.

 

Falando de animais, as hienas são muitas e os ossos são poucos.

 

O oportunismo é a principal linha de orientação de muitos dos que nos administram, aos mais variados níveis. 

 

Como esta garça africana, que agora passou a viver no meu jardim de N'Djaména, convém estar sempre de olhos bem abertos.

 

 

 

Paciência

Na política, na vida e no reino dos blogs, o que mais falta faz é a virtude da paciência, as vistas largas, a perspectiva do longo prazo. Há que sair da preocupação do imediato e ver cada questão num horizonte mais amplo.

Fácil de dizer, mas muito difícil de aplicar quando a maioria das pessoas tem apenas o prédio da frente como perspectiva e os políticos estão na coisa pública a prazo limitado, a ver se ganham o seu.

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