Portugal é grande quando abre horizontes

23
Jun 19

Perguntaram-me se queria sugerir um slogan que fizesse pensar no futuro do nosso país. Curto, capaz de criar esperança e optimismo, sonante e, ao mesmo tempo, fácil de entender e de decorar.

Era um desafio interessante.

Fica por resolver.

publicado por victorangelo às 19:48

17
Mar 19

Em todas as sociedades há quem empurre para baixo e quem puxe para cima.

O meu amigo Beto pertence ao primeiro grupo. Tem um prisma especial para ver o que se passa à sua volta. Um prisma que combina insucesso com inveja. É um apologista sistemático da igualdade pela mó de baixo, um crítico combativo, persistente e azedo, de quem vai além da cepa torta. Beto viveu a sua vida como quadro mais ou menos superior, sem mais, numa repartição do Estado. Sempre com razões de queixa. Sobretudo, dos políticos. Agora, recém reformado, encontra consolação na sua luta pela mediocridade generalizada.

Almocei ontem com ele.

E do outro lado da mesa estava a Isabel. Um caso completamente diferente. Isabel, mais jovem de quase vinte anos, trabalha numa empresa conhecida na nossa praça. Olha para o futuro pela lente das oportunidades. Para ela, o sucesso dos outros, quando honesto, é uma fonte de satisfação, de esperança e, mesmo, um motivo de inspiração. Isabel nunca baixa os braços, mantêm uma atitude positiva perante a vida. Acredita no futuro e luta por ele.

E ali estava eu, preso na teia estranha das amizades, a ouvir um e o outro, e a acreditar que com a sobremesa, ou já na altura do café, me seria dada a oportunidade de dizer que mais vale um bom café amargo que uma aguardente para esquecer.

 

publicado por victorangelo às 17:05

09
Fev 19

Não vejo a saída do Reino Unido – o chamado Brexit – como uma tragédia, nem como um sinal de que a União Europeia está em crise. Considero que, no essencial, se trata de uma decisão britânica – dos 52% que votaram no referendo de 2016 contra a permanência do seu país na UE.

As razões que levaram esses cidadãos a decidir como decidiram serão várias. Já foram suficientemente discutidas. Muitas terão que ver com uma perspectiva saudosista da história do Reino Unido, da grandeza imperial de outrora. Ou seja, com uma ilusão que nada tem que ver com o mundo de hoje. Mas que continua a ser alimentada por certas elites aristocráticas ou com ligações a determinados colégios destinados a jovens das classes privilegiadas e, também, a instituições de ensino superior classistas. Na realidade, e é bom ter isso sempre presente, uma boa parte do voto Brexit baseia-se em fantasias vitorianas, exacerbadas por valores xenófobos e retrógrados. O Brexit é reaccionário.

Nessas circunstâncias, com uma elite política e intelectual dominante desse género, tão desancorada das realidades de agora, o corte com o resto do projecto europeu poderá ser visto como um momento de clarificação e uma oportunidade de progresso e de afirmação da ideia europeia. Dito doutra maneira, mais directa, a UE pode ganhar com a saída dos britânicos. Esse é o desafio que temos pela frente.

publicado por victorangelo às 12:06

02
Jan 16

No meu primeiro escrito do ano novo, tenho que ser positivo. Faz parte da quadra festiva. E também das resoluções habituais nesta época.

É verdade que tenho lido, na mais variada imprensa, muito prognóstico negativo sobre 2016. Há um grande pessimismo no ar, a diferentes níveis. Nomeadamente sobre a Europa.

Um ponto de partida assim não é o melhor. E não tem em conta que há por aí muita gente a lutar para que as coisas não corram mal. A nossa voz deve, isso sim, juntar-se à voz dessas pessoas.

Aqui fica a promessa de uma escrita construtiva em 2016. Espero ser capaz de a manter.

E bom ano para todos os que me seguem.

 

publicado por victorangelo às 15:54

02
Jun 13

Peguei no carro e como estava um dia lindo fui dar uma volta por Waterloo, Lovaina-a-Nova e Gembloux, a pequena cidade do sul da Bélgica que se tornou célebre, no passado, pela qualidade da sua Faculdade de Agronomia. São localidades bem organizadas, com um forte poder de compra, rodeadas de campos agrícolas bem cultivados e altamente produtivos. Viajar por essas terras faz esquecer a crise. A expressão “crise” não faz parte do vocabulário corrente dos habitantes dessas zonas. Haverá, nalguns casos, desemprego ou travagem económica. Mas, para o comum dos cidadãos, essas questões não surgem nas conversas do dia-a-dia nem são uma preocupação absorvente.

 

Ao regressar a casa, pensei quão distante estamos aqui de Portugal. 

publicado por victorangelo às 20:14

26
Mai 13

O meu voo de regresso a Bruxelas estava cheio. Assim tem acontecido, cada vez que me desloco entre Lisboa e a capital da Europa, ou vice-versa.

 

Ver os aviões que vão ou vêm de Portugal é sempre um motivo de satisfação. A impressão que fica é que o país continua a mexer, apesar da crise, do pessimismo e das vozes que advogam um regresso ao cantinho nacionalista do passado. 

publicado por victorangelo às 19:50

25
Jan 13

Hoje voltei ao Mosteiro dos Jerónimos, para me recolher por uns momentos perante os mausoléus de Luís Vaz de Camões e de Vasco Gama. Foi como ir à fonte e beber a água que nos dá ânimo e esperança num futuro mais grandioso que a mediocridade do presente.

 

publicado por victorangelo às 20:50

10
Dez 12

Hoje foi um dia especial. Celebraram-se os Direitos Humanos e a Paz na Europa. Ambos são fundamentais para que se possa construir um futuro melhor. 

publicado por victorangelo às 20:08

21
Out 12

Ontem conheci o Jean-Michel, um jovem cheio de genica e de espírito empreendedor. Veio vender uma centena de caixas de champanhe aos moradores de um canto tranquilo de Bruxelas. Uma das famílias dessa rua organizou e convidou a vizinhança para uma prova dos vários champanhes que o Jean-Michel e a esposa produzem, numa pequena propriedade de menos de seis hectares, que herdaram há meia dúzia de anos, numa terriola situada na zona demarcada, a cerca de uma hora ao sul de Reims.

 

A iniciativa foi um sucesso. O casal pôde voltar para França com a carrinha vazia. 

 

Achei tudo isto um bom exemplo.

 

Entretanto, fiz umas contas por alto. Dos seis hectares estão agora a sair cerca de 40 000 garrafas por ano. Se o lucro líquido for de seis euros por garrafa, o que é uma estimativa modesta, abaixo do que é possível, Jean-Michel e a mulher conseguem ter um bom rendimento por ano. Dá para pensar. 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:29

21
Jul 12

L. nasceu hoje, no Sul de Espanha. À partida, tendo nascido numa grande cidade e filho de pais com títulos universitários e com emprego, dir-se-ia que tem um pouco mais sorte do que muitos outros. Mas, com a Espanha como está, com as autonomias e a política a puxarem o país para baixo, quem pode pensar no futuro? A única solução é a de ter esperança e não deixar de lutar. 

 

Lembro-me que há cerca de sete ou oito anos a Espanha era considerada, em inquéritos feitos junto da juventude europeia, como o país mais promissor para viver, no conjunto da UE. Mudam-se os tempos...

 

Contudo, em dias de nova vida como o de hoje, há que acreditar nas pessoas e no futuro.

 

O optimismo faz bem aos cidadãos.

publicado por victorangelo às 20:45

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