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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Guerra na Europa do Leste?

Depois dos encontros em Genebra, Bruxelas e Viena, que decorreram ao longo da semana, a tensão entre Rússia, os Estados Unidos e a NATO piorou. Cada delegação expôs os seus pontos de vista e as suas linhas de actuação, sem que tivesse havido diálogo entre as partes. Antes pelo contrário. As reuniões mostraram que o fosso que as separa é enorme e que as exigências vindas de Moscovo são claramente inaceitáveis, quer em Washington quer na Europa. Pensa-se que o objectivo da posição russa era o de obter um não. E foi isso que aconteceu.

Existe um risco real de confrontação. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia disse-o sem ambiguidades em Viena, na reunião da OSCE, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa. Utilizou, mesmo, a palavra “guerra”, uma expressão que não pode ser dita de ânimo leve.

No lado russo, afirma-se claramente que as negociações foram um fracasso. Insistem na questão da expansão da NATO para o leste europeu. Esta questão da adesão à NATO de países como a Ucrânia e Geórgia, que tem a oposição frontal de Moscovo, parece ser a mais importante, a mais delicada.

Esta semana, a diplomacia não serviu para desanuviar o clima de hostilidade. Mas não há melhor solução do que continuar a insistir nas conversações diplomáticas. Têm, no entanto, que assentar em concessões concretas, vindas de ambos os lados.

 

 

 

Ainda sobre a crise à volta da Ucrânia

O Presidente Vladimir Putin diz não ter a intenção de invadir a Ucrânia. Porém, os factos no terreno, junto à fronteira comum, mostram uma realidade muito diferente. Neste momento, o número de tropas russas destacadas para várias regiões russas à volta da Ucrânia é estimado em cerca de 100 000 efectivos. Mais ainda, nesta última semana, os meios logísticos enviados para essas zonas aumentaram de modo bastante visível. Esses meios permitirão sustentar uma operação militar de grande envergadura. 

Temos assim uma séria contradição entre as declarações políticas e a preparação do que poderá ser uma grande campanha militar. É possível que se trate fundamentalmente de uma demonstração de força, de uma mensagem política com vista a possíveis e previsíveis negociações diplomáticas. Mas é uma situação preocupante. Não pode de modo algum ser ignorada.

Os presidentes russo e americano têm prevista uma conversa telefónica para próxima a próxima terça-feira. Seria ideal que contacto permitisse fazer avançar o processo político-diplomático. Tenho, no entanto, poucas esperanças. O provavelmente acontecerá, receio, será ver cada parte repetir aquilo que já foi dito e nada mais. Do lado russo, falar-se-á de linhas vermelhas, da segurança nacional, dos laços históricos entre Rússia e Ucrânia, da ameaça que representaria um apoio militar directo ao governo de Kiev e pouco mais. A presença de tropas na zona fronteiriça será justificada por razões de defesa nacional e pela crescente intervenção ocidental na Ucrânia. Do lado americano, repetir-se-á o imperativo de respeitar a soberania da Ucrânia, as possíveis sanções se isso não acontecer e a vontade de continuar o diálogo com Moscovo. 

Seria um erro ignorar gravidade da situação existente e os riscos de se entrar numa confrontação aberta e violenta, cujas consequências seriam catastróficas quer para Ucrânia, quer para a Rússia e para qualquer outro país que se implicasse directamente no conflito.

Um exemplo suíço

Na semana passada, tive a honra, pela sexta vez, de liderar os dois últimos dias da formação que o governo suíço dá anualmente aos seus quadros destacados em países onde existe algum tipo de conflito nacional.

Essa formação é feita numa base militar especialmente vocacionada para o apoio a destacamentos suíços no estrangeiro. Os participantes são civis, que se encontram ou se preparam para servir as embaixadas do país em lugares como Kinshasa ou na Birmânia, ou ainda para trabalhar para operações de paz, missões de mediação política ou de capacitação policial. Dura quinze dias, em regime de internamento e dedicação exclusiva. Passa em revista questões de segurança, de política internacional, os mandatos da ONU, NATO, OSCE e outras organizações, procede a exercícios de simulação de resolução de conflitos e de análise política.

Uma das questões mais centrais tem de ver com a liderança. Que significa boa liderança? Que exemplos podem ser estudados? Como ir mais além, na compreensão da questão da liderança, muito para além de um simples enunciado de princípios e atributos genéricos, muitas vezes lidos em livros escritos por que nunca praticou uma qualquer liderança de uma operação complexa?

A Suíça investe neste tipo de matérias e acaba por desempenhar um papel bem superior ao que seria de esperar, tendo em conta a neutralidade e a dimensão do país.

 

Em Riga, uma cidade elegante

Este é quarto mês de setembro que me apanha em Riga. Desta vez, os factos que se vivem na região levam-nos a um tipo de preocupações diferentes: como ultrapassar a confrontação actual e voltar a um relacionamento nesta parte da Europa que tenha em conta os velhos princípios da Acta Final de Helsínquia de 1975 – sim de há quase quarenta anos – sobre a cooperação e a segurança na Europa. A Europa dos conflitos e do poder do mais forte é algo que não deveria ter futuro no nosso continente. Quem pense o contrário está fora do seu tempo, raciocina como um agressor e deve ser clara e firmemente denunciado. Mas a denúncia não pode ser feita de modo a fechar as portas. Deve ser argumentada com serenidade e acompanhada de um convite ao diálogo.

 

É verdade que em política, na interna e na externa, dá mais votos bater no adversário. O contrário não anima as hostes, não dá entretenimento e deixa a impressão de frouxidão. A política, em muitos aspectos, continua a ser, acima de tudo, um espectáculo para as massas.

Noivados sem amor

 

Escrevo hoje na Visão sobre as relações entre a União Europeia e a Turquia. É um texto que procura dar um novo enfoque a uma questão que se está a tornar velha. Há anos que se anda a negociar, sem que haja sinceridade nem vontade de avançar, sem que se queira colocar o acento nas questões que são verdadeiramente importantes.

 

Muito se tem escrito sobre este tema. Alguns, mais ingénuos, advogam uma integração sem reservas. Outros, mais conservadores, dizem simplesmente que não.
 

Penso que a minha reflexão é mais abrangente. Objectiva e feita de um modo positivo. O leitor dirá.

 

Pode ser lida no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/um-noivado-de-conveniencias=f551282

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