Portugal é grande quando abre horizontes

28
Abr 16

O Paquistão é uma das grandes apostas estratégicas da China. Pequim está a investir nesse país cerca de 46 mil milhões dólares. Uma boa parte desse investimento destina-se a construir um corredor de comunicações – autoestrada, caminho-de-ferro e oleoduto, tudo em paralelo – que permita ligar a parte ocidental da China ao Oceano Índico. Deste modo, a China passa a estar bem mais perto de África e do Médio Oriente, que são regiões de grande interesse em termos de recursos naturais e de terras cultiváveis.

publicado por victorangelo às 15:14

26
Abr 16

 

O novo descobrimento da Índia

            Victor Ângelo

 

 

 

            Voltei à Índia, depois de uma ausência de mais de dezoito anos. E fiquei surpreendido pela positiva. Encontrei um país diferente, em pleno crescimento económico, com muita gente resoluta, cheia de otimismo, virada para o futuro. Para quem deixara para trás uma Europa de incertezas, que dá a impressão de não saber bem para onde vai nem como responder aos desafios que enfrenta, em que cada povo tende a fechar-se sobre si próprio, só nos pode fazer bem passar umas semanas num país que se moderniza, que acredita em si e que valoriza a diversidade das suas populações. Isso, assim como lembrar-nos que o mundo é maior e mais variado do que as fronteiras do nosso quotidiano nos fazem crer. No essencial, a Índia diz-nos, à sua maneira, o mesmo que a China e outros nos repetem: a Europa deixou de ser o centro do universo, tem um peso relativo cada vez menor e o seu relacionamento externo deve ter isso em linha de conta.

            É evidente que a Índia ainda tem muito por resolver.

            Na frente externa, o principal desafio continua a ser conflito mais ou menos latente com o vizinho Paquistão. As relações entre os dois países são como um vulcão pronto a entrar em erupção. Baseiam-se num alto grau de desconfiança mútua e numa torrente contínua de acusações de ingerência. Acabam por consumir uma proporção desmesurada dos recursos públicos, que são assim desviados para questões de defesa, de segurança e de proteção das fronteiras – a linha de fronteira do lado indiano é hoje uma das mais dispendiosas e sofisticadas que existem no mundo, em termos dos equipamentos eletrónicos e de outros meios tecnológicos de vigilância.

            Do ponto de vista interno, a pobreza de uma parte da população – cerca de 22% dos indianos vivem abaixo da linha da pobreza, segundo dados das Nações Unidas, – é ainda marcante. Mas também é verdade, como tive a oportunidade de o constatar, que a produção agrícola se transformou de modo radical, no que respeita à qualidade das sementes, aos meios disponíveis, à conservação das colheitas e à comercialização dos produtos. Quando comparada com as situações que prevalecem um pouco por toda a parte em África, é o dia e a noite. E fica ainda mais claro que o desenvolvimento africano tem que assentar numa revolução rural comparável, mas com as necessárias adaptações, à que aconteceu na Índia.      

             A luta contra a pobreza passa também pela igualdade de direitos e oportunidades entre os homens e as mulheres. Nos vários sítios que visitei ficou claro que as mulheres têm uma taxa muito baixa de participação no emprego disponível nas empresas privadas modernas. Por exemplo, fora de Deli não encontrei nenhuma mulher a trabalhar nos hotéis. E quando trouxe o assunto para discussão disseram-me que os empregos femininos estão na função pública, no ensino, na saúde. Ou então nos campos, na construção civil artesanal, nos trabalhos mais tradicionais e mal remunerados. É óbvio que há aqui uma lacuna por preencher.

            A água pareceu-me uma questão crucial, nomeadamente em vários estados da parte norte do país. As monções têm sido, nos últimos anos, irregulares e menos chuvosas. A seca faz agora parte do quotidiano de muitos, durante a maior parte do ano. O mesmo se passa com o acesso à água potável, para consumo doméstico. A gestão dos recursos aquíferos é já hoje uma preocupação maior. Percorrer certas regiões da Índia, nesta altura do ano, muitos meses depois das últimas chuvas, traz-nos à memória o que aprendemos noutros locais: a água vai ser um dos grandes problemas do futuro, em vastas áreas do nosso planeta. Pobreza e conflitos vão estar estreitamente associados à escassez e às dificuldades de acesso à água.

            Um país que se expressa em mais de 120 línguas importantes, sem esquecer umas centenas de idiomas adicionais mas com menor expressão em termos dos números de falantes, tem inevitavelmente problemas de integração e de unidade nacional. Existem assim rebeliões internas em vários estados. O governo central tem procurado responder a essas insurgências. Nos últimos anos, tem havido a sabedoria de combinar respostas de ordem securitária com um tratamento político novo dessas questões. Espero que se continue pela mesma via. E que se saiba valorizar, como muitos o fazem atualmente, a diversidade humana e cultural do país. A Índia, ainda mais do que a Europa, é um complexo xadrez de culturas. Mas também nos mostra que é possível conciliar uma identidade própria e ancestral com o orgulho de se pertencer a um grande espaço geopolítico.

            Entretanto, teve lugar mais uma cimeira da UE com a Índia. No final foi publicado um comunicado tão palavroso quanto vago. A Europa poderá ter descoberto a Índia como destino turístico mas ainda precisa de ver nesse vasto e multifacetado país um parceiro com o qual vale a pena cooperar. As oportunidades são imensas. Há que saber explorá-las. E procurar aproveitar esta fase de expansão e confiança que se vive na Índia, bem como uma mão-de-obra que tem segmentos extremamente qualificados. Para começar, tratar-se-ia de acelerar as negociações relativas a um futuro acordo comercial entre as duas partes. Ganharíamos todos nós, europeus e indianos.

 

(Artigo que hoje publiquei na Visão on line)

publicado por victorangelo às 10:53

04
Jan 16

Este novo ano foi anunciado com preocupação. E está a começar de modo preocupante.

O xadrez de crises no Médio Oriente está hoje mais complicado e imprevisível. A confrontação entre a Arábia Saudita e o Irão passou para um nível mais arriscado. E tem um impacto em toda a região, sobretudo na Síria, no Iraque e no Iémen. Mais a Oriente, as tensões entre a Índia e o Paquistão ganharam um novo impulso, com o ataque que acaba de ter lugar contra uma base da aviação indiana, na zona de fronteira com o país rival. Ainda mais a Leste, a rivalidade marítima entre a China e o Vietname agravou-se este fim-de-semana.

Na Europa, a questão das migrações levou a Suécia a adoptar medidas de controlo fronteiriço em relação a quem vem da Dinamarca por terra. Esta, por sua vez, apertou hoje as verificações na fronteira com a Alemanha. Fala-se de Schengen e dos riscos em que este acordo fundamental para a construção europeia se encontra. Talvez haja um certo exagero quanto ao futuro de Schengen, uma morte anunciada prematuramente, mas a verdade é que não surgiram ainda medidas comunitárias que nos tranquilizem.

E do lado russo, a retórica continua a não ser das melhores. As cabeças de quem manda em Moscovo continuam a ver as relações com a Europa e os Estados Unidos à moda da Guerra Fria. Ora, essa época já passou. Do lado Ocidental, já são poucos os que sabem o que isso queria dizer.

Quanto aos mercados, as bolsas entraram em 2016 com quedas acentuadas. Por causa da China, que está a crescer menos do que o previsto, e também por motivo das incertezas geopolíticas. Curiosamente, foi o mercado de acções alemão que mais perdeu, no conjunto da Europa. A razão é clara: as empresas alemãs estão em boa medida dependentes das suas exportações para a China.

Vai ser um ano com muito pano para mangas.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:46

13
Ago 15

O leão Cecil e a cabala global
Victor Ângelo


Não ficaria admirado se alguns obcecados das conspirações vissem a mão maquiavélica de Robert Mugabe na caçada que vitimou Cecil. Para eles, a morte do célebre leão teria sido arquitetada pelo velho ditador, como um novo enredo para aviltar os brancos e os americanos. Esta versão teria os ingredientes de uma boa teoria conspirativa: um político diabólico; um drama que captou a imaginação popular, com um desfecho passível de interpretações; e uma narrativa consistente com a prática habitual do vilão da história. Sem esquecer que Mugabe sempre me pareceu um especialista em estratégias complexas e obscuras. Deste modo, bateria tudo certo…


Cecil poderia fazer as delícias dos espíritos conspirativos neste mês de agosto. No entanto, o caso mais recente diz respeito ao partido trabalhista do Reino Unido. Vários dos seus membros, incluindo antigos ministros, acham que está em curso uma conspiração para manter o partido na oposição por uma eternidade de anos.


A história é simples. Tem que ver com a eleição, que começa este fim-de-semana, do novo líder trabalhista. Jeremy Corbyn, um franco-atirador que votou mais de quinhentas vezes no Parlamento contra a linha oficial do seu partido, é dado como favorito. Ora, o homem é um esquerdista notório, um porta-estandarte de posições extremas, alheias às escolhas habituais da maioria do eleitorado britânico. Se se confirmar a sua seleção como líder – existem outros três candidatos, com ideias bem mais consentâneas com a modernidade do centro-esquerda – a conspiração terá ganho, dir-se-á...
E quem seriam os cérebros do terramoto político que se anuncia? Os senhores da finança aliados aos matreiros patronos da imprensa conservadora e popularucha, gente que se nutre de um ódio visceral antissocialista. Não poderia deixar de ser assim, na fantasmagoria dos que acreditam na maquinação. A cabala, dizem, consiste em financiar, ao preço de saldo de três libras por cabeça, que é quanto custa a inscrição com direito a voto nas eleições internas, uma amálgama de trotskistas e de militantes fanáticos do ar fresco e dos passarinhos dos campos, também conhecidos por “verdes”. Serão esses infiltrados que tornarão a vitória de Corbyn possível. Depois, este e as suas ideias fora da corrente acabarão por colocar os trabalhistas numa posição de marginalidade eleitoral. Tudo isto a favor das hostes de David Cameron e dos interesses que os cabalistas representam.


As teorias conspirativas são sempre assim: os maus e poderosos de um lado, a planear uma intriga mirabolante, e uns paranoicos do outro, que se acham por demais espertos e capazes de ver para além das aparências. No meio estão os simples dos miolos, prontos para engolir mais ou menos cegamente a fantasia.


Cuidado, porém, que a coisa nem sempre é divertida. Ainda recentemente, trabalhadores da saúde perderam a vida no Paquistão, por causa de uma teoria que propagava que as vacinas contra a poliomielite eram uma artimanha do Ocidente para esterilizar o povo. Como também se verificou que a luta contra o ébola na África Ocidental foi prejudicada por haver quem ligasse a pandemia a uma tramoia contra os africanos. Bem mais perto de casa, há por aí quem veja nas nossas dificuldades um conluio de outros, um estratagema urdido no estrangeiro contra nós. Esse é o perigo destas teorias: arranja-se umas narrativas bem articuladas e desvia-se os olhares das verdadeiras interrogações.

 

(Artigo que hoje publico na revista Visão)

 

publicado por victorangelo às 11:55

25
Jan 12

Para que se tenha uma outra visão do mundo, para que se compreenda por que motivo os nossos horizontes são considerados, por muitos, como limitados, vou escrever sobre David Lockwood, que hoje faleceu em Londres. 

 

David tinha a minha idade. Fomos colegas na ONU, durante mais de três décadas. Nos últimos 12 ou 13 anos, antes da passagem à reforma, há menos de dois anos, David dirigiu o departamento Ásia, como director regional adjunto, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Conhecia todos os países da Ásia, do Irão às ilhas do Pacífico, trabalhara com os dirigentes de cada um desses países na área do desenvolvimento e estava ao corrente de todas as questões políticas, em cada canto dessa vasta região. Fora representante da ONU no Afeganistão, no Paquistão e no Bangladesh, número dois na China, e assim sucessivamente. 

 

Era um homem com influência, com autoridade para decidir quem seria proposto para representar a ONU em cada um dos países da Ásia, que é o tipo de poder por excelência dentro do sistema onusiano, o de decidir quem vai para onde. Mas nunca o ouvi levantar a voz, cortar na casaca ou diminuir alguém. Antes pelo contrário. Até ao fim, esteve sempre disponível para aconselhar, para evitar que erros fossem cometidos ou que surgissem situações embaraçosas. 

 

Já era responsável pela Ásia quando Timor entrou, em 1999, num processo de independência. Lembro-me da delicadeza do assunto em Nova Iorque, pois ninguém, nenhum estado importante, queria entrar em colisão com a Indonésia. David foi um dos que teve que passar muitas horas no Salão dos Delegados, a desempenhar a tarefa complexa de fazer passar a pílula amarga que era a emergência de Timor como um país soberano. 

 

Pessoas como David têm uma outra visão do mundo. Neste dia de partida, pensemos nisso. 

publicado por victorangelo às 20:10

05
Mai 11

Escrevo esta semana na Visão sobre Obama, o Paquistão e os riscos, depois da eliminação de Bin Laden.

 

Como a edição impressa da revista o sublinha, numa caixa do artigo, "as operações especiais podem matar o homem, mas não fazem mossa no símbolo".

 

O meu texto está disponível on-line:

 

http://aeiou.visao.pt/no-rasto-de-bin-laden=f601408   

 

Não se esqueçam de o comentar no sítio apropriado, na Visão on-line. Fico sempre muito agradecido.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 18:52

18
Ago 10

O Presidente da Comissão Europeia, JM Barroso, respondeu à carta que recebera de N Sarkozy e que mencionei no poste de ontem. 

 

A resposta, bem articulada, lembra que a UE foi a primeira instituição que disponibilizou fundos e volta a acentuar o papel da Direcção Geral ECHO, a estrutura de trabalho humanitário, na coordenação das intervenções europeias. Refere ainda que a utilização de meios militares na área da logística humanitária, uma sugestão feita pelo Presidente francês, tem que obedecer a critérios muito estritos. A intervenção humanitária é sempre muito arisca a uma qualquer associação com meios militares. Contra, para ser mais preciso. Tive várias vezes a oportunidade de o notar, no meu trabalho de campo.

 

A questão é que a Comissão não tem gerido bem a parte relações públicas da sua resposta de urgência. Sobretudo numa crise marcante, visível, como esta do Paquistão. Ainda hoje, e um bocado por influência da carta do Presidente Sarkozy, tivemos um exemplo disso: 30 milhões de euros de ajuda suplementar, a juntar aos 40 que já haviam sido aprovados, foram decididos esta manhã. Mas quem ouviu falar disso?

 

A 23 de Agosto, a Comissária Kristalina Goergieva, a responsável pela pasta humanitária, visita o Paquistão. Dir-se-ia que mais vale tarde do que nunca. O que é indiscutível é que já deveria ter feito essa viagem. Agora, parece que vai a mando, ou por medo, de Sarkozy.

 

Não haverá no gabinete do Presidente da Comissão quem pense nestas coisas de modo um pouco mais atento, rápido e com a oportunidade estratégica necessária?

publicado por victorangelo às 18:46

17
Ago 10

Nicolas Sarkozy não morre de amores por JM Barroso. Acha que o nosso compatriota tem pouca genica, menos espírito prático e nada de liderança. São opiniões, claro.

 

Nicolas acaba de lhe pregar mais uma partida. No Domingo, dia 15 -- sim, no Domingo, que Nicolas gosta de mostrar que não dorme na formatura, nem trava o seu ímpeto em Agosto -- escreveu ao homem de Bruxelas, a dizer que a Europa deveria fazer mais e melhor, e sem demoras, para responder à grave crise humanitária que se vive -- e de que se morre -- no Paquistão.

 

A carta continha ainda umas farpas relacionadas com a fraca resposta europeia, no caso do Haiti, e com a falta de iniciativa, de ajuda, quando a Rússia se defrontava com os fogos.

 

Mais. Como já mencionei num poste recente, Sarkozy constatava, igualmente, que a Europa ainda não tem uma capacidade adequada de resposta às catástrofes naturais e às urgências humanitárias. Acrescenta que a França vai apresentar um certo número de propostas para que essa capacidade seja estabelecida.

 

A carta fez mossa, em Bruxelas. Imagine-se.

publicado por victorangelo às 21:36

11
Ago 10

Começou o mês do jejum muçulmano, o Ramadão. Quando o Ramadão cai num período de Verão, a penitência é mais difícil. Sobretudo, por não se poder beber durante as horas do dia.

 

 Este ano, um dos países islâmicos de maior população, o Paquistão, está a atravessar uma grande crise interna, que põe em jogo a sobrevivência de cerca de 14 milhões de pessoas. As chuvas torrenciais têm sido de uma intensidade extrema. As cheias, que daí resultaram, destruiram o modo de vida de populações que, já à partida, viviam em condições de grande pobreza e precariedade. Nem dá para pensar no Ramadão.

 

Há outras regiões do país que também poderão ser afectadas.

 

Trata-se de uma situação de urgência humanitária de grande envergadura. É preciso mobilizar muitos meios.

 

A ONU lançou hoje um apelo humanitário de 460 milhões de dólares, para que se possa ajudar os que estão em risco. As primeiras indicações são de que a resposta ao apelo vai ser diminuta e demorada. Para já, apenas quatro países estão a responder. A UE, para além de uns meros 5 milhões de euros que prometeu disponibilizar, está a mostrar, uma vez mais, que a ECHO, a organização humanitária da UE, e as estruturas de resposta a crises não funcionam com a celeridade que seria de esperar. Nem são eficientes. Nem na resposta às cheias na Polónia e na Alemanha, nem no caso dos incêndios em Portugal -- seria a altura ideal para mostrar que existe uma visão mais ampla de combate às catástrofes, juntando os meios de vários Estados, vendo a catástrofe como um problema transnacional e não apenas nacional. Quanto mais na ajuda a um país distante, de gente com uma cultura estranha, homens com ar de extremistas religiosos, de barbas e cara de poucos amigos do Ocidente.

publicado por victorangelo às 21:50

26
Jul 10

O blog  www.wikileaks.org publicou uma grande quantidade de documentos secretos, pertencentes à administração norte-americana, sobre a campanha militar e a situação no Afeganistão. Os documentos mostram que a realidade da guerra é bem mais feia e difícil de aceitar do que o que fora contado pelas fontes oficiais até agora. Em certa medida, alguns documentos parecem indicar que crimes de guerra têm sido cometidos com impunidade. Revelam também o papel subversivo dos serviços secretos paquistaneses, um tema que já foi objecto de um artigo que escrevi em 2009 na Visão.

 

Penso que esta divulgação vai ter consequências muito sérias em várias frentes. Ainda é cedo, de momento, para se perceber o alcance da revelação destes documentos secretos. Creio, no entanto, que a verdade faz bem à política. Fará, estou convencido, acertar o passo a muitos.

publicado por victorangelo às 22:37

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