Portugal é grande quando abre horizontes

17
Fev 19

Patético. Esse é o adjectivo que me vem à mente, ao ver os nomes dos políticos que deverão encabeçar as listas ao Parlamento Europeu dos dois partidos do centro – o PS e o PSD. Ainda pensei em ridículo, como palavra-resumo. Ou, em medíocre. Mas, patético traduz melhor a minha apreciação. E a minha preocupação, não escondo, pois é grande o desassossego que me inquieta.

Cada uma dessas personalidades é uma escolha lamentável. Pior ainda, numa altura em que a União Europeia se defronta com desafios existenciais, quer na frente interna quer nas suas relações estratégicas com três dos seus grandes vizinhos – os Estados Unidos, a Rússia e o Norte de África/Sahel –, para mencionar apenas o que me parece particularmente importante, na área das relações exteriores. E também num momento em que Portugal precisaria de reflectir sobre os seu papel no futuro de uma UE mais forte e mais coesa.

Vazio de ideias.

Patético, sim. Confirmo.

 

publicado por victorangelo às 11:17

14
Fev 19

//victorangeloviews.blogspot.com

A visita de Giuseppe Conte ao Parlamento Europeu, comentada no meu blog em inglês.

publicado por victorangelo às 09:34

28
Dez 18

A fiscalidade europeia não pode ser uniforme. Não pode haver um regime único que se aplique a todos os Estados membros. Nem mesmo apenas aos da zona euro. O sistema europeu de impostos tem que reconhecer as diferenças existentes entre as várias economias e criar incentivos para atrair um maior volume de investimentos para os países menos desenvolvidos, na periferia dos grandes mercados europeus e geograficamente em desvantagem.

Dizer o contrário é fazer o jogo das economias mais desenvolvidas do centro da Europa. Economias que têm, num raio de duas centenas de quilómetros, dezenas e dezenas de milhões de consumidores, e um poder médio de compra muito superior ao de Portugal ou da Estónia.

Ou então, se não se faz esse jogo, trata-se de mera burrice política.

publicado por victorangelo às 11:39

12
Jul 17

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8957

Acima vos deixo o link para os meus comentários desta semana na Rádio Macau sobre a UE.

Abordo o acordo comercial assinado com o Japão, as fricções entre J-C Juncker e o Parlamento Europeu, a presidência da Estónia neste segundo semestre de 2017 e os resultados do G20.

publicado por victorangelo às 21:13

28
Fev 17

Os meus comentários de hoje, no programa semanal da Rádio Macau "Magazine Europa", têm como focos as tomadas de posição do Parlamento Europeu sobre a reforma das instituições e o futuro da UE, a Áustria, o seu Chanceler e a sua economia,  e, por fim, Martin Schulz como competição a sério, que poderá impedir um quarto mandato de Angela Merkel, após as eleições gerais de Setembro.

O link para o programa é o seguinte:

Magazine Europa (28 de Fevereiro de 2017)

 

publicado por victorangelo às 17:35

24
Fev 17

Sou dos que advogam que este é o ano do aclaramento no que respeito ao futuro da UE.

As pressões internas e externas são agora imensas. Os riscos maiores do que nunca. O projecto europeu precisa de se focalizar no que é importante e mobilizar as energias das instituições e das organizações da sociedade civil para que se atinjam os objectivos que deveras contam. Esses objectivos passam por um reforço da coesão política, por uma maior integração económica, pela desburocratização e o consequente aliviar das cargas fiscais, pela luta contra o nativismo e a xenofobia, pela solidariedade social inteligente, pela defesa e a segurança comuns. E, acima de tudo, por uma definição muito clara dos valores humanistas que partilhamos, que fazem da nossa parte do mundo um exemplo de liberdade e de respeito pelos direitos das pessoas, e pela construção de uma identidade europeia que possa ser uma bandeira de cidadania.

Nem todos os países membros estarão dispostos a avançar no sentido de uma unidade aprofundada. É, por isso, fundamental que se diga que a construção do futuro europeu se deverá fazer por círculos. Serão círculos concêntricos, na medida em que haverá sempre um conjunto de princípios que será partilhado por todos. Mas, a partir daí, desenhar-se-ão outros círculos, que abrangerão apenas uma parte dos estados membros. Cada estado inserir-se-á no círculo que melhor entender, tendo em conta as suas circunstâncias nacionais.

Não é uma Europa a “duas velocidades”, como por aí se diz. Não vamos todos na mesma direcção. É uma visão diferente de aspectos importantes do projecto. Muitas das dimensões dessas visões nunca serão partilhadas pela totalidade dos estados membros. Por isso, não se trata de avançar a uma velocidade diferente. É, isso sim, um nível de ambição distinto.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 17:04

22
Jan 17

Antonio Tajani foi há dias eleito Presidente do Parlamento Europeu. O grupo parlamentar europeu de direita – conhecido como o Partido Popular Europeu – detém agora a presidência das três instituições que contam: o PE, a Comissão e o Conselho Europeu. O equilíbrio político, que tem sido uma tradição, exige que se proceda a uma correcção desta situação. Uma das instituições deveria ser presidida por alguém oriundo da corrente socialista europeia.

Há quem pense que a situação poderá ser corrigida em Maio. No final desse mês termina o mandato de Donald Tusk, o Presidente do Conselho Europeu. Tusk gostaria de ser reconduzido e ter a oportunidade de levar a cabo um segundo mandato. Mas os reaccionários de Varsóvia não parecem dispostos a apoiá-lo. E sem o apoio do país de origem, é quase impossível conquistar um mandato europeu. Muito provavelmente, Tusk irá à vida.

Mas quem poderia ser o candidato socialista capaz de reunir o consenso dos Chefes de Estado e de Governo? Terá que ser um antigo Presidente da República ou antigo Primeiro-ministro. E de preferência, acrescento eu, deveria ser alguém do Leste ou do Norte da Europa. Também aqui por uma questão de equilíbrio.

Há quem comece a falar do nome de François Hollande. Penso que se trata de um balão de ensaio, lançado pelos seus amigos parisienses. Mas a verdade é que não há muitos nomes de peso. Sobretudo numa altura em que é fundamental ter alguém com a genica suficiente para falar com voz grossa, uma voz que possa ser ouvida do outro lado do Atlântico.

 

publicado por victorangelo às 20:11

09
Jan 17

Hoje foi uma espécie de dia de rentrée, ao nível da política europeia. Terminaram as férias do Natal e do Ano Novo. Bruxelas está cheia de caros de novo. E de conversa.

Falou-se do Movimento 5 Estrelas, os confusos básicos do populismo italiano, que agora querem entrar na família dos partidos liberais europeus. Já não se sentem bem ao lado dos racistas do partido de Nigel Farage, a quem fizeram companhia no Parlamento Europeu durante vários anos.

Espanto, por se saber que Beppe Grillo e os seus Estrelas ou estrelados querem acabar com a Europa, começando por fazer sair a Itália do projecto comum. Se chegarem ao poder, claro.

O outro grande tema do dia foi o Brexit. A libra perdeu valor, uma vez mais, como tem vindo a acontecer desde 23 de junho de 2016. A imagem de Teresa May ficou ainda mais cinzenta: uma imagem de indecisão, de incapacidade de chefia em relação aos seus ministros e de centralização obsessiva dos assuntos de Estado na sua pessoa.

Enfim, um dia de Brexit em que houve de novo muita emoção e pouco realismo. E para complicar a coisa, o Vice-Primeiro da Irlanda do Norte pediu a demissão e voltou a colocar esse território na lista das preocupações que apoquentam Londres.

Azares atrás de azares. Que rentrée tão promissora…                                             

 

 

publicado por victorangelo às 20:30

07
Mai 16

Martin Schulz, o Presidente do Parlamento Europeu, e Jean-Claude Juncker tiveram a ideia de dar o Prémio Carlos Magno deste ano ao Papa Francisco. A principal razão tem que ver com a resposta papal à questão dos imigrantes e dos refugiados. O chefe da Igreja Católica tem-se batido, de várias maneiras, por um acolhimento mais generoso dos estrangeiros que procuram refúgio e modo de vida na Europa. E os dois líderes europeus pensaram que ganhariam tracção se reconhecessem o exemplo papal. Poderiam assim adquirir mais peso, apoiando-se no Papa, e tentar convencer os outros líderes que se têm oposto à aceitação dos imigrantes e dos refugiados.

A verdade é que a questão é bem mais complexa. As palavras do Papa e o seu exemplo não convencem quem se opõe à política migratória proposta por Bruxelas. Mais do que os apregoados valores europeus, que são mitos frágeis, o que está em jogo são interesses nacionais bem como os velhos fantasmas nacionalistas. Apostar neles, dá poder, apoio popular. Investir nos imigrantes, faz perder poder, é um suicídio político, em quase todos os países da União.

Estamos assim, apesar do Prémio Carlos Magno e do Papa Francisco, perante um dos momentos mais cruciais na história da construção europeia. Um momento que exige opções claras. Duras, muito duras, mas claras.

 

publicado por victorangelo às 20:22

01
Nov 15

O prémio sobre a liberdade de pensamento do Parlamento Europeu, conhecido pela designação de Prémio Sakharov, reconhece, cada ano, uma personalidade que se tenha destacado na luta pelos direitos humanos. É um reconhecimento cheio de simbolismos políticos. Uma decisão política. O próprio nome do prémio tem um profundo significado político: lembra-nos a ditadura na União Soviética e o papel que Andrei Sakharov, um cientista nuclear russo, desempenhou na luta pelas liberdades e os direitos das pessoas, na parte final do regime comunista.

Este ano, a escolha recaiu no activista saudita Raif Badawi, um blogger que está preso desde 2012 na Arábia Saudita e que, entre outras coisas, foi condenado ao castigo público de 1 000 chicotadas. Badawi tivera a coragem de apontar o dedo à Universidade Islâmica Imam Muhammad ibn Saud como sendo um viveiro de extremistas religiosos e de terroristas.

Na verdade, o caso de Raif Badawi permite que nos lembremos que a política externa da Europa e do Ocidente em relação à Arábia Saudita é um enredo de ambiguidades e de jogos de dupla linguagem. A preocupação tem sido a de não ofender o regime de Riade. Ora, esse regime precisa de uma Europa que lhe fale a verdade e que lhe diga, nomeadamente, que as suas práticas legais e sociais estão em profunda contradição com os valores universais. São, de facto, inaceitáveis. E que não há desculpa alguma, incluindo na área religiosa ou dos costumes, que possa justificar as absurdidades e as violências praticadas pela liderança da Arábia Saudita.

Por isso, para além de felicitar a coragem de Raif Badawi, há igualmente que reconhecer o mérito da decisão deste ano do Parlamento Europeu.

 

publicado por victorangelo às 17:33

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