Portugal é grande quando abre horizontes

13
Nov 19

Continuamos a olhar para a política com uma lente clubista. Os do meu clube são bons, os outros são uma desgraça. Esta maneira de ver não leva o país, qualquer país, muito longe. Serve apenas para dividir os cidadãos, criar clivagens destruidoras e empurrar as grandes questões para as margens, lá onde aterram todos os problemas que nunca mais encontram solução. A política deixa então de ser uma procura permanente de equilíbrios entre os diversos interesses que compõem a sociedade. Transforma-se num campo de batalha, onde hoje ganham uns, amanhã outros, num carrossel que gira sobre si mesmo.

O verdadeiro líder político é aquele que consegue fazer alianças, sobretudo agora, nas nossas sociedades cada vez mais fragmentadas. Governar sem apoios amplos é deixar de lado uma parte significativa do eleitorado. É a imposição de posições meramente ideológicas num contexto que exige respostas amplas e tão consensuais quanto possível.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:38

09
Nov 19

A luta política portuguesa ainda está debaixo da influência de escolas de pensamento totalitárias. Em ambos os lados, à esquerda e à direita, não estamos preparados para aceitar outros pontos de vista, para ver qualquer tipo de mérito nas opiniões de outras famílias políticas.

A maioria dos defensores das ideias de esquerda vê as outras correntes de opinião como inimigas do povo. Só eles é que têm razão, cada um na sua capela ideológica e entre os seus fiéis amigos. Se tivessem o poder, um poder absoluto, praticariam aquilo que Estaline e outros praticaram, quando se tratava de lidar com pessoas com um pensar diferente. Talvez a uma escala menor, que nós somos uns meia-tigelas, mas o princípio seria o mesmo: esmagar quem não pertence à nossa família política.

À direita, também se faz política assim. Os adversários são vistos como inimigos e os inimigos só podem ter um destino.

A intolerância e a incapacidade de dialogar e de chegar a compromissos têm muitos adeptos entre nós. Fomos formatados pelo fascismo e pelo outro lado da medalha, pelas ditaduras que invocavam em vão a classe operária e o proletariado. Ou seja, a nossa cultura política é uma cultura que procura excluir e derrotar, em vez de construir e harmonizar. É uma maneira de ver que não deixa espaço para um equilíbrio de interesses e para uma inclusão inteligente dos cidadãos, sobretudo daqueles que menos sabem de política e que, por isso, andam mais indefesos.

Toda esta intolerância revela uma grande imaturidade política. Sobretudo, ao nível de quem manda na política, dentro ou fora do governo, nos jornais, nas assembleias, na praça pública. Os actores políticos são infantis, apenas pensam na imagem da sua pessoa e na maneira de bater nos outros, forte e feio.

Há aqui uma revolução cultural que precisa de ser levada a cabo. O problema é que não vejo como se pode iniciar o processo.

 

publicado por victorangelo às 16:32

09
Out 19

Extremismo político é sempre mau. Mas, existe. Penso, no entanto, que as nossas sociedades europeias são suficientemente maduras, do ponto de vista democrático. Sabem, por isso, como tratar os extremismos, empurrando-os para as franjas do espectro político. Mesmo assim, é fundamental denunciar de modo permanente os erros, exageros, falsidades e perigos que esses extremistas defendem. E não esquecer que do extremismo ao populismo não há mais que um pouco de caminho a percorrer. E aí, sim, encontramos um risco muito grande.

É preciso tratar destas coisas com inteligência e militância. Não dar tréguas às ideias ultra-radicais e contrárias aos interesses nacionais. E nunca esquecer que os cidadãos gostam do bom senso e da verdade. Detestam, cada vez mais, os chavões, as brigas de recreio infantil, as reacções parvas, o barulho das palavras ocas. E quando estas coisas são transmitidas em directo, na televisão, o caldo ainda fica mais entornado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:45

07
Out 19

Todo o gato sapato comentou os resultados das eleições. E quase todos disseram a mesma coisa, sobre quem ganhou, quem perdeu e sobre quem entrou no Parlamento pela primeira vez. Pouco haverá a acrescentar, excepto para dizer que, na verdade, quem venceu este acto eleitoral foram os cidadãos que se deslocaram às Assembleias de Voto e participaram. Ganharam e mostraram um bom nível de maturidade democrática. Penso ser bom sublinhar essa dimensão.

publicado por victorangelo às 21:41

04
Out 19

O Primeiro Ministro António Costa não teve um campanha feliz. Para cúmulo, hoje perdeu as estribeiras, quando um homem de idade avançada o interpelo na rua, sobre os incêndios de Pedrogão Grande. O descontrolo não é aceitável, quando se trata de um líder da envergadura do PM. Quando a pergunta é desagradável, dá-se-lhe a volta com elegância e marca-se um ponto.

O que aconteceu e a altura em que aconteceu – no fecho da campanha eleitoral – têm impacto. Na véspera das eleições, a imagem que fica – e a comunicação social encarregar-se-á disso – não é boa.

Mesmo assim, penso que votar por António Costa é a opção mais apropriada. Nesta fase da vida portuguesa e estando o PSD como todos sabemos que está, é fundamental que o partido que venha a ser o pilar do próximo governo tenha o maior apoio popular possível. Não seria bom para a estabilidade democrática e para o crescimento da economia ter um governo com uma base frágil e marcadamente dependente de alianças com as forças do irrealismo político.

publicado por victorangelo às 19:54

29
Set 19

Hoje, mais do que nunca, é fundamental mostrar boa-fé, quando se faz política. Os eleitores têm acesso a muitas e diversas fontes de informação. Alguns poderão ter imensas dificuldades perante tanta informação. Mas uma grande parte acaba por formar uma opinião ou ver o seu ponto de vista confirmado. E uma das características que procuram nos políticos de agora, depois de tantas decepções e enganos, é a da sinceridade.

A lisura de intenções dá votos. Por isso, se eu fosse conselheiro de algum político dir-lhe-ia que, acima de tudo, é necessário mostrar que se anda na política e em campanha pelo bem comum. Porque se acredita na causa pública, no projecto que se defende, numa maneira positiva e altruísta de governar o que é de todos.

A imagem e a narrativa devem reforçar o sentimento de franqueza e de verdade que procuramos transmitir. Está aí o segredo do apoio popular.

Creio dever lembrar isto, agora que estamos todos em campanha, uns activamente, outros por tabela e porque não conseguimos fechar os olhos à realidade que nos cerca.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:41

26
Set 19

A parte “justiça” do caso de Tancos não deve, na verdade, ser comentada. Um número de indivíduos foi constituído arguido, acusados de vários crimes. Cabe agora à administração da Justiça tratar desses casos, um a um. A única observação que se poderá fazer é para rogar que os processos avancem rapidamente, tendo em conta a natureza dos crimes imputados e o tipo de instituição que está no centro da questão. Certos brados são uma ilusão, reconheço, mas devem ser feitos, apesar de tudo.

Mas existe uma parte política, que não pode ser escondida por detrás do biombo da justiça. Essa parte levanta muitas interrogações. Devem ser esclarecidas. A lista dessas interrogações inclui: a responsabilidade política; o funcionamento e a circulação da informação nos órgãos de soberania directamente ligados ao assunto; a responsabilidade militar, de quem mandava e estava na linha de comando; a performance, a disciplina e a motivação de algumas secções do Exército, o que isso implica e exige como medidas de correcção; o sistema de valores que impera em certos círculos com autoridade e que terá levado alguns dos arguidos a pensar que o caso seria abafado pelos grandes do reino.

Só estas questões já dariam pano para muitas mangas, se houvesse uma vida partidária capaz de ir além do nevoeiro mental.

publicado por victorangelo às 19:37

22
Set 19

Passei os últimos dias na estrada. E vi partes do Alto Alentejo, das Beiras (Alta e Baixa) bastante secas. Bem mais secas este ano do que nos anos anteriores, quando, na mesma altura do ano, fiz percursos idênticos. Lembrei-me, mais uma vez, que a gestão das águas de superfície e subterrâneas vai ser uma das grandes questões que teremos de enfrentar. Não me parece, no entanto, que o assunto esteja presente no ecrã dos nossos políticos. Parecem não ver ou então, acham que é complicado e passam ao lado.

Como também haveria necessidade de definir uma política e um plano de reflorestação das terras e das serras, algo que é igualmente ignorado.

Quando me dizem que não há nada de novo na política, penso no muito que vi por fazer durante esta viagem. E na urgência de trazer para a agenda política dos próximos anos a água, as florestas e o reordenamento do território. Só que para isso, é preciso ter-se uma visão do país que alcance para além do imediato.

 

publicado por victorangelo às 20:41

17
Set 19

Na minha opinião, o debate político das próximas semanas deveria opor os que apenas procuram gerir a situação, com mais ou menos folgas, mais ou menos simpatia e sorrisos, aos que poderiam ter um projecto para Portugal. Um projecto que nos levasse além da mediocridade, do deixar andar e do salve-se quem puder. Que pensasse no futuro, nas bases de uma economia mais moderna e sustentável, na protecção dos recursos naturais e do ambiente, num povo melhor preparado e com maior capacidade de intervenção cidadã, numa língua portuguesa que não fosse aviltada por uma incapacidade de a defender, num país mais seguro e mais amigo dos mais fracos. Também, um país mais capaz de contribuir para o fortalecimento da União Europeia e para o reforço da cooperação e da harmonia internacionais.

Só que isso parece um sonho. O debate político continua a ser entre gestores de contas correntes.

 

 

publicado por victorangelo às 21:10

16
Set 19

O Público de hoje tem um texto muito bom sobre o problema da água no Algarve. Escreve nomeadamente sobre a enorme pressão que novos tipos de agricultura comercial e o novo campo de golf de Tavira exercem sobre os recursos hídricos, numa região cada vez mais seca. Esses são apenas exemplos do descuido e dos erros que por aí existem. Mas o pior é que a política da água não está na agenda dos partidos políticos. É um cegueira completa, que só mostra a incompetência e a falta de visão estratégica de quem anda pelas nossas ruas da política.

publicado por victorangelo às 20:53

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