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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A cena política é favorável aos oportunistas

Dizem os politólogos mais em voga na nossa praça que o caso Sócrates não afecta, ao nível da opinião pública, nem o partido de que foi secretário-geral nem o actual patrão do mesmo partido, o Primeiro-Ministro António Costa. Ao ver os resultados das sondagens, até parece que têm razão.

Talvez afecte, isso sim, o principal partido da oposição e todos os outros aparentados a esse. Primeiro, porque não consegue tirar vantagem de uma mancha que poderia servir como grande tema de ataque, até porque Costa e outros no poder estiveram subordinados a Sócrates, conheciam-lhe os pontos negativos e fecharam os olhos, por uma questão de oportunismo e de carreirismo. Segundo, porque ao não pegarem no assunto dão azo a que se confirme que também eles têm telhados de vidro. Por isso, calam a boca e chutam para fora.

Na realidade, há mais corrupção na nossa política do que aquilo que se pensa. Não se fala da matéria, pois haveria muita roupa suja para lavar. Certos compadres ajudam a que o assunto não apareça nas páginas públicas.

E quanto mais se sabe mais nos apercebemos que a política actual atrai sobretudo quem vê nisso uma oportunidade de subida na vida sem grande esforço, além do saber dizer que sim.

Não convém ser-se ingénuo

Dizem-nos pessoas bem-intencionadas que é preciso “reformar a justiça, de modo a ser mais célere e transparente”. Respondo que os políticos não reformam a justiça porque não querem. Dá-lhes jeito ter uma justiça que não funcione, quando se trata dos grandes e poderosos. Pensar que o que se passa no sector da justiça tem de ver com incompetência, é pura ingenuidade.

Trabalho de arame

Hoje, durante um debate por meios digitais, expliquei que pouco comento sobre a política portuguesa porque não tenho rede onde possa cair, se me quiserem desequilibrar. Contrariamente aos outros participantes, estive 42 anos fora do país e, por isso, não tenho as ligações aos vários poderes que eles têm. Se me meter com quem manda ou é influente faço-o como um lobo solitário. E é perigoso ser-se um lobo sem alcateia. Sobretudo quando se tem uma visão diferente da proclamada pelos interesses instalados. Assim, as poucas vezes que escrevo sobre questões internas é feita com prudência. Ou seja, trata-se de debater questões e princípios, mas sem referências às pessoas importantes que por aí andam. Elas não aceitam facilmente a contradição e sabem mexer os cordelinhos da vingança.

Os discos partidos dos líderes políticos

Este é um tempo de pouca tolerância em relação às elites. As pessoas não querem ouvir os do costume. Acham que eles se repetem e que não estão conectados à vida quotidiana dos cidadãos. Falam de coisas abstractas e de acordo com a capelinha a que pertencem. Pensei nisso quando, esta tarde, ouvi na rádio um líder de um partido político que repetia exactamente o que o seu partido anda a dizer há décadas. Nada daquilo tem sentido, mas é dito com os olhos fechados e a mão no manifesto que mais não é do que uma cartilha. E o pobre do jornalista que tem que fazer menção da coisa vê-se à nora para encontrar uma frase, no meio da lengalenga do líder, que possa passar na rádio. Acaba por chutar uma que fale dos outros partidos, para tentar alargar o interesse de algo que não tem interesse algum.

Breves apontamentos sobre a sondagem de hoje

Na sondagem política que o Diário de Notícias publica hoje destaco três aspectos.

Primeiro, que Rui Rio, o dirigente do PSD, não consegue sair da cepa torta, nem mesmo quando António Costa perde pontos de popularidade. Falta a Rio a chama que um líder político precisa de ter. Isto quer dizer que não consegue projectar uma imagem clara do que significaria votar por ele.

Não terá, lá nas fileiras do seu partido, quem o posso aconselhar em termos de percepção pública? Ou é o homem que não ouve ninguém?

Segundo, o CDS/PP aparece como uma força irrelevante. Com 0,8% das intenções de voto, não acrescenta nada à direita e ao movimento conservador. Fazer acordos políticos com essa insignificância é puro teatro sem consequências, é parvoíce política.

Terceiro, o partido Chega parece ter chegado ao limite das suas forças. Os dados mostram que não tem sabido aproveitar a dinâmica criada pela disputa eleitoral presidência. Consegue, apenas, mobilizar os eleitores mais radicalizados dentro do espectro ultraconservador e numa lógica de saco de gatos enfurecidos, que se arranham uns aos outros.

Eficiência, ética e equilíbrio

Sou dos que desejam que o governo seja eficiente, ético e equilibrado. Foi isso que respondi quando há pouco me perguntaram de que lado estou. Não aceito sectarismos partidários, mesmo reconhecendo que cada um se possa identificar com este ou aquele partido. Essa identificação não pode significar que se perde a objectividade. Sobretudo quando se teve a oportunidade de ver outros mundos, de estudar outras experiências, de adquirir um nível cultural acima da média.

O amigo a quem dizia isto não gostou da conversa. Compreendo a razão: fez uma brilhante carreira no seu ministério porque sempre se alinhou com um partido que esteve frequentemente no governo. É verdade que é uma pessoa com méritos próprios. Mas há muitos que, apesar do mérito que tinham e têm, não passaram da cepa torta. Estavam fora do jogo da política ou, então, identificados com o partido errado.

Não quis ouvir essa conversa e passou ao capítulo seguinte. Foi pena. Uma das características de quem tem mérito deve ser, no meu entender, a de reconhecer a realidade como ela é e não como nós gostaríamos de nos convencer e aos outros.

Olhar para fevereiro com espírito combativo

Janeiro está a acabar. Foi um mês de grandes dificuldades, quer internas quer na cena internacional. Um período que nos rodeou de experiências que considerávamos passadas, de outros tempos. Más experiências. Mas também nos trouxe alguns desenvolvimentos positivos. Penso, de imediato, nos progressos conseguidos na área das vacinas – aqui a grande questão que temos pela frente é a logística, que tem de ver com a produção, distribuição e aplicação da vacina. Na tomada de posse de Joe Biden. Na lição democrática que foi a eleição presidencial no nosso país. Na luta pela democracia na Rússia.

Lembro isto porque creio que é fundamental não perder a esperança de vista.

O mês de fevereiro vai certamente ser um tempo de imensas incertezas. Mas há que olhar em frente com prudência e optimismo. E não entrar em discussões estéreis. Nem deixar que os especialistas das teorias da conspiração definam a agenda.

É também o momento de pensar em grandes mobilizações nacionais. Não podemos enfrentar os problemas se continuarmos fragmentados e com cada um a atacar o grupo da porta ao lado. O sentido de comunidade é hoje mais necessário do que nunca. Cabe aos líderes trabalhar nessa direcção, procurar focalizar os esforços colectivos no que é verdadeiramente importante.

Alguns miúdos ainda andam por aí a falar do que nos divide, dos bons e dos maus que vivem entre nós, do nosso campo contra o deles, e assim sucessivamente. Perante isso, dizia esta manhã que quem pensa na política à moda dos arruaceiros acaba por ter os votos dos primários e dos radicais de toda a raiva. Acaba, também, por muitas intenções boas que tenha, por acrescentar mais confusão à confusão existente. Ora, isso não é aceitável. Este não é período para novas e continuadas confusões. É, sim, um período de construção de uma frente comum, que nos permita avançar à medida que os dias e as semanas passem.

 

O pessimismo é que está a dar

Deve ser por causa do confinamento. A verdade é que andam por aí a dizer que estamos num impasse político, depois da eleição presidencial de domingo, com um governo a meio gás e sem ideias, e uma alternativa democrática invisível. Falam mesmo num novo ciclo político que terá começado e que, na opinião desses analistas, não leva a destino algum, para além da fatalidade de nos pôr na cauda da Europa.

Creio que é pessimismo a mais.

O Presidente saiu reforçado e com mais condições para exercer um papel estabilizador. Isso é positivo.

E o voto no Presidente mostra que uma maioria dos cidadãos quer uma governação equilibrada, que corte a direito a linha imaginária que dizem dividir a direita da esquerda. Creio que há que explorar essa mensagem vinda do povo. Mas, para que tal aconteça, há que ter coragem para o fazer. E é aí que me parece haver um défice.

De qualquer modo, a prioridade das prioridades é, neste momento, a luta contra a pandemia. Não podemos continuar com níveis tão elevados de impacto. A verdadeira prova dos nove está na capacidade de dar a volta a esta ameaça sem mais demoras.

 

A minha nota adicional sobre a eleição de ontem

Muito se tem dito e escrito sobre a eleição presidencial de ontem, incluindo sobre a minha região natal, o Alentejo. Compreendo. Os resultados contêm mensagens políticas importantes, que não podem ser ignoradas. Certos partidos vão ter de ajustar a maneira como fazem política. A sociedade portuguesa está a mudar. O discurso político tem de se adaptar a essa mudança, ao facto de que as pessoas têm mais informação e opiniões mais vincadas. A maturidade e a coragem são dois elementos que definem o eleitor português dos nossos dias.

Mas, para mim, a mensagem mais importante é sobre liderança. A maneira de liderar uma corrente de opinião, o comportamento em público, a clareza do que se comunica e a imagem de mãos limpas são agora questões de muito peso. No caso de agora, ganhou quem conseguiu projectar uma imagem de sensatez, de abrangência e de competência.

Ainda sobre a liderança, quem transmite uma imagem de exaltação não vai além de uma certa percentagem. A maioria dos portugueses não compra esse tipo de comportamento. Como também já não compra agendas políticas que se baseiam apenas num par de questões, por muito nobres que possam parecer. Os cidadãos têm agora uma visão mais ampla da vida e do destino que querem para o país. Sabem que os excitados e os curtinhos de ideias não servem para o futuro que queremos ter.

Os dias cinzentos

Em Portugal, os números diários de óbitos por causa da Covid-19 são muito altos, muito preocupantes. Se tivermos em consideração o número total de habitantes, estamos com valores absolutos mais elevados do que na Alemanha, por exemplo. Ora, a Alemanha acaba de tomar todo um conjunto de medidas de contenção, por um período de várias semanas. O período inclui o Natal e o Ano Novo. As reuniões de família e as festas estão proibidas. Entretanto, o país já preparou toda a infra-estrutura necessária para a gigantesca campanha de vacinação que tem pela frente.

Por aqui, parece haver uma certa despreocupação.

Os próprios candidatos às presidenciais andam longe do assunto. Discutem e discorrem sobre insignificâncias e deixam passar os temas da pandemia e da vacinação entre as malhas das suas redes miúdas. Ainda não soube de um candidato que valesse o tempo que lhe foi dado pelas televisões. Voar baixinho é a norma. Ninguém se lembra que as águias voam a uma certa altitude e só mergulham no assunto, num voo picado, quando a presa vale a pena.

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