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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Os políticos que temos

Hoje voltei a sublinhar que um país como o nosso, relativamente pobre e ricamente burocrático, precisa de uma governação estável e suficientemente representativa da maioria dos portugueses.

A solução mais adequada para a reforma e a modernização que são precisas deveria passar por um entendimento político entre o PS e PSD. Juntos representam à volta de 70% do eleitorado. O problema é que não se vê como conseguir tal entendimento. Isso não significaria necessariamente que deveriam governar em coligação. Mas significaria que deveriam estar de acordo no que respeita às grandes questões respeitantes à reforma do Estado, ao funcionamento da justiça, à desburocratização, à repartição das competências entre o poder central e o local, à facilitação das actividades económicas, à fiscalidade, bem como nas áreas sociais determinantes para a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

É verdade que a Constituição exige apenas uma maioria parlamentar, metade mais um. Mas isso não é suficiente, face às medidas estruturais que são necessárias e que o nosso subdesenvolvimento relativo exige.

O problema é simples: os líderes políticos não querem ouvir falar de um acordo de regime. Um acordo baseado em equilíbrios e em medidas concretas, um pouco como o que foi negociado recentemente na Alemanha. Ou nos Países-Baixos. Falta-nos quem tenha a coragem política que uma tal proposição exigiria. Também carecemos de pragmatismo. A ideologia, tantas vezes oca, prima, num país que precisa de medidas concretas para avançar. É mais fácil dizer-se que se é da esquerda ou da direita do que pôr em cima da mesa propostas concretas e procurar, em seguida, construir as plataformas de acção necessárias.

Temos, assim, acima de luta, um problema de liderança. Não há quem tenha a coragem de sair da armadilha ideológica. Os dirigentes dos partidos, nos debates, falam de esquerda e de direita como se essas caracterizações vagas fossem a solução para os nossos problemas. São, na realidade, meras bandeiras que, desfraldadas, escondem a pobreza intelectual dos políticos que temos.

 

Os encontros políticos

Os chamados debates políticos não debatem nada. Cada um faz a sua propaganda e procura lançar umas farpas à pessoa que está sentada à sua frente. Também há pouco esclarecimento. Na verdade, para a maioria dos intervenientes é um mau exercício de caça ao voto, feito sem estratégia nem respeito pela inteligência dos eleitores. Sem ter em conta os potenciais movimentos do eleitorado, as flutuações, que numa situação de crise como a actual, são de esperar. Falta a profundidade, a imagem de seriedade e a atitude de abertura em relação aos outros, que a política deve ser feita de alianças e de consensos alargados.

Eu li a opinião do Presidente

O Presidente da República escreveu hoje um texto de opinião a que chamou “um ano de transição”. 

Uma leitura atenta do texto deixa-nos a questão que o título levanta: estamos em transição para onde? Que quer dizer um ano de transição?  A resposta não é clara. 

Eu diria que foi sobretudo um ano de expectativas goradas. Em Portugal, na Europa e no mundo. 

Em Portugal, porque se esperava ser possível lançar o plano de resiliência e de recuperação, e isso não aconteceu. Também, porque se queria estabilidade política, num período de grandes desafios económicos e sociais, e isso não aconteceu. Antes pelo contrário. Foi um ano de instabilidade governativa, em virtude das tensões que surgiram entre o partido no governo e os partidos seus apoiantes na Assembleia da República. E de instabilidade no seio de certos partidos.

Na Europa, ficaram por resolver as questões do estado direito em alguns países membros, bem como os problemas da imigração e da insegurança energética. A Europa continua a falar de soberania, sem que se perceba bem o que significa soberania na época digital e num espaço geopolítico fragmentado entre 27 nações. 

 Ao nível internacional, as rivalidades entre as grandes potências entraram uma fase mais complexa de confrontação. E no que respeita à pandemia, a autoridade da OMS não saiu reforçada nem a questão da desigualdade vacinal foi resolvida. Não houve transição. Houve, isso sim, egoísmo nacional a mais. 

Na realidade, o texto presidencial é apenas uma fotografia vaga, um exercício de palavras que não ousa aprofundar as questões que levanta. 

O único ponto que considero particularmente relevante diz respeito à transição para a pobreza durante o ano de 2021 de várias secções da nossa população. O presidente fala dos mais vulneráveis, mas não inclui na lista as famílias mono-parentais nem os jovens diplomados pelas universidades e que não conseguem sair de casa dos pais porque o seu diploma de mestrado é remunerado ao nível do salário mínimo. Ou seja, temos toda uma geração de jovens universitários, qualificados, mas incapazes de ganhar a independência económica que a vida adulta requer.

Finalmente, acho importante que o presidente faça uma referência especial à questão da saúde mental. Essa é certamente uma área que não tem recebido atenção e os recursos financeiros que seriam necessários. Mas também é preciso falar do Serviço Nacional de Saúde, das imensas dificuldades que enfrenta, do negócio que é a saúde privada, e que não deveria ser, e do esforço extraordinário que muitos profissionais de saúde, a laborar no SNS, têm demonstrado ao longo deste e do ano passado.

A caminho das eleições

Ainda é cedo para comentar a actuação dos dirigentes partidários no seu caminhar para 30 de Janeiro. Neste momento, estamos na fase do fecho das listas de candidatos. Cada dirigente gere a coisa como muito bem entende. É tudo uma questão de equilíbrios internos, em cada partido. Tem muito pouco a ver com a visibilidade ou a qualidade dos candidatos, embora em vários casos as listas estejam cheias de gente que tem algum peso local ou nas autarquias.

A verdade é que as campanhas são feitas pelos chefes e poucos outros. Será o que esses vierem a dizer que contará e trará votos.

Estas eleições são importantes. Todas as eleições são importantes, na realidade. Mas estas acontecem num período que se segue à grande crise pandémica. Vão ter os dinheiros europeus – muitos milhares de milhões – para gastar. Por isso, são particularmente importantes.

Deveriam ser uma oportunidade para mostrar que se pode modernizar o país, desburocratizar a administração pública e tornar a vida dos cidadãos mais segura e mais fácil. Esses são os grandes desafios. As intervenções políticas deveriam concentrar-se nessas coisas.

 

A democracia pede mais substância

A Cimeira da Democracia, convocada pelo Presidente Joe Biden, teve hoje o seu primeiro dia. É cedo para tirar conclusões. Mas vendo o exemplo português – uma intervenção gravada, por isso sem corresponder a qualquer debate – posso desde já concluir que muitas das participações não serão mais do que meras declarações genéricas, a conversa do costume sobre as vantagens da democracia. Ainda no caso português, não há uma análise séria sobre o que poderá significar reforçar a democracia, sobre a crise da representatividade que mina a credibilidade dos partidos, nem sobre o que se deve entender por “reforma da democracia”. A comunicação é um mero exercício formal, desempenhado pelo Presidente da República. Vindo donde vinha, poderia ter tido mais substância.

Conversa política

Liderar implica estar atento às preocupações das pessoas. E saber dar voz e sentido a essas preocupações. Ou seja, é preciso manter uma ligação permanente com os cidadãos. O erro de muitos políticos é confundirem elitismo com liderança. As elites tendem a relacionar-se apenas entre elas e a ignorar o resto das pessoas, as gentes comuns. E assim acabam por falar uma linguagem que nada diz à generalidade das pessoas, uma linguagem que não é entendível e que é vista como uma maçada, um aborrecimento, um falar à “político”.

Ainda recentemente um amigo meu escrevia um texto sobre a reforma do Estado, que faria se estivesse no poder. Foi uma escrita enfadonha, cheia de lugares-comuns e de frases feitas, que são frequentemente repetidas, mas que nada dizem de concreto às pessoas. É como a conversa sobre a redução dos impostos, uma bandeira frequente de vários políticos. Juram a pés juntos que os irão baixar, mas não explicam que relação haverá entre essa descida e a modernização e racionalização de certas funções do Estado. Ora, sem uma reorganização de certos serviços – é preciso dizer quais – não é possível poupar nas despesas públicas. E sem isso, não há imposto que diminua. Também deveriam dizer que a alta taxa de imposição tem muito que ver com o mau funcionamento da administração pública. Há muito dinheiro que é gasto em burocracias inúteis e em serviços que poderiam ser agrupados ou reorganizados. Assim se faz noutros países, incluindo em países de desenvolvimento intermédio. Há que enumerar esses serviços, proceder a uma avaliação em profundidade e reestruturar.

Assim se ganharia apoio popular. E se faria política de uma maneira mais séria e mais eficiente

Os dias políticos

O ministro da Defesa anda nos títulos dos jornais, pelas más razões. E o ministro dos Negócios Estrangeiros adoptou uma linha política original, perante todos os problemas que o governo tem conhecido nos últimos tempos. Diz sempre que não se passa nada, que não há motivos para alarme. Parece ter aprendido com o Presidente da República. Quanto ao Primeiro-Ministro, dir-se-ia que já anda em campanha. Está ocupadíssimo a preparar uma série de benesses, que serão aprovadas de modo a entrarem em vigor antes das eleições de fins de Janeiro.

Mais à esquerda, é o salve-se quem puder. O grande medo chama-se voto útil no Partido Socialista. A verdade é que existe o risco de se vir a assistir a uma significativa transferência de votos. Mas nada está jogado. É preciso fazer uma campanha eleitoral inteligente, que permita a esses partidos guardar o que já têm e que não é muito.

À direita, a luta pela clarificação e pela conquista de terreno vai continuar. Existe alguma possibilidade de recuperação eleitoral. Mas, para que isso aconteça, vai ser preciso muita campanha, muito contacto com as populações e a projecção de uma imagem que inspire confiança, o que não é fácil. O PSD tem um grave problema interno, que precisa de resolver. E quem sair vencedor terá que percorrer muitos quilómetros, para ser visto e ouvido. E aproveitar ao máximo a alavanca que é a cobertura televisiva.

Vai ser uma campanha eleitoral animada. Ou, pelo menos, tem a possibilidade de o ser, se houver habilidade e uma estratégia coerente, por parte de cada um dos partidos. É aí que a porca torce o rabo.

 

A política vista pela cabeleireira

A senhora que me corta o cabelo respondeu-me que a semana fora fraca, em termos de clientes. A sua freguesia é feita de mulheres que vêm arranjar o cabelo, as unhas e outros serviços de beleza. Eu sou dos raros clientes masculinos. O salão é um sucesso comercial: está sempre atarefado, são marcações atrás de marcações. Excepto esta semana, que esteve cheia de buracos, de tempos mortos. Disse-me que a razão tinha que ver com o chumbo do orçamento e as incertezas daí decorrentes. As clientes andam preocupadas, têm medo das consequências económicas da crise política, acham que os pequenos benefícios que o orçamento anunciava não se materializarão. Cortam, então, nas despesas. Não cortar o cabelo é uma maneira de cortar nas despesas.

Fiquei a pensar nesta conversa. Isto da política tem reacções inesperadas, por parte dos eleitores. E aqui, a ideia que a cabeleireira queria transmitir foi clara: o chumbo na Assembleia da República não terá sido apreciado por muitas das suas clientes.

A caminho das eleições

A mais de dois meses e meio das lições legislativas é muito difícil fazer prognósticos. Estamos num período de grandes incertezas e mudanças. Os acontecimentos que poderão ocorrer neste período pré-eleitoral e as campanhas que vierem a ser feitas pesarão mais do que o que tem sido habitual.

Também será importante escolher bem os candidatos que desempenharão um papel de bandeira. É aí que os partidos estabelecidos há mais tempo poderão ter alguma vantagem. Os novos partidos não têm gente conhecida e com credibilidade suficiente. E não vão conseguir apresentar listas de candidatos convincentes.

Um exemplo concreto é o do partido Chega. Além do chefe, não têm mais ninguém que se veja. A própria direcção central está cheia de pessoas de passado duvidoso. E o resto é gente sem experiência. Isto, independentemente das ideias que defendem, que são poucas, pobres e primárias.

Vai ser interessante analisar todo o processo.

Vamos a eleições

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a data das eleições, depois de ter explicado o raciocínio político que seguiu para chegar à conclusão que se justificava dissolver a Assembleia da República. Fechou, assim, dois capítulos: o referente à queda do governo e a discussão sobre a data das eleições.

Agora, cabe aos partidos prepararem-se para convencer os eleitores, aqueles que ainda podem ser convencidos. Sim, porque uma parte do eleitorado vota sistematicamente pelo seu partido, como se tratasse de uma relação de fidelidade absoluta. Mas há os outros, que votam consoante as circunstâncias e as personalidades em cena. É essa parte do eleitorado que precisa de ser ganha. Cada partido deve fazer uma análise aprofundada do eleitorado que poderá captar, para além dos fiéis. E dirigir toda a sua campanha nesse sentido. Deve, igualmente, entender claramente quais são as razões ou temas que poderão levar à perda de votos. E falar deles, responder à desconfiança ou às críticas, esclarecer.

Claro que cada partido deve ter um programa de governação. Mas o mais importante é saber dirigir-se aos potenciais eleitores, aos cidadãos que poderão potencialmente acrescentar o seu voto aos votos dos fiéis.

Este blog não promove nenhum partido. Mas não fica indiferente perante uma campanha eleitoral.

 

 

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