Portugal é grande quando abre horizontes

10
Mai 19

É um excelente político, perito na arte de bem confundir sempre que mete o pé na argola.

publicado por victorangelo às 20:42

Fala-se muito na crise da democracia. Inventa-se toda uma série de explicações. Escreve-se peças académicas sobre o assunto. E, sobretudo, esquece-se que a raiz dessa crise está na maneira como os partidos políticos funcionam. Em muitos deles, tudo é decidido de cima para baixo. Manda o chefe e os outros não têm outro papel que o de obedecer. Não há democracia interna, não há debate para além do dizer que sim ao chefe e aos seus.

A crise da democracia resulta de partidos que deixaram de a praticar nas suas fileiras, que perderam a representatividade política que deveriam ter e que não permitem às novas elites e às ideias frescas que vinguem.

publicado por victorangelo às 14:56

04
Abr 19

O nosso quotidiano político está cada vez mais ao nível dos programas de divertimento das televisões generalistas que procuram adormecer o povo. É só conversa, entretenimento pela rama das coisas e a mesma tendência para ver os portugueses como gente tapadinha do toutiço. Não existem grandes sonhos mobilizadores do querer colectivo, não há estratégia, não se sabe quais são as ambições para o país.

publicado por victorangelo às 21:18

14
Mar 19

Na política, um certa dose de cosmética é sempre recomendável. A apresentação conta. Uma ideia frouxa mas bem enroupada, e com uma maquilhagem que ajude a disfarçar os pontos fracos, passa mais facilmente. Assim, o que foi chumbado uma vez, duas vezes, mesmo, pode vir a ser aprovado numa nova volta, se a embalagem mudar e a linguagem que a promova se tornar mais adequada.

publicado por victorangelo às 20:06

09
Mar 19

Por hábito e, tantas vezes, para salvar a pele, o político acaba sempre por criar uma grande confusão. Assim, na mesma lógica, quando se trata de um partido político, a confusão pode ainda ser bem maior. E confusão é confusão, não se trata da nobre prática da ambiguidade.

publicado por victorangelo às 10:08

03
Mar 19

Na sua qualidade de dirigente do partido, o senhor – ou, a senhora – pode explicar-me, em três simples linhas, qual é a agenda política que propõe aos cidadãos?

E já agora, numa só frase curta e directa, diga-me por favor qual é a principal diferença entre essa sua agenda e as que parecem definir os partidos políticos vizinhos?

publicado por victorangelo às 09:31

01
Mar 19

Esta de apelidar o Bloco de Esquerda de “social-democrata” não lembraria a todos. Lembrou, no entanto, à editorialista do Público de hoje. Diz, em resumo, que “…o que Bloco quer fazer são reformas à boa maneira social-democrata…”

Deve ser por esse motivo que o mesmo Bloco quer a estatização de uma série actividades económicas, e outras coisas radicais, aqui em Portugal. E que na frente externa, se alinha com os extremistas da ultra-esquerda europeia, como o partido de Jean-Luc Mélanchon, em França, ou o Unidos Podemos de Pablo Iglesias, ou ainda Die Linke, na Alemanha, o partido que renasceu das cinzas do comunismo da antiga RDA.

Isto só dá para que a agenda social-democrata pareça ainda mais confusa.

Ou será que a intenção da editorialista é outra?

publicado por victorangelo às 15:53

27
Fev 19

Andávamos como que hipnotizados nesse tempo, no ano da graça, dos abraços do senhor e das anedotas políticas de 2019.

A nossa paróquia tinha à cabeça o Mestre D. António, Prior de São Bento e do Mato. Ficou conhecido na história da terra como, o Sonso. Além de finório, D. António revelara-se como um líder cauteloso, capaz de se firmar quer na perna esquerda quer na direita, embora vagaroso e curto de vistas. Canhoto, não era. O horizonte, visto da capela-mor do Mestre, não o fazia sonhar com amanhãs que cantam. Sol, sim, na eira, mas também chuva no nabal. O ideal era manter o barco a flutuar, que é como quem diz, não perder a cabeça da paróquia.

Com o passar dos anos, o Sonso foi-se rodeando de um grupo de fidalgos, com o fim aparente de o ajudar na governação. Mas, era sobretudo uma questão equilíbrios entre famílias. E a escolha caía sempre nos mesmos. Ou era gente que ele conhecera, quando anteriormente à sua elevação a Mestre, havia servido como feitor dos serviços de higiene e limpeza do principal bairro da paróquia. Ou, então e sobretudo, gente das principais famílias, tudo bem aparentado entre si, um pequeno círculo de notáveis, em que o poder se transmitia de pais para filhos e entre cônjuges. Era uma espécie de corte à moda antiga. A corte do D. António.

Os paroquianos olhavam para essas movimentações com o sarcasmo suave de quem tem se preocupar, acima de tudo, com o tratar da vida. E também com o abandono de quem pensa que os Mestres são todos iguais. Todavia, nas entranhas do cidadão comum alojava-se a suspeita que a paróquia era um carrossel a duas velocidades, em que uns montavam nos cavalinhos e outros giravam agarrados às varas do destino.

Isso poderia dar cabo do ambiente, aquando das grandes missas habituais. Mas os idiotas da aldeia não sabiam como tirar partido do carrossel de altos e baixos.

Os jornalistas e outros croniqueiros das palavras e dos factos escreviam regularmente sobre isso, sobre as relações entre o parentesco e os cargos na sacristia. De longe, de muito fora da paróquia, esses desabafos intelectuais soavam a estranhos e de uma outra época, do século XIX, talvez. Pareciam meter dó, que pena que nessa terra, os grandes cérebros da escrita pública e da imagem televisiva passem dias e dias a tratar de coisas tão bizarras. Que intelectualidade tão banal! De perto, no seio da paróquia, essas jeremiadas da comunicação social eram vistas pelo povo com um sorriso de cinismo, crónico e manso, – uma das características definidoras da personalidade colectiva do lugarejo – e esquecidas no dia seguinte.

E o Mestre de São Bento e do Mato assim foi reinando. A história, que acaba sempre por reconhecer o valor de cada um dos seus protagonistas, não se esqueceu de lhe confirmar o cognome. O Sonso.

publicado por victorangelo às 14:59

26
Fev 19

O simbólico deve estar no centro da mensagem política. E a mensagem ganha força quando consegue combinar o simbolismo com a simplicidade das palavras que a verbalizam. O líder é o grande sacerdote da imagem, do verbo e da esperança.

publicado por victorangelo às 15:17

25
Fev 19

Quando um novo partido político aparece, não nasce num estábulo vazio, como o Menino Jesus, nem no meio do deserto, mesmo quando certas iniciativas parecem ser apenas uma miragem. Vai inserir-se numa paisagem partidária já existente. Assim, uma das questões que de imediato surge é a de saber onde se vai situar, nesse quadro paisagístico. Ao centro, mais para o lado e de que lado?

A resposta tem que ser clara, tal como a pergunta o é. E deve ser repetida sucessivamente, para que fique na memória das pessoas.

Outra questão essencial: saber se há espaço político para a nova formação. À partida, dir-se-ia que não há, excepto junto dos que tradicionalmente se abstêm e de outros que a vida transformou em indiferentes da política. Mas a verdade é que essa gente é muito difícil de conquistar. As razões que levam à abstenção são diversas, difíceis de segregar e de medir. Um programa político, que tenha como objectivo captar uma parte dessa indiferença, precisa de definir claramente qual é a fatia que pretende mobilizar e, em seguida, fazer a campanha mais adequada. Aqui, a estratégia ter que ser muito fina.

Para além do campo dos abstencionistas, existe muito pouco espaço político onde ir à pesca. Não existem terrenos partidários vagos. O espaço tem que ser conquistado à força da persuasão, do argumento e da simbologia. Vai-se buscar votos e apoios aos que têm votado noutros partidos. Concorrência. Luta. Não é necessário dizê-lo na praça pública. Mas os dirigentes no novo partido devem ter uma estratégia, que vá nesse sentido e produza resultados. Uma estratégia que se traduza em três ou quatro propostas, que possam ser bandeiras políticas atraentes e indiscutivelmente credíveis. E que, quando mencionadas, façam de imediato pensar no novo partido. Serão, depois, constantemente repetidas pelas principais vozes públicas da agremiação.

Um terceira dimensão a ter em conta – a acrescentar à relativa ao posicionamento político e à relacionada com a mobilização dos eleitores – diz respeito à direcção do partido. Hoje, não basta ser-se uma personalidade conhecida da comunicação social ou da opinião pública para se conseguir criar um partido. Os cidadãos têm outro tipo de exigência. Querem perceber que existe uma equipa sólida à frente da coisa. E essa equipa terá que intervir na esfera pública frequentemente, sobretudo nos acontecimentos com projecção televisiva. Trata-se de mostrar que a nova organização tem um número de pessoas capazes no seu núcleo central. E que essas pessoas, homens e mulheres, pensam, pesam e sabem comunicar.

Lançar um movimento político novo não é apenas uma questão de fé, de entusiasmo e de protagonismo de uma pessoa conhecida. É um projecto de fundo, uma maratona, que pede muito sacrifício pessoal, uma grande dose de dedicação, muita estratégia e uma credibilidade que deixe pouco terreno para dúvidas.

publicado por victorangelo às 16:04

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