Portugal é grande quando abre horizontes

07
Abr 19

Ontem deixei aqui um breve texto sobre as grandes questões que afectam a existência da NATO, nesta altura de celebração dos seus 70 anos de existência. Fi-lo, em parte, porque havia lido o que se escrevera nos dias recentes sobre esse aniversário.

O lido podia ser agrupado em dois campos.

O dos apologistas da NATO, por dever ou por outras razões, que não discernam qualquer tipo de problema importante que possa pôr em causa a Organização. É o clube dos rosados, tudo são rosas.

E havia, por outro lado, o campo dos “históricos”, que há falta de melhor, leram uns textos sobre o passado da NATO e resolveram escrever sobre esses factos, sem compreender os desafios presentes e as grandes interrogações de agora e de amanhã. É o clube dos sebentas, que lê tudo nos livros e nos jornais dos outros.

A minha escrita baseia-se na experiência que tive ao longo da década corrente, depois de vir de um outro tipo de estrutura organizacional. E pretende apenas sistematizar os desafios e chamar a atenção para a necessidade de um visão europeia sobre as nossas responsabilidades em matéria de defesa e também de segurança. É um convite à reflexão, tendo em conta as diferentes dimensões do assunto.

publicado por victorangelo às 15:57

16
Nov 13

Se eu voltasse a ter vinte cinco anos hoje, que destino daria ao meu futuro?

 

Trata-se, claro, no meu caso, de uma pergunta absolutamente teórica. Os anos da juventude já passaram há muito tempo.

 

Mas, para quem é hoje jovem, a pergunta tem todo o cabimento. E mais ainda, para quem tem ambição, força de vontade e capacidade para fazer coisas.

 

A resposta dependerá de cada um, obviamente. Aqui não há respostas gerais, one size fits all, a mesma medida para todos. O meu conselho é, no entanto, muito simples: quando se é jovem, vale a pena pensar grande e sair da nossa zona de conforto. Ir mais além leva-nos longe.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:51

28
Mar 13

Na política, o ajuste de contas é coisa de gente menor e enfurecida.

 

O verdadeiro líder, o homem ou a mulher de Estado, passa ao lado das pequenas vinganças e preocupa-se apenas em propor um futuro que dê esperança. 

publicado por victorangelo às 22:10

22
Dez 12

Quando a escrita é independente e não procura benefícios próprios, o desafio passa a ser o de escrever coisas inteligentes e pertinentes. E ir para além da crítica, do jocoso e do ligeiro, como tão frequentemente é o caso nestes dias. O país precisa de quem nos ajude a pensar de modo positivo, de ideias e de narrativas que despertem o que de bom existe em nós. Precisamos de imaginar o futuro, para depois o podermos construir.

 

Infelizmente, assiste-se a uma produção de frases e de pensamentos que são destrutivos, negativos e que não vão além do comentário mordaz. Portugal vive, neste momento, uma crise de confiança em si próprio, a que se acrescenta uma crise institucional, um governo fraco, grandemente impopular, e uma opinião pública que deixou de acreditar nos dirigentes.

 

Falava deste assunto recentemente com alguém de um grande diário nacional. E da necessidade de mudar, de trazer para a frente toda uma nova série de colunistas e fazedores de opinião mais frescos, arejados, capazes de sair do incesto de ideias negras em que andamos enredados. Disse-me que não havia, nem mesmo no seu jornal, coragem para tocar nos interesses estabelecidos. Sabia perfeitamente que vários dos que regularmente lá escrevem já não têm nada de novo para acrescentar. Continuarão, no entanto, a ter o seu espaço reservado, porque mudar as coisas exige uma capacidade de assumir responsabilidades que nem lá nem noutros sítios existe.

 

E assim fica tudo na mesma.  

 

E quando surge algo que poderia ter algum potencial vai de imediato para a gaveta. 

publicado por victorangelo às 22:23

26
Fev 12

Ao fazer o meu exercício do costume no parque aqui ao lado, esbarrei - sem preocupações, falo em sentido figurado - novamente com uma das equipas de jardinagem. Sete homens grandes, vestidos a rigor, todos naquele uniforme laranja fluorescente que não os deixa passar despercebidos, dois carrinhos de mão, três ou quatro ferramentas, novas e limpas, a dar a volta pelos caminhos da verdura. Conversavam animadamente, o habitual, e por ali andavam. É assim o quotidiano no Parque Josaphat, em Bruxelas.

 

Não quero acrescentar que à volta do parque andam, e também um pouco por toda a parte, em grupos de três, uns agentes de segurança pública, homens e mulheres que caminham pelas ruas, com um uniforme especial, sem nenhum outro equipamento, para ver se está tudo em ordem. Nem lembraria que a estes se deve juntar os vigilantes de estacionamento, também eles a percorrer todas as ruas, numa caça sem defeso à multa (que vai de 17 a 25 euros, segundo as zonas, sendo possível ser multado várias vezes pelo mesmo estacionamento, uma multa por cada vez que os vigilantes por ali passarem). É que nas ruas, ou se paga, ou se tem o papel da licença de morador, ou um disco azul.

 

Todo este pessoal é pago pela tabela do salário mínimo. São, em geral, pessoas que estavam nas listas do desemprego. Estão, agora, ocupadas.

 

Mas quanto tempo pode uma economia, que tem que confrontar a globalização, aguentar este tipo de soluções?

 

Pensei nas câmaras municipais de Portugal. Dizem-me que em Évora, por exemplo, há tantos funcionários camarários por metro quadrado - 1 por cada 85 habitantes, crianças incluídas - que os chefes de serviços passam uma parte do tempo a tentar inventar trabalho para lhes dar. Évora será apenas um exemplo. O resto dos municípios portugueses vive a mesma experiência. 

 

Voltando a Évora, se aos funcionários camarários forem acrescentados os funcionários públicos da administração central e os da Universidade, que panorama se obtém?

 

Que economias são estas?

publicado por victorangelo às 08:42

14
Jan 12

Dizem-nos, no seguimento da baixa da nota de crédito francesa,  que não há razoes para pânico. De facto, o pânico é um mau conselheiro. Mas a verdade é que os governos, lá como cá, precisam de se empenhar muito mais na promoção da economia, na facilitação do empreendimento, na criação de condições para que apareça investimento que crie riqueza e emprego. 

 

Em França, a quebra da nota vai beneficiar a Frente Nacional de Marine Le Pen. Ou seja, muita gente confundida e desanimada com a crise vai votar FN. Se esta tendência se verificar, a questão já não será sobre as chances de reeleição de Sarkozy. Será mais imediata: com Marine Le Pen a subir, é possível que Sarkozy nem à segunda volta vá, pois ficará, nesse cenário, em terceira posição. 

 

Ora, o debate político, a escolha que os franceses deverão decidir deve ser entre Hollande e Sarkozy. Hollande e Le Pen levará Hollande ao poder, por ser o mal menor. A França precisa de um presidente com legitimidade reconhecida, Hollande ou Sarkozy, e não de um político eleito por ser o mal menor. 

 

Entretanto, em Portugal, a discussão política passa ao lado de tudo isto. Fixa-se numa catrogada de asneiras e numa maçonaria de oportunistas. E na defesa dos interesses instalados nos media. Quer uns quer os outros não têm nada que ver com as preocupações do cidadão comum. São umas anedotas para entreter, meros verbos de encher...o bolso. O deles, claro. 

publicado por victorangelo às 17:45

07
Nov 11

Fiz uma pausa no exercício de reflexão estratégica -- os desafios globais no horizonte 2030 -- para dar uma aula no ISCSP aos alunos do segundo ano de mestrado em Relações Internacionais. Foram duas horas de análise crítica sobre o papel da ONU em matéria de manutenção da paz. A assembleia mostrou interesse genuíno pelo tema, apesar de ser um assunto distante das suas preocupações quotidianas.

 

Como também se revelou muito interessada pelo sentido da minha reflexão prospectiva para os próximos 20 anos, ou seja, durante um período de grande instabilidade, de mutações profundas e de desafios complexos.

 

Aproveitei para lhes lembrar, já no fim, que o pensamento estratégico, em relação aos acontecimentos possíveis no futuro, é essencial. Coloca-nos na linha da frente. Dá muito trabalho, muito mais que a análise do imediato ou do dia de ontem, mas permite-nos um posicionamento mais vantajoso. Portugal, e os jovens, em particular, deveriam dar mais atenção a estas questões. Ganharíamos todos.

publicado por victorangelo às 21:51

15
Jul 11

O pensamento produzido pelas elites intelectuais de Portugal é, de um modo geral, muito conservador. As raízes estão enterradas no passado, nas famílias da pequena aristocracia rural. 

 

Nalguns casos, são apenas frases, violência gratuita, sem argumentos, meros desabafos mal educados. Noutros, pretensamente mais progressistas, imperam as ideias feitas, sem qualquer ligação à realidade possível. 

 

É, em geral, uma produção feita por preguiçosos, a que se juntam os que apenas reproduzem o eco do que ouviram noutros sítios. 

 

Existe, na verdade, um problema no que respeita à qualidade das nossas elites. Um país sem elites viradas para o futuro não pode progredir.

publicado por victorangelo às 23:30

02
Jun 11

 

 

 

 

Na Visão, que hoje saiu à rua, escrevo de novo sobre a União Europeia.

 

O objectivo é o de ultrapassar as ideias feitas e superficiais, que aparecem na nossa comunicação social. Procuro abrir uma reflexão mais séria sobre as contradições actuais do projecto europeu. Um projecto que sofre das diferenças existentes entre os níveis de desenvolvimento dos estados membros e da capacidade de cada um em responder aos desafios da globalização. Sem contar que as mutações sociais são sentidas de modo diferente em cada país - a emigração é uma dessas mutações - e provocam, por isso, reacções distintas e respostas díspares.

 

A verdade é, também, que a Comissão Europeia não tem sabido desempenhar o papel de coordenação que lhe cabe. Temos uma Comissão que se habituou a ter medo de certos líderes nacionais. Fraca perante os fortes, forte perante os fracos. Assim é a liderança de Bruxelas.

 

Espero que se entenda que apontar o dedo a Ângela Merkel ou aos finlandeses não é suficiente para entender a crise actual.

 

O texto está disponível on-line:

 

 

 

http://aeiou.visao.pt/contradicoes-comunitarias=f605777

publicado por victorangelo às 17:46

24
Nov 10

http://aeiou.visao.pt/as-armas-da-paz=f579540

 

Penso que é importante voltar ao assunto.

 

O meu texto desta semana, na Visão impressa e on-line, acima referenciado, sobre as forças armadas, tem suscitado um nível de interesse acima das expectativas.

 

A ideia era a de abrir o debate, com a certeza de que há razões de sobra para justificar o papel dos militares, numa sociedade democrática. Mas que os motivos de agora são diferentes dos de há anos atrás. Que, por isso, é preciso compreender o papel que representam no presente.

 

Muitas das questões que os leitores levantam mostram que não se pode descurar o esclarecimento da opinião pública, que não se deve considerar como pacífica a aceitação de uma instituição que é fundamental para o funcionamento de uma nação. É preciso esclarecer, abrir as portas ao debate, ter a coragem de dar uma opinião sobre a matéria.

 

As vitórias de hoje passam pelo apoio da opinião pública. Não nos podemos esquecer disso. Como também é fundamental ter em mente que liderar passa pela abertura ao diálogo, mas sem ignorar que quem lidera tem que definir o que lhe parece ser a agenda.

 

 

publicado por victorangelo às 21:21

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