Portugal é grande quando abre horizontes

23
Jul 19

Definir o objectivo a atingir deve ser o ponto de partida no caminho para o sucesso. Isto aplica-se às instituições e também a cada um de nós. O problema é que essa definição não é tão fácil de fazer como possa parecer. Falando das pessoas, muitos de nós não temos uma ideia clara do que pretendemos obter. Fazemos coisas, muitas coisas, muitas vezes, extremamente bem feitas, mas sem saber como as inserir num objectivo último, um objectivo que somos incapazes de explicitar com um mínimo de coerência. Ou seja, andamos ocupadíssimos, alguns pelo menos, mas não sabemos para onde queremos ir.

publicado por victorangelo às 17:48

17
Mar 19

Em todas as sociedades há quem empurre para baixo e quem puxe para cima.

O meu amigo Beto pertence ao primeiro grupo. Tem um prisma especial para ver o que se passa à sua volta. Um prisma que combina insucesso com inveja. É um apologista sistemático da igualdade pela mó de baixo, um crítico combativo, persistente e azedo, de quem vai além da cepa torta. Beto viveu a sua vida como quadro mais ou menos superior, sem mais, numa repartição do Estado. Sempre com razões de queixa. Sobretudo, dos políticos. Agora, recém reformado, encontra consolação na sua luta pela mediocridade generalizada.

Almocei ontem com ele.

E do outro lado da mesa estava a Isabel. Um caso completamente diferente. Isabel, mais jovem de quase vinte anos, trabalha numa empresa conhecida na nossa praça. Olha para o futuro pela lente das oportunidades. Para ela, o sucesso dos outros, quando honesto, é uma fonte de satisfação, de esperança e, mesmo, um motivo de inspiração. Isabel nunca baixa os braços, mantêm uma atitude positiva perante a vida. Acredita no futuro e luta por ele.

E ali estava eu, preso na teia estranha das amizades, a ouvir um e o outro, e a acreditar que com a sobremesa, ou já na altura do café, me seria dada a oportunidade de dizer que mais vale um bom café amargo que uma aguardente para esquecer.

 

publicado por victorangelo às 17:05

24
Jun 15

O diário francês “Les Echos”, um jornal que sabe fazer contas e que escreve sobre a economia e as empresas, perguntou a uma amostra de leitores “que significa ser rico”.

Em termos salariais, a resposta foi clara: ter um ordenado mensal líquido superior a cinco mil euros. Esse seria o limite mínimo. 28% dizem, no entanto, que é preciso ter um salário mensal líquido superior a 10 mil euros. Creio que estes estão mais perto da verdade, tendo em conta o custo de vida em França.

Já no que respeita ao património, os inquiridos pensam que é preciso ter pelo menos o equivalente a 500 mil euros, no conjunto dos bens imobiliários e mobiliários, livres de hipotecas e de empréstimos. Também aqui, temos 16% que afirmam que o mínimo de património necessário para que uma pessoa possa ser considerada rica deveria ser pelo menos um milhão de euros.

Onde quase todos estão de acordo é quando dizem que “parece mal” ser rico. 78% assim o considera. Mas, ao mesmo tempo, a grande maioria – cerca de três pessoas em cada quatro – acha que é “uma boa coisa” procurar ser-se rico.

Interessante.

E como seria a coisa, em Portugal?

publicado por victorangelo às 20:37

25
Dez 14

O Natal transformou-se, na nossa parte do mundo, numa data muito especial. É uma festa abrangente, que ultrapassa as linhas de separação religiosas ou filosóficas. Trata-se da celebração da família e da renovação da esperança. Apesar de algum aproveitamento político, o Natal tem conseguido manter a distância que deve existir entre as coisas da política e a consolidação dos laços familiares e de amizade. Dirão que não conseguiu, no entanto, evitar o uso comercial da data. Na realidade, esta é uma altura do ano em que o consumo dispara. Mas a vida é assim: ter coisas, dar e receber prendas, tudo isso está associado à alegria e aos dias festivos, faz parte da condição humana. Seria injusto ser demasiado severo em relação ao consumismo natalício. Lembro-me de quando era criança, das prendas modestas que recebia e da euforia ao ver os pequenos nadas no sapatinho de Natal. E fico convencido que vale a pena ser de novo como uma criança feliz, pelo menos um dia por ano.

publicado por victorangelo às 20:16

16
Abr 13

A minha neta celebrou hoje os seus três anos.

 

Na visita que me fez, ao fim da tarde, mostrou interesse, pela primeira vez, pela porta das escadas que levam ao sótão. Insistiu em abrir a porta. Quando viu a meia-luz das escadas, ficou paralisada. Ela, que estava pronta a explorar uma parte da casa até então desconhecida, acabou por descobrir o medo, um conceito novo. E disse-me que não iria sozinha, pois lá em cima estava o “lobo”. Como nos contos de fadas, que pouco a pouco vão fazendo parte do seu quotidiano.

 

Assim se criam os medos e as lendas que nos fazem hesitar pela vida fora.

 

Queria que eu fosse com ela, escadas acima. Disse-lhe que não, que quem quer conhecer novos mundos tem que saber vencer todos “os lobos da vida”. Todos. 

publicado por victorangelo às 21:19

08
Abr 13

Margaret Thatcher, que hoje faleceu, foi um caso de estudo para quem se interessa por questões de liderança política. Independentemente das suas posições ideológicas, Thatcher ensinou-nos como se ganha e como se perde o poder. Ganha-se com firmeza de princípios e de carácter,  e quando se escolhe com sagacidade as disputas em que convém entrar. Perde-se quando se não entende que a opinião pública mudou e se responde a essa mudança com atitudes casmurras. 

 

 

publicado por victorangelo às 16:27

11
Dez 10

Nos centros comerciais da Europa mais rica, em vésperas de Natal, os corredores estão cheios, gente a passear ou, talvez, apenas, quem pode adivinhar, sem saber o que comprar. O contraste com o movimento nas lojas é grande, há poucos clientes, estando algumas, verdadeiramente, às moscas.

 

Um clima frouxo, num Inverno frio. Receios, numa atmosfera cinzenta.

 

As pessoas cortam-se. Não sabem bem o que 2011 vai trazer.

 

Os únicos comércios que não se queixam são os dos comes e bebes, mas apenas os que oferecem preços em conta.

 

É um Natal de incertezas.

 

publicado por victorangelo às 19:03

26
Nov 08

Os tortulhos são um tipo de cogumelos da Beira Baixa, de alto valor comercial -- valem 7 euros por quilograma no "produtor". Na verdade, não se tratam de "produtores" mas sim de gente, que nesta altura do ano, vai para os pinhais apanhar estes cogumelos selvagens. Velhos e novos, todos tentam tirar partido deste manancial que por ali aparece, 'a espera de ser colhido. E' como que encontrar dinheiro no chão.

 

Há quem retire mais de 100 euros por dia.

 

São os comerciantes espanhóis quem compra os tortulhos, também conhecidos noutras aldeias das terras de Penamacor como chanchas. Servem para comer e para fins medicinais.

 

Felizmente que há espanhóis...

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:54

20
Nov 08

Acabo de ler um testemunho que descreve o percurso, verdadeiro, de uma loucura. Um homem de Belfast traumatizado, quando criança, pelas explosões, a violência entre as comunidades, as tentativas de assassinato contra o seu pai, vai em missão ao Ruanda, depois ao Iraque, e que acaba por se deixar ir abaixo, esfrangalhar-se.

 

Já numa outra missão, um outro homem, também de Belfast, meteu uns tiros nos camaradas que com ele estavam de guarda, num momento de fractura psicológica. Aconteceu numa das missões de paz das Nações Unidas, no Médio Oriente.

 

Num ambiente de grande tensão, conhecer cada personalidade, cada percurso, a história de cada um dos intervenientes, é fundamental. Permite antecipar, prever e evitar.

 

Na política, onde as tensões são o pão quotidiano, passa-se o mesmo. Há muitas loucuras. Temos, por isso, que dar mais atenção às psicologias de cada dirigente. Caso contrário, corremos riscos de grande vulto.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:24

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