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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma no cravo, outra no descrédito

O Príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, cheira a petróleo por todos os lados. Esse perfume é bem mais intenso que o cheiro a sangue, que tem nas mãos, por ter mandado assassinar o jornalista Jamal Khashoggi. E torna-o um convidado de luxo do Presidente Macron, com quem esteve hoje, em visita oficial à França. Na véspera, o Príncipe tinha estado na Grécia, um país onde a Arábia Saudita tem a intenção de investir à grande.

Em ambos os casos, os líderes europeus perderam credibilidade. E não terão ganho nada que não pudesse ter sido obtido, mantendo Mohamed bin Salman à distância.

 

Os elementos de grandes crises andam por aí

Temos actualmente muitos dos ingredientes que combinados podem levar a crises profundas, quer ao nível nacional quer internacional. Ainda não saímos da pandemia da Covid-19. Os desafios em termos de saúde pública são enormes. Temos a guerra na Ucrânia, devido à agressão russa. Vários países estão a enfrentar uma situação de insegurança alimentar. Outros, vêem os preços dos alimentos e de outros produtos essenciais aumentar desenfreadamente. As cadeias de abastecimento e de circulação dos componentes industriais têm rupturas frequentes. Muitos países, incluindo a quase totalidade dos países desenvolvidos, estão endividados de modo insustentável, o que põe em causa o futuro das próximas gerações. Os preços dos produtos energéticos estão a torná-los inabordáveis para toda uma série de países.

Um grande impacto sobre a economia da Rússia

O Conselho Europeu aprovou o sexto pacote de sanções contra a Rússia. Apesar de não ser um pacote tão forte como o esperado, por razões que têm de ver com a situação na Hungria, foi uma decisão importante. Mas a notícia deveras significativa de hoje é outra. A UE e o Reino Unido decidiram proibir os navios que transportem petróleo russo de segurar a carga e o navio nas praças de seguros de Londres ou europeias. Ora a praça de Londres é de longe a mais importante em matéria de seguros marítimos. Ao ficar inacessível desfere um golpe muito profundo na capacidade russa de exportar petróleo e os seus derivados por via marítima. Esta é uma das sanções que mais atinge as receitas externas da Rússia.

 

Falemos de petróleo

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reúnem-se amanhã, no Luxemburgo, para discutir um novo pacote de sanções contra a Rússia. O embargo das importações de carvão é um tiro para o ar, sem qualquer peso real, para além do mero simbolismo vazio que poderá representar. A UE importa cerca 5,2 mil milhões de euros por ano de carvão russo. É valor relativamente insignificante. O que na verdade conta são as importações de petróleo e de produtos derivados do petróleo. Foram 74 mil milhões de euros em 2021. É aí que tem de se fechar a torneira. O petróleo poderá vir de muitos outros sítios. Não deverá continuar a ser importado da Rússia. É isso que se pede aos ministros que decidam amanhã. A pressão pública, a nossa pressão sobre os ministros e os governos europeus tem de incidir nessa área.  Se assim acontecer, a Rússia não terá condições financeiras para prolongar a agressão contra a Ucrânia por muito mais tempo.

 

A poucos dias da COP26

A dias do começo da cimeira sobre o clima – a COP26 – existe um grande pessimismo sobre os resultados que se poderão esperar desta reunião. Países como a China, a Índia ou a Rússia ainda não comunicaram as metas que se propõem cumprir. Por outro lado, a Polónia tenta introduzir alterações no plano europeu, de modo a transformar uma promessa ambiciosa num documento mais vago e prolongado no tempo.

Os combustíveis fósseis estão de novo num pico de procura, agora que as principais economias procuram recuperar o crescimento perdido nos últimos 18 meses. Os preços do petróleo, do gás natural e do carvão aumentaram marcadamente nos últimos meses e todas as preocupações são sobre o acesso a quantidades suficientes dessas fontes energéticas. Por outro lado, já começa a ficar claro que o comportamento dos cidadãos, nos países mais avançados, está a voltar aos hábitos passados e mesmo a acentuá-los – anda-se agora mais de carro do que em finais de 2019. E os meios financeiros, que deveriam estar disponíveis para a transição energética das economias menos desenvolvidas, estão muito abaixo do que havia sido prometido.

Ao mesmo tempo, é hoje mais claro que a crise climática se está a acelerar e que há urgência na tomada de medidas.

O indicador que é o petróleo

O preço do barril de petróleo americano (WTI), para o mês de Maio, vale menos que nada. Caiu a pique, como um pedregulho no alto mar. Nunca tal coisa havia acontecido. Revela de maneira indiscutível a paragem quase completa da economia global. Mas o valor do barril para entrega em Junho anda na ordem dos 22 dólares americanos. Ou seja, os mercados financeiros continuam a apostar numa certa recuperação das actividades económicas, a partir de Junho. É verdade que 22 dólares não é grande coisa, tendo presente que cada barril tem um custo de produção, nos Estados Unidos, através da exploração do petróleo de xisto, de cerca de 40 dólares. Todavia, comparado com o preço de hoje, essas duas dezenas de dólares são uma fortuna.

O que os estrategas nos dizem, com estes números, é que a recuperação económica vai ser apenas parcial e demorada. O horizonte a curto e médio prazo não promete grandes voos. Muitos sectores económicos continuarão em crise. Os Estados mais ricos – nem convém falar dos outros – não conseguirão evitar o colapso de partes importantes da economia. E como estão a esconder essa incapacidade aos cidadãos, dando a entender que irão encontrar os meios necessários para financiar a recuperação, criando assim falsas esperanças, acabarão por entrar em desmoronamento político e social. O risco de caos cívico é imenso. Sobretudo que nós, nos nossos países mais desenvolvidos, nos habituámos a consumos que serão insustentáveis nos próximos anos.

Temos que mudar o nosso paradigma mental, a nossa escala de valores, o nosso entendimento sobre o fundamental e o acessório.

No meu entender, é preciso começar a falar destas coisas, do futuro que nos espera e ter a imaginação política necessária para mobilizar as energias de cada cidadão. Receio que isso não venha a acontecer. Nalguns países mais avançados e coesos, do ponto de vista da cidadania, do tipo Dinamarca, a resposta poderá ser mais fácil. Noutros, tenho a impressão que vamos avançar para sociedades ainda mais desiguais e marcadamente instáveis. Muitos dos nossos dirigentes políticos crêem ser suficientemente espertos para conseguir vender banha da cobra numa altura em que é preciso falar com realismo e promover o empenho de todos. Temos que dizer-lhes que essa via foi chão que já deu uvas. Agora, o mundo é outro.

Uma crise de grande complexidade

A gravíssima crise internacional nas áreas da saúde pública e da economia teve hoje uma expansão significativa, acompanhada pela introdução de novos factores negativos e de grande impacto. De entre eles, sublinho as perdas vastíssimas nas áreas financeiras, com um impacto enorme nos fundos de pensões e na capitalização das empresas, a concorrência para o abismo no que respeita aos produtores de petróleo e o agravamento da situação político-militar no Afeganistão. Sublinharia igualmente as tensões entre a Turquia e os seus vizinhos, incluindo os vizinhos europeus.

Estamos agora numa situação de grande complexidade. As variáveis são muitas e o nível de incerteza é bastante alto. Isso explica o pânico que existe em certos círculos. E exige muita clareza e uma grande dose de serenidade por parte de quem tem o poder. É um desafio de liderança, a todos os níveis, como não há memória nos últimos setenta e cinco anos.

 

Sobre o Irão

O Irão: que estratégia?

Victor Ângelo

 

 

Os ataques recentes, com drones e mísseis, contra as instalações petrolíferas sauditas continuam a ser uma das grandes preocupações internacionais. Sobretudo agora, quando os líderes da maioria dos países membros da ONU convergem para Nova Iorque, para participar na abertura da Assembleia Geral deste ano. A gravidade do que aconteceu e o impacto que esses actos de guerra possam ter, no despoletar das tensões à volta do Irão e da região, não podem ser ignorados.

Para além de muitas outras, nomeadamente sobre a eficácia dos sistemas de defesa da Arábia Saudita – um país que, em 2018, gastou 70 mil milhões de dólares americanos na compra de novos armamentos – há uma grande questão, que tem ocupado os mais diversos analistas. Trata-se de tentar perceber o que está por detrás desses actos, ou seja, qual é a jogada estratégica que o Irão está a seguir. Esta pergunta assenta no pressuposto, como é óbvio, que os dirigentes iranianos estarão na origem do que aconteceu. É uma hipótese plausível, se se tiver em conta o nível de complexidade técnica que os ataques exigiram e se se proceder a uma reflexão sobre os países e actores político-militares que, na região, podem dispor desse tipo de sofisticação.

A verdade é que o Irão e os rebeldes Houthis, no Iémen, estão em sintonia e coordenam as suas intervenções, incluindo as iniciativas diplomáticas. Por isso, de imediato, após os ataques, o porta-voz dos Houthis veio à praça pública para os reivindicar. A pressa poderá ter várias justificações, mas uma delas será certamente a de introduzir confusão no debate sobre a autoria do que acabara de acontecer. Essa é uma velha receita, muito usada pelo Irão e por outros, no Médio Oriente.

Agora, neste início de semana, quer o Irão quer a liderança rebelde no Iémen falam da possibilidade de um arrefecimento das hostilidades com a Arábia Saudita e, mesmo, de propostas de alguma forma de conversações. Ao mesmo tempo, Teerão organiza paradas militares e demonstrações públicas de força armada, tudo acompanhado por uma retórica ultra-patrótica e guerreira. A mão direita oferece diplomacia e a esquerda cerra o punho.

Os dirigentes iranianos pensam que estão numa posição de força. Os ataques contra as instalações sauditas vieram reforçar essa convicção, ou seja, que o Irão pode danificar infra-estruturas vitais num país fortemente armado. Mais ainda, que consegue atacar um país que é um aliado íntimo e protegido pelos Estados Unidos. Os clérigos que mandam em Teerão querem assim mostrar uma capacidade militar de ponta. E que, por isso, é melhor negociar com eles do que pensar em retaliações militares, que levariam à guerra e provocariam caos e miséria em toda a região e teriam efeitos profundos sobre a estabilidade da economia internacional. É essa a mensagem que pensam ter enviado aos vizinhos e sobretudo a Washington.

Essa lógica tem um ponto fraco, que é o relativo isolamento do país na cena internacional. O Irão tem poucos amigos. Os Europeus, a começar pelo Presidente Emmanuel Macron, nada conseguem fazer. Estão reféns da política definida em Washington. Outros países, preferem manter-se afastados do conflito, pois não querem abrir novas frentes de desacordo com os Estados Unidos. De qualquer modo, se tivessem que escolher entre Riade e Teerão, apostariam de preferência no primeiro. E, para completar as dificuldades internacionais do Irão, existem agora as sanções americanas, que são extremamente restritivas, quer do ponto de vista comercial quer financeiro – o país está sem acesso ao sistema bancário internacional, não pode pagar nem receber. As sanções acabarão por arruinar a economia do Irão, criar imensas dificuldades ao quotidiano dos cidadãos e expandir o clima de oposição ao poder dos aiatolas.

Na minha opinião, a única escolha possível é a do diálogo construtivo. Há que fazer renascer a esperança que surgira durante a reunião do G7 em Biarritz. Ataques e demonstrações de força, venham donde vierem, são e continuarão a ser um erro que pode ter consequências catastróficas. Nessa linha, vejo o ataque contra as instalações sauditas como um erro de cálculo muito grave. Pode ser uma vitória táctica mas, em termos de estratégia, abre a porta ao desastre.

(Texto que publiquei no Diário de Notícias on line)

 

O Médio Oriente arde

Este serão, como acontece de vez em quando, a Antena 1 pediu-me que comentasse as eleições de amanhã em Israel bem como os ataques contra as duas refinarias na Arábia Saudita. Respondi que os meus compromissos deste serão não me davam espaço para o fazer. Acrescentei, no entanto, off the record, que não sigo com atenção a política israelita pois não vejo solução para o que aí se passa. E que a questão das refinarias é muito grave. Merece que se volte a falar nela, com tempo. E com ponderação, que, nessa matéria, todo o cuidado é pouco.

 

Navegando à volta de Ormuz

Com uma só pedra, os falcões de Washington pensam poder matar várias raposas. Refiro-me à confrontação com o Irão.

John Bolton, Mike Pompeo e outros próximos do Presidente sabem que o bloqueio económico financeiro e económico acarretará um efeito catastrófico para a economia iraniana. Não fará cair o regime, antes pelo contrário, que a história de casos semelhantes revela que este tipo de sanções acaba por reforçar o controlo político das cliques que estão no poder. Mas diminuirá, e muito, a sua capacidade para promover acções externas e apoiar grupos que têm beneficiado de financiamentos vindos de Teerão. Atenção, todavia, que isto não fará desaparecer esses grupos nem atenuará muitos dos conflitos que definem aquela região do globo. Pode, antes pelo contrário, levar à ocorrência de actos isolados, revanchistas e trágicos.

Os falcões também acreditam que o aumento da tensão e da insegurança no Estreito de Ormuz levará a uma maior dependência por parte dos Estados da região em relação aos Estados Unidos. É verdade que a região já conta com uma enorme presença americana, quer em termos de tropas estacionadas quer ainda em meios aéreos e marítimos. Tem, no entanto, recursos financeiros enormes, que poderão ser gastos na aquisição de mais armamento proveniente dos Estados Unidos. A tensão encoraja novas encomendas. Mais ainda, uma presença mais profunda nesta zona de grande valor estratégico serve de contrabalanço a forças rivais, sejam elas turcas, indianas ou chinesas. Estes países têm procurado aumentar a sua cooperação militar na região e isso não agrada a todos, sobretudo quando se pensa como um falcão ultranacionalista.

Uma boa parte do petróleo consumido na Ásia provém do Golfo Pérsico. Isso é verdade no que diz respeito ao Japão, à China, à Coreia do Sul bem como à Índia e Singapura. Se os navios petroleiros não puderem circular com segurança nas águas que estão na vizinhança do Estreito de Ormuz acabarão por reduzir frequência das passagens e do transporte. As consequências para a economia da região, da Ásia e, ao fim e ao cabo, para a economia global, serão enormes. Talvez os falcões julguem que isso não afectará os Estados Unidos, que têm as suas próprias fontes de energia. Pensar assim seria um erro, excepto na cabeça de um radical.

A política internacional não deve seguir a maneira de ver dos radicais. Aqui, refiro-me a todos os radicais, incluindo os mandam no Irão, não apenas aos outros. Deve, isso sim, basear-se em regras claras e na estabilidade, no equilíbrio de forças, diria mesmo. Caso contrário, abre-se uma nova caixa de Pandora. Cabe aos europeus e aos asiáticos dizê-lo, alto e bom som.

 

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