Portugal é grande quando abre horizontes

05
Jul 19

Passei os últimos dias em viagem. E acabei comparando o desenvolvimento de Portugal com o de Espanha, que é como quem compara o incomparável.

Viajar ao longo da Estremadura espanhola e depois passar para o lado português da fronteira, é um trajecto do dinamismo e do engenho para o abandono e a pobreza. E isto levou-me a pensar que em 2004, se não me engano, disse numa entrevista ao Diário de Notícias que havia um grande défice de liderança política em Portugal. Nessa altura, o meu amigo José Manuel, então jovem Primeiro-Ministro, ficou zangado comigo. Achou que se tratava de uma referência pessoal. Disse-lhe que não, que era um problema geral, comum à nossa classe política. A emenda terá sido pior do que o soneto.

Mas a opinião expressa então continua a ser válida. A nossa classe política não sabe puxar pelo país, não tem grandes ambições patrióticas, não se interessa pelo interior do país, não sabe o que é ser-se pobre nas terras abandonadas das Beiras e do Alentejo.

Isto de andar de um lado para o outro deixa-nos um amargo de boca quanto à falta de incentivos ao desenvolvimento de certas regiões do país. E leva-nos a pensar que a questão da liderança é uma questão fundamental.

publicado por victorangelo às 22:50

23
Mar 19

Nas nossas sociedades europeias, não há uma compreensão política clara do que significa a precariedade, apesar de ser uma situação vivida quotidianamente por muitas famílias. A política vive num mundo à parte. Deixou de ter raízes nos problemas dos mais pobres. Perdeu o contacto com quem se sente profundamente inseguro.

publicado por victorangelo às 16:57

27
Ago 16

Estive mais uma vez em Évora, a terra das minhas raízes e onde vivi até à idade adulta. E voltei a entender que existe uma profunda dualidade, que é outra maneira de dizer desigualdade, em vários sentidos, neste país que é o nosso. E que este é um assunto que precisa de receber mais atenção. E que eu não posso tratar assim de fugida.

 

publicado por victorangelo às 21:36

03
Nov 15

A quem me perguntou hoje, disse que, no meu entender, Portugal precisa de um governo ao centro. Um governo que esteja assente numa maioria de deputados do PS ou do PSD, ou numa aliança de ambos. Aquilo a que noutros céus se chama “uma grande coligação”.

A "grande coligação" seria, de longe, a minha preferida. Só assim se poderiam adoptar as reformas que o país precisa, com o equilíbrio que necessário. Ou seja, dando ao mesmo tempo atenção à modernização da economia e das instituições e às condições sociais dos cidadãos. Seria igualmente uma maneira de atrair os investimentos que o desenvolvimento nacional requer.

O resto não passaria de experiências de laboratórios políticos, nalguns casos, ou de mais do mesmo, noutros. Dito de outra maneira, tratar-se-ia de idealismos sem asas para voar, num dos modelos. Ou de parvoíce conservadora e insensível às realidades sociais, no outro.

 

publicado por victorangelo às 19:48

03
Jul 14

Nas inúmeras viagens de cima para baixo e de baixo para cima, sempre passei ao lado de San Sebastian. Pernoitei mesmo, umas duas ou três vezes, nos Pirenéus ou nas terras vizinhas, mas nunca havia estado na grande cidade do País Basco

.

Visitei San Sebastian agora. E digo, de imediato, que vou voltar. É uma cidade linda, com prédios Belle Époque e uma arquitectura excepcional. Tem muita vida, grande variedade de comércios e um passeio à beira-mar que é uma maravilha em termos de gosto e organização.

 

Saí desta breve visita ainda mais convencido que as cidades espanholas e as portuguesas se encontram em dois mundos à parte. Do nosso lado, as urbes são meras aldeias grandes.

 

Temos, também, uma longa história de atraso. Vem de longe.

publicado por victorangelo às 14:13

19
Nov 13

O meu escrito de ontem sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) mereceu um comentário muito pertinente do meu Amigo LFBT. Aconselho a ler o que ele anotou. E respondo que a solução para o que funciona mal no que respeita ao nosso SNS não é, como aliás ele bem frisou, a medicina cara e comercial praticada pelos seguros de saúde privados. A solução é um SNS mais eficiente, mais justo, mais equilibrado e mais acessível e atento aos que mais precisam. E mais médicos, de família e especialistas.

Mas, acima de tudo, há um problema de atitude que é preciso resolver. Não apenas a atitude que LFBT encontrou nalguns casos da medicina privada, que passa por tentar levar ao consumo de tratamentos que não se justificam. Falo, também, de uma atitude mais geral, que leva muitas vezes os médicos a não ver a pessoa, no sentido de não lhe dar a consideração, a atenção devida, e a tratar os pacientes por cima da burra.

 

Tenho ainda presente que os mais pobres hesitam em ir às consultas não apenas por que não querem ser humilhados mas também porque “descobrir” que se está doente acarreta despesas, que mesmo subsidiadas, são incomportáveis para quem não tem recursos.

 

Ou estarei enganado?

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 22:22

24
Jan 13

Percorri a Avenida da Liberdade, no centro de Lisboa, esta manhã, de alto a baixo, em ambos os sentidos. Foi um passeio do desalento. As poucas lojas de luxo ou de qualidade, uma aqui outra acolá, não chegam para fazer esquecer as muitas outras fechadas, menos ainda os vários refúgios de cartão e mantas dos sem-abrigo que agora se “domiciliaram” nalguns portais dos prédios da avenida.

 

Pensei nas zonas nobres de comércio de Londres, Paris, Roma ou Nova Iorque, comparei sem querer comparar e fiquei com a Liberdade triste.

publicado por victorangelo às 20:53

21
Nov 10

 

Copyright V. Ângelo

 

Convém ver o país e o mundo com uma perspectiva mais ampla do que a que utilizamos para analisar a nossa economia doméstica. Muita gente, mesmo muita, continua a julgar as coisas nacionais e internacionais como se estivesse a contar feijões.

 

O país deve responder aos anseios dos cidadãos, é bem verdade. Mas também tem responsabilidades enquanto membro da comunidade das nações. Uma família pode viver do seu lameiro, com mais ou menos dificuldades. O país, não. Precisa de se abrir aos outros e assumir um papel que marque. Que o defina em relação aos outros. Quanto mais relevante for esse papel, mais as famílias acabarão por ganhar, que a economia é cada vez mais internacional.

 

 

publicado por victorangelo às 11:14

09
Jun 10

Certos senhores, aqui entre nós, pensam que não se deve falar todos os dias da crise. Que nos estamos a transformar num muro de lamentações, a cultivar a crítica e o pessimismo, a não pensar no lado positivo das coisas. Que não vemos o valor que cada décima estatistíca tem, em termos de crescimento da economia e de boa política.

 

Esses senhores não conhecem, de facto, a crise. Ocupam posições sólidas, vivem com desafogo, gostam do que é bom e bonito.

 

Compreendo que os incomode que se fale de quem sofre, do desemprego, das dificuldades dramáticas em que muitas famílias se encontram, dos pequenos empresários que já nem sabem por que razão mantêm as portas abertas, do pavor que representa uma taxa de juro em alta.

 

Em África e noutros países de grande miséria encontrei, igualmente, gente assim. Achavam mal quando se lhes falava da luta contra a pobreza, da falta de condições em que viviam a maioria das famílias. Do estado alarmante da saúde pública. Acusavam-nos de navegar e pescar nas águas do pessimismo. De termos uma postura estruturalmente negativa. De viver à custa de relatórios alarmistas. Nalguns casos, chegavam a acusar-nos de falta de respeito pelo país em causa. (São senhores que gostam de cavalgar no patriotismo arrebatado).

 

Mas a crise não precisa de vuvuzelas para se fazer ouvir.

 

 

publicado por victorangelo às 20:27

11
Abr 10

A falta de formação profissional dos trabalhadores portugueses continua a ser uma das razões fundamentais do nosso atraso económico. Basta andar por aí para se perceber que somos um país de amadores, de "soldados sem instrução" e de fazedores de coisas em cima do joelho. 

publicado por victorangelo às 23:15

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