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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A moral e a política

Hoje foi o presidente da República que falou sobre os perigos da corrupção e dos compadrios. Mostrou preocupação. E não será o único. Vejo no horizonte a possibilidade de uma repetição do que nos aconteceu há uma dúzia de anos atrás. Os fundos europeus deixam muita gente a matutar. A ética em matéria política é um assunto que não faz parte dos nossos debates.

O poder da cidadania

Uma vez mais, numa longa lista de vezes desde a falcatrua eleitoral de inícios de agosto, o povo bielorrusso esteve na rua, para pedir a demissão de Alexander Lukashenko. A mobilização popular na capital foi impressionante, quer pela multidão que reuniu quer ainda pela participação em massa de de mulheres e homens jovens. As imagens do dia destroem qualquer teoria conspiratória que queira apresentar estas manifestações cidadãs como o resultado de manobras exteriores, organizadas por poderes ocidentais. A oposição ao ditador é genuína e generalizada. Creio que, mais tarde ou mais cedo, os que ainda o apoiam nos serviços de segurança e na administração pública acabarão por compreender que Lukashenko é um homem do passado. O povo quer um futuro diferente.  

Falar claro

Expliquei a quem me telefonou hoje que não sei o que é a ordem liberal. Os intelectuais gostam muito de falar assim, mas tenho que confessar que não entendo o que querem dizer. Liberal, para mim, é uma filosofia política que aposta na iniciativa privada e numa intervenção mínima do Estado. Mas não é esse o sentido que os intelectuais, incluindo o meu amigo, lhe dão. Nas referências que lhe fazem, estão a tentar referir-se a algo que seria o oposto do despotismo. Respondo, então, que prefiro falar na ordem democrática, no respeito pelos direitos humanos e pelas normas internacionais. A meu ver, é mais claro.

Você disse "ordem liberal"?

Não entendo o que querem dizer certos intelectuais, quando falam da “nossa ordem liberal” e que esta estaria a ser atacada em vários países da União Europeia. Liberal é um conceito americano, para caracterizar quem é mais progressista, perante a massa conservadora, tradicionalmente Republicana.Na Europa, liberal é uma espécie de filosofia política, mal definida, mas que pretende indicar uma opção por governos menos intervenientes nas esferas económicas e sociais. Mas, fora de tudo isso, a “ordem liberal” é o quê?

Para além da resposta que possa ser dada, quero desde já acrescentar que o que me interessa é a democracia, a liberdade de opinião, o respeito pelas minorias, o equilíbrio de poderes, o bom funcionamento das instituições e a existência de uma sociedade civil dinâmica e diversa. É por essas bitolas que meço a qualidade da governação em cada um dos Estados da UE.

Chamo a isso democracia participativa, por oposição à democracia de fachada. É a democracia participativa que está sob ameaça em vários países europeus. A democracia de fachada utiliza o voto popular, manipula as eleições, infiltra a comunicação social, para garantir a perenidade de alguns dos nossos pequenos ditadores e das suas cliques de clientes.  

 

 

 

A justiça e a política

Não podemos ser a favor de um Estado de Direito e, em simultâneo, pensar que a política está acima das leis, das regras jurídicas e dos mecanismos de administração da justiça. A política deve ser feita dentro de um quadro legal claramente definido. E os políticos têm que estar conscientes que, se pisam a linha da ilegalidade, deverão ter que prestar contas. Essa prestação de contas far-se-á perante juízes devidamente mandatados para o fazer. Quando isso acontece, não se poderá falar de judicialização da política. Dever-se-á, isso sim, dar graças ao sistema que temos, que permite colocar perante um juiz um político que, de uma maneira ou outra, abusou do mandato democrático que lhe foi concedido.

Tudo isto pressupõe, como é fácil de entender, que existe uma magistratura independente, competente e auto-disciplinadora. Para a saúde da democracia, é fundamental que os juízes tenham um estatuto que os proteja, uma preparação adequada e mecanismos próprios para limpar, no seu seio, o trigo do joio.

 

 

Complexidade é o nome dos tempos de hoje

A minha palestra de hoje em Lisboa, na PASC-Casa da Cidadania, foi sobre “geopolítica, ameaças e resposta cidadã”.

Falei sobre a sociedade civil e a sua capacidade de influenciar a agenda política, dei várias exemplos concretos, do #ClimateStrike ao #UmbrellaMovement de Hong Kong, passando pelo Sudão e a Rússia. No essencial, nesta parte da conversa, o objectivo era demonstrar que muitas das grandes mudanças políticas tiveram na base movimentos cívicos.

Depois, referi os grandes acontecimentos da década em curso, acontecimentos que influenciaram de modo determinante a agenda internacional. Comecei pela Líbia de 2011 e acabei com o lançamento pelo Facebook e mais 26 parceiros da Libra, que teve lugar a 18 de junho passado.

Foi então altura de falar do reequilíbrio dos poderes mundiais e da natureza dos novos conflitos, incluindo o novo tipo de armamentos.

Para fechar o debate que se seguiu, pedi aos participantes que evitassem respostas simples e lineares a questões complexas. Estamos num momento em as fontes de poder são variadas, não se limitam apenas ao controlo do Estado, das redes sociais, da banca ou das indústrias de armamento. Dar uma resposta simples a um período particularmente complexo da nossa história humana seria fazer o jogo dos populistas.

 

 

Os Estados Unidos e a China

O que está a acontecer entre os Estados Unidos e a China marca um ponto de viragem no sistema das relações internacionais. É o início de uma outra época histórica.

Muitas lições estão a ser tiradas deste conflito. O impacto far-se-á sentir em vários domínios, não apenas no comercial ou bolsista. O paradigma estratégico está a mudar. Profundamente.

Do lado chinês, as decisões americanas não serão esquecidas, mesmo se mais tarde houver um entendimento bilateral na área do comércio.

Do lado americano, cabe aos cidadãos e ao Congresso decidir como responder às decisões tomadas pelo Presidente.

Espero que do lado europeu também se reflicta sobre o que tudo isto significa e se tenha em conta o princípio que hoje o fogo está na casa do vizinho, mas amanhã poderá chegar à nossa.

O poder e os Jogos

A abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Londres foi um espectáculo invulgar, com momentos geniais, particularmente em termos da encenação. Feito para deslumbrar o mundo e voltar a sublinhar que Londres tem aspirações universais - quer aparecer como uma cidade capital global -, foi um verdadeiro sucesso. Apenas a rainha destoou um pouco, pois parecia exausta e pouco animada perante uma festa de proporçõesúnicas e de importância vital para o seu país. É, de facto, a altura de ver Elizabeth II passar o facho...simbólico... que detém há 60 anos. De qualquer modo, um reino tão longo já merece uma medalha de ouro...

 

Perante o investimento feito pela Grã-Bretanha, fica-se com a impressão que organizar os jogos vai custar cada vez mais caro. Compreende-se. É a corrida pelo prestígio. É uma manifestação de poder e o poder não fica barato.

Qual é a mensagem?

Recentemente, num jantar de gente com poder -- e que por isso se considera muito importante -- o orador principal, Javier Solana, dizia que a comunicação entre as elites e as massas está emperrada, não se faz com clareza. Cada um vive, segundo afirmou, no seu círculo, sem verdadeiro diálogo e transmissão de ideias entre eles, sem se ouvirem. E falava, então, da necessidade de utilizar as redes sociais, como meio de comunicação. Ele próprio é um activo utilizador do twitter. 

 

A verdade talvez seja mais complexa. Não é apenas a questão dos meios que está em causa. Ainda hoje vi, durante uns curtos minutos, por não ter paciência para mais, um debate entre eurodeputados transmitido pela BBC World: o meio de comunicação, um canal de televisão com prestígio, era óptimo, mas a conversa era pura e simplesmente banal e confrangedoramente pobre de espírito. Ou seja, a questão dos conteúdos é fundamental.

 

As pessoas estão hoje mais informadas do que nunca. Quando um político procura comunicar com os simples mortais que nós somos, tem que ter algo para dizer, uma mensagem, um ponto de vista, uma perspectiva nova, numa linguagem directa e verdadeira. Se não proceder assim, ninguém tem tempo e disposição para o ouvir. 

 

E os políticos aproveitam os jantares nos palácios do poder de outrora para se lamentarem. Quem tem pena deles?

 

 

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