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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Discutir ideias, sem ofender as pessoas

Não creio que os meus textos mostrem que ando confuso. Digo isto por ver vários dos meus amigos baralhados perante os acontecimentos correntes. São pessoas bem-intencionadas, que procuram informar-se. Não compreendo como acabam por ficar com as ideias aos ziguezagues. Por exemplo, neste dia em que a Rússia cometeu mais um crime de guerra, ao atacar e destruir um centro comercial na cidade ucraniana de Kremenchuk – um alvo inteiramente civil – um amigo mandou-me uma mensagem e telefonou-me para mostrar a sua preocupação com a crescente militarização dos Estados Unidos e a influência que isso está a exercer nas escolhas europeias em matéria de defesa. A mensagem foi fácil de tratar: existe uma tecla “delete”. A chamada telefónica foi mais complicada. Tenho um grande respeito por esse amigo e não queria tornar a coisa num assunto pessoal. Tentei focar a discussão na questão e não na pessoa. Não foi fácil. Muitos intelectuais não conseguem fazer a diferença entre destruir um argumento e a ofensa pessoal. Mas tentei e continuarei a tentar.

O novo governo

Hoje tomou posse o XXIII governo constitucional. Tenho dúvidas muito sérias sobre a competência de alguns dos empossados. Nalguns casos, só lhes conheço facilidade de conversa, mas sem experiência nem substância que se veja. Mas não vou entrar no jogo dos que criticam antes de ver os resultados. Por isso, nesta fase, a única coisa que me parece razoável é desejar os maiores sucessos à nova equipa. 

Os comentários

O meu escrito de ontem despertou muita atenção e vários comentários. Neste blog, não há censura e cada um pode comentar como entender. É, no entanto, fundamental que cada opinião seja expressa para discutir ideias e não para chamar nomes aos outros ou insultar seja quem for. Os insultos só mostram falta de nível e de argumentos. Quem quiser utilizar essa técnica pode comentar o que Donald Trump escreve, pois o antigo Presidente sempre foi um especialista na utilização de expressões grosseiras e ofensivas. Cada um deve procurar a companhia que melhor se coaduna com a sua personalidade.

Tanta conversa sobre as eleições

Passados oito dias, os jornais continuam cheios de comentários sobre o resultado das legislativas. Na verdade, já cansa.

As eleições revelaram um Portugal que mudou e que continua em mudança bem como um dirigente político que inspira confiança, realismo e moderação a uma parte significativa do eleitorado português. Quanto ao resto, será preciso esperar pela formação do novo governo, para que se possa perceber quais foram as lições que António Costa tirou dos resultados eleitorais. A composição do governo, o discurso de tomada de posse e as primeiras intervenções na nova Assembleia da República serão os momentos mais importantes dos próximos tempos. A partir daí será possível comentar com mais fundamento o que o novo ciclo político nos anuncia.

Para já, o que se diz e escreve serve apenas para encher horas de emissão e páginas de jornais. Só segue essas matérias quem não tem mais nada para fazer. Ou então, quem ganha a vida a especular, a criar factos políticos e a atacar ou repetir o que outros já disseram. Pessoalmente, não tenho nem tempo nem paciência para essas coisas. Sobretudo agora, quando a Europa se encontra numa encruzilhada perante um grupo dirigente russo que é um verdadeiro desafio à estabilidade e à segurança do nosso continente.

 

 

Holocausto

Hoje celebra-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Pessoalmente, considero o dia como particularmente importante. Trata-se de crime que ocorreu no passado recente da Europa, que vitimou milhões de inocentes. O dia lembra-nos não apenas esses milhões de vítimas, mas também que uma barbaridade desse tipo e tamanho ocorreu num dos países mais avançados do continente europeu. Ou seja, que o radicalismo político e a xenofobia podem acontecer nas nossas paragens e que por isso devem ser firmemente combatidos, logo que saiam para a praça pública. O holocausto mostrou que a selvajaria e o ódio podem levar a situações absolutamente abomináveis, mesmo nas sociedades mais avançadas.

Os vícios de Molière

Celebraram-se ontem os 400 anos do nascimento de Molière.

Tantos séculos depois, o dramaturgo e actor continua a ser uma referência marcante na cultura francesa. A razão é simples. Molière escreveu sobre, e representou nas suas inúmeras peças teatrais, os vícios mais comuns entre os humanos. Vícios e manhas que são tão actuais hoje, na cena pública e na política, como o eram há quatro séculos, na corte, nos palácios da nobreza e nos salões dos ricos de Paris. A vaidade. A pretensão. A sovinice. O egoísmo. A hipocrisia. A intrujice.

Os debates que nada me dizem

Vi o debate entre António Costa e Rui Rio durante um minuto. Não tive paciência para mais. Mas admiro os 3,3 milhões de portugueses que assistiram ao duelo. Sim, porque na verdade tudo isto não passa de duelos ao vivo, de espectáculos para mostrar que se é mais arguto que o adversário.

É preciso fazer política de outra maneira. O meu texto de ontem no Diário de Notícias era sobre isso, a necessidade de construir plataformas políticas e de alargar a governação, de modo a torná-la tão próxima e representativa quanto possível do mosaico social que é a nação portuguesa.

Não se pode fazer política com base na hostilidade e na exclusão de largos sectores da sociedade. Sobretudo num país como o nosso, que precisa de uma mobilização cívica que permita ultrapassar o subdesenvolvimento, a pobreza de muitos e as disparidades sociais e regionais.

Acredito ser necessário proceder a uma mudança profunda dos valores, dos comportamentos e das prioridades para conseguir acelerar o desenvolvimento económico e social e diminuir o fosso que nos separa das médias europeias.

A minha mensagem é simples: tem de se fazer política de outra maneira. Com serenidade, com prioridades bem definidas, com o empenho público e privado, em associação com os poderes locais e as associações de cidadãos, e também com objectivos concretos que possam ser avaliados.

É isso que falta nos debates. Continuamos a agir como sempre fizemos, com ideologias ultrapassadas, incapazes de nos guiarem na transformação do país

Os políticos que temos

Hoje voltei a sublinhar que um país como o nosso, relativamente pobre e ricamente burocrático, precisa de uma governação estável e suficientemente representativa da maioria dos portugueses.

A solução mais adequada para a reforma e a modernização que são precisas deveria passar por um entendimento político entre o PS e PSD. Juntos representam à volta de 70% do eleitorado. O problema é que não se vê como conseguir tal entendimento. Isso não significaria necessariamente que deveriam governar em coligação. Mas significaria que deveriam estar de acordo no que respeita às grandes questões respeitantes à reforma do Estado, ao funcionamento da justiça, à desburocratização, à repartição das competências entre o poder central e o local, à facilitação das actividades económicas, à fiscalidade, bem como nas áreas sociais determinantes para a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

É verdade que a Constituição exige apenas uma maioria parlamentar, metade mais um. Mas isso não é suficiente, face às medidas estruturais que são necessárias e que o nosso subdesenvolvimento relativo exige.

O problema é simples: os líderes políticos não querem ouvir falar de um acordo de regime. Um acordo baseado em equilíbrios e em medidas concretas, um pouco como o que foi negociado recentemente na Alemanha. Ou nos Países-Baixos. Falta-nos quem tenha a coragem política que uma tal proposição exigiria. Também carecemos de pragmatismo. A ideologia, tantas vezes oca, prima, num país que precisa de medidas concretas para avançar. É mais fácil dizer-se que se é da esquerda ou da direita do que pôr em cima da mesa propostas concretas e procurar, em seguida, construir as plataformas de acção necessárias.

Temos, assim, acima de luta, um problema de liderança. Não há quem tenha a coragem de sair da armadilha ideológica. Os dirigentes dos partidos, nos debates, falam de esquerda e de direita como se essas caracterizações vagas fossem a solução para os nossos problemas. São, na realidade, meras bandeiras que, desfraldadas, escondem a pobreza intelectual dos políticos que temos.

 

Os encontros políticos

Os chamados debates políticos não debatem nada. Cada um faz a sua propaganda e procura lançar umas farpas à pessoa que está sentada à sua frente. Também há pouco esclarecimento. Na verdade, para a maioria dos intervenientes é um mau exercício de caça ao voto, feito sem estratégia nem respeito pela inteligência dos eleitores. Sem ter em conta os potenciais movimentos do eleitorado, as flutuações, que numa situação de crise como a actual, são de esperar. Falta a profundidade, a imagem de seriedade e a atitude de abertura em relação aos outros, que a política deve ser feita de alianças e de consensos alargados.

Macron, a forma e o conteúdo

Estou de acordo com o Presidente Macron, quando crítica severamente quem se recusa a ser vacinado. Acho que essa recusa é uma irresponsabilidade e um acto de estupidez. Mesmo quando se apresenta como uma rebeldia e uma defesa da liberdade individual. Discordo, no entanto, da palavra que utilizou para resumir a sua posição. Um líder nacional, e mais ainda, um Presidente da República, não pode descer ao nível da vulgaridade. Quando o faz, é a vulgaridade que é objecto de debate público e não o conteúdo da mensagem.

Em política é fundamental saber-se comunicar. E a boa comunicação visa a mudança de comportamentos, a adopção das políticas que nos parecem mais adequadas e a denúncia das posições erradas ou irrealistas. Deve ser simples, fácil de entender, mas manter um certo decoro e educação. Caso contrário, a mensagem acaba por se perder. E estar-se-á a dar a oportunidade aos oponentes de se agarrarem à forma, ao superficial, e atacar assim o mensageiro.

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