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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Os vícios de Molière

Celebraram-se ontem os 400 anos do nascimento de Molière.

Tantos séculos depois, o dramaturgo e actor continua a ser uma referência marcante na cultura francesa. A razão é simples. Molière escreveu sobre, e representou nas suas inúmeras peças teatrais, os vícios mais comuns entre os humanos. Vícios e manhas que são tão actuais hoje, na cena pública e na política, como o eram há quatro séculos, na corte, nos palácios da nobreza e nos salões dos ricos de Paris. A vaidade. A pretensão. A sovinice. O egoísmo. A hipocrisia. A intrujice.

Os debates que nada me dizem

Vi o debate entre António Costa e Rui Rio durante um minuto. Não tive paciência para mais. Mas admiro os 3,3 milhões de portugueses que assistiram ao duelo. Sim, porque na verdade tudo isto não passa de duelos ao vivo, de espectáculos para mostrar que se é mais arguto que o adversário.

É preciso fazer política de outra maneira. O meu texto de ontem no Diário de Notícias era sobre isso, a necessidade de construir plataformas políticas e de alargar a governação, de modo a torná-la tão próxima e representativa quanto possível do mosaico social que é a nação portuguesa.

Não se pode fazer política com base na hostilidade e na exclusão de largos sectores da sociedade. Sobretudo num país como o nosso, que precisa de uma mobilização cívica que permita ultrapassar o subdesenvolvimento, a pobreza de muitos e as disparidades sociais e regionais.

Acredito ser necessário proceder a uma mudança profunda dos valores, dos comportamentos e das prioridades para conseguir acelerar o desenvolvimento económico e social e diminuir o fosso que nos separa das médias europeias.

A minha mensagem é simples: tem de se fazer política de outra maneira. Com serenidade, com prioridades bem definidas, com o empenho público e privado, em associação com os poderes locais e as associações de cidadãos, e também com objectivos concretos que possam ser avaliados.

É isso que falta nos debates. Continuamos a agir como sempre fizemos, com ideologias ultrapassadas, incapazes de nos guiarem na transformação do país

Os políticos que temos

Hoje voltei a sublinhar que um país como o nosso, relativamente pobre e ricamente burocrático, precisa de uma governação estável e suficientemente representativa da maioria dos portugueses.

A solução mais adequada para a reforma e a modernização que são precisas deveria passar por um entendimento político entre o PS e PSD. Juntos representam à volta de 70% do eleitorado. O problema é que não se vê como conseguir tal entendimento. Isso não significaria necessariamente que deveriam governar em coligação. Mas significaria que deveriam estar de acordo no que respeita às grandes questões respeitantes à reforma do Estado, ao funcionamento da justiça, à desburocratização, à repartição das competências entre o poder central e o local, à facilitação das actividades económicas, à fiscalidade, bem como nas áreas sociais determinantes para a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

É verdade que a Constituição exige apenas uma maioria parlamentar, metade mais um. Mas isso não é suficiente, face às medidas estruturais que são necessárias e que o nosso subdesenvolvimento relativo exige.

O problema é simples: os líderes políticos não querem ouvir falar de um acordo de regime. Um acordo baseado em equilíbrios e em medidas concretas, um pouco como o que foi negociado recentemente na Alemanha. Ou nos Países-Baixos. Falta-nos quem tenha a coragem política que uma tal proposição exigiria. Também carecemos de pragmatismo. A ideologia, tantas vezes oca, prima, num país que precisa de medidas concretas para avançar. É mais fácil dizer-se que se é da esquerda ou da direita do que pôr em cima da mesa propostas concretas e procurar, em seguida, construir as plataformas de acção necessárias.

Temos, assim, acima de luta, um problema de liderança. Não há quem tenha a coragem de sair da armadilha ideológica. Os dirigentes dos partidos, nos debates, falam de esquerda e de direita como se essas caracterizações vagas fossem a solução para os nossos problemas. São, na realidade, meras bandeiras que, desfraldadas, escondem a pobreza intelectual dos políticos que temos.

 

Os encontros políticos

Os chamados debates políticos não debatem nada. Cada um faz a sua propaganda e procura lançar umas farpas à pessoa que está sentada à sua frente. Também há pouco esclarecimento. Na verdade, para a maioria dos intervenientes é um mau exercício de caça ao voto, feito sem estratégia nem respeito pela inteligência dos eleitores. Sem ter em conta os potenciais movimentos do eleitorado, as flutuações, que numa situação de crise como a actual, são de esperar. Falta a profundidade, a imagem de seriedade e a atitude de abertura em relação aos outros, que a política deve ser feita de alianças e de consensos alargados.

Macron, a forma e o conteúdo

Estou de acordo com o Presidente Macron, quando crítica severamente quem se recusa a ser vacinado. Acho que essa recusa é uma irresponsabilidade e um acto de estupidez. Mesmo quando se apresenta como uma rebeldia e uma defesa da liberdade individual. Discordo, no entanto, da palavra que utilizou para resumir a sua posição. Um líder nacional, e mais ainda, um Presidente da República, não pode descer ao nível da vulgaridade. Quando o faz, é a vulgaridade que é objecto de debate público e não o conteúdo da mensagem.

Em política é fundamental saber-se comunicar. E a boa comunicação visa a mudança de comportamentos, a adopção das políticas que nos parecem mais adequadas e a denúncia das posições erradas ou irrealistas. Deve ser simples, fácil de entender, mas manter um certo decoro e educação. Caso contrário, a mensagem acaba por se perder. E estar-se-á a dar a oportunidade aos oponentes de se agarrarem à forma, ao superficial, e atacar assim o mensageiro.

A entrevista que dei ao DN (6)

De Joe Biden a Xi Jinping, de Jair Bolsonaro a Narenda Modi, passando por Vladimir Putin, Boris Johnson, Emmanuel Macron, Ali Khamenei, Cyril Ramaposa ou Fumio Kishida, concorda com quem diz que geral os líderes de hoje são uma sombra das grandes figuras do passado, mesmo recente?

Os tempos são outros, é muito difícil fazer comparações. No passado, o poder e as relações sociais tinham a forma de pirâmides. Aceitava-se mais facilmente a hierarquia e o comando vindo do topo. Hoje, vivemos em sociedades tendencialmente horizontais, cada um vê-se como igual ao seu vizinho. A autoridade, para ser aceite, precisa de outros atributos, muito para além do formalismo das funções. Para mais, existe uma abundância de informação largamente acessível, mas geradora de confusões, de fragmentação das opiniões e de espaço oportunístico para os mais diversos manipuladores da opinião pública. Num mundo horizontal, confuso e fragmentado, só pode ser um líder aceite e positivo quem conseguir dar um sentido otimista e mobilizador ao contexto em que vivemos. O líder tem de saber explicar o que se passa, propor um rumo e dar esperança ao futuro.

Quando digo liderança positiva, refiro-me a quem tenha uma agenda progressista e transformadora da sociedade, ao contrário de um Donald Trump, que também considero um líder, mas negativo. Também não estou a falar de líderes neutros, populares certamente, mas que não aproveitam essa popularidade para fazer avançar os seus países.

O Sebastianismo anda muito mexido

Os media de referência em Portugal tratam as opiniões e iniciativas do Presidente da República de modo venerando. Há mesmo, ao nível do subconsciente, uma espécie de sentimento de inferioridade, por parte dos principais directores e editores da nossa comunicação social.

E, pouco a pouco, vão criando um novo ente superior, que poderá, no momento oportuno, tomar o lugar que com o tempo o actual Presidente terá de deixar vago.

Na verdade, certos media acreditam na reencarnação. Ou seja, o mítico D. Sebastião continua a aparecer, em pleno século XXI, nas redacções de certos medias. Nestes tempos de incertezas, de horizontes pouco claros, faz bem à saúde patriótica ver gigantes a avolumarem-se 

 

O Natal e a política

Hoje, ao meio da tarde, precisei de ir a um centro comercial de Lisboa. Estava a abarrotar. O parque de estacionamento, que é enorme, tinha apenas alguns lugares vazios. Em todos os cantos do centro comercial se fazia fila para comprar algo, uma pequena prenda ou coisa parecida. Na parte alimentar, as filas eram ainda maiores. Claramente, a única preocupação das pessoas era a preparação da festa de Natal. Tudo o resto, nestes dias, fica de lado.

Assim se compreende a importância que os governantes dão ao Natal, embora se saiba que a covid está em progressão rápida. Introduzir restrições antes de 25 de Dezembro teria um custo político. Mais ainda, com eleições à porta.

Um fim digno

Sou a favor da morte medicamente assistida, incluindo o suicídio. Por isso, penso que uma sociedade desenvolvida, e com sistemas de controlo eficientes, a eutanásia deve ser legalmente permitida. As regras devem ser claras e combinar um grau elevado de sofrimento com a incurabilidade da doença ou da condição da pessoa. É a conjugação destes dois factores que devem servir de critério: uma doença incurável que provoque um sofrimento intolerável, incluindo um padecimento psíquico insuportável. Nesta maneira de ver, não é preciso estar-se à beira da morte para se poder requerer a eutanásia.

Conversa política

Liderar implica estar atento às preocupações das pessoas. E saber dar voz e sentido a essas preocupações. Ou seja, é preciso manter uma ligação permanente com os cidadãos. O erro de muitos políticos é confundirem elitismo com liderança. As elites tendem a relacionar-se apenas entre elas e a ignorar o resto das pessoas, as gentes comuns. E assim acabam por falar uma linguagem que nada diz à generalidade das pessoas, uma linguagem que não é entendível e que é vista como uma maçada, um aborrecimento, um falar à “político”.

Ainda recentemente um amigo meu escrevia um texto sobre a reforma do Estado, que faria se estivesse no poder. Foi uma escrita enfadonha, cheia de lugares-comuns e de frases feitas, que são frequentemente repetidas, mas que nada dizem de concreto às pessoas. É como a conversa sobre a redução dos impostos, uma bandeira frequente de vários políticos. Juram a pés juntos que os irão baixar, mas não explicam que relação haverá entre essa descida e a modernização e racionalização de certas funções do Estado. Ora, sem uma reorganização de certos serviços – é preciso dizer quais – não é possível poupar nas despesas públicas. E sem isso, não há imposto que diminua. Também deveriam dizer que a alta taxa de imposição tem muito que ver com o mau funcionamento da administração pública. Há muito dinheiro que é gasto em burocracias inúteis e em serviços que poderiam ser agrupados ou reorganizados. Assim se faz noutros países, incluindo em países de desenvolvimento intermédio. Há que enumerar esses serviços, proceder a uma avaliação em profundidade e reestruturar.

Assim se ganharia apoio popular. E se faria política de uma maneira mais séria e mais eficiente

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