Portugal é grande quando abre horizontes

18
Out 19

O diálogo continua a ser, na política e no quotidiano das pessoas, a melhor receita para resolver problemas e criar as condições necessárias para a paz social. Dito isto, reconheço que o busílis da questão é a falta de vontade para dialogar. Essa ausência tem muito que ver com o facto de que o sistema educativo e a prática social não nos prepararam para o debate de ideias, de modo construtivo. A nossa tendência é para que acreditemos mais na força e na intimidação do que nas soluções negociadas. Sendo assim, quem detém o poder deverá sentir que tem a obrigação de promover o diálogo. A verdadeira liderança manifesta-se e afirma-se quando, apesar de ter o controlo da força, consegue estabelecer plataformas de negociação. Liderar, no mundo de agora, significa saber criar mecanismos de consulta, de debate e de consenso.

publicado por victorangelo às 19:37

16
Out 19

No campo das ideias, uma das grandes frentes de batalha actuais é a luta contra os charlatães. Eles andam por aí. Na política, na vida académica, na comunicação social, nas redes sociais. São os “Narcisos” de agora. Têm sempre uma solução para tudo e mais alguma coisa. Alguns, inventam estatísticas e factos, para dar mais credibilidade às suas teorias e discursatas. Impressionam pela mentira e pelo teatro. Enchem plateias, porque existe sempre gente disponível para acompanhar a exibição e fazer parte do show.

Por isso, o espaço para o contraditório tem que ser garantido. Em todas as áreas que importam para a vida pública. Através do comentário honesto e informado. Também, por meio de colunas e rubricas de detecção de mentiras. Os jornais de referência têm aqui uma responsabilidade especial: devem ajudar os leitores na identificação de mentiras e dados falsos. Esta é uma nova área de jornalismo, numa altura em que as “notícias falsas” passaram a ser moeda corrente.

publicado por victorangelo às 15:52

09
Out 19

Extremismo político é sempre mau. Mas, existe. Penso, no entanto, que as nossas sociedades europeias são suficientemente maduras, do ponto de vista democrático. Sabem, por isso, como tratar os extremismos, empurrando-os para as franjas do espectro político. Mesmo assim, é fundamental denunciar de modo permanente os erros, exageros, falsidades e perigos que esses extremistas defendem. E não esquecer que do extremismo ao populismo não há mais que um pouco de caminho a percorrer. E aí, sim, encontramos um risco muito grande.

É preciso tratar destas coisas com inteligência e militância. Não dar tréguas às ideias ultra-radicais e contrárias aos interesses nacionais. E nunca esquecer que os cidadãos gostam do bom senso e da verdade. Detestam, cada vez mais, os chavões, as brigas de recreio infantil, as reacções parvas, o barulho das palavras ocas. E quando estas coisas são transmitidas em directo, na televisão, o caldo ainda fica mais entornado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:45

05
Out 19

Os nossos intelectuais gostam de produzir opiniões definitivas sobre questões complexas. Têm opinião sobre tudo e de modo categórico. Cortam a direito, quando haveria necessidade de fazer um percurso cuidadoso das ideias e dos contextos, de proceder a uma escolha criteriosa das opções e da hierarquia das prioridades.

Assim acontece, por exemplo, quando se levanta a questão de saber qual é o principal problema que Portugal enfrenta. Este tema apresenta uma grande complexidade, requer um leque de análises e de pistas conectadas. Mas as nossas inteligências públicas não hesitam. Têm pronta uma resposta directa, uma espécie de verdade indiscutível, uma linha que explica tudo.

Depois disso, deixa de haver espaço para o debate. A opinião emitida por quem tem banca na praça é definitiva e dogmática. Qualquer desvio, ou interpretação diferente, é vista como uma aberração. O diálogo é substituído pela disputa, a argumentação pela guerra das palavras e dos egos.

A falta de diálogo não será o problema mais sério que o país enfrenta. Mas que é um problema, disso não tenho dúvidas.

publicado por victorangelo às 15:30

29
Set 19

Hoje, mais do que nunca, é fundamental mostrar boa-fé, quando se faz política. Os eleitores têm acesso a muitas e diversas fontes de informação. Alguns poderão ter imensas dificuldades perante tanta informação. Mas uma grande parte acaba por formar uma opinião ou ver o seu ponto de vista confirmado. E uma das características que procuram nos políticos de agora, depois de tantas decepções e enganos, é a da sinceridade.

A lisura de intenções dá votos. Por isso, se eu fosse conselheiro de algum político dir-lhe-ia que, acima de tudo, é necessário mostrar que se anda na política e em campanha pelo bem comum. Porque se acredita na causa pública, no projecto que se defende, numa maneira positiva e altruísta de governar o que é de todos.

A imagem e a narrativa devem reforçar o sentimento de franqueza e de verdade que procuramos transmitir. Está aí o segredo do apoio popular.

Creio dever lembrar isto, agora que estamos todos em campanha, uns activamente, outros por tabela e porque não conseguimos fechar os olhos à realidade que nos cerca.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:41

27
Set 19

Começo por pedir desculpa a todas as Excelências. Mas queria voltar à questão de Tancos, para fazer uma pergunta pouco inocente. Quando na longa lista de arguidos encontramos um Ministro, o ex-director da Polícia Judiciária Militar, coronéis e majores, e uma certa suspeita sobre um Tenente-General, como se pode dizer que o assunto não tem uma dimensão política?

Não digo partidária, oiçam bem, mas política.

Obrigado.

publicado por victorangelo às 16:57

26
Set 19

A parte “justiça” do caso de Tancos não deve, na verdade, ser comentada. Um número de indivíduos foi constituído arguido, acusados de vários crimes. Cabe agora à administração da Justiça tratar desses casos, um a um. A única observação que se poderá fazer é para rogar que os processos avancem rapidamente, tendo em conta a natureza dos crimes imputados e o tipo de instituição que está no centro da questão. Certos brados são uma ilusão, reconheço, mas devem ser feitos, apesar de tudo.

Mas existe uma parte política, que não pode ser escondida por detrás do biombo da justiça. Essa parte levanta muitas interrogações. Devem ser esclarecidas. A lista dessas interrogações inclui: a responsabilidade política; o funcionamento e a circulação da informação nos órgãos de soberania directamente ligados ao assunto; a responsabilidade militar, de quem mandava e estava na linha de comando; a performance, a disciplina e a motivação de algumas secções do Exército, o que isso implica e exige como medidas de correcção; o sistema de valores que impera em certos círculos com autoridade e que terá levado alguns dos arguidos a pensar que o caso seria abafado pelos grandes do reino.

Só estas questões já dariam pano para muitas mangas, se houvesse uma vida partidária capaz de ir além do nevoeiro mental.

publicado por victorangelo às 19:37

17
Set 19

Na minha opinião, o debate político das próximas semanas deveria opor os que apenas procuram gerir a situação, com mais ou menos folgas, mais ou menos simpatia e sorrisos, aos que poderiam ter um projecto para Portugal. Um projecto que nos levasse além da mediocridade, do deixar andar e do salve-se quem puder. Que pensasse no futuro, nas bases de uma economia mais moderna e sustentável, na protecção dos recursos naturais e do ambiente, num povo melhor preparado e com maior capacidade de intervenção cidadã, numa língua portuguesa que não fosse aviltada por uma incapacidade de a defender, num país mais seguro e mais amigo dos mais fracos. Também, um país mais capaz de contribuir para o fortalecimento da União Europeia e para o reforço da cooperação e da harmonia internacionais.

Só que isso parece um sonho. O debate político continua a ser entre gestores de contas correntes.

 

 

publicado por victorangelo às 21:10

09
Set 19

Passei um par de dias a conduzir pelas zonas fronteiriças que separam o Baixo Alentejo e o Algarve da província espanhola de Huelva. Ambos os lados estão a fazer um uso intensivo das reservas de água disponíveis. Não parece haver regras, nem uma visão sustentável da gestão do recurso. Primam os olivais, os laranjais, os diversos pomares, as vinhas e outras culturas, bem como uma utilização desenfreada da água para alimentar uma proliferação de piscinas e de jardins privados. As reservas freáticas e os lençóis em profundidade, que se formaram ao longo de milhões de anos, estão sob pressão frenética, por motivos comerciais e porque os novos-ricos querem que as suas residências secundárias se assemelhem às vivendas das estrelas de Hollywood. O próprio Alqueva está a ser chupado a toda a velocidade, para regar centenas de milhares de pés de oliveiras, campos de milho a perder de vista – sim, em pleno Verão, milho nas securas do Baixo Alentejo, mas que aberração – e uvas e mais uvas. A floresta tradicional, menos exigente em água, mais adaptada ao clima e às condições do solo, só sobrevive nas zonas de serra e onde se cria o porco ibérico.

A água será, nestas regiões, e noutras da Península, uma das grandes questões do futuro. E poderá vir a ser, à volta do Guadiana, uma fonte de tensão entre os dois países vizinhos. É um tema essencialmente político, que é totalmente ignorado pelos anões políticos que por aí andam.

publicado por victorangelo às 21:28

05
Set 19

Ninguém sabe qual é a percentagem de políticos dispostos a colocar os interesses colectivos acima das suas ambições pessoais. Nem há maneira de estimar, mesmo grosseiramente, essa proporção. Não serão muitos, infelizmente.

Mas, existem.

O que se passou esta semana, no Partido Conservador britânico, revelou alguns. E hoje, o pedido de demissão de Jo Johnson, o irmão de Boris, acrescentou mais um nome à lista. Gente assim dá credibilidade à política. O problema é os líderes dos partidos não gostarem de pessoas com a coluna vertebral direita. Transformam, assim, a política num palco de corcovados ambiciosos e obsequiosos.

publicado por victorangelo às 21:31

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