Portugal é grande quando abre horizontes

20
Fev 19

No centro da Europa, a paisagem política está a mudar profundamente. Uma das características mais marcantes dessa mudança está relacionada com a distância entre uma boa parte da população e a classe política. Vista a partir das pessoas, a divergência parece ser cada vez maior. O distanciamento é uma nova variável política. Assim, uma das grandes prioridades dos dirigentes tem que ser a aproximação e a conexão com os cidadãos.

Neste sentido, queria aqui referir um ou dois resultados de um inquérito de opinião, hoje posto em cima da minha mesa. Refere-se a duas amostras de eleitores, uma em França e a outra na Bélgica.

Em cada 10 inquiridos, 4 responderam que não têm qualquer tipo de confiança no sistema político vigente no seu respectivo país. O grau de desconfiança é comparável, na França e na Bélgica, o que nos surpreende e faz pensar.

Mais precisamente, 41% das pessoas declaram abertamente ser “anti-sistema”. Não se identificam com as instituições representativas que existem. Não lhes reconhecem valor. Na verdade, consideram que os políticos não têm em conta as preocupações das pessoas comuns, que o poder não se interessa pela melhoria das suas condições de existência.

Essas pessoas manifestam um receio evidente perante o futuro. É claro que isso poderá ser explorado por movimentos políticos que prometam o impossível, que de um lado quer do outro do espectro político.

As duas grandes preocupações desses cidadãos dizem respeito à mobilidade entre as suas residências e os locais de trabalho ou as infra-estruturas sociais, bem como ao custo de vida, à falta de meios para lhe fazer frente.

Um boa parte desses cidadãos trabalha, mas em empregos que apenas exigem níveis de escolaridade mínimos e que pagam salários mais baixos. Outro problema é o do trabalho a tempo parcial ou precário, um fenómeno que tem estado a crescer. Depois, há a questão do desemprego.

Finalmente, o pessimismo e o descontentamento estão mais presentes nas categorias etárias acima dos 45-50 anos.

Perante isto e outros dados, é evidente que a política de hoje não pode ser feita com as ideias e os conceitos de ontem.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:46

29
Jan 19

Segui com atenção o debate de hoje no parlamento britânico sobre o Brexit, bem como a votação das diferentes propostas de moção. No essencial, considero que foi, em grande medida, um exercício destinado a salvar a face dos membros do Partido Conservador e da Primeira Ministra, em particular. Também serviu para os preparar para engolir a pílula amarga. Ou seja, para que aprovem, dentro de duas semanas, a 13 ou 14 de fevereiro, o acordo de Theresa May sobre a saída do Reino Unido da UE.

O resto é espectáculo. Mas uma comédia triste, que vai sair cara.

publicado por victorangelo às 21:16

16
Jan 19

A votação do projecto de acordo de saída da UE, que ontem teve lugar no parlamento britânico, levou-nos a todos para águas nunca antes navegadas. A todos, no sentido dos sujeitos de Sua Majestade e também a nós, os europeus. Sim, na verdade, a rejeição do tratado sobre o Brexit não é apenas um problema britânico, como alguns estão a ver a questão. É igualmente um grande quebra-cabeças para os Estados Membros da UE. Os britânicos serão, certamente, os que maiores prejuízos sofrerão. Mas as repercussões negativas, se não houver acordo, também se farão sentir em vários cantos da UE. Nomeadamente, na esfera económica. Depois de mais de quarenta e cinco anos de partilha do mesmo espaço económico, é evidente que as economias de ambos os lados do Canal da Mancha têm ligações profundas. Qualquer ruptura ou simples disrupção terá de imediato grandes consequências, quer em termos macro-económicos que ao nível do consumidor individual.

Para além da economia, outras áreas de cooperação seriam igualmente prejudicadas, em caso de não acordo. A segurança, a investigação científica comum, a mobilidade dos cidadãos são apenas outros exemplos a juntar às dimensões económicas e do nível de vida das famílias.

Dito isto, para mim é claro que as partes não podem fechar as portas à continuação do diálogo sobre as condições de saída e sobre o relacionamento futuro. Discussões deste tipo são particularmente difíceis, por serem inéditas – não podemos beneficiar de lições aprendidas no passado – e porque têm implicações políticas fundamentais para os dois lados. O revés de ontem, por muito negativo que a votação tenha sido – e foi, de facto, um resultado surpreendente – não deve ser usado para apontar as culpas para um dos lados. Deve, isso sim, ser um motivo de reflexão e um desafio. Como ultrapassar uma situação que parece não ter solução? Essa é a questão que os dirigentes britânicos e, por seu lado, os europeus devem colocar em cima das suas mesas de trabalho.

Para começar, é preciso parar o relógio do Brexit. Isso significa que a Primeira-Ministra Theresa May deve, desde a próxima semana, pedir formalmente um adiamento da data de saída do Reino Unido. Terá que ser um pedido bem fundamentado. Mas só poderá ter uma resposta. Que sim! Os ruídos actuais sobre esta questão, vindos das capitais europeias, não têm mostrado a contenção e a sabedoria que se espera dos principais líderes da Europa. Há que calar e esperar que o pedido formal seja feito.

Em segundo lugar, é conveniente lembrar aos dirigentes britânicos, uma vez mais, que uma estratégia de divisão das posições no seio da EU é pura e simplesmente inaceitável. Tentar ressuscitar essa via seria um erro que teria que ser imediatamente posto em causa. Não se pode deixar contaminar a Europa com as dificuldades, confusões e ilusões que a classe política britânica está a sofrer. O Brexit não pode ser um risco de morte para a unidade europeia.

Quanto ao resto, iremos lá com calma.

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:25

28
Dez 18

A fiscalidade europeia não pode ser uniforme. Não pode haver um regime único que se aplique a todos os Estados membros. Nem mesmo apenas aos da zona euro. O sistema europeu de impostos tem que reconhecer as diferenças existentes entre as várias economias e criar incentivos para atrair um maior volume de investimentos para os países menos desenvolvidos, na periferia dos grandes mercados europeus e geograficamente em desvantagem.

Dizer o contrário é fazer o jogo das economias mais desenvolvidas do centro da Europa. Economias que têm, num raio de duas centenas de quilómetros, dezenas e dezenas de milhões de consumidores, e um poder médio de compra muito superior ao de Portugal ou da Estónia.

Ou então, se não se faz esse jogo, trata-se de mera burrice política.

publicado por victorangelo às 11:39

05
Mai 18

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10359

O link para o meu programa desta semana na Rádio de Macau, um trabalho semanal de equipa com Hélder Beja, um homem de letras, e a jornalista Catarina Domingues. Ambos vivem em Macau há vários anos.

publicado por victorangelo às 17:16

23
Abr 18

A França participou nas represálias conta a Síria com três fragatas. Destas, apenas uma conseguiu disparar os seus mísseis. As duas outras não estavam em condições operacionais de fogo. Os disparos tiveram que ser abortados.

Este foi mais um exemplo dos problemas que encontramos actualmente ao nível de certas forças de defesa europeias.

publicado por victorangelo às 11:27

27
Fev 18

A imigração tornou-se um tema político central em vários países da UE. Deve, por isso, ser tratado frontalmente pelos partidos que giram à volta do eixo central, as forças políticas moderadas e com tradição de governo. O pior erro seria deixar a extrema-direita dominar o discurso sobre a imigração, definir a agenda e transformar a questão numa bomba social.

publicado por victorangelo às 17:22

26
Fev 18

Seria um risco enorme se a opinião pública europeia deixasse de entender a UE como um projecto de cooperação entre os Estados membros, indispensável para salvaguardar os valores que regem a nossa vida colectiva e para garantir a continuação da nossa prosperidade. Se a UE passasse a ser vista como um mero espaço de viagens sem passaporte ou, pior ainda, como uma burocracia sem alma, apenas capaz de satisfazer certos oportunismos políticos e ambições pessoais, entraríamos então num processo de destruição a prazo da unidade europeia. E perderíamos todos, excepto os nossos inimigos exteriores.

publicado por victorangelo às 16:24

18
Fev 18

Na semana que passou, no quadro da minha colaboração semanal com o Magazine Europa, expus as minhas vistas sobre a situação nos Balcãs e o futuro, perante uma possível adesão desses países à UE, bem como sobre a política interna alemã, no seguimento da aprovação de um acordo de governo entre os democratas-cristãos e os sociais-democratas, e ainda, uma vez mais, sobre as novas peripécias à volta do Brexit.

O programa está disponível no site da Rádio Macau:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=9886

publicado por victorangelo às 21:19

04
Fev 18

Contínuo, todas as semanas, a fazer comentários sobre a Europa para os ouvintes da Rádio TDM de Macau.

Os da semana que agora findou podem ser ouvidos através do link que aqui deixo.

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=9816

publicado por victorangelo às 19:46

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