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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Lukashenko e os nossos tolos

O que se passa na Bielorrússia é uma revolta popular contra um ditador que pensa segundo padrões que já não fazem sentido. É um movimento interno, uma explosão democrática de quem está farto de ser humilhado e oprimido, uma afirmação política nacional sem padrinhos externos. Todos os vizinhos do país, incluindo os russos, sabem que assim é. E por isso, tem havido uma certa contenção, quer ao nível europeu quer no Kremlin. O país tem uma importância estratégica evidente, para ambos os lados, Europa e Rússia. Faz parte de um equilíbrio precário. Mas o equilíbrio não impede que se reconheça o direito dos cidadãos da Bielorrússia à liberdade, que começa pela organização de eleições honestas.

Alguns saudosistas vêem Alexander Lukashenko como se fosse o último representante dos tempos soviéticos. É verdade que foi educado nesse quadro político. Mas Lukashenko é apenas um ditador, que se socorre do que pode e do que sabe, para se manter no poder. A sua ambição política é apenas essa.

A maneira de falar é muito importante

Utilizar as expressões “forretas” e “poupados” não ajuda o nosso país. O Zé do Cacete ou o comentador televisivo com um ar de vinho tinto mal apurado são certamente fãs desse tipo de linguagem. Mas, a política tem que ser feita com outro espírito. O relacionamento entre os Estados membros da União Europeia deve assentar em discussões construtivas entre os líderes e numa narrativa pública positiva.

Uma relação séria e com peso e medida. Crítica, não haja dúvidas, capaz de defender os nossos interesses, certamente, directa, para que se entenda, mas dentro dos limites que promovem o bom entendimento entre parceiros de um mesmo projecto.

Firmes mas comedidos

Creio ser politicamente errado continuar a atacar o governo holandês com a ferocidade a que estamos a assistir. Pode dar lucros e dividendos, na nossa cena política interna, mas não faz avançar o projecto europeu de um milímetro. Para mais, agora, que há um acordo que vale 540 mil milhões de euros, a que se juntam os 750 mil milhões que serão disponibilizados pelo Banco Central Europeu. É muito dinheiro e fácil de aceder. Cabe-nos saber aproveitar esses recursos com inteligência. É isso que a nossa população e a nossa economia esperam.  

Atacar directamente os Países-Baixos e manter o silêncio perante o que se passa na Hungria, em termos de falta de respeito pelos valores democráticos europeus, parece-me má política.

Assim vamos andando

O Banco Central Europeu vai desempenhar um papel fundamental no financiamento da recuperação económica dos Estados membros. Ao anunciar que comprará toda a dívida que venha a ser emitida por cada Estado, diz-nos que não há razão para preocupações com o investimento público, incluindo nos países mais seriamente afectados pela imensa crise que resulta da epidemia de Covid-19. E para quem se tenha esquecido, quero lembrar que o BCE é uma instituição da União Europeia e que este benefício se aplica aos países da zona euro. Vale a pena estar nessa zona.

Os Estados da União que ainda estão fora da zona euro vão precisar de um mecanismo de ajuda especificamente desenhado para eles. Será aí que a questão da solidariedade se porá de modo mais concreto.

Entretanto, quem quer ganhar pontos na cena interna vai dizendo umas coisas violentas e ameaçadoras sobre o futuro da União. É uma das linhas políticas que está a dar.

Criticar é mais fácil do que procurar entendimentos. O entendimento significa que se compreende os contrangimentos de cada parte. Tal como António Costa tem que ter em conta o que pensam os portugueses, outros líderes têm que responder perante as suas opiniões públicas. São assim o xadrez europeu e o jogo democrático. A isso, juntam-se preconceitos e ideias feitas, que devem ser combatidos, não à traulitada mas sim na base do diálogo e do respeito por cada um dos povos que estão neste mesmo projecto. Quem respeita os outros tem todo o poder para pedir respeito para com os seus. Quem perde as estribeiras arrisca-se a cair do cavalo.

E há por aí muita gente pronta para cair do cavalo. Os comentários que tenho lido sobre os “coronabonds” mostram-no. Mostram mesmo gente que passou toda a sua vida na diplomacia, nas altas esferas, e que agora, já jubilados, são tão etc, etc, etc, como os outros, que tiveram uma vida mais terra a terra. Não me meto com eles, seria um erro, mas não posso deixar de dizer que as grandes crises revelam o que vai na alma e na cabeça de muita gente. O bom e o menos bom, vem muita coisa à superfície.  

 

Donald Trump e nós

Donald Trump completa agora três anos de presidência. Por coincidência, o processo da sua eventual destituição começa amanhã no Senado. É quase certo que não será destituído, porque não há uma maioria suficiente para que isso possa acontecer. O clima político está profundamente radicalizado. Os senadores irão votar com base em posições partidárias e não terão em conta o mérito ou desmérito dos argumentos contra o Presidente. Donald Trump continuará na Casa Branca e irá tentar tirar um imenso proveito político da tentativa de destituição. Saberá fazê-lo, não tenho dúvidas.

Será o candidato oficial do seu partido nas presidenciais de Novembro. Olho para o lado oposto, para quem possa ser o possível contendor vindo do Partido Democrata, e não vejo quem possua a genica suficiente para ameaçar a reeleição de Donald Trump. Olho também para o panorama político que existe agora nos Estados Unidos e fico ainda mais convencido das dificuldades que qualquer um dos possíveis candidatos democratas terá que enfrentar.

Donald Trump tem aprofundado as fracturas existentes na sociedade americana. Vai continuar a fazê-lo. Sabe jogar nesse tabuleiro, que é o tabuleiro da divisão e do antagonismo. Fala e pensa como muitos dos cidadãos falam e pensam, cidadãos que vêem as mudanças sociais e o mundo como ameaças aos seus interesses. Quando existe medo do futuro, o homem forte, com voz grossa e frases brutais, tem imensas hipóteses de ser escutado. É, à partida, um ganhador.

Os americanos decidirão. Mas essa decisão tem um impacto bem maior do que o limitado pelas fronteiras dos Estados Unidos.

O meu conselho, para quem tem responsabilidades políticas na Europa, é muito directo. Contados a partir de hoje, são mais cinco anos de imprevisibilidade à moda de Donald Trump. A resposta europeia deve passar por um reforço da unidade no seio da UE e por um afastamento discreto, que não diga o seu nome, mas determinado, da política americana. Quanto mais depressa isso acontecer, quanto mais fortes nos tornarmos, mais resguardados estaremos das surpresas que Donald Trump nos poderá criar.

 

 

O Matulão é perigoso

Aqui, na nossa rua, nós chamamos-lhe o Matulão. Não é o verdadeiro nome do vizinho, mas é a alcunha que melhor traduz o que dele pensamos. Só mencionamos o seu nome oficial na sua presença. Por respeito, mais ainda por razões de medo, que o Matulão é mesmo enorme e quando se chateia ameaça partir a loiça toda. Diplomaticamente, até o tratamos por aliado, uma palavra que soa bem, mas que esconde a nossa enorme dependência em relação à força bruta desse vizinho. Também esconde as nossas fraquezas.

Cada vez nos sentimos menos à vontade na sua presença. O Matulão está a portar-se, cada vez mais, como um rufia, que só faz o que lhe passa pela real gana. Quando se lembra de nós, aperta-nos o pescoço e obriga-nos a dizer que sim, a cantar as suas canções e a jurar que a nossa aliança está forte e promissora. Na verdade, a aliança está desarticulada e desorientada, parece cada vez mais uma marionette sem tino. Mas as aparências são o que são e, perante o Matulão, tem que se cantar o hino da união e dos vencedores, dos imbatíveis.

O Matulão gasta uma fortuna em fisgas e varapaus. Não hesita e endivida-se até à raíz dos cabelos para adquirir os melhores cacetes que o mercado oferece. Está sempre a inventar novos tipos de objectos para uma porrada mais pesada. Nós, o restante pessoal da rua, não vemos essa coisa da força da mesma maneira. As nossas famílias não aceitam que se gastem fortunas na aquisição de novos cajados e outros bastões. E nós, o resto da vizinhança, a que o Matulão gosta de chamar aliados, também não nos entendemos nessas matérias. Por isso, continuamos nas mãos do Matulão. Coisas que aconteceram recentemente mostram que isso é um risco enorme. Incontrolável.

 

 

A votação no Parlamento Europeu

O Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, apoiou de maneira clara a candidatura da nova Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Foi uma decisão politicamente correcta, que lhe dá força no seio da UE e que favorece a posição de Portugal. Ainda bem.

Sou dos que acreditam que a nova Presidente poderá desempenhar um papel positivo, à frente da Comissão, bem como ser uma promotora de novos equilíbrios entre as diferentes famílias políticas representadas no Parlamento Europeu. Isso é fundamental, numa altura em que existe uma grande fragmentação política ao nível europeu.

Lamento que o Grupo dos Verdes, no PE, não se tenha abstido, na votação desta tarde. O discurso que Von der Leyen pronunciara, antes da votação, continha elementos e promessas ambientais suficientes, capazes de justificar a abstenção. Ao votar contra, Os Verdes mostraram falta de maturidade política, dando a primazia ao não sobre o talvez, à hostilidade sobre a dúvida positiva e que possa encorajar. Veremos se assim vão continuar. Espero que não.

 

 

 

Votar a favor de Ursula von der Leyen

Ursula von der Leyen vai a votos amanhã. O Parlamento Europeu decidirá se a confirma como sucessora de Jean-Claude Juncker ou não. Neste momento, é difícil de prever o sentido da votação. Mas a verdade é que Von der Leyen veio hoje a público para assumir uma série de compromissos em matéria ambiental, de Estado de direito e de política de igualdade entre os homens e as mulheres que fazem todo o sentido. Nessa base, e tendo presente a seriedade da candidata e o seu posicionamento ao centro do espectro político, penso que faz todo o sentido votar a favor da sua nomeação.

Há quem a acuse de fraqueza política, em termos de capacidade de liderança, e de um certo conservadorismo. Penso que não está correcto. E lembro-me de um certo Jacques Delors, que chegou a Bruxelas em 1985, para ocupar o mesmo posto que Ursula von der Leyen deverá assumir. Muitos diziam então coisas parecidas com o que se diz agora sobre a candidata alemã. Depois, aconteceu o que todos sabemos.

Espero que a votação de amanhã seja clara e favorável.

O Conselho Europeu continua dentro de momentos

O Conselho Europeu de ontem, que se prolongou até à madrugada de hoje, não conseguiu chegar a um acordo sobre quem deverá assegurar o bastão de comando da Comissão Europeia, no final do mandato de Jean-Claude Juncker. Havia outros lugares de topo em jogo, mas o bloqueio começa com a essa nomeação. Uma vez resolvida, será mais fácil encontrar consensos sobre quem irá ocupar os outros cargos.

Foi uma cimeira de fracturas. As posições defendidas por uns e pelos outros – falo dos Chefes de Estado e de Governo, que são quem se senta no Conselho Europeu – não eram apenas divergentes. Assentavam em todo um complexo conjunto de razões, que impediam a convergência. Eram questões políticas e pessoais.

Angela Merkel saiu da reunião com a postura de Estado que se impunha. Disse fundamentalmente que as discussões continuariam e que seria encontrada uma solução. Normal. Uma decisão a 28 não é fácil de tomar, sobretudo quando não há uma família política que tenha os votos necessários para fazer passar a sua agenda. Sem esquecer que há sensibilidades geopolíticas distintas, bem como visões do futuro da Europa que andam há procura de uma plataforma comum.

Compreendo a dificuldade.

Mas não compreendo os que saíram da reunião a queixar-se dos outros. O Conselho não pode funcionar assim, com sarcasmos, ataques frontais e arrogantes contra alguns dos seus membros. O Presidente francês precisam que lhe digam isso. E o Primeiro-Ministro de Portugal também.

Em política, e nomeadamente em política europeia, é preciso mostrar respeito e paciência. Cada país deve sentir que conta e que as suas preocupações são ouvidas com atenção.

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