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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Joe Biden

A conferência de imprensa do Presidente Joe Biden – a primeira do seu mandato – confirmou aquilo que já se começou a ver, desde a sua tomada de posse. Tem prioridades claras, é consistente na sua persecução e defende uma política externa relativamente clara, embora nessa área já exista uma nódoa, que tem o nome do príncipe herdeiro da Arábia Saudita. No essencial, é importante estudar com atenção o que disse, a maneira como o disse e as respostas que deu.

No essencial, tem sido uma presidência positiva e dinâmica. Joe Biden é uma boa notícia nestes tempos de incertezas.

Um jogo no tabuleiro do Irão

O assassinato do cérebro da energia nuclear iraniana foi executado de um modo profissional. Li várias descrições do que poderá ter acontecido porque existem diferentes versões da maneira como a emboscada foi executada. E de quantos veículos, motas e agentes estariam envolvidos. Mas não tenho dúvidas que foi uma operação de forças especiais. Exigiu meios, informações e executantes bastante sofisticados e perfeitamente treinados. Daqui é fácil de concluir que o assassinato foi planeado, organizado e levado a cabo por um Estado hostil ao Irão.

O principal motivo poderá ser distinto daquele que é mais óbvio, o de desferir um golpe importante que atrase o avanço do programa nuclear iraniano. Esse programa está numa fase que já não depende apenas de um cientista-chefe. O Irão tem várias equipas especializadas em matéria nuclear, incluindo no domínio da transformação do nuclear para fins bélicos. O verdadeiro motivo será outro. O estado promotor deste acto sabe o que pretende. O assassinato foi uma aposta muito grande, feita na esperança de atingir o objectivo principal.

Depois da pandemia

Com o progresso acelerado em matéria de vacinas contra a covid-19, seria útil reflectir sobre o mundo que aí vem, no período pós-pandemia. Será, certamente, um mundo diferente, nas áreas económicas e humanas, bem como no relacionamento entre os diferentes estados. No caso destes últimos, a grande lição que deverá ser retirada das campanhas de vacinação é a da cooperação entre todos. Mas é possível que essa conclusão se limite apenas às matérias de saúde pública. Isto significaria que os verdadeiros líderes, com uma visão global, deveriam procurar levar a questão mais longe e promover a cooperação noutros domínios de interesse universal. Um deles seria certamente o do aquecimento global. Outro teria de ser no campo da cooperação económica, com o objectivo de combater a pobreza extrema. Os tempos recentes mostraram-nos que quando há vontade política é possível fazer milagres. Tem de haver vontade política na luta contra a pobreza. Esta é um dos factores mais importantes de instabilidade no interior dos estados e a nível internacional. As receitas necessárias, do ponto de vista económico, são conhecidas. Passam pelo comércio sem barreiras, pelo tratamento preferencial dos mais pobres, pela formação profissional dos jovens, por investimentos limpos e pela eliminação da corrupção.

Este debate sobre o futuro pós-pandémico é, na verdade, o debate que se impõe.

António Costa e a ONU

O discurso do Primeiro-Ministro António Costa, proferido hoje perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, foi positivo e abrangente. Disse tudo o que se espera de quem apoia o sistema onusiano e acredita na cooperação e nas parcerias internacionais. A ligação que fez entre desigualdades sociais, segurança internacional, crescimento demográfico e degradação do ambiente foi inteligente. Falou ainda do alargamento do Conselho de Segurança, como fazendo parte da reforma do mesmo, e aproveitou para marcar pontos junto do Brasil, da Índia e de África. As referências feitas à dignidade humana e aos direitos básicos das pessoas completaram bem o quadro. Falou durante mais ou menos 13 minutos, o que é um tempo apropriado. Seria importante que houvesse  versões escritas em inglês e francês do seu discurso.  

O Líbano e a sua crise

A situação no Líbano continua a ocupar as primeiras páginas da imprensa internacional. Hoje foi o governo que se demitiu. O país está a viver um novo período dramático da sua história. As instituições políticas e a economia estão de rastos e a vida de sectores importantes da população, sobretudo na capital, é um oceano de dificuldades. As forças armadas e alguns serviços de segurança são as únicas estruturas que conseguem ainda manter uma certa normalidade de funcionamento. Isso é surpreendente, mas não é suficiente para permitir o regresso à estabilidade.

Conheço muitos libaneses. Sempre admirei as suas capacidades de adaptação a ambientes difíceis e as suas habilidades como empreendedores. O problema reside nas elites políticas e nas que vivem à custa dos seus contactos com o mundo da política. Nesses círculos existem níveis muito elevados de corrupção e de ineficiência, devido ao clientelismo político, étnico, religioso e identitário.

A solução da gravíssima crise libanesa não pode vir do estrangeiro. Tem que ser construída por novas elites e por movimentos de cidadania que ultrapassem as clivagens existentes. O estrangeiro pode mobilizar ajuda humanitária e recursos financeiros de urgência, mas não pode nem deve tentar substituir-se aos responsáveis nacionais. Estes terão que olhar para o seu país de um modo diferente.

A ideia de um mandato internacional, de uma nova forma de subordinação do Líbano ao exterior, não é defensável. Isso são soluções do passado distante. Nada têm que ver com o mundo de hoje. As Nações Unidas ou um outro actor internacional não podem tomar conta do país. Alimentar esse tipo de ilusões é um erro e uma maneira de defraudar o povo libanês.

A Europa entre os Estados Unidos e a China

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/25-jul-2020/da-distancia-social-a-politica-12464512.html?target=conteudo_fechado

Este é o link para o meu texto de hoje na edição em papel do DN. 

Voltarei ao tema. Parece-me particularmente importante. E não é apenas uma questão de competição comercial. 

Os 75 anos da Carta da ONU

A Carta das Nações Unidas festeja hoje os seus 75 anos de existência. Assinada em São Francisco, na Califórnia, foi um documento visionário, aprovado por líderes de grande envergadura, que tinham acabado de viver a guerra mundial e queriam criar as condições políticas para que não voltasse a haver um conflito dessa magnitude.

No essencial, a Carta continua válida. Nas minhas actividades de agora, faço muitas vezes referência ao documento. E à autoridade que confere ao Conselho de Segurança e ao Secretário-geral. Na Carta não há equívocos nessa matéria. Só que a realidade política internacional está em transformação e nem sempre as novas circunstâncias são favoráveis ao desempenho de um papel mais activo, por parte da ONU.

Essa é a situação actual. O Conselho de Segurança está profundamente dividido. E as grandes potências procuram soluções bilaterais, fora do âmbito das Nações Unidas. O Secretariado e as agências estão inteiramente dependentes da boa vontade – que não é nenhuma – dos membros permanentes. Perderam a capacidade de definir a agenda, de tomar iniciativas estruturais e de poder lembrar os valores que devem reger as relações internacionais. Estão em modo de sobrevivência, que é um modo que, normalmente, não leva a parte alguma. Esperar que os tempos difíceis e os líderes actuais passem podem parecer uma boa estratégia, a de ganhar tempo. Veremos se vai dar resultado.

Prefiro uma intervenção mais visível e mais centrada no que é, de facto, essencial para o mundo de hoje.

De qualquer modo, é bom lembrar os 75 anos e a pertinência da Carta.

Falar verdade e com clareza

O mundo está hoje mais instável, inseguro e pobre. Não me refiro apenas à epidemia de Covid-19. Falo de uma situação que resulta da má liderança dos personagens de maior importância na cena internacional. E neste momento, o foco das atenções está centrado no Presidente norte-americano. É a actualidade do que se está a passar no seu grande país que dita o sentido da atenção internacional.

Donald Trump é um perigo para os Estados Unidos e para o mundo. Trata-se de um megalómano sem cultura nem valores, que vê o mundo a preto e branco. Ou se está com ele, a apoiá-lo cegamente, e isso é considerado normal, ou se está contra, abrindo-se assim as portas a todo o tipo de ataques, a todas as tentativas de esmagamento. Contrariamente aos líderes positivos, o Presidente Trump não pensa em termos de inclusão e de alargamento do círculo. Reage, isso sim, como um político feroz e ditatorial.

Enquanto europeus, temos pouco que dizer sobre o que está a acontecer nos Estados Unidos. O racismo, a brutalidade, a exclusão social, o desespero, a falta de respeito pelas oposições, são factos reais que os cidadãos americanos terão que resolver. Uma parte desses cidadãos acha que a força, a discriminação, o individualismo extremo e a indiferença social são os pilares da sociedade. São esses que constituem os alicerces eleitorais de Donald Trump. Do outro lado da barreira, encontramos muita gente que pensa em termos democráticos e solidários. Só podemos esperar que votem em Novembro e que o seu candidato substitua Donald Trump.

Mas quando olhamos para a cena internacional, temos imenso para dizer contra as opções que o Presidente americano tem tomado. E enquanto aliados nominais dos Estados Unidos, o nosso nível de preocupações aumenta de modo muito marcado. Este é um aliado que não está na mesma frequência de ondas em que nós nos encontramos. Não há sintonia. Entre os nossos, que estão em posições de poder, ninguém quer falar disso, abertamente. Mas este é um segredo público, uma máscara política que nada esconde. Existe muita preocupação. E muita esperança que o  personagem saia de cena no início do próximo ano.

Eu aconselharia prudência. É possível que desapareça do mapa, como também é possível que seja reeleito. Por isso, parece-me ter chegado a altura de falar mais abertamente sobre o assunto para dizer, acima de tudo, que estamos em desacordo e muito preocupados.

Tempo de cooperação internacional

Não temos experiência de como tratar rupturas tão vastas e perturbadoras como a actual. Por isso é importante dizer, com toda a humildade, que aprendemos à medida que avançamos e ao ver o que outros estão a pôr em marcha.

 A situação nacional de cada um pode ser diferente, mas há sempre lições a tirar, com a experiência dos outros. Por isso e por se tratar de uma crise global, a cooperação internacional deve ser uma das chaves de resposta. Quanto maior for a coordenação entre os Estados, melhores serão os resultados. Temos que levantar a voz e pedir que as medidas que cada um vai tomando sejam integradas num conjunto que lhes dê coerência e que lhes sirva de alavanca. Daí a importância das organizações multilaterais e inter-governamentais. Mas atenção, essas organizações precisam de ser ousadas e de propor medidas coerentes. A liderança que possam desempenhar terá que vir da qualidade das propostas que façam. Isso é verdade no que respeita ao sistema da ONU, como também o é quando se pensa na Comissão Europeia ou noutras entidades regionais, como, por exemplo, a União Africana ou a Organização dos Estados Americanos (OAS).

Infelizmente, as organizações internacionais não têm mostrado a iniciativa que delas gente como eu espera. A própria Comissão Europeia tem sido lenta e tímida.

 

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