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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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O general traiçoeiro

Um dos comentadores putinistas a quem é dada habitualmente voz na CNN Portugal – um Major-General na reserva, que aprendeu geoestratégia na GNR e que na sua condição de militar não deveria fazer comentários políticos, mas no regabofe que são as nossas chefias militares e perante a incompetência habitual do Ministério da Defesa, ele fala e contraria a posição oficial, com toda a impunidade – disse hoje que os crimes de guerra de Izium fazem apenas parte da propaganda de guerra dos Ucranianos.

 

Joe Biden anda pelo Médio Oriente

https://www.dn.pt/opiniao/joe-biden-o-medio-oriente-e-a-coerencia-em-politica-15019740.html

Assim escrevo no Diário de Notícias de hoje. E a quem pensa o contrário, esclareço que não comparo a minha escrita com outras. Cada um tem o seu estilo, os seus temas preferidos, a sua interpretação do que pode significar escrever para um público diverso e, em geral, bem informado. Há espaço para todos. 

Cito apenas umas linhas do meu texto de hoje. 

"Uma visita que não traz qualquer tipo de resposta à questão palestiniana, ao obscurantismo e à crueldade do regime saudita, ou à contenção da ameaça iraniana, só pode ser notada pela negativa."

A geopolítica não serve para justificar guerras

Hoje, vi-me forçado a lembrar ao meu amigo D. que estamos em 2022. Já não vivemos em 1991 ou 1998, e ainda menos nas décadas anteriores. Agora, as pessoas e as suas opiniões contam como não contavam nesses tempos. Se os ucranianos não querem ser russificados, ou aderir à Rússia de Vladimir Putin, não há nenhuma teoria geopolítica que justifique o uso da força. Esse uso é pura e simplesmente ilegítimo.

E já agora, o mesmo se pode dizer sobre Taiwan, o Tigray, a Palestina e outros territórios.

Nota sobre a nova ordem internacional

O paradigma geoestratégico mudou. O conflito deixou de ser sobre zonas de influência. Essa era a concepção que nos vinha dos tempos da Guerra Fria. Hoje já não justifica nada, já não pode servir como motivo para intervir nos assuntos internos de outros Estados. Agora o que conta é a defesa dos direitos humanos, das liberdades fundamentais e dos sistemas democráticos. A geoestratégia tem agora uma dimensão humana. Já não se trata apenas de defender o Estado e o regime. A preocupação agora é com as pessoas, a sua segurança individual e colectiva, a sua integridade física e espiritual. As alianças entre Estados têm de assentar em princípios e valores éticos, que respeitem os cidadãos e lhes permitam ser criativos, livres e uma vivência tranquila, sem medos e sem hipocrisias. 

 

Um xadrez bem complicado

O excesso de confiança e a arrogância podem levar os líderes a cometer erros de apreciação muito graves. Estamos, actualmente, muito perto desse patamar, no que diz respeito à Ucrânia, a Taiwan e ao programa nuclear iraniano. Ou seja, a cena internacional tem hoje um conjunto de crises potencialmente muito perigosas.

Afeganistão: e agora?

https://www.dn.pt/opiniao/nao-podemos-varrer-o-afeganistao-para-debaixo-do-tapete-14196999.html

Este é o link para o meu texto desta semana, hoje publicado no Diário de Notícias. 

Trata-se de reflexão prospectiva sobre o futuro a curto prazo do regime talibã. Abordo a urgência humanitária, a situação económica e a questão do reconhecimento diplomático do novo regime. 

"O reconhecimento do novo regime, incluindo a sua representação na ONU, vai depender da posição que cada membro do G20 vier a adoptar. Acontecimentos recentes mostram uma tendência para o estabelecimento de contactos pontuais, enquanto ao nível político se continuará a falar de valores, de direitos humanos, da inclusão nacional ou do combate ao terrorismo. E a mostrar muita desconfiança para com a governação talibã. Com o passar do tempo, se não surgir uma crise migratória extrema ou um atentado terrorista que afecte o mundo ocidental, o novo regime afegão, reconhecido ou não, poderá ser apenas mais um a engrossar a lista dos estados repressivos, falhados e esquecidos."
Este parágrafo fecha o meu texto. 

Um novo e complexo desafio chamado Talibã

https://www.dn.pt/opiniao/um-novo-capitulo-nas-relacoes-internacionais-14063658.html

Este é o link para o meu texto de hoje, no Diário de Notícias. 

O texto centra-se em duas mensagens. A primeira, para sublinhar que a política internacional deve dar a primazia aos direitos e à dignidade das pessoas. A segunda, para defender que a nova situação no Afeganistão é um desafio regional e internacional muito importante. Por isso, exige um novo tipo de diplomacia, que procure sentar à mesma mesa o G7, a Rússia e a China.

Cito um parágrafo do texto que escrevi:

"O G7 deveria mostrar-se especialmente inquieto com o tipo de governação que os talibãs vão impor. A Rússia está consciente dos riscos para a estabilidade dos seus aliados na Ásia Central. A China está preocupada com a defesa dos seus interesses no Paquistão – os chineses não excluem um cenário em que terroristas paquistaneses e outros possam atuar, no futuro, a partir do Afeganistão e ameaçar o corredor económico que une a China ao porto de Gwadar, no Oceano Índico. Quer a China quer a Rússia teriam certamente muito interesse em participar nessa discussão com os países do G7. Assim se transformaria uma crise numa oportunidade de aproximação entre potências rivais. Ganhariam todos com esse tipo de diálogo, a começar pelos cidadãos do Afeganistão."

Ashraf Ghani

Ashraf Ghani foi hoje forçado a abandonar a presidência do Afeganistão. A queda do seu regime tem um significado enorme, não apenas para a história do seu país como também para a maneira como as democracias ocidentais intervêm nos conflitos de outros povos, com outras culturas e em contextos geoestratégicos profundamente complexos. Vai ser preciso reflectir sobre tudo isso, nos próximos dias.

Entretanto, quero aqui lembrar que passei uns dias com Ashraf Ghani, em 2005, em Long Island, a uma hora de carro de Nova Iorque, num retiro organizado para altos quadros da ONU. Ghani havia deixado de ser ministro das finanças recentemente. Nessa qualidade, e por ser um antigo colega do Banco Mundial e das Nações Unidas, foi convidado a participar nas nossas discussões geopolíticas e a partilhar connosco a sua visão sobre o futuro do Afeganistão.

A imagem que me ficou na memória, ao longo de todos estes anos, lembra-me que se tratava de uma pessoa afável e, acima de tudo, de um sonhador que falava pelos cotovelos e com os pés pouco assentes na terra. Organizações como a ONU gostam de gente faladora, que atira ideias às rajadas, e nem sempre se apercebem que a conversa esconde uma grande ausência de realismo e de capacidade de ouvir os outros. Ghani era uma figura idolatrada, por tudo isso e porque o Afeganistão estava no topo da agenda.  

Não quero aqui fazer o balanço dos seus anos na presidência. Fica apenas o registo da sua saída em fuga.

E também uma palavra de precaução em relação aos políticos que falam sem parar e imaginam realidades que não são consistentes com o quotidiano das pessoas.

Biden e o Médio Oriente

A maneira como o Presidente Joe Biden tem estado a actuar no que respeita ao conflito entre Israel e os Palestinianos mostra que o Médio Oriente não está no topo da sua lista de prioridades. Tem seguido uma linha habitual – a de apoiar o governo israelita, embora sem grandes entusiasmos, e andar aos ziguezagues, no que respeita aos direitos dos palestinianos. Fora isso, nada de novo, que as suas preocupações são, para já, essencialmente de ordem interna. A agenda doméstica é onde estão os problemas que considera importantes e também onde estão os votos que irá precisar em 2022, para consolidar o seu controlo do Congresso.

 

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