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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma semana política desgraçada

A semana política portuguesa contribui abundantemente para o processo em curso de descredibilização da nossa classe partidária.

Não vou repetir o que muitos já disseram sobre os diferentes incidentes e desastres. Direi apenas que quem está no poder adquiriu o hábito, que aparece com o tempo, de pensar que tudo lhes é permitido. Sentem-se donos e senhores da maquinaria e nomeiam os afilhados, os membros da família e os trovadores que cantam loas aos dirigentes. Fazem-no com o descaramento de quem se sente bem ancorado e ainda por cima, com a protecção do chefe-mor, que tem como única preocupação não ter preocupações. Passa a esponja por tudo e haja calma, que é a sua frase preferida.

Do lado oposto, temos uma oposição que parece ter saído de um asilo para diminuídos da tola. Não convencem ninguém, para além da imagem cinzenta e aparvalhada que projectam. Ao nível nacional, em Lisboa e um pouco por toda a parte. Vão levar uma outra sova eleitoral, não por causa da mediocridade dos outros, mas em virtude da sua. Os medíocres no poder aproveitam as alavancas que o poder lhes dá para bater nos medíocres na oposição. 

E temos ainda uns extremistas, que confundem tudo e mais alguma coisa. Os seus slogans só convencem quem é como eles. Não vão além das franjas de cabeçudos que são a sua base de apoio. Ainda ontem um deles comparava Alexei Navalny a um fascista. E outro, via-se ao espelho e pensava em Marine, a francesa que está a subir. 

O resto da população, quer dizer, todos nós, olha para isto com desdém e continua a lutar pela vida. E luta bem, em muitos casos. O país está melhor do que estava há anos passados, porque as pessoas não baixam os braços. Felizmente. É, pena, no entanto, que não surja gente política capaz de criar um quadro que permitisse multiplicar as energias populares.

 

 

 

Ando muito confuso

Alexander Lukashenko, o ditador da Bielorrússia, fez hoje uma série de declarações públicas sobre o acto de pirataria aérea que cometeu no domingo. Claro que, para ele, foi um acto justificado. Só que a justificação que apresenta é uma mentira. Para além disso, mostrou-se furioso em relação à União Europeia. Revelou, assim, que as medidas adoptadas contra ele e o seu regime o preocupam. Espero que continue preocupado.

Por cá, os dias também têm a sua dose de confusão. O Congresso do MEL – Movimento Europa e Liberdade – deu uma valente contribuição ao turvar das águas políticas. Uns, foram lá com o objectivo de reabilitar o Estado Novo. Chegaram, mesmo, a fazer o elogio de Salazar. Outros, foram lá por vaidade pessoal. Não podem dizer que não quando lhe prometem um palco. E depois, apareceu o Rui Rio, a dizer que ele e o seu PSD não são das Direitas.

Fiquei a pensar que a pandemia e o confinamento têm como efeito secundário uma certa divagação política.

Tudo o que é da minha cor é bom

O meu amigo Zulmiro – que raio de nome fui dar a esse meu amigo – nem analisa nem reflecte. Reage, toma posição, sempre a partir do mesmo prisma ideológico. Por isso, é previsível. Quando há uma polémica, o Zulmiro opina de imediato segundo o prisma que o anima. E diz, por isso, que é politicamente coerente, sempre do lado dos bons, que a política para ele é uma questão de bons e de maus. Acha, por outro lado, que quem perde tempo a ver as diferentes dimensões do problema é um cata-vento, um meias-tintas, um fulano que não se define a preto e branco.

Conheço toda uma série de Zulmiros. Uns, pessoalmente, outros porque escrevem nos jornais, falam nas rádios ou, ainda, por se mostrarem nas televisões.

E, ao que parece, ser Zulmiro é o que está a dar. Por exemplo, o Zulmiro desta tarde subiu na carreira por ser coerente. Apoiou sempre os da mesma linha e fê-lo com voz alta e de modo visível. Na cabeça dele, nunca existiram interrogações. Se vinha dos da sua cor, estava correcto, era para dizer que sim. Se a origem da ideia estivesse na cor adversa, batia a sério na proposta, sem papas na língua, sem medo. E assim foi ganhando galões. Com todo o mérito de quem não tem hesitações.

Quando lhe disse que tinha uma certa admiração por ele, não viu qualquer ironia na declaração e ficou feliz. Os Zulmiros gostam de elogios.

Desanimações

Um dos meus amigos, que toda a sua vida foi um académico conceituado, enviou-me este serão uma mensagem sobre a vida política portuguesa que terminava com “um abraço desanimado”. Compreendo. Há de facto uma atmosfera de desilusão entre as elites mais genuínas. E, num outro caso, que também me deixou surpreso, vejo um outro académico escrever hoje no Diário de Notícias uma crónica em que procura olhar para a justiça portuguesa pela positiva, quando se trata de julgar casos como os ligados a Sócrates e ao abuso do poder político. Num exercício de bondade excessiva, compara a administração da justiça nos dias de hoje com o que aconteceu durante a ditadura e a Primeira República. Estranhei. Eu teria comparado com aquilo que se faz nos países europeus mais avançados. E ficaria “desanimado”, sem dúvida alguma.

A cena política é favorável aos oportunistas

Dizem os politólogos mais em voga na nossa praça que o caso Sócrates não afecta, ao nível da opinião pública, nem o partido de que foi secretário-geral nem o actual patrão do mesmo partido, o Primeiro-Ministro António Costa. Ao ver os resultados das sondagens, até parece que têm razão.

Talvez afecte, isso sim, o principal partido da oposição e todos os outros aparentados a esse. Primeiro, porque não consegue tirar vantagem de uma mancha que poderia servir como grande tema de ataque, até porque Costa e outros no poder estiveram subordinados a Sócrates, conheciam-lhe os pontos negativos e fecharam os olhos, por uma questão de oportunismo e de carreirismo. Segundo, porque ao não pegarem no assunto dão azo a que se confirme que também eles têm telhados de vidro. Por isso, calam a boca e chutam para fora.

Na realidade, há mais corrupção na nossa política do que aquilo que se pensa. Não se fala da matéria, pois haveria muita roupa suja para lavar. Certos compadres ajudam a que o assunto não apareça nas páginas públicas.

E quanto mais se sabe mais nos apercebemos que a política actual atrai sobretudo quem vê nisso uma oportunidade de subida na vida sem grande esforço, além do saber dizer que sim.

Um Estado meio falhado

Um país que não consegue administrar justiça a tempo e horas é um país que não funciona como deveria. Se esse país se encontra na União Europeia, o problema é bem mais grave. A UE deve ser um exemplo em matéria de funcionamento das instituições que são os pilares da sociedade e do poder. Onde isso não acontece, é fundamental responder a duas questões de base. Primeiro, quais são as razões que impedem o bom funcionamento do sistema de justiça? Segundo, quem ganha com as deficiências existentes, com os prazos que não são cumpridos, com a injustiça?

Um sistema político que não consigo fazer funcionar a justiça é um sistema que precisa de ser substituído. A classe dirigente não está à altura e deve ser corrida do poder em resultado da indignação popular. Os cidadãos não podem cair na ratoeira de dizer apenas que são todos uns bandidos. Há que procurar alternativas.

Trabalho de arame

Hoje, durante um debate por meios digitais, expliquei que pouco comento sobre a política portuguesa porque não tenho rede onde possa cair, se me quiserem desequilibrar. Contrariamente aos outros participantes, estive 42 anos fora do país e, por isso, não tenho as ligações aos vários poderes que eles têm. Se me meter com quem manda ou é influente faço-o como um lobo solitário. E é perigoso ser-se um lobo sem alcateia. Sobretudo quando se tem uma visão diferente da proclamada pelos interesses instalados. Assim, as poucas vezes que escrevo sobre questões internas é feita com prudência. Ou seja, trata-se de debater questões e princípios, mas sem referências às pessoas importantes que por aí andam. Elas não aceitam facilmente a contradição e sabem mexer os cordelinhos da vingança.

Um novo mandato, uma nova etapa

No dia da tomada de posse do Presidente da República, para exercer um segundo mandato, a correção cívica lembra-me que lhe devo desejar sucesso no cumprimento da missão que o povo, de modo inequívoco, lhe conferiu. E assim o faço, com toda a sinceridade. Os desafios que tem pela frente são enormes, num período de crise – uma crise cujos efeitos económicos e sociais se arrastarão por vários anos, não tenhamos dúvidas. Caber-lhe-á promover a estabilidade política que será necessária para uma saída de crise mais célere. Acima de tudo, será fundamental ter em conta as situações dos mais frágeis, económica e socialmente. A governação terá que ser centrada nas pessoas, na criação das condições de dignidade a que todos temos direito. Se há uma lição que possa ser tirada destes tempos de pandemia é o do valor que deve ser dado a cada pessoa. A pandemia ensinou-nos, espero, que o principal papel do Estado e da sociedade é o de proteger a vida e a segurança de cada um. Isso significa, entre muitas outras coisas, uma política mais humana e sem corrupção, sem oportunismos, sem jogos de poder pessoal. 

Onde está a direcção política da coisa?

Surgem cada vez mais queixas sobre a maneira pouco eficaz de execução da nossa campanha de vacinação contra a covid-19. A ineficiência traduz duas coisas. Uma, refere-se à maneira como funciona o Sistema Nacional de Saúde quando se trata de respostas organizadas – e não de tratamento de urgências. Por isso, muitos dos cidadãos com mais de 80 anos continuam por vacinar, sobretudo os que têm menos acesso a médicos de família ou a clínicos amigos. Como também continuam por vacinar muitos dos maiores de 50 com doenças crónicas, mas pouco ou nenhum seguimento médico.

Por outro lado, a definição dos grupos profissionais prioritários continua a não incluir os professores e o pessoal de apoio ao sistema de ensino. E as escolas permanecem encerradas.

Para além das questões organizacionais, há aqui uma questão política que precisa de ser encarada de frente. A covid não é apenas um problema de saúde pública. É uma emergência nacional. Tem várias dimensões. Por isso requer uma direcção política de topo.

Os discos partidos dos líderes políticos

Este é um tempo de pouca tolerância em relação às elites. As pessoas não querem ouvir os do costume. Acham que eles se repetem e que não estão conectados à vida quotidiana dos cidadãos. Falam de coisas abstractas e de acordo com a capelinha a que pertencem. Pensei nisso quando, esta tarde, ouvi na rádio um líder de um partido político que repetia exactamente o que o seu partido anda a dizer há décadas. Nada daquilo tem sentido, mas é dito com os olhos fechados e a mão no manifesto que mais não é do que uma cartilha. E o pobre do jornalista que tem que fazer menção da coisa vê-se à nora para encontrar uma frase, no meio da lengalenga do líder, que possa passar na rádio. Acaba por chutar uma que fale dos outros partidos, para tentar alargar o interesse de algo que não tem interesse algum.

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