Portugal é grande quando abre horizontes

12
Jun 19

No seguimento dos discursos do 10 de Junho, e depois de reconhecer a qualidade do que foi proferido pelo João Miguel Tavares, queria lembrar que alguns dos melhores discursos políticos foram curtos e directos. Por exemplo, em 1863, muito antes do aparecimento do Twitter e do número reduzido de caracteres que impõe, o Presidente Abraham Lincoln pronunicou um discurso memorável, conhecido na história como a alocução de Gettysburg, para falar da Guerra Civil e do futuro. Vivia-se um momento muito grave na história dos Estados Unidos. O discurso teve uma duração inferior a três minutos. E continua a ser citado, nos dias de hoje.

publicado por victorangelo às 16:30

18
Mai 19

Por aqui, a demagogia e a asneira gostam muito de passear juntas. Desta vez, o motivo tem que ver com as condecorações atribuídas pela Presidência da República, no quadro das ordens nacionais. Alguma comunicação social e certos utilizadores das plataformas cibernéticas têm escrito trinta por uma linha sobre essas comendas e mesmo proposto que fossem abolidas.

A verdade é que todos os países atribuem condecorações a cidadãos que, por um motivo ou outro, se tenham distinguido de modo especial. É verdade que algumas dessas distinções honoríficas têm uma forte matiz político-partidária. O exemplo mais perto de nós é o do Reino Unido, com o gabinete do Primeiro Ministro – uma casa absolutamente partidária – a escolher quem será ou não condecorado. E, mais problemático ainda, com graus em cada ordem, que podem dar direito, ou não, ao enobrecimento do beneficiado. Esse enobrecimento é importante, quer em termos de estatuto social quer ainda de acesso a certas funções no sector privado. Mas o sistema está estabelecido e é aceite como tal, porque no essencial reconhece o mérito das pessoas escolhidas.

Soube-se agora que nos últimos 45 anos foram dispensadas 9477 comendas, pelos diferentes Presidentes portugueses. Considerando que uma parte dos homenageados já deve ter falecido, teremos hoje à volta de um condecorado por cada 2000 cidadãos. Não me parece exagerado.

Também não vejo motivo de escândalo se umas trinta ou quarenta pessoas, do total dos condecorados, acabaram por ter um comportamento que não se coaduna com o reconhecimento público que lhes foi dado. Não será por aí que o gato irá às filhoses. Nem isso justifica a demagogia e a asneirada que por aí anda.

 

 

publicado por victorangelo às 17:45

13
Mai 19

Hoje baixei a bolinha perante Joe Berardo. Foi assim. Preparava-me para lhe enviar uma mensagem, a pedir que me respeitasse, pois eu sou mais graduado na hierarquia da Ordem do Infante D. Henrique. Ele é “apenas” Comendador e eu, Grande Oficial, uma categoria acima. Felizmente alguém me lembrou que Joe fora feito Comendador por Ramalho Eanes, em 1985, verdade. Mas que fora elevado à dignidade de Grã-Cruz por Jorge Sampaio, em 2004. Por coincidência, no mesmo ano que Sampaio me condecorou como Grande Oficial. Ora, se o homem é Grã-Cruz, o nível mais alto da Ordem, eu só posso fazer uma reverência. Joe ganha sempre.

publicado por victorangelo às 20:00

04
Mai 19

Fui criticado por um seguidor porque não escrevo muito sobre o dia-a-dia da política portuguesa. Mais ainda, disse-me que deveria pegar, com alguma regularidade, no que se escreve como opinião ou no que se debate na televisão, e tomar partido.

Fiquei a pensar no assunto.

publicado por victorangelo às 16:51

Para mim, a política é uma questão de projecto. Desenha-se um sonho que depois se põe à votação dos eleitores. Para os oportunistas, a política apenas ambiciona conquistar o poder e, depois, tudo fazer para o manter. É um jogo de interesses pessoais, que nada tem que ver, a não ser por acaso, com o bem comum e uma melhor gestão do que é do domínio público.

publicado por victorangelo às 16:41

27
Abr 19

Há 98 anos, Portugal era um país pobre, pouco instruído e profundamente rural. Um país de servos, sem perspectivas, perdido na ignorância dos preconceitos de outrora e dirigidos por incompetentes políticos. Foi nesse ambiente que o meu Pai nasceu, numa aldeia de Pombal. Faria hoje anos. E veria agora um país diferente. Os políticos talvez não sejam mais competentes do que os de outrora. Nem menos oportunistas. Mas os Portugueses são hoje mais vivos, melhor preparados para enfrentar o futuro e mais abertos a todo um leque de ideias, para além da cartilha tradicional.

publicado por victorangelo às 20:53

04
Abr 19

O nosso quotidiano político está cada vez mais ao nível dos programas de divertimento das televisões generalistas que procuram adormecer o povo. É só conversa, entretenimento pela rama das coisas e a mesma tendência para ver os portugueses como gente tapadinha do toutiço. Não existem grandes sonhos mobilizadores do querer colectivo, não há estratégia, não se sabe quais são as ambições para o país.

publicado por victorangelo às 21:18

04
Mar 19

No nosso caso, a regionalização só se justifica no que respeita aos Açores e à Madeira. E essa, está basicamente feita. Ambos os arquipélagos têm um nível de autonomia política e administrativamente aceitável.

Quanto ao Continente, a posição deve ser não. Regionalização, não! Regionalizar, no espaço que é o nosso, é apenas um truque para satisfazer as clientelas políticas locais e, também, os o querem viver à custa dos dinheiros públicos. Um truque caro, ainda por cima.

O que precisamos é de modernizar a administração pública, descentralizar serviços e delegar funções para o poder local. Por outras palavras, trata-se de simplificar, desburocratizar e de partilhar, de uma outra maneira, a responsabilidade por certas funções administrativas.

Também precisaríamos, isso sim, de um exercício independente de avaliação das despesas e custos dos serviços públicos, de modo a racionalizar o que o puder ser – há muita duplicação e muita tarefa difícil de justificar – e a poupar recursos.

Nesses casos, aí sim, estaríamos a agir de modo estratégico. Mas, onde estão os líderes capazes de lutar por estas coisas?

publicado por victorangelo às 11:10

27
Fev 19

Andávamos como que hipnotizados nesse tempo, no ano da graça, dos abraços do senhor e das anedotas políticas de 2019.

A nossa paróquia tinha à cabeça o Mestre D. António, Prior de São Bento e do Mato. Ficou conhecido na história da terra como, o Sonso. Além de finório, D. António revelara-se como um líder cauteloso, capaz de se firmar quer na perna esquerda quer na direita, embora vagaroso e curto de vistas. Canhoto, não era. O horizonte, visto da capela-mor do Mestre, não o fazia sonhar com amanhãs que cantam. Sol, sim, na eira, mas também chuva no nabal. O ideal era manter o barco a flutuar, que é como quem diz, não perder a cabeça da paróquia.

Com o passar dos anos, o Sonso foi-se rodeando de um grupo de fidalgos, com o fim aparente de o ajudar na governação. Mas, era sobretudo uma questão equilíbrios entre famílias. E a escolha caía sempre nos mesmos. Ou era gente que ele conhecera, quando anteriormente à sua elevação a Mestre, havia servido como feitor dos serviços de higiene e limpeza do principal bairro da paróquia. Ou, então e sobretudo, gente das principais famílias, tudo bem aparentado entre si, um pequeno círculo de notáveis, em que o poder se transmitia de pais para filhos e entre cônjuges. Era uma espécie de corte à moda antiga. A corte do D. António.

Os paroquianos olhavam para essas movimentações com o sarcasmo suave de quem tem se preocupar, acima de tudo, com o tratar da vida. E também com o abandono de quem pensa que os Mestres são todos iguais. Todavia, nas entranhas do cidadão comum alojava-se a suspeita que a paróquia era um carrossel a duas velocidades, em que uns montavam nos cavalinhos e outros giravam agarrados às varas do destino.

Isso poderia dar cabo do ambiente, aquando das grandes missas habituais. Mas os idiotas da aldeia não sabiam como tirar partido do carrossel de altos e baixos.

Os jornalistas e outros croniqueiros das palavras e dos factos escreviam regularmente sobre isso, sobre as relações entre o parentesco e os cargos na sacristia. De longe, de muito fora da paróquia, esses desabafos intelectuais soavam a estranhos e de uma outra época, do século XIX, talvez. Pareciam meter dó, que pena que nessa terra, os grandes cérebros da escrita pública e da imagem televisiva passem dias e dias a tratar de coisas tão bizarras. Que intelectualidade tão banal! De perto, no seio da paróquia, essas jeremiadas da comunicação social eram vistas pelo povo com um sorriso de cinismo, crónico e manso, – uma das características definidoras da personalidade colectiva do lugarejo – e esquecidas no dia seguinte.

E o Mestre de São Bento e do Mato assim foi reinando. A história, que acaba sempre por reconhecer o valor de cada um dos seus protagonistas, não se esqueceu de lhe confirmar o cognome. O Sonso.

publicado por victorangelo às 14:59

10
Fev 19

O novo partido de Pedro Santana Lopes tem um nome pouco feliz. Aliança, com c de cedilha, não cabe bem nos cartazes. A cedilha complica. E o nome pode dar azo a brincadeiras, como a que se viu hoje em Évora, na altura da lançamento do partido. A maioria dos delegados era de uma certa idade, faltava massa jovem, estávamos perante uma Aliança Velha. E não sei se aguardente ou outro licor vai correr copiosamente depois se conhecerem os resultados deste partido nas próximas eleições.

Aliás, a ambição do fundador é modesta. Fala em dois dígitos. Isso quer dizer 10% e nada por aí além. Ou seja, o partido terá mais vocação para bengala dos outros partidos de direita do que para ser líder ou peça-chave de uma coligação. Eu teria dito isso de outra maneira: a Aliança quer ser o motor da governação pós-geringonça.

Também é verdade que Pedro Santana Lopes transmitiu uma imagem mais madura da sua pessoa política. Isso é positivo. Mas não é suficiente. Tem que existir um pacote de propostas e uma maneira de combater que possa ser entendido pelos eleitores. Esse é o desafio que a Aliança tem pela frente. E com urgência.

Boa sorte, diria o outro. Sobretudo, boa sorte para os Portugueses.

 

publicado por victorangelo às 21:14

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