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Crescemos quando abrimos horizontes

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Libertar os Leopardos

A decisão do Chanceler Olaf Scholz sobre os tanques Leopard 2 merece ser reconhecida, apesar da ter demorado algum tempo antes de ter sido tomada. E o facto de fornecer carros de uma geração mais moderna, a A6, tem também muito mérito.

Esta decisão vai libertar muitas outras dádivas que estavam na forja, a começar pela que virá da Polónia. Veremos, agora, qual será o número total de tanques que chegarão à Ucrânia. Esse é um dado importante.

O Kremlin irá reagir, mas penso que será sobretudo uma reação verbal. As forças armadas russas têm muitos problemas por resolver. E estão em disputa com os mercenários da Wagner. Estes, segundo certas fontes de informação, estão com dificuldades logísticas e com problemas humanos, pois perderam uma grande quantidade de combatentes nas últimas semanas, nas campanhas de Soledar e de Bakhmut. Mas, sobretudo, perderam influência junto de Vladimir Putin.

O meu post de ontem estava mal informado

O meu post de ontem partiu de um pressuposto que os factos disponíveis hoje revelaram precipitado e incorrecto. Ou seja, o míssil que caiu numa aldeia fronteiriça polaca não fora disparado pelos russos. Foi um disparo ucraniano para defender Lviv dos 13 ou 14 mísseis que os russos enviaram durante o dia contra aquela grande cidade da parte ocidental da Ucrânia. Infelizmente, caiu em território polaco e fez duas vítimas mortais.

Podia ter apagado o post de ontem. Mas deixei ficar por essencialmente três razões. Primeiro, para mostrar que nestas situações complexas é sempre melhor esperar por informações mais completas antes de se tirar qualquer tipo de conclusão. Segundo, porque o texto descreve a táctica habitual do Kremlin. É bom ter isso sempre presente. Terceiro, porque mencionei, no meu comentário à Antena 1, a necessidade de se continuar a insistir, no tratamento desta crise criada por Vladimir Putin, numa diplomacia forte e coerente. Estes pontos continuam válidos, mesmo se a origem do míssil tenha sido diferente da que se pensava que era, ontem ao fim do dia.

 

Os truques habituais de Vladimir Putin

A criação de um evento paralelo, que desvie as atenções internacionais da humilhação ou da condenação que a Rússia está a viver nos grandes fóruns internacionais, é uma táctica habitual do Presidente Vladimir Putin. É um especialista no sequestro das agendas das grandes reuniões, fazendo-as desaparecer do mapa mediático, para que não se note o isolamento russo.

Hoje foi o bombardeamento de uma aldeia fronteiriça polaca com mísseis russos. A partir de então todos se esqueceram de Bali e do G20, das críticas à política criminosa de Putin e aos apelos ao fim da guerra. O espaço noticioso e os comentários foram preenchidos pela violação armada da fronteira polaca.

O modelo seguido por Putin implica igualmente a negação de qualquer responsabilidade russa. Mal os mísseis haviam caído na terra polaca que já estava o governo russo a negar qualquer tipo de envolvimento e, como estás nos manuais de procedimentos do Kremlin, a dizer que tudo isto era uma provocação contra a Rússia.

Numa pequena entrevista que dei à Antena 1, aconselhei que a resposta a este acto de agressão fosse firme, ou seja, diplomaticamente forte, mas prudente. Porquê? Simplesmente por se tratar de um desenvolvimento gravíssimo no nosso relacionamento com Putin. Deve ser respondido de modo coerente. E sublinhar que não podemos continuar a viver com um  vizinho que não respeita as regras da boa vizinhança.

Olaf Scholz a marcar o terreno e o lugar da Alemanha

Olaf Scholz é um político pouco habitual. Não tem manhas, não grita, não insulta os oponentes, não despreza os jornalistas, não mostra arrogância. Muito o contrário do que temos aqui por casa. Mas é o chanceler da Alemanha, desde o final do ano passado, e por isso, tem peso e deve ser ouvido.

No início da semana, proferiu um longo discurso na velha e prestigiosa Universidade Charles de Praga. Falou da sua visão da Europa.

Foi um discurso positivo, que defendeu a reforma das instituições e dos tratados, o papel geopolítico da União Europeia, o distanciamento em relação à Rússia, mas também uma maior autonomia no que respeita ao relacionamento com os Estados Unidos, o alargamento aos Balcãs e a Leste, e mais. Também reconheceu a tragédia que a Alemanha criou na Europa de há oitenta anos e o facto de isso continuar a pesar na consciência colectiva alemã.

Com a crise criada pela Rússia, o centro de gravidade política da Europa está a mover-se para Leste. Os polacos, os bálticos, os nórdicos, e outros, estão a tornar-se cada vez mais determinantes na definição da agenda europeia. A Alemanha considera que pode fazer a ponte entre esse grupo e o lado ocidental da UE. O discurso de Scholz pode ser visto a partir desse prisma.

 

Ucrânia: as notas do dia

Quatro pontos sobre a invasão e a agressão à Ucrânia, neste fim de dia, que é o Dia Internacional da Mulher:

  1. A protecção da população civil, os crimes de guerra e os corredores humanitários.
  2. O embargo à compra de petróleo e gás russos, a posição americana e a europeia e as possíveis respostas do Kremlin.
  3. A posição da China perante o conflito, as conversações de hoje entre Xi Jinping, Emmanuel Macron e Olaf Scholz.
  4. Os MIGs polacos, os americanos e a possível reacção russa.

Cada dia traz-nos uma agenda bem carregada.

Ajuda humanitária e militar

As reuniões entre as partes são importantes. Mesmo sem progresso visível. A dada altura pode sair de um desses encontros uma via que leve, pelo menos, ao cessar-fogo. Também é significativo que esteja prevista uma sessão entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de ambas as partes, na quinta-feira, na Turquia.

Alguém me perguntava, hoje, na Antena 1, o que penso da posição “extremada” de cada um dos lados. Respondi, esclarecendo que apenas um lado tem exigências irrealistas e extremas: o lado russo. Querem que os ucranianos reconheçam a ocupação da Crimeia, as “repúblicas separatistas” do Donbass, com uma configuração territorial três vezes superior à actual, que a Ucrânia não tenha forças de defesa e que se comprometa a não aderir à NATO. De todas estas, apenas a última me parece negociável, o que não quer dizer inteiramente aceitável. As outras são pura e simplesmente um pretexto para continuar a agressão.

Como aqui escrevi ontem, nesta fase é fundamental dar a prioridade à questão da protecção dos civis e ao apoio humanitário.

Mas também é essencial continuar a ajudar as forças armadas ucranianas com armamento e outros meios logísticos. A Ucrânia está num processo de legítima defesa. Precisa de assistência. Todavia, esta deve ser feita de modo mais discreto. Há muita televisão e muitos comunicados sobre essa ajuda. Não pode continuar assim. Ontem, uma das televisões europeias mostrava com toda a clareza e ingenuidade uma base militar polaca, com o nome do local e tudo. Não está certo. Nestas coisas, o secreto é alma do negócio.

Mesmo os ditadores dizem que são pela democracia

https://www.dn.pt/opiniao/somos-todos-pela-democracia--14373788.html

Este é o link para o meu texto desta semana na edição de hoje do Diário de Notícias. Trata-se de um comentário sobre a iniciativa que o Presidente Joe Biden tomou de convocar uma cimeira internacional sobre o reforço da democracia em várias partes do globo, incluindo nos Estados Unidos. 

Cito de seguida um parágrafo do meu texto.

"Uma reunião deste género é, no entanto, uma grande encrenca. A lista dos excluídos vai dar tanto que falar como os temas em debate. A ONU tem 193 estados-membros. Biden convidou cerca de 110. Na UE, Viktor Orbán ficou de fora, dando assim um argumento de peso a quem vê no líder húngaro o que ele de facto é: um autocrata. Mas a Polónia, que não é certamente um melhor exemplo de um estado de direito, consta da lista. A razão parece clara: Varsóvia é um aliado militar fiel, e cada vez mais forte, da política americana no Leste da Europa. Ainda no que respeita à NATO, Recep Tayyib Erdogan também não aparece na lista. Muito provavelmente porque os americanos não apreciam a sua proximidade político-militar com Vladimir Putin. Erdogan tornou-se uma pedra na bota da NATO e isso deixa muita gente desconfortável. E no caso da CPLP, compreende-se a exclusão das duas Guinés – Bissau e Equatorial. Mas fica a interrogação sobre as razões que levaram a Casa Branca a não convidar Moçambique."

A fronteira dos horrores

A crise na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia tem várias dimensões. A mais imediata é de natureza humanitária, com milhares pessoas, incluindo crianças, a passar fome, frio e humilhações constantes. Algumas já morreram congeladas. 

Mais ainda, não se sabe quantos milhares de pessoas estão encurraladas entre os guardas de um lado e do outro. Mas sabe-se que são tratadas com violência extrema por ambos os lados. E essa é uma questão central, que toca directamente no cerne dos valores europeus, do respeito pelas pessoas e da protecção dos mais frágeis. 

Alexander Lukashenko está claramente a aproveitar-se da miséria de certos povos. Mas o nosso lado não pode ficar indiferente perante o sofrimento de quem se deixou manipular, gente que vive em contextos tão complicados que qualquer promessa, por mais ilusória que possa ser, traz sempre um fio de esperança.

 

Os inimigos da UE devem pagar pelos seus actos

O comportamento político de Alexander Lukashenko em relação à Polónia e ao resto da União Europeia é um acto de grande hostilidade. Na realidade, é uma agressão e uma tentativa descarada de desestabilizar a UE, utilizando a miséria de certos povos como arma de ataque. Tem, igualmente, uma dimensão de desumanidade inqualificável. Milhares de pessoas são atraídas, no Iraque e noutros sítios do Médio Oriente, a sua viagem para Minsk facilitada e depois são encaminhadas para a fronteira com a Polónia, onde as espera o frio, a fome e o desespero.

Este tipo de violência política e humana não pode ser tolerado. É um acto de guerra, casus belli, ao qual se deve responder com todo o arsenal de sanções existente na União Europeia. Sem demoras e visando directamente Lukashenko e os seus.

Marrocos e a Turquia estão a estudar o comportamento que será adoptado pela UE. Estes países têm tido comportamentos semelhantes aos praticados agora pela Bielorrússia, embora com mais moderação no caso de Marrocos. Precisam de receber uma mensagem clara da Europa: actos assim, o empurrar milhares de migrantes para as fronteiras europeias, acarretam respostas de muito peso. São acções praticadas por Estados inimigos.

A Europa não pode hesitar.

 

 

 

Fazer respeitar os valores europeus

https://www.dn.pt/opiniao/um-perigo-disfarcado-de-lei-e-justica-14242965.html

Este é o link para a minha crónica de hoje no Diário de Notícias. O texto tem fundamentalmente duas mensagens. Primeiro, que a política seguida pelos ultraconservadores que estão no poder em Varsóvia deve ser vista como uma ameaça muito séria para o futuro da União Europeia. Segundo, que é fundamental dar força à Comissão Europeia no seu combate contra os tentados ao estado de Direito, na Polónia, para já, mas também noutros países europeus. 

Cito de seguida umas breves linhas do meu texto. 

"Tudo isto põe em risco o futuro do projeto comum. Os polacos querem continuar na UE – 90% dos cidadãos são a favor, incluindo 87% dos apoiantes do PiS. O próprio governo diz e repete que não se trata de preparar uma saída, um Polexit. Seria, segundo dizem, apenas uma afirmação de que a Europa assenta num conjunto de nações e não numa integração cada vez mais profunda. É um argumento falacioso, pois o que está em causa é o respeito pelos valores básicos que unem os povos europeus e que foram consagrados nos Artigos 2º e 3º do Tratado da UE. Deixar que um Estado-membro viole esses valores e continue na União é oferecer ao adversário a possibilidade de nos destruir continuando sentado à nossa mesa."

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