Portugal é grande quando abre horizontes

26
Mar 18

“As sociedades em declínio, que vivem com os olhos postos nas glórias do passado, caem facilmente na tendência de se fecharem sobre si próprias. Para esses povos, a História acaba por pesar mais do que o futuro. As elites reaccionárias apropriam-se da tradição e dos preconceitos de outrora, e transformam-nos nas novas bandeiras do populismo. Assim surgem as agendas políticas nacionalistas. “

Victor Ângelo

publicado por victorangelo às 17:31

27
Fev 18

A imigração tornou-se um tema político central em vários países da UE. Deve, por isso, ser tratado frontalmente pelos partidos que giram à volta do eixo central, as forças políticas moderadas e com tradição de governo. O pior erro seria deixar a extrema-direita dominar o discurso sobre a imigração, definir a agenda e transformar a questão numa bomba social.

publicado por victorangelo às 17:22

16
Out 17

Na Áustria, ontem foi dia de eleições legislativas. Parece-me oportuno fazer dois ou três comentários sobre o assunto.

Primeiro, a maneira como decorreu a campanha eleitoral demonstrou-nos que colocar o enfoque num tema central e depois, repeti-lo a torto e a direito, é uma técnica que dá resultados. Trata-se de escolher uma questão que toque numa boa parte do eleitorado. De seguida, faz-se bandeira do tema, exagera-se a sua importância e batalha-se por ele até ao fim. Cria-se um papão e depois ataca-se incansavelmente o perigo assim inventado.

Segundo, ficou claro que a política da repulsa, da negação do outro, da desumanização de uma certa categoria de pessoas, produz melhores resultados do que um programa político que procure combater as desigualdades e que assente nos pilares tradicionais da boa governação.

Terceiro, uma campanha que promoveu o nacionalismo primário, a xenofobia, que se baseou na promoção da personalidade do líder do partido, e nos ataques pessoais, num vale tudo menos tirar olhos, faz pensar que estamos perante um novo modelo de fazer política eleitoral. Um modelo que pegou, na Áustria, e que irá provavelmente pegar noutros sítios.

E já agora, vamos ver o que acontecerá em termos da formação da coligação governativa.

publicado por victorangelo às 17:35

24
Abr 17

O meu comentário sobre a primeira volta da eleição presidencial francesa acaba de aparecer na Visão on line.

O link é o seguinte:

https://t.co/zBkkUgudjA

publicado por victorangelo às 17:39

06
Abr 17

http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_victorangelo/2017-04-06-Inquietacoes-francesas

Este é o link para o texto que acabo de publicar na Visão on line.

E fica igualmente a preocupação que certos círculos europeus partilham - e com toda a razão - no que respeita à eleição presidencial francesa.

François Hollande ficará na história francesa com uma nota fraca. Seria terrível se a essa nota se viesse juntar a impressão que a sua acção política teria aberto as portas do Eliseu à extrema-direita que Marine Le Pen encabeça.  

publicado por victorangelo às 20:01

27
Fev 17

Vivemos num período de trapalhadas políticas, de lideranças medíocres e de oportunismos descarados. Não será pior do que noutros períodos da história recente, dizem alguns. Não sei se têm razão. Sei apenas que os casos de incompetência e de corrupção se sucedem, aqui e noutros países da Europa. Veja-se o caso Fillon, em França. Ou a enorme rede de abusos de poder na região belga da Valónia, em que certos dirigentes políticos se aproveitaram dos seus cargos para se fazerem nomear – e aos seus acólitos – para a administração de dezenas de empresas públicas, regionais e municipais. Alguns presidentes de câmara ocupavam, em simultâneo, até 30 lugares em diversos conselhos de administração, tudo remunerado mas sem que houvesse uma qualquer prestação efectiva de trabalho.

Em Portugal, as listas de arguidos aumentam todas as semanas. Gente que fora dada como boa está agora com um processo às costas. É verdade que muitos desses processos passam anos a marcar passo. E ficam depois em águas de bacalhau. Mas, entretanto, serviram para desacreditar ainda mais as nossas elites políticas e dos negócios. E isso é meio caminho andado para a germinação do populismo.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:44

21
Jan 17

Os partidos da extrema-direita europeia sentem-se animados. Acham que as vitórias do Brexit e de Donald “Adolf” Trump são reveladoras de uma dinâmica tipo avalanche, que irá levar outros extremistas ao poder. Olham para as próximas eleições, na Holanda, França e Alemanha, e já vêem os seus no poder. Foi esse aliás o ambiente que se viveu em Koblenz, na reunião dos fascistas europeus que aí teve lugar. Curiosamente, são todos muito nacionalistas, mas isso não os impede de se aliarem, na busca da conquista do poder. Unidos hoje, em guerra amanhã, poderia ser o seu mote de campanha. Tudo em nome do povo, como conceito mítico, capaz de enganar os tolos e de mobilizar os caceteiros do patriotismo.

Perante isto, digo uma vez mais que a luta que temos pela frente, em vários cantos da Europa, é um combate sem tréguas e sem papas na língua contra os fascistas. Koblenz recorda-nos isso hoje, tal como o discurso inaugural de Trump o fez ontem.

 

publicado por victorangelo às 16:46

04
Jan 17

2017: Fazer renascer a esperança

Victor Ângelo

 

Esta é altura do ano ideal para quem vende bolas de cristal. Os políticos, os cronistas, os opinantes de diversos tamanhos, credos e feitios, e mesmo o meu amigo João, que é um doente obsessivo das redes sociais, andam todos a prever as desgraças do novo ano. E o mais interessante é que parece que adquiriram as suas bolas de cristal no mesmo fornecedor, talvez um ousado empreendedor asiático, com loja na zona do Martim Moniz em Lisboa.

Assim, quando olho para a Europa na perspetiva de 2017, sinto que faço parte do clube. Só que a minha bola é outra. Não diz respeito a previsões, mas sim ao que deve ser o foco da política europeia no ano que agora começa. E a resposta é clara: a prioridade absoluta deve ser a de combater a extrema-direita, nas suas diversas manifestações populistas e ultranacionalistas. As demagogias têm vários matizes, nos diferentes Estados da UE. Mas o verdadeiro perigo vem dos extremistas de direita, das novas manifestações de fascismo que se organizaram em movimentos políticos, em países importantes para o futuro da Europa. A luta política em 2017 tem que se concentrar na denúncia desses partidos e dos que ingénua ou propositadamente lhes fazem a cama.

Em França, significa contribuir para a derrota das ambições presidenciais de Marine Le Pen. É na França que encontramos o maior risco e é aí que se deve concentrar uma boa parte do combate político. Nos Países Baixos, trata-se de impedir que o racista Geert Wilders, que irá provavelmente ficar à frente nas eleições legislativas de Março, venha a fazer parte da próxima coligação governamental na Haia. Na Itália, a coisa é mais complicada. Na realidade, o primeiro passo consiste em impossibilitar a vitória eleitoral do Movimento 5 Estrelas. Se isso acontecesse, e como certamente se trataria de uma vitória parcial, insuficiente para que formassem governo sem outros apoios, esses confusos básicos teriam que procurar um acordo com gente próxima, o que significaria muito presumivelmente os fascistas agrupados em torno da Liga Norte. Uma aliança desse género representaria, para além das convulsões internas italianas, uma ameaça muito séria para a estabilidade da UE.

Mais ainda, não convém esquecer o que se passa na Polónia e na Hungria. Os governos destes países são manifestamente de tendência ultraconservadora e perigosamente autoritários. Cabe à opinião pública europeia e às instituições comuns apoiar a luta da maioria da população polaca, que se opõe às medidas reacionárias e liberticidas da minoria no poder em Varsóvia. Como também não podemos baixar os braços perante as derivas xenófobas de Viktor Orbán, o homem forte em Budapeste. Orbán é um mau exemplo, que precisa de ser isolado. E não se trata apenas do seu impacto negativo no funcionamento das instituições e na implementação dos valores europeus. O líder húngaro representa, igualmente, uma ameaça para as relações de boa vizinhança numa parte da Europa que continua a manifestar várias fragilidades sociais e económicas.

A extrema-direita europeia pesca nas águas poluídas pelas verborreias contra a Europa, os imigrantes, as elites de todo o tipo e a falada corrupção dos políticos tradicionais. Alimenta-se da insegurança e dos sentimentos de injustiça, desigualdade e desânimo dos cidadãos e da exaltação simplista e distorcida da história de cada povo. É perita em criar ódios, inimigos e papões, contra os quais haverá, em seguida, que mobilizar as forças patrióticas da nação. É a artimanha que consiste em inventar um inimigo e depois concentrar todo o fogo na sua destruição. Neste momento, o euro, Jean-Claude Juncker e o islão servem bem esse estratagema e são os ogres a abater.

Por comparação, os populistas da extrema-esquerda são uns meros meninos de coro. Na maioria dos casos, não vale a pena perder tempo com eles em 2017. Todavia, há que estar atento. A sua agenda tem pontos que coincidem com os dos fascistas. E nessa altura, há que ser franco e chamar as coisas pelos nomes. Sem hesitações, sem medos, com argúcia e uma agenda que crie esperança no futuro. Na verdade, na Europa de 2017 estão em causa a democracia e a prosperidade de todos nós.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:47

30
Dez 16

Deve ser por burrice, mas a verdade é que a edição de hoje do jornal “Público” dá uma relevância e um espaço inaceitáveis a um dos mais conhecidos fascistas italianos, Claudio Borghi. O fulano é apresentado como um eminente economista, com direito a duas páginas de entrevista. Seguem-se mais uma página e um editorial em que os jornalistas desse diário se referem à entrevista, mas sem espírito crítico, como se as ideias de um fascista, que também é reconhecidamente xenófobo, fossem apenas mais uma contribuição para o debate sobre a “crise na Europa”.

Borghi, que vê a situação económica na Itália pelo prisma único e simplista do Euro, repete ao longo da conversa que tudo entrará nos eixos quando o seu país sair da moeda única. Nada mais diz. Não menciona a corrupção do sistema político italiano, a necessidade de reforma do mesmo, não faz referência à incapacidade em se modernizar que certos sectores da economia italiana têm revelado, não fala dos créditos malparados da banca nacional, que somam cerca de 360 mil milhões de euros, nem do endividamento absolutamente anormal do Estado – acima de 130% do PIB – que resulta, em grande parte, dos salários e honorários fabulosos pagos a uma classe política desmesurada e semeada de vigaristas e trafulhas, nada, nada. É a ideia única, o pensamento maníaco e paranoico, o euro como bandeira de um populismo de extrema-direita.

Ao publicar esta parvoíce perigosa, o “Público” não serve a causa da democracia na Europa.

publicado por victorangelo às 16:40

17
Dez 16

Um dos partidos marginais de Portugal, mas com assento na Assembleia da República, diz que vai lançar uma campanha para preparar a nossa saída do euro. Trata-se de um partido que teve mérito no passado, mas que hoje é um mero agrupamento de saudosistas retrógrados, que combinam atitudes reacionárias com uma ingenuidade à prova de todos os argumentos racionais. É uma peculiaridade bem portuguesa, que já não existe noutros cantos da Europa.

Dizem que durante a campanha irão negociar com o PS, o BE, os PEV, entre outros que não são explicitamente mencionados. Só espero que os outros incluam o Nicolas Maduro da Venezuela e o Robert Mugabe do Zimbabwe. Ambos têm experiências ímpares de como se consegue arruinar um sistema monetário e uma economia de modo rápido, e depois, colocar a culpa nos outros.

Dito isto, é claro que o populismo político que actualmente sopra por vários sítios, e agora também em Portugal, é uma loucura política muito perigosa.

publicado por victorangelo às 20:18

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