Portugal é grande quando abre horizontes

17
Set 19

Na minha opinião, o debate político das próximas semanas deveria opor os que apenas procuram gerir a situação, com mais ou menos folgas, mais ou menos simpatia e sorrisos, aos que poderiam ter um projecto para Portugal. Um projecto que nos levasse além da mediocridade, do deixar andar e do salve-se quem puder. Que pensasse no futuro, nas bases de uma economia mais moderna e sustentável, na protecção dos recursos naturais e do ambiente, num povo melhor preparado e com maior capacidade de intervenção cidadã, numa língua portuguesa que não fosse aviltada por uma incapacidade de a defender, num país mais seguro e mais amigo dos mais fracos. Também, um país mais capaz de contribuir para o fortalecimento da União Europeia e para o reforço da cooperação e da harmonia internacionais.

Só que isso parece um sonho. O debate político continua a ser entre gestores de contas correntes.

 

 

publicado por victorangelo às 21:10

15
Set 19

Num domingo de Sol, escrever sobre política é um aborrecimento e um atentado à paciência dos leitores. Sobretudo quando o único tema que parece preocupar os nossos políticos e os analistas que vivem dessas coisas é sobre se haverá ou não maioria absoluta a 6 de Outubro. Ideias e desafios, nada disso pesa. Nem é preciso ter um esboço de um projecto nacional. Basta deixar andar, que é essa a atmosfera a que nos habituámos. Somos, cada vez mais, um país de individualistas à procura do desenrascanço.

publicado por victorangelo às 17:11

09
Set 19

Passei um par de dias a conduzir pelas zonas fronteiriças que separam o Baixo Alentejo e o Algarve da província espanhola de Huelva. Ambos os lados estão a fazer um uso intensivo das reservas de água disponíveis. Não parece haver regras, nem uma visão sustentável da gestão do recurso. Primam os olivais, os laranjais, os diversos pomares, as vinhas e outras culturas, bem como uma utilização desenfreada da água para alimentar uma proliferação de piscinas e de jardins privados. As reservas freáticas e os lençóis em profundidade, que se formaram ao longo de milhões de anos, estão sob pressão frenética, por motivos comerciais e porque os novos-ricos querem que as suas residências secundárias se assemelhem às vivendas das estrelas de Hollywood. O próprio Alqueva está a ser chupado a toda a velocidade, para regar centenas de milhares de pés de oliveiras, campos de milho a perder de vista – sim, em pleno Verão, milho nas securas do Baixo Alentejo, mas que aberração – e uvas e mais uvas. A floresta tradicional, menos exigente em água, mais adaptada ao clima e às condições do solo, só sobrevive nas zonas de serra e onde se cria o porco ibérico.

A água será, nestas regiões, e noutras da Península, uma das grandes questões do futuro. E poderá vir a ser, à volta do Guadiana, uma fonte de tensão entre os dois países vizinhos. É um tema essencialmente político, que é totalmente ignorado pelos anões políticos que por aí andam.

publicado por victorangelo às 21:28

28
Ago 19

É óbvio que a oposição política ao governo de Portugal não sabe fazer oposição. E que isso contribui para enfraquecer a nossa democracia. Uma oposição medíocre deixa o governo à rédea solta. Com o tempo, perdemos todos.

publicado por victorangelo às 14:01

21
Ago 19

O SAPO anda por aí a perguntar a certas pessoas qual seria a sua prioridade número um, se fossem o próximo Primeiro-Ministro, após as eleições legislativas de Outubro. Acho que é uma boa iniciativa. Mais ainda, creio que cada português – homens e mulheres – se deveria interrogar da mesma maneira. Daí resultaria, certamente, um sentido mais apurado do que falta fazer no nosso país. Todos ganharíamos com esse exercício.

publicado por victorangelo às 21:00

10
Ago 19

Neste estranho sábado de Agosto, noto duas observações.

O maior partido da oposição – o PSD – não tem uma linha clara sobre a greve dos camionistas de combustível. O comunicado oficial que publicou sobre o assunto tem a clareza própria de quem não sabe o que dizer ou fazer. É um comunicado mal cozido em águas de bacalhau. Nada propõe de concreto, para além do adiamento da acção sindical para depois das eleições legislativas de Outubro e de uma vaga referência a uma mediação com “mais recato”, por parte do governo. É assinado por um dos vice-presidentes, quando deveria ser assumido abertamente pelo presidente do partido, dado o impacto estratégico desta greve.

Talvez alguém pudesse lembrar a Rui Rio que situações como estas definem a qualidade da liderança.

Mas isto de liderança é outra conversa.

A segunda observação refere-se à posição de apoio que vários sindicatos anunciaram. Não seria de esperar outra coisa, apresso-me a acrescentar. Mas também digo que há aqui matéria para reflexão sobre a maneira de agir de uma parte do movimento sindical português. Sobre os direitos e os deveres dos sindicatos, sobre a subordinação das reivindicações sectoriais aos interesses estratégicos nacionais, sobre a politização do movimento, o respeito das instituições e das autoridades legitimamente constituídas, e assim sucessivamente.

A liberdade exige uma visão madura e equilibrada da democracia. O debate desta equação parece estar por fazer, conforme nos lembram os sindicatos agora apoiantes.

 

publicado por victorangelo às 22:14

28
Jul 19

Estou, por uns dias, numa pequena localidade do Baixo Alentejo. Sede de concelho, numa zona agrícola que se modernizou muito nos últimos anos, deixa-me uma primeiro impressão: não há sinais de crescimento populacional, de aumento do tecido urbano. Não vejo bairros novos, mas sim, casas à venda e outras que devem estar fechadas há muito. A Câmara tenta cativar os residentes mas, à primeira vista, os mais novos saíram e a pirâmide de idades inclina-se para os de maior idade. Dizem-me que não há falta de trabalho nos campos, nas novas culturas comerciais, mas quem, nos grupos etários jovens, quer trabalhar na agricultura? Aparentemente, uma parte desses trabalhadores serão imigrantes.

Este é um Alentejo que se transforma, mas que, ao mesmo tempo, fica igual para muitos dos habitantes mais avançados na idade. Tem-se escrito e falado pouco ou quase nada sobre as mudanças que estão a ocorrer. Os sociólogos passam pelo Alentejo sem o ver.

publicado por victorangelo às 22:02

26
Jul 19

Recentemente, quando me preparava para discursar, numa reunião pública, o membro da mesa encarregado de fazer a minha apresentação teve a amabilidade de dizer umas coisas simpáticas sobre a minha pessoa. Ao fazê-lo, colocou uma parte do acento na minha condição de “estrangeirado”, de quem anda lá por fora, tem uma família híbrida, meio portuguesa meio outra coisa.

Foi um momento curioso, já que a audiência era muito patriótica. Depois percebi que se tratava de uma espécie de alerta, para que não houvesse surpresas face ao que eu iria dizer. Como quem avisa, ele tem umas ideias diferentes, mas terão que compreender, anda há décadas lá fora.

Que ando, ando. Que vejo certas coisas com outros olhos, os leitores habituais sabem que é assim. Que não percebo a política portuguesa, também é verdade e, por isso, pouco escrevo sobre ela. Não compreendo a falta de ambição de quem nos dirige, nem a incompetência que manifestam, como também não entendo que perante tal, não haja uma oposição bem mais forte.

Mas isso são outras histórias.

Penso, no entanto, que é importante dar uma visão diferente da corrente. As mentes brilhantes que por aqui andam, na nossa praça pública, saltitam pela rama das coisas, alimentam-se da zombaria, defendem capelinhas em vez de ideias, movimentam-se em círculos de compadres. Prevalece o habitat dos pensadores narcisos. Aí, quem está fora há muitos anos, não cabe nem se sente no seu ambiente, essa não é a sua selva de predilecção.

O grande problema é que o país é a capital, e pouco mais, e a capital é apenas uma aldeia grande, em termos de mercado e diversidade. Acaba, assim, por ser um terreno de caça guardada para poucos, atentamente protegida pelos druidas ao serviço dos nossos pequenos deuses.

Por isso, convém alertar quando os estrangeirados se aproximam da cerca.

O meu apresentador tinha razão.

 

publicado por victorangelo às 21:29

16
Jul 19

O Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, apoiou de maneira clara a candidatura da nova Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Foi uma decisão politicamente correcta, que lhe dá força no seio da UE e que favorece a posição de Portugal. Ainda bem.

Sou dos que acreditam que a nova Presidente poderá desempenhar um papel positivo, à frente da Comissão, bem como ser uma promotora de novos equilíbrios entre as diferentes famílias políticas representadas no Parlamento Europeu. Isso é fundamental, numa altura em que existe uma grande fragmentação política ao nível europeu.

Lamento que o Grupo dos Verdes, no PE, não se tenha abstido, na votação desta tarde. O discurso que Von der Leyen pronunciara, antes da votação, continha elementos e promessas ambientais suficientes, capazes de justificar a abstenção. Ao votar contra, Os Verdes mostraram falta de maturidade política, dando a primazia ao não sobre o talvez, à hostilidade sobre a dúvida positiva e que possa encorajar. Veremos se assim vão continuar. Espero que não.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:41

14
Jul 19

Acho bem que se procure debater as questões do racismo e da xenofobia. O debate de ideias faz parte das sociedades democráticas. Uns entrarão nele com muita paixão, outros de um modo mais frio, mas todos têm direito a dar a sua opinião, desde que essa não incite ao ódio e à violência física. E que evite a difamação pessoal.

E já agora, aproveitando a onda, por que não se discute a questão do civismo, da educação cidadã? Quando olha à minha volta, parece-me importante que tal aconteça. É um dos maiores défices da sociedade portuguesa. Muitos dos outros problemas, incluindo o relacionado com as diferentes manifestações de racismo, começam por criar raízes num terreno parco e falho de civismo.

Vamos debater o nosso problema de civismo?

publicado por victorangelo às 21:46

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