Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Devagarinho, no Baixo Alentejo interior

Ontem estive em Alvito, no distrito de Beja. É um concelho perdido na imensidão dos campos do Baixo Alentejo, pouco povoado – nas presidenciais de 2020, tinha pouco mais de 1.900 eleitores inscritos, tendo votado menos de 900. E como muitas localidades do interior do Alentejo, é uma terra que parou no tempo. Várias das casas grandes estão fechadas ou mesmo abandonadas e as actividades económicas não-agrícolas não existem. No domínio da agricultura, a água do Alqueva tem feito a diferença. Quem passa, vê muitas plantações novas, sobretudo de oliveiras, mas não só. Mas não se enxerga vivalma. E as estradas que levam ou fogem de Alvito estão em mau estado. Essa é, aliás, uma constante pelo distrito fora. A nacional que vem da A2 para Beja tem alturas que mais parece uma aliada das casas que vendem pneus para automóveis e das oficinas aperta-parafusos. A tão falada N2, que vem do Norte para o Sul de Portugal tem troços na zona de Ferreira do Alentejo que clamam por uma nova cobertura de alcatrão.

O lado positivo é ser-se obrigado a conduzir devagar. Devagar como a vida nestas terras.

Otelo, simplesmente Otelo

Deixo aqui a minha homenagem à memória de Otelo Saraiva de Carvalho.

Conheci-o de mais perto em 1975, quando fui membro da primeira Comissão Nacional de Eleições. Muitas das recordações perderam-se com o passar dos anos. Mas sempre ficou bem presente a sua chegada de helicóptero à Gulbenkian, na noite eleitoral da Assembleia Constituinte. Nós, os membros da CNE, tínhamos aí o nosso posto de comando. E Otelo veio ter connosco, para se inteirar sobre a maneira como estava a decorrer o apuramento dos resultados.

Nessa altura, era visto como um herói. A sua visita impressionou-nos.

Depois, com o andar dos anos, outros tempos vieram. E a história saberá contar o percurso que percorreu, os altos e baixos. A história nunca é objectiva. Otelo será contado de diversas maneiras. Mas ninguém poderá negar o papel que desempenhou no 25 de Abril de 1974.

O par que manda em todos nós

Para mim, a ambição dos dois senhores é clara. Trata-se de ficar no poder o tempo do mandato, num dos casos, e no outro, tanto tempo quanto possível, sem fazer ondas nem ter que enfrentar grandes tempestades. Não são líderes transformadores, nem têm essa intenção. É verdade, como diz o articulista, que poderiam aproveitar o poder que têm para proceder às transformações que o país precisa, de modo a não ficar cada vez mais longe da média europeia. Mas isso exigiria espírito patriótico de missão, uma visão progressista do futuro, uma compreensão das mudanças que são necessárias, uma coragem política que nem um nem o outro possuem ou não querem assumir.

Pese aos meus amigos, mas a realidade é simples de entender. Gere-se o quotidiano, com o menor risco possível. E nada mais.

Uma situação destas convém aos interesses estabelecidos. Não são postos em causa, não têm de enfrentar desafios desestruturantes e ficam tranquilos, por saber que não será dado espaço a quem esteja a pensar fora dos padrões correntes. O marasmo tranquilo agrada a quem tem grandes interesses para defender.

Vendem-se assim as ilusões habituais: que somos os melhores, os mais seguros, os que comem as melhores sardinhas, que o paraíso fica aqui em casa. Também nos fazem acreditar que anda meio mundo a tentar mudar-se para cá. Quando lhes digo que um conhecido meu preferiu gastar muitos milhões de euros na compra de uma propriedade na Suíça, à beira civilizada do Lago Léman, do que pagar 2 ou 3 milhões por uma vivenda mais ou menos equivalente, mas no caos que é o Carvoeiro, não acreditam. Não entendem que quem tem muito dinheiro e não precisa de um Visto Gold vai para outras paragens, amenas e bem organizadas.

Vale a pena falar destas coisas?

Acho que sim.

Nota sobre a corrupção

A detenção do presidente do Benfica não nos permite afirmar que há corrupção generalizada no futebol. Mas permite-nos dizer que as acusações de que é objecto são muito graves. Exigem uma investigação bem feita, com provas claras e um processamento do caso sem demoras. Só assim se evitará todo o tipo de comentários sobre corrupção nas altas esferas, a começar pelos grandes clubes da bola.

A sociedade portuguesa apresenta indícios de altos níveis de corrupção. Um deles é o preço do imobiliário, que é muito superior ao praticado, em condições comparáveis, noutros países europeus, a começar por Espanha, a porta aqui ao lado. Só se pode explicar esses preços por haver muito dinheiro que precisa de entrar nos circuitos normais. O imobiliário é uma das portas de entrada. Se o dinheiro foi ganho de modo irregular, custa menos pagar um exagero de preço por algo que noutros países valeria menos. Esse custo extra é o preço a pagar para limpar o que parece precisar de ser limpo.  

 

 

Os senhores do poder

Não pode haver uma lei para o povo e outra para os governantes. Não pode, mas cada vez mais se tem a impressão que de facto há. E isso acontece quando a oposição é fraca e desfocada. Como estamos a ver, cada vez mais frequentemente, os que estão no poder aproveitam-se dessa fraqueza. Fazem o que querem, dizem o que lhes passa pela cabeça e desculpam-se despejando as culpas nos mais fracos.

Tudo isto mostra uma classe política pouco recomendável, por uma razão ou por outra – abuso do poder ou falta de unhas para tocar a guitarra da mudança

Uma semana política desgraçada

A semana política portuguesa contribui abundantemente para o processo em curso de descredibilização da nossa classe partidária.

Não vou repetir o que muitos já disseram sobre os diferentes incidentes e desastres. Direi apenas que quem está no poder adquiriu o hábito, que aparece com o tempo, de pensar que tudo lhes é permitido. Sentem-se donos e senhores da maquinaria e nomeiam os afilhados, os membros da família e os trovadores que cantam loas aos dirigentes. Fazem-no com o descaramento de quem se sente bem ancorado e ainda por cima, com a protecção do chefe-mor, que tem como única preocupação não ter preocupações. Passa a esponja por tudo e haja calma, que é a sua frase preferida.

Do lado oposto, temos uma oposição que parece ter saído de um asilo para diminuídos da tola. Não convencem ninguém, para além da imagem cinzenta e aparvalhada que projectam. Ao nível nacional, em Lisboa e um pouco por toda a parte. Vão levar uma outra sova eleitoral, não por causa da mediocridade dos outros, mas em virtude da sua. Os medíocres no poder aproveitam as alavancas que o poder lhes dá para bater nos medíocres na oposição. 

E temos ainda uns extremistas, que confundem tudo e mais alguma coisa. Os seus slogans só convencem quem é como eles. Não vão além das franjas de cabeçudos que são a sua base de apoio. Ainda ontem um deles comparava Alexei Navalny a um fascista. E outro, via-se ao espelho e pensava em Marine, a francesa que está a subir. 

O resto da população, quer dizer, todos nós, olha para isto com desdém e continua a lutar pela vida. E luta bem, em muitos casos. O país está melhor do que estava há anos passados, porque as pessoas não baixam os braços. Felizmente. É, pena, no entanto, que não surja gente política capaz de criar um quadro que permitisse multiplicar as energias populares.

 

 

 

Os Britânicos, os Alemães e nós

Hoje, a Alemanha decidiu impor uma quarentena de duas semanas aos viajantes provenientes do Reino Unido. Está preocupada com a incidência da nova estirpe indiana no seio da população britânica.

Entretanto, Portugal começou a receber de braços abertos turistas vindos do Reino Unido. Mostra, mais uma vez, que não há, no seio da União Europeia, um tratamento unificado da pandemia.

E a coisa pode ficar complicada, de novo, em Portugal. Depois das festas desportivas e outras comemorações, e agora com a abertura das viagens turísticas, os números estão a aumentar. Se o nível de contágios atingir o patamar critico, os países começarão a colocar o nosso na lista vermelha. Isso iria comprometer seriamente o período de férias de verão.

Nas ruas, é cada vez mais frequente ver gente sem máscara. Andam com ela no braço. Esta atitude deve ser combatida por quem tem a responsabilidade de o fazer. A ideia de que a pandemia está a ficar vencida é uma ideia que ainda pode custar caro. A nossa economia não pode fazer frente a uma nova vaga. Prudência e comportamentos cívicos deveriam continua a ser as palavras de ordem.

A desorganização e a pobreza que nos rodeia

Viajar de Queluz para Belas e depois na direcção de Caneças, virando em A-da-Beja, passando pelo Casal do Rato e ir desaguar no Centro Comercial Dolce Vita Tejo, que não tem nada a ver com a proximidade do rio, antes pelo contrário, está longe que se farta, é uma volta pela vida pobre e problemática. As urbanizações são densamente povoadas, nuns casos, noutros são o resultado de uma fixação populacional espontânea, que depois foi organizada como pôde ser. É um circuito que nos lembra as imensas dificuldades que as vidas de muitos dos nossos cidadãos periurbanos enfrentam. É o subdesenvolvimento às portas da capital. Apenas um exemplo. É o desordenamento do território num país onde o que se não vê não existe. É, acima de tudo, a prova provada da incapacidade da política portuguesa  

A ambição africana de Espanha

https://www.dn.pt/opiniao/a-espanha-quer-correr-em-africa-em-pista-propria-13573789.html

O link acima abre o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Nessa crónica faço uma breve análise da ambição espanhola relativa a África. 

Cito, de seguida, um parágrafo desse texto, como sendo um convite à leitura completa da crónica.

"A visita a Angola deixou claro que se trata de ocupar o maior espaço económico possível, da agricultura e pescas aos transportes e à energia. Existem mais de 80 projetos de investimento espanhol já em curso ou em fase de arranque. Parece haver igualmente a intenção de contar com Luanda para ajudar Madrid na normalização das relações com a Guiné Equatorial, que foi a única colónia que Espanha teve ao sul do Saará e que agora faz parte da CPLP. À primeira vista, estas diligências parecem estar em competição direta com os interesses de Portugal. Ora, o conhecimento das complexidades de Angola e da Guiné Equatorial aconselhariam a um esforço conjunto por parte dos dois Estados ibéricos."

Uma situação muito grave em Moçambique

O que está a acontecer no nordeste de Moçambique é muito grave e de uma grande complexidade. O ataque à povoação de Palma foi planeado de modo profissional e executado com uma violência inumana. Uma das conclusões que se deve tirar dessa acção terrorista é clara: há por detrás de tudo isto uma mão organizadora. Ou seja, estamos perante um conflito muito mais sério do que se poderia pensar.

Para já, é fundamental reconquistar o controlo de Palma e arredores. E duas coisas mais: compreender quem é esta gente violenta e fortemente armada; ajudar as autoridades legítimas de Moçambique a resolver o problema. A primeira significa procurar saber quem são, quem os organiza e ao que vêm. Não será fácil, mas é essencial fazer essa análise. Com toda a objectividade. A segunda, relativa ao apoio externo, é um assunto que o governo de Moçambique terá que aclarar. Não se pode impor uma ajuda vinda de fora.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D