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Crescemos quando abrimos horizontes

23
Jan 20

Não será por causa do frio que andamos um bocado loucos. Ao ouvir certos nomes serem propostos como possíveis candidatos às próximas presidenciais, penso que os nossos desvarios em matéria política não podem ser atribuídos ao estado do tempo. Há mesmo um problema estrutural de insanidade. Pelo menos, em certas cabeças conhecidas do público.

Quando disse isto, esta tarde, alguém me respondeu que se trataria de puro e simples oportunismo, de lançar nomes para agradar a certos círculos e dar azo a umas linhas nos jornais. Respondi que não será bem assim. Para mim, é um problema de insanidade individual e colectiva, muito para além da falta de bom senso e da procura de protagonismo.

É verdade que qualquer cidadão pode ser candidato, se cumprir os requisitos mínimos que a Constituição estabelece. Mas falar em certos nomes, que Deus me livre, diria o ateu.  

 

publicado por victorangelo às 21:21

22
Jan 20

A radicalização de posições faz mal à política. Um país, Portugal, por exemplo, tem sempre um tecido social diverso, por muito forte que seja a identidade nacional. Aliás, o próprio conceito de identidade nacional, em vários dos Estados da Europa Ocidental, é cada vez mais difícil de definir. Voltarei a essa reflexão um destes dias. Agora, concentro-me na diversidade de interesses e de opiniões que existe em cada sociedade. E que deve ser respeitada.

O papel dos actores políticos só pode ser o de tentar encontrar áreas de entendimento entre os diferentes segmentos da sociedade.  Nenhum país medra se passa o tempo em guerra civil consigo próprio. Apostar na divisão e no ataque sistemático contra os que pensam de outra maneira é má política, é coisa do passado. Liderar é saber construir consensos, erguer as bandeiras que contam para a maioria e ter a coragem de propor plataformas abrangentes. Liderar é unir e garantir o progresso colectivo.

Este blog não se cansará de repetir a mensagem da convergência. Como também não deixará de criticar os radicais que andam nas praças públicas e que se acham senhores da verdade. Infelizmente, temos uma boa colecção deles. E vemos, com preocupação, que fazem mais ruído e captam mais atenção do que lhes seria devido. Mas não há razões para hesitar nem para que nos deixemos atemorizar.

Um radical é um simples de espírito, uma pessoa de uma ideia só. Não creio que seja difícil demonstrar que essa simplificação do argumento não é resposta que se possa aceitar.

publicado por victorangelo às 20:19

18
Jan 20

Na política, o ridículo mata a credibilidade de qualquer partido. Quando ao ridículo se junta a hesitação, a dissensão e luta entre personalidades, estamos prontos para o enterro da organização. O que resta, no melhor dos casos, é uma múmia, uma curiosidade histórica ou uma referência anedótica.

O Livre parece ser uma ilustração do que acima escrevo. O Congresso que agora está a decorrer ficará conhecido, receio, como o velório de uma ideia. Uma ideia que até poderia ter tido asas, se a águia fosse outra. Embora também reconheça que não se tratou apenas de uma questão de falha de liderança. Na verdade, o espaço político na área que pretendiam ocupar está muito fechado. Teria sido necessário uma argúcia excepcional, que obviamente não existiu nem está a surgir.

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:56

15
Jan 20

Certos valores pedidos pelas casas e outras propriedades em Portugal são absolutamente incompreensíveis. Comparativamente, é muito mais caro comprar uma habitação de qualidade no nosso país do que em Bruxelas, por exemplo. Mais ainda, o conforto dos bens que o mercado oferece em Bruxelas, ou noutras regiões da Bélgica, é incomparavelmente maior ao que existe disponível em Portugal. O mesmo se passa se a comparação for feita com o mercado alemão ou com o que aparece à venda em grande parte dos departamentos franceses.

Estranho país. Será que haverá por aí muito dinheiro que precisa de ser reciclado? O sector imobiliário sempre lava mais branco.

publicado por victorangelo às 20:28

10
Jan 20

Não quero estar a maçar nenhum dos meus leitores com mais conversa sobre o Orçamento de Estado. Hoje, como nos últimos dias, não se tem falado de outra matéria. Creio que estamos todos cansados de ouvir uns a dizer bem, que sim, e outros a responder cobras e lagartos. Ou vice-versa, que a confusão nestas alturas é espessa.

Em coisas de orçamentos do Estado, o cidadão quer acima de tudo saber se vai ou não pagar mais impostos, se a burocracia vai funcionar melhor ou não, se haverá incentivos em termos de investimentos e se os serviços públicos essenciais – a saúde, a educação, a segurança das pessoas e a justiça – vão responder mais eficazmente.

O resto é conversa de deputados chatos.

A verdade é que se paga proporcionalmente muito e se obtém pouco, de fraca qualidade e a más horas. Se eu fosse Primeiro-Ministro abriria o meu discurso de apresentação do novo orçamento com uma explicação concreta sobre o que faria este ano para termos um Estado mais competente, mais perto das pessoas e mais poupado. Esse, sim, é o compromisso que se espera do Chefe.  

publicado por victorangelo às 20:59

01
Jan 20

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República vale a pena ser ouvida. Breve, vai directamente às grandes preocupações que Marcelo Rebelo de Sousa vê perfilarem-se em 2020. A saúde, a segurança, a coesão e a inclusão sociais, a ênfase numa sociedade baseada no conhecimento e,ainda, a questão do investimento.

Por detrás das palavras, o Presidente diz-nos que o Sistema Nacional de Saúde está com muitas dificuldades e que a segurança das pessoas não é tão boa como certos arautos do poder nos querem fazer acreditar – e eu, que sei um pouco de segurança, continuo a pensar que o país tem um grau de insegurança que merece mais atenção. Também nos lembra que as desigualdades sociais e a pobreza são uma realidade nacional, que a economia precisa de mais competências e de mais, bem mais, investimentos, públicos e privados.

Estas prioridade não nos podem fazer esquecer outras. Mas já seria óptimo se, neste ano que agora começa, se começasse a dar-lhes mais atenção.

 

 

publicado por victorangelo às 19:30

29
Nov 19

Não se trata de saber qual é o armamento de que se dispõe. Também não tem que ver com um noção convencional da diplomacia, a que procura agradar a gregos e a troianos e não fazer qualquer tipo de ondas. “Soft power” significa que o país tem capacidade para influenciar os outros, sem qualquer tipo de recurso à força ou à ameaça do seu uso. Tem muito que ver com a imagem exterior que o país projecta, com o seu prestígio internacional, e com o seu apetite para desempenhar um papel activo na procura de soluções para as grandes questões que afectam a paz e a segurança aqui e acolá, ou numa qualquer região do globo.

É verdade que temos estado a assistir ao regresso da política da força. A força num sentido amplo, abrangente, com várias facetas, não apenas a militar. Mesmo assim, as soluções baseadas nos valores da paz, do respeito entre as nações, da conjugação de interesses, continuam a merecer um lugar de destaque na diplomacia internacional. E a serem reconhecidas como a via para respostas duráveis a crises profundas.

A Noruega tem sido um excelente exemplo da utilização inteligente do “soft power”. Pesa muito mais na cena mundial do que o seu tamanho e isolamento geográfico deixariam pensar. É um actor credível e ousado, na resolução de conflitos e na procura de respostas às grandes questões dos nossos tempos.

Nós também o poderíamos ser. Precisaríamos de ultrapassar o paroquialismo que nos fecha na nossa aldeia mental, cultivar a imagem exterior de Portugal e ousar. Teríamos muito a ganhar com uma aposta desse género.

 

publicado por victorangelo às 19:08

28
Nov 19

Como dizer “soft power” em português? Primeira questão.

Segunda: quais são as componentes que definem o nosso “soft power”?

Terceira e última, para já: como explicar a falta de atenção dada a este tema, nos debates públicos em Portugal?

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:22

27
Nov 19

Somos, de facto, muito únicos. Nomeadamente, ao nível da comunicação social. Desde o início da semana, são múltiplos os artigos, comentários, textos de opinião, editoriais e notícias sobre o que se passa num partido minúsculo. Um partido que, nas eleições legislativas de Outubro, teve menos de 56 000 votos. Ou seja, uns pós acima de 1% dos votos expressos. Páginas e páginas a tratar da insignificância, que é um tema que habitualmente nos apaixona. 

Shakespeare diria “tanto alarido a propósito de nada”.

publicado por victorangelo às 19:28

21
Nov 19

Ontem escrevi sobre a indisciplina em muitas das escolas públicas. E sobre o impacto profundamente negativo que essa indisciplina tem sobre o futuro da nossa sociedade. Acrescentei que se trata de uma questão da maior importância e, em relação à qual, tem existido, ao longo dos anos, uma demissão inaceitável da nossa classe política. Políticos oportunistas têm estado a transformar o amanhã de Portugal num caos e num grande problema. Nesta área, a da educação, como noutras. Entre as quais coloco a questão da língua portuguesa.

A língua é um dos principais trunfos de que dispomos. E não o temos sabido defender. Não é apenas o facto de se falar e escrever mal, de não se aprender a língua correctamente nas nossas escolas. Também é isso, evidentemente. Uma boa maioria dos nossos jovens é incapaz de se exprimir, de se explicar e de redigir num português decente. Isso acontece mesmo ao nível de quem tem formação superior. Basta ler certas teses de mestrado para se entender que os autores não entendem como manejar a língua, os conceitos, as subtilezas, e por aí fora. Escrevem coisas quase que incompreensíveis.

Mas é acima de tudo o ter-se aceite um acordo ortográfico que dá honras de salão ao português de quem não teve educação escolar suficiente. Quis-se agradar, acima de tudo ao Brasil de alguns, quando se sabe e bem, que no Brasil o que muita gente fala é uma salgalhada simplificada e primária da língua.

O acordo ortográfico baixou a qualidade da língua, reduziu a sua gramática e a sua qualidade expressiva. Não unificou nada de especial com o Brasil, que continua a falar e a escrever como muito bem lhe parece, mas aviltou um dos tesouros nacionais, pois a língua que partilhamos com outros em África e noutras partes do mundo é na verdade um tesouro que deveria ser polido. Foi trabalhado, isso sim, a martelo, com a fraqueza própria de todos os que apenas pensam nos seus interesses, e ficámos a perder.

Uma vez mais, a responsabilidade deve ser atribuída a quem nos governou e nos deixou ir por essa ribanceira. O sentimento que fica é de que o oportunismo e a falta de visão desses políticos tem um sabor amargo, muito próximo da traição ao que são os interesses de Portugal. Uma tragédia, mais uma.

 

 

publicado por victorangelo às 19:59

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