Portugal é grande quando abre horizontes

18
Mai 19

Por aqui, a demagogia e a asneira gostam muito de passear juntas. Desta vez, o motivo tem que ver com as condecorações atribuídas pela Presidência da República, no quadro das ordens nacionais. Alguma comunicação social e certos utilizadores das plataformas cibernéticas têm escrito trinta por uma linha sobre essas comendas e mesmo proposto que fossem abolidas.

A verdade é que todos os países atribuem condecorações a cidadãos que, por um motivo ou outro, se tenham distinguido de modo especial. É verdade que algumas dessas distinções honoríficas têm uma forte matiz político-partidária. O exemplo mais perto de nós é o do Reino Unido, com o gabinete do Primeiro Ministro – uma casa absolutamente partidária – a escolher quem será ou não condecorado. E, mais problemático ainda, com graus em cada ordem, que podem dar direito, ou não, ao enobrecimento do beneficiado. Esse enobrecimento é importante, quer em termos de estatuto social quer ainda de acesso a certas funções no sector privado. Mas o sistema está estabelecido e é aceite como tal, porque no essencial reconhece o mérito das pessoas escolhidas.

Soube-se agora que nos últimos 45 anos foram dispensadas 9477 comendas, pelos diferentes Presidentes portugueses. Considerando que uma parte dos homenageados já deve ter falecido, teremos hoje à volta de um condecorado por cada 2000 cidadãos. Não me parece exagerado.

Também não vejo motivo de escândalo se umas trinta ou quarenta pessoas, do total dos condecorados, acabaram por ter um comportamento que não se coaduna com o reconhecimento público que lhes foi dado. Não será por aí que o gato irá às filhoses. Nem isso justifica a demagogia e a asneirada que por aí anda.

 

 

publicado por victorangelo às 17:45

13
Jul 16

O Conselho de Estado reuniu-se pela segunda vez, neste novo mandato presidencial, na segunda-feira ao fim do dia. Na terça-feira, já um ou mais dos seus membros havia relatado a jornalistas amigos os pormenores do que fora discutido e quem disse o quê.

Na minha opinião, esta falta de respeito pela confidencialidade das discussões retira valor ao Conselho de Estado, que aliás já tem pouca valia. Deixa de ser um órgão onde se exprimem opiniões independentes, para benefício do Presidente da República. Assim, vai-se para o Conselho com a intenção de dizer o que convier em termos da opinião pública e da política partidária do momento. Não se estará a falar com a objectividade necessária, mas sim de pé atrás ou então a pensar na oportunidade e no impacto dos títulos que irão aparecer nos jornais.

Falta sentido de Estado, neste país.

Já pensaram no que se transformaria o Conselho de Ministros, se a moda do contar tudo pegasse também por essas bandas?

 

publicado por victorangelo às 18:26

17
Jan 16

Sem entrar na questão das campanhas presidenciais, pois quem está fora não deve meter o bico nessas coisas, confirmo, no entanto, que vou acompanhado o que os candidatos dizem, aqui e acolá. E vejo que o tema do Estado social aparece como uma das bandeiras, sobretudo nalguns casos. Mas ainda não ouvi ninguém dizer uma verdade simples: sem economia não há Estado social. O resto é propaganda.

Como não o dizem, digo eu. O Estado social, capaz de responder às exigências modernas, às expectativas dos cidadãos, precisa de uma economia de iniciativa privada forte, dinâmica, avançada e competitiva. E esse tipo de economia só existe se estiver alicerçada num sistema educativo nacional eficaz, moderno, disciplinado e prestigiado.

O resto é demagogia eleitoral.

 

publicado por victorangelo às 20:49

09
Jan 16

Vistas a grande distância, que é como eu as vejo, as campanhas eleitorais dos candidatos à presidência da república são de uma grande pobreza temática. E, também, intelectual. Primam as ideias repetidas e as simplificações tacanhas.

Acho preocupante. Para o futuro do país, claro, e para garantir o respeito institucional que a presidência requer.

publicado por victorangelo às 21:50

22
Out 15

O Presidente da República, ao indigitar como primeiro-ministro o líder do partido com maior número de deputados, tomou a decisão mais previsível, neste momento em que ainda não há acordo de legislatura entre o Partido Socialista e os outros partidos.


Foi, no entanto, mais longe, ao dizer claramente que os dois partidos que estão a negociar com o PS são estruturalmente contra alguns dos tratados fundamentais de que Portugal é subscritor. Esta afirmação deixa entender que só muito dificilmente viria a dar posse a um governo cuja base de sustentação dependesse de modo definitivo do apoio continuado desses partidos.


Estamos, assim, perante uma posição muito categórica que poderá, em breve, ser um sapo gigante que terá que ser engolido.

publicado por victorangelo às 20:58

16
Mai 15

A conferência organizada pelo Presidente da República sobre “Portugal e os Jovens” permitiu uma reflexão importante.

O estudo que encomendou ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sobre “EMPREGO, MOBILIDADE, POLÍTICA e LAZER: SITUAÇÕES E ATITUDES DOS JOVENS PORTUGUESES NUMA PERSPECTIVA COMPARADA” é particularmente elucidativo. Mostra, acima de tudo, uma juventude afastada da prática de cidadania, confusa e com pouca esperança, pronta, em grande medida, a emigrar e a procurar futuro noutros cantos da Europa.

A interrogação que fica, no final de acontecimentos deste género, é sempre a mesma: e agora?

Dito de outra maneira, que acções ou medidas vão ser tomadas? Quem toma a liderança? Quem deve ser responsabilizado para que as coisas comecem a mudar?

E, como noutros casos, a resposta é tristemente simples: as palavras esquecem-se, os diagnósticos não têm tradução prática, ninguém altera uma vírgula às políticas existentes, ninguém pega na bandeira.

publicado por victorangelo às 17:35

10
Abr 15

António Guterres, numa entrevista de hoje, deixou bem claro que a sua opção passa, nesta altura da vida, pela continuação do seu trabalho humanitário, num quadro de intervenção internacional. Não está, por isso, disponível para a política portuguesa. Ou seja, não será candidato à Presidência da República, em Janeiro de 2016.

Devo dizer que compreendo perfeitamente a posição que tomou. E elogio a cautela que teve, de modo a que ninguém possa dizer, com seriedade, que as suas palavras mostraram menos respeito pela função presidencial portuguesa. Antes pelo contrário. Reconheceu a importância da função, mas foi igualmente claro quanto à sua preferência pessoal.

 

publicado por victorangelo às 21:10

09
Abr 15

Em Portugal, a procissão relativa à eleição presidencial de janeiro de 2016 ainda não saiu da igreja, mas já está a causar muitas disputas. Tem todos os sinais de vir a ser uma romaria cheia de divisões e de conflitos, entre os compadres que acham que têm alguma voz que se oiça na aldeia. Tenho a impressão que acabaremos por ver muita loiça partida e muita cabeça rachada. Não sei se vai ser divertido, mas será certamente um período de grandes rancores e de golpes baixos.

publicado por victorangelo às 20:28

07
Abr 15

Anda por aí gente a queixar-se de António Guterres, que não se define, que não diz se sim ou sopas, no que respeita às eleições presidenciais de 2016.

Mas a verdade é que Guterres está a jogar claro. Gostaria de ser o próximo Secretário-geral da ONU. Esta função é incomparavelmente mais interessante que a de Presidente da República portuguesa, mesmo escrevendo presidente com um P grande. Enquanto ele pensar que tem hipóteses, ao nível das Nações Unidas, não vai mostrar nenhum outro interesse que possa pôr em causa as suas chances. E, para já, Guterres tem algumas probabilidades a seu favor. É um nome possível.

Não haverá clareza em relação às candidaturas a Secretário-geral nos próximos tempos, excepto no caso de um acontecimento que desagrade profundamente a um dos cinco países permanentes do Conselho de Segurança e que tenha Guterres como protagonista. Ora, ele é prudente e sabe bem quais são as regras e contornos da corrida. Isto significa que Guterres não estará disponível, nem pouco mais ou menos, para ser candidato em Portugal. Mais ainda. É provável que nos próximos meses tenha um cuidado muito especial, uma espécie de afastamento, para que ninguém pense que ainda alimenta, lá no fundo do seu peito, alguma ambição relacionada com o início do ano de 2016 em Portugal.

 

 

publicado por victorangelo às 20:13

05
Abr 15

Uma das características marcantes da Esquerda portuguesa é a sua fragmentação. As divisões resultam de uma notória falta de liderança combinada com a inexistência de um projecto credível e agregador. No meio de tudo isso, existe um Partido Socialista às aranhas e um Partido Comunista amarrado a uma visão impraticável da sociedade e das relações de Portugal com os seus parceiros naturais.

Por isso vamos ter, nos próximos meses, no que respeita às eleições presidenciais do próximo ano, mais candidaturas à esquerda.

Tudo isto favorece claramente a Direita.

publicado por victorangelo às 20:19

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