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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Notas para um balanço político

Estamos agora na ponta final deste ano. É a altura de fazer as contas, de proceder ao balanço dos últimos doze meses. Ora, balanços há muitos e cada um fará o seu.

Aqui, em Portugal, em matéria política, 2019 foi um ano de viragem. Um período de rearranjo do xadrez partidário.

O PS manteve a dianteira, acima de tudo porque as pessoas não querem grandes alterações nem querem ouvir falar de austeridade. Não entusiasma o povo, mas também não faz ondas. Deixa andar e mantém a fachada. António Costa é, acima de tudo, um gestor de efeitos luminosos. À sua esquerda, temos um PC que envelhece. Convence apenas os convencidos, que não são muitos. O tempo fará o resto. Os amanhãs que cantam estão agora arrumados nos livros de história que ninguém lê. O BE termina o ano à procura de si mesmo, como um fantasma perdido nos corredores de um emaranhado de ilusões. É, cada vez mais, o partido do irrealismo, dos líricos e dos frustrados sociais.

À direita, o CDS termina o ano em estado de coma. Não sabe para que serve. Sem liderança e sem bandeiras, apertado entre o PSD e a nova direita – liberal ou populista – o CDS é agora sinónimo de irrelevância. Quanto ao PSD, as divisões internas, as ambições das diferentes facções, o cinzento da sua liderança, tudo contribui para que o partido se reduza aos que não querem votar PS e também não querem ir para os extremos. É um escanzelado político, com fome de poder, mas sem forças nem artes para chegar à gamela. Fecha o ano com uma corrida à liderança interna que faz pensar numa caldeirada de peixe que já perdeu a frescura.

Temos ainda as novas representações. Aqui, quem irá marcar pontos, aglutinar a direita e o sentimento anti-PS, poderá ser o Chega. O problema é que se trata de uma banda de um só solista. Quem anda só, pode acabar por se perder. Dizem que o Chega é da extrema-direita. Eu vejo-o mais como uma agremiação populista e oportunista, radical, claro, como um possível viveiro de todo o tipo de direitistas frustrados e combativos. Quanto o Livre, é uma botija de gás que se esvazia rapidamente. Não tem pernas políticas capazes de criar um movimento de apoio suficiente. Durou quatro ou cinco semanas, e já está.

No meio de tudo isto, continua a faltar um movimento de cidadania que marque pontos. Temos, nas associações de cidadania, gente com cabeça. Mas não conseguem ultrapassar as audiências de grupos de amigos. Esta é uma área que vejo, com pena, arrastar os pés e não ser capaz de mobilizar mais energias.

E assim vamos chegando ao final da etapa 2019.  

 

 

 

 

Estratégia ou apenas aproveitar o vento que sopra?

Ao ver o que por aí aparece como sondagens, dir-se-ia que António Costa tinha a vitória nas mãos e que, entretanto, se descuidou e a deixou voar para outros destinos. O que era há umas semanas um debate sobre “uma maioria absoluta” – debate esse que até deu azo ao aparecimento de um manifesto de figuras mais ou menos públicas a lembrar que uma maioria absoluta do PS seria um desastre para as políticas da esquerda radical, que esse grupo de certo modo representava – transformou-se agora num desenho de cenários de possíveis alianças na Assembleia da República.

A descida do apoio ao PS poderia ser melhor aproveitada pela campanha de Rui Rio. Mas como não há visão, o aproveitamento é feito de modo simplista, muito à volta do que aconteceu ou não em Tancos. Ora, haveria, isso sim, que insistir na tecla de um PS refém do Bloco de Esquerda, após as eleições. E bater nessa tecla de modo a mobilizar para o PSD o voto de todos os que, incluindo dentro do Partido de António Costa, não gostariam de ver uma segunda edição da geringonça. Uma edição que agora teria o seu centro de gravidade na agenda do BE e não na moderação que Costa soube mostrar ao longo dos últimos quatro anos.

Claro que digo isto apenas como ilustração. Não me cabe fazer a estratégia eleitoral de Rui Rio. O que escrevo é apenas para mostrar como trabalham os que andam nos jogos de estratégia e não os que apenas tentam cavalgar a onda que passa.

 

Uma nota sobre a rentrée política de 2019

Continuo a pensar que o maior problema político que o país enfrenta, neste momento de rentrée política, reside na fraqueza da oposição. Sobretudo da oposição à direita do governo actual. Aquilo a que chamaria a oposição com moderação, peso e medida. A oposição que deveria representar uma parte importante e indiscutível do país que somos.

Sem contrapeso, a política de quem está solidamente no poder perde o sentido de equilíbrio. Com o tempo, fica entregue a um agrupamento de interesses, que, sob uma capa ideológica vagamente definida, se auto-protege e se convence que o país só tem uma visão do futuro, aquela que eles mais ou menos promovem. E, ainda, sem crítica organizada quem manda ganha um sentimento de impunidade que não é bom para a gestão saudável dos recursos públicos. O poder passa a ser uma pirâmide, personaliza-se em torno de um político forte e perde a forma multifacetada que uma sociedade moderna exige.

Nesta realidade, é evidente que o PSD e o CDS/PP estão em crise. Têm lideranças incapazes de responder às necessidade presentes e ao desafio que representa um António Costa hábil e experiente. As intervenções e os cartazes desses dois partidos espelham bem a falta de estratégia, a incapacidade de definir os ângulos de intervenção, a desconexão entre eles e os cidadãos da vida de todos os dias. São dois fantasmas, que parece que existem mas que não são perceptíveis, que o olho comum não consegue enxergar. Como todos os fantasmas, arrastam-se penosamente nos corredores da vida pública, sem ânimo nem expressão definida.

Os outros partidos da mesma área, recém-criados, não têm credibilidade. Também não têm uma marca política que os distinga no nevoeiro que existe à direita do PS. São fantasias pessoais, meras brincadeiras idiotas de quem gostaria de ter protagonismo. Não convencem ninguém, para lá de um grupo de amigos e de outros medíocres da vida.

E assim estamos, nesta rentrée 2019. Falta acrescentar que não cabe neste escrito falar do BE e do PCP. Reconheço, todavia, que vale a pena analisar o fenómeno político que é o BE.

 

 

O PSD e o CDS à deriva

Numa sondagem de opinião que hoje veio para os jornais, fica claro que a direita tradicional portuguesa está em crise. Representada pelo PSD e CDS, não conseguiria hoje mais do que 28% dos votos. 23% para o PSD e o resto para o CDS, que sofre uma queda acentuada. A agremiação de A. Cristas anda mais às aranhas do que a de Rui Rio, o que é muito significativo.

Estes resultados mostram que não há uma mensagem política à direita que cative. Não há fôlego nem bandeiras.

É evidente que a responsabilidade cai, acima de tudo, nos ombros dos líderes primeiros desses dois partidos. Num mundo a sério, ambos deveriam reconhecer que não têm garras para a música que se lhes pede que toquem. Isto é ainda mais evidente se se tiver em conta o desgaste político que caracteriza o governo de António Costa.

Do outro lado, quem aproveita são o BE e PAN. As razões serão motivo para outra conversa.

Aliança e ambição

O novo partido de Pedro Santana Lopes tem um nome pouco feliz. Aliança, com c de cedilha, não cabe bem nos cartazes. A cedilha complica. E o nome pode dar azo a brincadeiras, como a que se viu hoje em Évora, na altura da lançamento do partido. A maioria dos delegados era de uma certa idade, faltava massa jovem, estávamos perante uma Aliança Velha. E não sei se aguardente ou outro licor vai correr copiosamente depois se conhecerem os resultados deste partido nas próximas eleições.

Aliás, a ambição do fundador é modesta. Fala em dois dígitos. Isso quer dizer 10% e nada por aí além. Ou seja, o partido terá mais vocação para bengala dos outros partidos de direita do que para ser líder ou peça-chave de uma coligação. Eu teria dito isso de outra maneira: a Aliança quer ser o motor da governação pós-geringonça.

Também é verdade que Pedro Santana Lopes transmitiu uma imagem mais madura da sua pessoa política. Isso é positivo. Mas não é suficiente. Tem que existir um pacote de propostas e uma maneira de combater que possa ser entendido pelos eleitores. Esse é o desafio que a Aliança tem pela frente. E com urgência.

Boa sorte, diria o outro. Sobretudo, boa sorte para os Portugueses.

 

António Costa esteve mal na AR

A referência feita pelo Primeiro-Ministro António Costa “à cor da sua pele”, insinuando assim que a líder do CDS estaria a mostrar um comportamento racista em relação à sua pessoa, foi injustificada e muito infeliz. Não é para repetir.

Assunção Cristas, quer se goste muito ou nada dela, tinha todo o direito de pedir a António Costa que esclarecesse se apoia ou não a actuação da PSP. Era um pergunta legítima e de actualidade. A resposta deveria ser dada com calma. E de modo inequívoco, expressando claramente que é preciso respeitar a Polícia, quando esta está a cumprir a sua missão dentro dos parâmetros da lei.

Perder as estribeiras, quando se é Primeiro-Ministro, e quando não há razão para tal, acaba por ser visto como um sinal de fraqueza. Ou, pelo menos, de cansaço, de quem anda a precisar de descanso e de mudar de vida. Em ambos os casos, fica uma imagem tremida.

 

 

Oposição

A oposição política a qualquer governo é um aspecto essencial da democracia. Uma oposição forte, bem articulada e com substância enriquece o sistema democrático e faz progredir as nações.

O contrário também é verdade. Quando a oposição é taralhouca, perdemos todos. Incluindo quem está no poder. Um governo que não é espicaçado de modo inteligente acaba por cair no facilitismo. Passa a preocupar-se apenas com os efeitos mediáticos e a superficialidade das coisas fáceis.

Um exemplo preocupante do populismo à portuguesa

Um dos partidos marginais de Portugal, mas com assento na Assembleia da República, diz que vai lançar uma campanha para preparar a nossa saída do euro. Trata-se de um partido que teve mérito no passado, mas que hoje é um mero agrupamento de saudosistas retrógrados, que combinam atitudes reacionárias com uma ingenuidade à prova de todos os argumentos racionais. É uma peculiaridade bem portuguesa, que já não existe noutros cantos da Europa.

Dizem que durante a campanha irão negociar com o PS, o BE, os PEV, entre outros que não são explicitamente mencionados. Só espero que os outros incluam o Nicolas Maduro da Venezuela e o Robert Mugabe do Zimbabwe. Ambos têm experiências ímpares de como se consegue arruinar um sistema monetário e uma economia de modo rápido, e depois, colocar a culpa nos outros.

Dito isto, é claro que o populismo político que actualmente sopra por vários sítios, e agora também em Portugal, é uma loucura política muito perigosa.

A minha solução de governo

A quem me perguntou hoje, disse que, no meu entender, Portugal precisa de um governo ao centro. Um governo que esteja assente numa maioria de deputados do PS ou do PSD, ou numa aliança de ambos. Aquilo a que noutros céus se chama “uma grande coligação”.

A "grande coligação" seria, de longe, a minha preferida. Só assim se poderiam adoptar as reformas que o país precisa, com o equilíbrio que necessário. Ou seja, dando ao mesmo tempo atenção à modernização da economia e das instituições e às condições sociais dos cidadãos. Seria igualmente uma maneira de atrair os investimentos que o desenvolvimento nacional requer.

O resto não passaria de experiências de laboratórios políticos, nalguns casos, ou de mais do mesmo, noutros. Dito de outra maneira, tratar-se-ia de idealismos sem asas para voar, num dos modelos. Ou de parvoíce conservadora e insensível às realidades sociais, no outro.

 

O refém anunciado

Tudo indica que António Costa irá ser, por algum tempo, primeiro-ministro de Portugal. Está certo. Mas espero que seja um primeiro-ministro sem arrogância. Os resultados de 4 de outubro mostram claramente que apenas um em três portugueses o vê, de facto, com capacidade para ser chefe do governo. Tem que haver modéstia.

Foi um resultado eleitoral desastroso, sobretudo depois de quatro anos de Passos e Companhia. Se os eleitores lhe reconhecessem estofo para o cargo, Costa teria vencido, nas condições excepcionais de então, de um modo esmagador. Foi isso que Mário Soares disse várias vezes, que a vitória só poderia massiva. Não o foi. Uma boa parte dos eleitores não acredita no líder socialista, não entende o que ele quer, não o vê com uma linha clara de actuação. Projecta, isso sim, uma imagem superficial, repetitiva, sem imaginação e pouco aplicada.

O problema vai ser que Costa irá procurar manter-se no poder a todo o custo. Até porque sabe que no dia em que perder o cargo de primeiro-ministro se iniciará o percurso que o levará às segundas linhas. Para manter o poder, será um eterno refém dos seus aliados de circunstância.

Esse é o risco que esta aliança muito especial traz consigo. Um PS a reboque de um líder fraco, ainda mais enfraquecido porque a sua sobrevivência depende dos radicais iluminados que só por equívoco intelectual alguns chamam de Esquerda.

 

 

 

 

 

 

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