Portugal é grande quando abre horizontes

11
Set 16

Numa altura em que se fala tanto das admissões às faculdades, lembro-me que o Quirguistão, um país de menos de 6 milhões de habitantes, tem 56 universidades. Todos os anos produzem um número elevado de licenciados, mestres e doutores, que depois não encontram emprego. O nível da frustração entre os jovens é alto. A emigração para a Rússia e o Cazaquistão é a saída mais frequente. 

Por outro lado, quase não existem cursos de formação técnico-profissional no país. Os poucos rapazes e raparigas que frequentam esses cursos têm trabalho garantido, uma vez terminados os estudos. Mas não têm o prestígio profissional que as universidades ainda parecem dar.

 

publicado por victorangelo às 20:47

18
Jun 10

José Saramago deixou-nos hoje. Sentimo-nos mais pobres. Foi um português que não teve medo de abrir novas frentes, ao desafiar constantemente a nossa maneira tradicional de pensar. Com ele, com as suas frases intermináveis e as suas alegorias, muitos de nós aprenderam a pensar sem barreiras. A deixar voar o olhar crítico sobre nós próprios. A saber que todas as interrogações são legítimas. 

 

Gente assim cabe dificilmente no Portugal que temos. Por isso, foi viver para a porta ao lado. É melhor para os nervos. E envia um sinal que poucos entendem, mas que deveria voltar à baila, neste momento da sua viagem definitiva para o espaço das memórias. A mensagem que continuamos a fechar os nossos horizontes, a viver agarrados à sotaina das ideias de outrora, num círculo de vistas estreitas, que acaba por excluir as mentes livres e criadoras.

 

Por isso, alguns continuam a morrer no exílio.

publicado por victorangelo às 19:58

27
Mar 10

 

Hoje e amanhã estou de férias, agora já em terras europeias. No começo da semana que entra, tenho que terminar o relatório de fim de missão, despachá-lo para Nova Iorque e acertar as datas de uma pequena estada de despedida na Sede. Nova Iorque, Nova Iorque. Assim se fecha o capítulo principal da minha vida profissional, várias décadas de trabalho com a ONU, nas áreas do desenvolvimento, da ajuda humanitária, da política e, nos últimos anos, da segurança e da paz. A partir de agora, poderão surgir algumas ocasiões de colaboração pontual, mas nada de permanente e de longo prazo. Já chega. Há que deixar espaço para que outros o possam fazer.

 

Assim é a vida. Só posso dizer que tive sorte. Foi uma experiência muito variada. Com muita substância. A dar-me uma visão mais ampla do estar no mundo.

 

Entretanto, entre outros projectos, vou começar a minha colaboração com o Conselho da Europa. A tempo parcial. Farei parte de um pequeno grupo de reflexão, uma coisa nova, oito pessoas, quatro europeias, quatro de outras culturas. Iremos fazer propostas, que se querem inovadoras, sobre as relações entre a Europa e os países do Sul. Incluindo num domínio pouco estudado, as questões da juventude. Dar outras perspectivas aos jovens, em particular aos das margens Sul do Mediterrâneo, para que tenham oportunidades sem que necessitem de sair das suas terras e emigrar.

 

Prometo, também, que vou expandir a minha produção escrita. Mais textos, mais reflectidos, mais investigados. Mais intervenção.

 

Conto com os meus amigos, claro. 

publicado por victorangelo às 20:29

04
Abr 09

 

Passei a manhã a ouvir falar dos problemas da educação pública secundária. Incluindo dos falsos cursos de formação profissional, que existem nas escolas secundárias só para Bruxelas ver, para as estatísticas, para o show-off.

 

Foi uma manhã preocupante. Ouvir os profissionais da educação, gente sem partido, experiente e séria, é perceber a ilusão que é a actual política educativa. Que disfarça e procura escamotear a falta de conteúdo e de resultados no sector público da educação com a proliferação dos gadgets tecnológicos. Como se os quadros interactivos e os computadores fossem um substituto para a má qualidade do ensino que se pratica em muitos estabelecimentos. Ou para a falta de preparação e de disciplina dos alunos.

 

A política nacional de educação precisa de ser revista de alto a baixo. Convém por um ponto final a muitos anos de deriva. O futuro do país exige que se organize, através da sociedade civil, uma conferência nacional para debater a reforma do sistema público de educação em Portugal. 

 

Uma Fundação poderia tomar a iniciativa. A Assembleia da República, que deveria ser o órgão institucional vocacionado para esse tipo de debates, não tem credibilidade suficiente. Nem independência. Os sindicatos, por outro lado, embora devessem participar, têm uma missão diferente. Não lhes cabe tomar a liderança de um processo de reforma.

 

publicado por victorangelo às 14:28

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