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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Ucrânia: as duas faces da moeda

Apesar de ambas as partes terem dito, no final da reunião de ontem em Genebra, que continuariam o diálogo, estou convencido que será muito difícil conseguir um desanuviamento no futuro imediato. Por isso mesmo, a promessa americana de submeter um conjunto de respostas por escrito na próxima semana é esperada com muita apreensão. Esse documento tem de permitir que haja uma clarificação das posições, uma identificação das medidas que cada lado deverá levar a cabo e propor um processo de negociações.

Entretanto, o fornecimento de armas e equipamento militar à Ucrânia, por parte dos Estados Unidos, deve ser visto como a outra face da moeda: por um lado, investe-se na diplomacia, por outro, não se perde de vista a dimensão militar.

É evidente que tudo isto agrava uma situação extremamente delicada. Mas não há condições, neste momento, para apostar apenas na diplomacia. O reforço da capacidade de defesa da Ucrânia é absolutamente essencial. A liderança russa têm de compreender que qualquer violação da fronteira ucraniana terá enormes custos militares, para além de todo o pacote de medidas que possam vir a ser tomadas contra os interesses económicos e financeiros da Rússia. Na verdade, perante uma situação de força deve-se responder com meios civis e militares. De modo completo, compreensivo. 

Guerra na Europa do Leste?

Depois dos encontros em Genebra, Bruxelas e Viena, que decorreram ao longo da semana, a tensão entre Rússia, os Estados Unidos e a NATO piorou. Cada delegação expôs os seus pontos de vista e as suas linhas de actuação, sem que tivesse havido diálogo entre as partes. Antes pelo contrário. As reuniões mostraram que o fosso que as separa é enorme e que as exigências vindas de Moscovo são claramente inaceitáveis, quer em Washington quer na Europa. Pensa-se que o objectivo da posição russa era o de obter um não. E foi isso que aconteceu.

Existe um risco real de confrontação. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia disse-o sem ambiguidades em Viena, na reunião da OSCE, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa. Utilizou, mesmo, a palavra “guerra”, uma expressão que não pode ser dita de ânimo leve.

No lado russo, afirma-se claramente que as negociações foram um fracasso. Insistem na questão da expansão da NATO para o leste europeu. Esta questão da adesão à NATO de países como a Ucrânia e Geórgia, que tem a oposição frontal de Moscovo, parece ser a mais importante, a mais delicada.

Esta semana, a diplomacia não serviu para desanuviar o clima de hostilidade. Mas não há melhor solução do que continuar a insistir nas conversações diplomáticas. Têm, no entanto, que assentar em concessões concretas, vindas de ambos os lados.

 

 

 

Americanos e russos

As delegações americana e russa reuniram-se ontem em Genebra, durante mais de sete horas. No final, a única coisa concreta que puderam referir foi que tinham estado reunidos e que cada parte tinha explicado as suas posições.

E mostraram satisfação com esse “resultado”. O que provou uma vez mais que os contactos pessoais ao mais alto nível são importantes. Permitem desanuviar um pouco a tensão existente e abrem a porta para novos encontros. Possibilitam, igualmente, a cada delegação falar para o seu público doméstico para mostrar firmeza e louros.

O essencial é que o processo continue. Ao mesmo tempo, é fundamental não diminuir o nível de alerta e estar preparado para tudo. A situação continua muito perigosa

Cazaquistão: um povo revoltado

As poucas imagens que nos chegam do Cazaquistão – a ditadura corrupta tem estado a impedir o acesso à internet e às redes sociais – mostram pelo menos duas coisas.

Primeiro, que se trata de uma revolta popular generalizada, contra um regime que veio directamente dos tempos soviéticos e que tem roubado o país a torto e a direito. Um regime que serve essencialmente uma família, a de Nursultan Nazarbayev, que esteve no poder na era comunista, desde 1984, e depois foi presidente da república de 1990 a 2019.

Segundo, que as forças armadas e a polícia dispararam a matar contra os manifestantes. Não mostraram ter qualquer tipo de respeito pela vida dos seus concidadãos. Também revelaram que não têm nenhum tipo de preparação para responder, de modo não-letal, a manifestações de massas.

Estas fotos surgiram no mesmo dia em que se lembrava o ataque contra o Capitólio, nos Estados Unidos, que há um ano tentou subverter o processo democrático americano relativo à eleição presidencial. Também nessa altura, massas de indivíduos atacaram as forças da ordem e um edifício que é o símbolo da democracia representativa americana. Esses indivíduos não podem ser comparados, nos seus motivos, aos manifestantes que agora saíram à rua em quase todas as cidades do Cazaquistão. Mas a maneira como as diferentes polícias de Washington responderam ao assalto perpetrado a mando de Trump foi bem diferente do que se viu agora na Ásia Central.

As forças policias americanas têm enormes deficiências. Não são, de modo algum, um modelo, no Ocidente. Mas sabem que não se atira a matar contra multidões de manifestantes, por muito violentos que esses possam ser.

 

A entrevista que dei ao DN (3)

Assinalaram-se há dias os 30 anos do fim da União Soviética, mas atual tensão entre o Kremlin e o Ocidente parece do tempo da Guerra Fria. Os alargamentos da NATO a Leste são a justificação para a agressividade da Rússia?

A Rússia e a NATO estão emaranhadas num impasse de desconfiança: nenhuma parte acredita na outra. Daqui nasce uma espiral de agressividade, que na realidade é favorável ao reforço do poder interno do Presidente Vladimir Putin. Permite-lhe vender aos seus concidadãos uma imagem de homem forte, de defensor da pátria e da cultura russa, de uma Rússia imperial, determinante na arena internacional. Uma presença muito visível da NATO perto das fronteiras russas permite, ao fim e ao cabo, consolidar o poder autocrático de Putin. Serve os seus interesses e as suas ambições de presidente para a eternidade.

A NATO cresceu para Leste porque os estados da região assim o quiseram, de modo soberano e democrático. E porque conseguiram atingir os critérios exigidos pela Organização: um sistema político democrático, uma economia de mercado, subordinação das estruturas militares à ordem constitucional e ao poder civil, e o compromisso de resolver os conflitos de modo pacífico.

O desafio é agora, para a NATO, de encontrar um equilíbrio entre a defesa de cada estado-membro e a contenção operacional a Leste. Ou seja, é preciso evitar destacamentos excessivos de meios para zonas que possam provocar uma escalada militar do outro lado da fronteira. Para isso, há que negociar concessões e criar comissões mistas que permitam desfazer, pouco a pouco, o impasse da desconfiança.

Convém lembrar que a Rússia é parte integrante da cultura europeia. O papel dos líderes é o de transformar essa realidade histórica num processo de desanuviamento e num futuro partilhado, de paz.

De novo sobre as ameaças russas

O texto que ontem publiquei no Diário de Notícias foi considerado por alguns leitores – os que me contactaram – como pessimista. Nomeadamente, no que respeita a uma possível acção armada da Rússia contra a Ucrânia. A questão iraniana não toca tanto os leitores portugueses. O Irão encontra-se num mundo distante, que parece não fazer parte do nosso. Já a Rússia desperta grande interesse, atitudes emocionais mesmo.

Claro que não posso ter a certeza, quando se trata das intenções russas. Mas a verdade é que o Kremlin fez saber quais são as suas exigências em relação à NATO e ao Ocidente. Ficou assim claro que Vladimir Putin e os seus apenas querem negociar com os americanos. Os estados europeus não contam, não fazem medo aos russos. São os EUA quem conta. E quando os russos falam da NATO, estão novamente a falar dos americanos.

As exigências anunciadas são, à partida, inaceitáveis. Querem fazer recuar o relógio da história cerca de vinte e cinco anos. Para o conseguir vão aumentar a pressão sobre a Ucrânia – e não só –, de tal maneira que leve o Ocidente a ceder. É aí que está o risco. Este jogo de confrontação só tem duas saídas: ou um lado cede ou então há um choque. Ora, estamos muito perto de assistir a um choque.  

 

As grandes ameaças internacionais a curto prazo

https://www.dn.pt/opiniao/uma-epoca-de-festas-sem-treguas-14415083.htm

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Escrevo sobre as ameaças mais imediatas: o Irão, a Rússia e o Ómicron. Deixo outras, que considero um pouco mais distantes, mas igualmente muito sérias, para uma outra ocasião. Aí estarãoTaiwan, os mercados financeiros e os impactos que vão ocorrendo das alterações climáticas. 
Cito de seguida umas linhas do escrito de hoje.

"Por outro lado, o novo governo iraniano tem estado a acelerar o seu programa de enriquecimento de urânio, em clara violação do Plano de Ação de 2015. Neste momento, já acumulou suficiente material físsil para poder produzir várias armas nucleares. Em simultâneo, acelerou a produção de mísseis balísticos e de meios aéreos capazes de transportar uma carga nuclear. Tudo isto é muito grave e levanta muitas bandeiras vermelhas nos sítios do costume."

O G7, a Rússia e a crise na fronteira da Ucrânia

A reunião de hoje dos ministros dos negócios estrangeiros do G7 foi convocada a título extraordinário. A ordem do dia tinha apenas um ponto, coordenar a resposta que será dada caso a Rússia venha a intervir militarmente na Ucrânia. 

O carácter excepcional e urgente deste encontro deixa entender a gravidade da crise.

As últimas declarações do Presidente Vladimir Putin, que afirmou que no Leste da Ucrânia estaríamos perante o desenrolar de um genocídio dos russo-falantes, acrescentaram um nível adicional de preocupação. A referência manipuladora e mentirosa a um genocídio que não existe é um primeiro passo para criar uma ficção e justificar a acção militar. Depois dessas palavras, ficou mais claro que Putin se prepara para invadir e anexar a região ucraniana de Donbas. Se isso se concretizar, teremos na Europa uma crise de grande envergadura. 

 

 

...

https://www.dn.pt/opiniao/biden-e-putin-um-dialogo-indispensavel-14392541.html

Este é o link para o texto que hoje publico no Diário de Notícias. Trata-se de uma reflexão inspirada no recente encontro "digital" entre os Presidentes Joe Biden e Vladimir Putin. Uma parte dessa reflexão é para deixar claro que, no meu entender, a situação criada pela Rússia à volta da Ucrânia é muito séria e pode conduzir a uma confrontação violenta. Uma outra mensagem tenta sublinhar a importância destas conversas de alto nível, entre os dirigentes máximos de um lado e do outro. O diálogo é essencial e deve continuar. Sobretudo perante a gravidade da situação actual. 

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