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Crescemos quando abrimos horizontes

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A Grécia e o vizinho turco

O texto que publico esta semana no Diário de Notícias, na edição deste sábado, analisa o conflito marítimo entre a Grécia e a Turquia, com uma referência especial ao regime do Presidente Erdogan. A Turquia de Erdogan representa um grande desafio para a Europa. Esta tem que falar claro e por Erdogan no seu lugar. Não deve haver espaço para ambiguidades. Os riscos são enormes. Erdogan pode criar problemas existenciais à União Europeia. Já conseguiu paralisar a NATO. Mas o seu grande objectivo é o se mostrar forte e determinante em relação à Europa. Precisa disso para poder continuar a apostar nos projectos megalómanos que tem em curso no seu país. Como também precisa de aparecer perante o eleitor turco mais simples como um nacionalista e um restaurador da grandeza turca.

Uma agenda com uma única preocupação

Na agenda europeia, as múltiplas dimensões da epidemia não deixam espaço para outros assuntos. Por isso, a visita que o Presidente turco fez ontem a Bruxelas foi vista como uma nota de pé-de-página. Não acrescentou nada às questões que Recep Tayyip Erdogan trazia na agenda. Ninguém parece estar disponível para algo que não tenha que ver com o vírus.

A violência

As imagens que nos chegam, vindas da fronteira da Grécia com a Turquia, perturbam. Por muitas razões. São as pessoas e o seu desespero. A manipulação a que estão sujeitas, por causa do jogo político do Presidente Erdogan. As guerras e as violações dos direitos fundamentais, que estão na origem destes movimentos de massas. Os cidadãos gregos, que reagem abertamente contra as novas chegadas e que se sentem abandonados por Atenas e Bruxelas. A política europeia, que não quer novas ondas de imigração e que prefere pagar para que outros tomem conta dos deslocados e dos refugiados.

Numa palavra, a violência. Assim resumiria essas imagens. A violência com que a vida e certos políticos tratam as pessoas, os mais fracos e sem voz.

Quem pode telefonar a Erdogan?

A União Europeia deveria transmitir ao Presidente da Turquia uma mensagem clara. A situação actual, nas fronteiras da UE, justificaria uma conversa firme com Recep Tayyip Erdogan.

Não seria necessário perder muitas palavras numa discussão sobre a crise em Idlib. Essa matéria deve ser tratada entre Erdogan e Putin. Está previsto, aliás, que esses dois compadres se encontrem, lá mais para o fim da semana, para falar de Idlib. Mas os europeus têm que lembrar ao Presidente turco o acordo que existe entre as partes, no que respeita à imigração em massa e aos refugiados. E deverão acrescentar que as pessoas em situação de desespero não podem ser utilizadas como peões num tabuleiro de jogos políticos.

Infelizmente, não vejo quem possa pegar no telefone para ter essa conversa com Erdogan. Charles Michel, o Presidente do Conselho Europeu? O seu estatuto faria dele o interlocutor mais adequado. Mas parece andar desaparecido, a resguardar-se talvez, para não apanhar o vírus que por aí anda. Ursula von der Leyen? Não a vejo com a autoridade necessária para o fazer. E não se pode pedir a um Chefe de Estado que o faça, sem ferir protocolos, e sem esquecer que a Croácia é o Estado que teoricamente ocupa este semestre a presidência da União. O líder croata não seria atendido por Erdogan, creio.  

Entretanto o Alto Representante para a Política Externa, Josep Borrell, resolveu convocar uma reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE. Não é má ideia, mas não chega.

 

 

 

 

 

 

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