Portugal é grande quando abre horizontes

24
Nov 09

 

Despachei para Bangui o meu director de gabinete e o o conselheiro político sénior. No seguimento das minhas conversas telefónicas de ontem com o Primeiro-Ministro Toadera, os enviados especiais reuniram-se, esta tarde, com o PM e uma equipa de crise. Estiveram também com a embaixador francês e com as ONGs que operam em Birao. Lancei, entretanto, um apelo para que os reféns sejam libertos sem demoras. São jovens de bem, dedicados e com reconhecido trabalho social de apoio às comunidades de Birao.

 

Entretanto, a notícia dos raptos foi título grande nos meios de comunicação social franceses. O facto de os raptores procurarem vítimas dessa nacionalidade foi o tema central.

 

Enquanto tratava deste assunto, a tripulação do helicóptero que havia sido enviado para Birao, como apoio à procura dos criminosos, teve ontem uma noite muito dramática. Um dos pilotos faleceu, três outros estão em estado grave. Em coma. Beberam um líquido adquirido sabe-se lá onde, mas que tinha um rótulo de uma bebida espirituosa normal.

 

Foi o segundo incidente do género em duas semanas. Com pessoas da mesma nacionalidade. Embora estivesse em Vevey, por outros motivos profissionais, passei uma parte da manhã a falar com Moscovo. Mais tarde, com Nova Iorque e com a minha área de operações. A pedir que as autoridades do país dos pilotos sensibilizem as suas gentes, para que estes casos tão trágicos não voltem a acontecer.

publicado por victorangelo às 21:42

10
Nov 09

 

Como escrevi no texto desta semana na Visão, Guéréda, no Leste do Chade, e os territórios vizinhos são das zonas mais perigosas nesta parte de África. Muito perto da fronteira com o Darfur, no centro de muitos conflitos étnicos e na origem de muitas rebeliões, os riscos são imensos.

 

Não autorizo o pessoal da ONU a viajar nessas terras sem escolta militar ou de polícia, fortemente armada.

 

Aconselho as ONGs a seguir o mesmo princípio. Certas organizações têm um maneira de trabalhar muito particular, com uma interpretação extrema do que é a sua independência, neutralidade e imparcialidade. Não aceitam as nossas escoltas, por medo de perder a neutralidade.

 

Ontem, foi a vez de uma delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha ser objecto de um ataque armado. O único estrangeiro do CICV, um francês de 37 anos, foi levado pelos bandidos. Como refém.

 

Mais uma crise. Com muita publicidade, que a CV é bem conhecida. Para os bandidos do deserto é, no entanto, mais uma ONG em circulação na zona, mais uma hipótese de ganharem umas coroas.

 

Cruz vermelha ou não, para esses homens das areias é uma oportunidade que não querem deixar passar em branco.

 

Passei a manhã a discutir segurança com a comunidade das ONGs humanitárias. Não desisto. Tomo as minhas responsabilidades. E eles terão que assumir as suas.

 

 

publicado por victorangelo às 21:07

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