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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A situação continua a ser muito grave

Os números de infectados pela pandemia estão de novo a subir, em vários países europeus. Estes surtos têm levado à adopção de medidas de controlo e a decisões sobre quarentenas que não estão a ser bem recebidas pelas populações. No Reino Unido, por exemplo, as alterações de um dia para o outro, no que diz respeito à necessidade de quarentenas, tem baralhado as pessoas, afectado os mercados financeiros e criado novas dificuldades para áreas importantes da economia. Também provocam tensões políticas entre Londres e outras capitais europeias.

A verdade é que a pandemia continua activa e que a prudência deve ser a linha mestra a guiar a actuação de cada um de nós. É igualmente verdade que os impactos ao nível económico e psicológico são enormes. Estamos a entrar num processo de ruína, para muitas empresas. A duração da crise torna a recuperação muito mais difícil. E acabará por ter uma influência muito negativa nas finanças públicas e na solvabilidade do sistema bancário. Os bancos estão a acumular créditos incobráveis. As garantias desses créditos são projectos inacabados e impossíveis de transformar em dinheiro.  

Ao nível psicológico, preocupa-me sobremaneira as crianças que não podem ir à escola e que estão isoladas nas suas habitações, com pouco ou nenhum contacto com outras crianças das suas idades.

Temos que estar cientes que o choque é enorme e que vai demorar um tempo longo para poder ser absorvido. Assim, quanto mais responsáveis e cuidadosos formos no nosso dia a dia e nas nossas actividades sociais melhor. É a contribuição que se espera de cada um.

Os britânicos e a nossa maneira de tratar destas coisas

A decisão tomada ontem pelo governo britânico exclui Portugal da lista dos chamados “países seguros”, em matéria de contágio. É óbvio que essa exclusão tem um impacto muito forte sobre a imagem do nosso país e os sectores económicos dependentes do turismo. Afasta os viajantes que viriam do Reino Unido e não só. Nestes tempos de grandes medos, a decisão acaba por afectar outros potenciais turistas, noutros mercados europeus.

A verdade é que o país, visto no seu conjunto, e é assim que as coisas se decidem quando olhadas de longe, não está bem. Os indicadores mostram um nível de contágio elevado. Foi isso que levou os britânicos a decidir como o fizeram. Assim, as reacções oficiais ou de gente com poder institucional aqui na nossa terra não me parecem ter sido adequadas. Foram demasiado emocionais e violentas. Patrioteiras, diria o outro...

Não é assim que se faz política, num caso como este. Eu teria simplesmente expressado o desapontamento e acrescentado que tudo seria feito, incluindo junto do governo britânico, para explicar melhor a situação portuguesa e obter uma mudança na apreciação. E ficava por aí.

Esta crise é a sério

O Primeiro-Ministro britânico anunciou hoje que o governo irá investir muito dinheiro em obras públicas, com uma especial referência a hospitais, escolas e estradas. Não sei donde virá esse dinheiro, tendo presente o grau de endividamento das contas públicas do país.

 Reflectindo sobre esse anúncio, é claro que Boris Johnson quer mostrar que Reino Unido não ficará atrás dos investimentos que irão ser feitos no quadro da União Europeia, também em resposta ao impacto da pandemia. Por outro lado, obras públicas são uma velha receita quando há uma crise económica muito profunda. É isso que ele está igualmente a revelar, que isto é a sério E que se trata de uma crise que está para durar. Como também será o caso na União Europeia.

Estamos, na verdade, perante um desafio enorme. O caminho proposto pela Comissão Europeia parece-me mais adequado do que a ideia de obras públicas. É uma aposta na modernização da economia, na transformação da pegada ecológica, na biotecnologia, no reforço dos sistemas de saúde. Terá menos cimento do que o plano de Johnson, mas mais ciência e inovação. E assenta na dinâmica empresarial. Mas tem que avançar rapidamente. A aprovação do plano europeu tem que ser feita na cimeira de julho, sem falta. Foi isso que, indirectamente, Johnson nos veio lembrar.

Boris Johnson, um caso preocupante

O Primeiro Ministro britânico, Boris Johnson, foi internado este serão nos cuidados intensivos. A notícia foi recebida como se fosse um terramoto político. Mas para além da política, o simbolismo que esse acontecimento gera é imenso e muito preocupante, para a generalidade das pessoas. Trata-se do dirigente de um país altamente desenvolvido. Se isso acontece a uma personalidade desse calibre, com todos os meios de tratamento à sua disposição, então, sim, estamos perante um vírus muito sério.

Cada um deve reflectir sobre este exemplo e procurar seguir as recomendações sanitárias escrupulosamente.

A nova liderança trabalhista

Neste primeiro sábado de abril de um ano tão estranho, que relevância tem tudo o que não seja sobre o tema da pandemia? Quem consegue falar de algo mais? Mas é bom pôr os olhos noutros factos que entretanto vão acontecendo. Por exemplo, o Partido Trabalhista britânico elegeu hoje uma nova direcção. Menos radical que a precedente, mais pragmática e bem mais jovem. Keir Starmer, o novo líder, tem 57 anos. Vem da área da justiça, do lado da procuradoria, da acusação pública. Tem uma excelente presença, sai bem na fotografia. A vice-líder, Angela Rayner, tem apenas 40 anos. Não concluiu o ensino secundário mas teve um percurso sindical visível. Ambos foram eleitos por mérito próprio, em listas distintas. Vão ter que enfrentar Boris Johnson, o que não vai ser uma tarefa fácil, tendo em conta o apoio que o Primeiro Ministro tem no Parlamento. O trunfo mais importante que esta nova liderança tem é o de projectarem uma imagem de equilíbrio, de estabilidade, de gente que leva o seu papel político a sério.

O Brexit e a lepra populista

O Reino Unido sai hoje. Cumpre-se assim o Brexit. E perdemos todos, a União Europeia e o Reino Unido, cada um à sua maneira. Mas a política é assim, as regras democráticas, por muito imperfeitas que possam ser, são para cumprir. E Boris Johnson e os seus ganharam.

Dito isto, acrescento que alguns de nós vemos tudo isto com uma grande preocupação. A vitória de Boris foi a vitória da mentira, do apelo ao nacionalismo primário, do populismo sem-vergonha. Ganhou a insolência, perdeu o bom senso.

Em certa medida, esse tipo de vitória fica-nos como um alerta. Hoje aconteceu no Reino Unido, amanhã poderemos ter um gémeo ou uma irmã de Boris noutros países da Europa. Assim, se há uma grande lição a tirar de tudo isto, do Brexit, de Boris, de Farage, etc, ela é que não se pode dar tréguas aos aldrabões da política.  

O novo Boris Johnson

Boris Johnson ganhou as eleições legislativas britânicas. De uma maneira clara, seja qual for o prisma de análise dos resultados. Tem o poder nas mãos, de modo absoluto. É ele quem manda, no governo e no Parlamento. E isso poderá continuar assim, nos próximos quatro ou cinco anos de mandato. O que mostra que um líder forte, na chamada democracia britânica, usufrui de um nível incontestável de autoridade. Os outros poderão dizer o que entenderem, fazer o barulho que quiserem, no Parlamento ou fora dele. Mas quem manda é o Primeiro-Ministro, quando esse lugar é ocupado por uma personalidade como Johnson e, por outro lado, quando dispõe de uma maioria muito folgada, em Westminster.

Para além do Brexit, Boris Johnson irá propor uma série de medidas, incluindo uma que reduza o poder do Tribunal Supremo, que limite a sua capacidade de controlar os abusos de poder vindos da Primatura ou do Parlamento. Também aqui fica claro que a democracia de que se fala é mais cosmética do que uma beleza política de facto.

Boris Johnson ganhou porque soube mostrar determinação, clareza, foco e repetir constantemente as mesmas três ou quatro mensagens-chave. Prometeu a Lua e mais um ilusão, mas evitou prometer um catálogo sem fim de medidas, que por serem muito diversas, perdem-se na cabeça dos eleitores e arruínam a sua credibilidade. Mas ganhou, acima de tudo, por ter sabido bater a tecla do Brexit. A opinião pública estava farta do tema, das divisões que acarretava. Votar em Johnson significaria fechar esse capítulo.

Agora que tem o poder nas mãos, Boris Johnson poderá tentar a via da moderação. Sabe que essa é a única maneira de manter o reino unido. Terá, nomeadamente, que mostrar resultados na Escócia. Mas, não será fácil. O processo de desintegração do Reino Unido – agora com maiusculas – aprofundou-se com as eleições de ontem.

Do lado europeu, há que manter uma posição que mostre interesse na continuação de uma relação privilegiada com Londres e Boris Johnson. Creio que assim acontecerá.

Boris Johnson, um exemplo a não seguir

Em política, o sucesso consegue-se quando se sabe misturar o compromisso com a demolição sistemática da oposição. Boris Johnson sabe demolir. Tem a oratória e a virulência. Mas falta-lhe a parte do compromisso. Não tem essa arte e não entende que não se pode hostilizar tudo e todos. Há que estabelecer acordos com alguns. Não o fez e está hoje numa situação impossível. Não perdeu ainda o poder, é verdade. Mas acentuou ainda mais as divisões e as fracturas. Contribuiu de modo único para a polarização da sociedade britânica. Nada disso é positivo.

Um grupo de políticos a fazer história

Boris Johnson não aceita que lhe digam que não. Exigiu aos deputados do seu partido que votassem como ele lhes mandavam. A exigência foi acompanhada de uma ameaça de expulsão do partido. Uma ameaça que põem em causa um princípio fundamental da democracia, que é o de separar o poder legislativo do executivo.

Vinte e um deputados Conservadores tiveram a coragem de ir contra o ditame do Primeiro-Ministro. Puseram o que consideram o interesse nacional acima das suas carreiras políticas.

A sua decisão foi histórica. Não é todos os dias que vemos políticos tomar decisões que lhes acabam com as carreiras. Para mim, este foi um dos factos mais salientes da votação de hoje, em Westminster.

 

Silêncio, que se está a tratar do Brexit

O Reino Unido está muito pouco unido. Para além dos comentários que se façam – e vi um ou dois nas televisões portuguesas que assentavam em premissas incompletas ou na compreensão insuficiente dos mecanismos parlamentares e constitucionais britânicos – , a verdade é que a situação actual constitui um rico campo de estudo para quem se interessa por questões de estratégia política e de jogos de poder. E assim vai continuar nos próximos dias e na semana que vem. Para já, que depois se verá.

Entretanto, penso que os dirigentes que mandam na política externa europeia e que pesam na questão do Brexit devem continuar calados e deixar os britânicos decidir para que lado vai a bola. Neste momento, comentários oficiais europeus sobre a situação de confusão que se vive no Reino Unido só poderão complicar ainda mais uma situação que já é bastante complexa e profundamente emocional. O silêncio é, tantas vezes, uma poderosa arma política, sobretudo quando anunciado como silêncio activo, deliberado.

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