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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Boris Johnson, um caso preocupante

O Primeiro Ministro britânico, Boris Johnson, foi internado este serão nos cuidados intensivos. A notícia foi recebida como se fosse um terramoto político. Mas para além da política, o simbolismo que esse acontecimento gera é imenso e muito preocupante, para a generalidade das pessoas. Trata-se do dirigente de um país altamente desenvolvido. Se isso acontece a uma personalidade desse calibre, com todos os meios de tratamento à sua disposição, então, sim, estamos perante um vírus muito sério.

Cada um deve reflectir sobre este exemplo e procurar seguir as recomendações sanitárias escrupulosamente.

A nova liderança trabalhista

Neste primeiro sábado de abril de um ano tão estranho, que relevância tem tudo o que não seja sobre o tema da pandemia? Quem consegue falar de algo mais? Mas é bom pôr os olhos noutros factos que entretanto vão acontecendo. Por exemplo, o Partido Trabalhista britânico elegeu hoje uma nova direcção. Menos radical que a precedente, mais pragmática e bem mais jovem. Keir Starmer, o novo líder, tem 57 anos. Vem da área da justiça, do lado da procuradoria, da acusação pública. Tem uma excelente presença, sai bem na fotografia. A vice-líder, Angela Rayner, tem apenas 40 anos. Não concluiu o ensino secundário mas teve um percurso sindical visível. Ambos foram eleitos por mérito próprio, em listas distintas. Vão ter que enfrentar Boris Johnson, o que não vai ser uma tarefa fácil, tendo em conta o apoio que o Primeiro Ministro tem no Parlamento. O trunfo mais importante que esta nova liderança tem é o de projectarem uma imagem de equilíbrio, de estabilidade, de gente que leva o seu papel político a sério.

O Brexit e a lepra populista

O Reino Unido sai hoje. Cumpre-se assim o Brexit. E perdemos todos, a União Europeia e o Reino Unido, cada um à sua maneira. Mas a política é assim, as regras democráticas, por muito imperfeitas que possam ser, são para cumprir. E Boris Johnson e os seus ganharam.

Dito isto, acrescento que alguns de nós vemos tudo isto com uma grande preocupação. A vitória de Boris foi a vitória da mentira, do apelo ao nacionalismo primário, do populismo sem-vergonha. Ganhou a insolência, perdeu o bom senso.

Em certa medida, esse tipo de vitória fica-nos como um alerta. Hoje aconteceu no Reino Unido, amanhã poderemos ter um gémeo ou uma irmã de Boris noutros países da Europa. Assim, se há uma grande lição a tirar de tudo isto, do Brexit, de Boris, de Farage, etc, ela é que não se pode dar tréguas aos aldrabões da política.  

O novo Boris Johnson

Boris Johnson ganhou as eleições legislativas britânicas. De uma maneira clara, seja qual for o prisma de análise dos resultados. Tem o poder nas mãos, de modo absoluto. É ele quem manda, no governo e no Parlamento. E isso poderá continuar assim, nos próximos quatro ou cinco anos de mandato. O que mostra que um líder forte, na chamada democracia britânica, usufrui de um nível incontestável de autoridade. Os outros poderão dizer o que entenderem, fazer o barulho que quiserem, no Parlamento ou fora dele. Mas quem manda é o Primeiro-Ministro, quando esse lugar é ocupado por uma personalidade como Johnson e, por outro lado, quando dispõe de uma maioria muito folgada, em Westminster.

Para além do Brexit, Boris Johnson irá propor uma série de medidas, incluindo uma que reduza o poder do Tribunal Supremo, que limite a sua capacidade de controlar os abusos de poder vindos da Primatura ou do Parlamento. Também aqui fica claro que a democracia de que se fala é mais cosmética do que uma beleza política de facto.

Boris Johnson ganhou porque soube mostrar determinação, clareza, foco e repetir constantemente as mesmas três ou quatro mensagens-chave. Prometeu a Lua e mais um ilusão, mas evitou prometer um catálogo sem fim de medidas, que por serem muito diversas, perdem-se na cabeça dos eleitores e arruínam a sua credibilidade. Mas ganhou, acima de tudo, por ter sabido bater a tecla do Brexit. A opinião pública estava farta do tema, das divisões que acarretava. Votar em Johnson significaria fechar esse capítulo.

Agora que tem o poder nas mãos, Boris Johnson poderá tentar a via da moderação. Sabe que essa é a única maneira de manter o reino unido. Terá, nomeadamente, que mostrar resultados na Escócia. Mas, não será fácil. O processo de desintegração do Reino Unido – agora com maiusculas – aprofundou-se com as eleições de ontem.

Do lado europeu, há que manter uma posição que mostre interesse na continuação de uma relação privilegiada com Londres e Boris Johnson. Creio que assim acontecerá.

Boris Johnson, um exemplo a não seguir

Em política, o sucesso consegue-se quando se sabe misturar o compromisso com a demolição sistemática da oposição. Boris Johnson sabe demolir. Tem a oratória e a virulência. Mas falta-lhe a parte do compromisso. Não tem essa arte e não entende que não se pode hostilizar tudo e todos. Há que estabelecer acordos com alguns. Não o fez e está hoje numa situação impossível. Não perdeu ainda o poder, é verdade. Mas acentuou ainda mais as divisões e as fracturas. Contribuiu de modo único para a polarização da sociedade britânica. Nada disso é positivo.

Um grupo de políticos a fazer história

Boris Johnson não aceita que lhe digam que não. Exigiu aos deputados do seu partido que votassem como ele lhes mandavam. A exigência foi acompanhada de uma ameaça de expulsão do partido. Uma ameaça que põem em causa um princípio fundamental da democracia, que é o de separar o poder legislativo do executivo.

Vinte e um deputados Conservadores tiveram a coragem de ir contra o ditame do Primeiro-Ministro. Puseram o que consideram o interesse nacional acima das suas carreiras políticas.

A sua decisão foi histórica. Não é todos os dias que vemos políticos tomar decisões que lhes acabam com as carreiras. Para mim, este foi um dos factos mais salientes da votação de hoje, em Westminster.

 

Silêncio, que se está a tratar do Brexit

O Reino Unido está muito pouco unido. Para além dos comentários que se façam – e vi um ou dois nas televisões portuguesas que assentavam em premissas incompletas ou na compreensão insuficiente dos mecanismos parlamentares e constitucionais britânicos – , a verdade é que a situação actual constitui um rico campo de estudo para quem se interessa por questões de estratégia política e de jogos de poder. E assim vai continuar nos próximos dias e na semana que vem. Para já, que depois se verá.

Entretanto, penso que os dirigentes que mandam na política externa europeia e que pesam na questão do Brexit devem continuar calados e deixar os britânicos decidir para que lado vai a bola. Neste momento, comentários oficiais europeus sobre a situação de confusão que se vive no Reino Unido só poderão complicar ainda mais uma situação que já é bastante complexa e profundamente emocional. O silêncio é, tantas vezes, uma poderosa arma política, sobretudo quando anunciado como silêncio activo, deliberado.

O poder da imagem televisiva

A televisão tem muita força. O que se passou ontem e hoje à volta do processo de candidatura a líder do Partido Conservador foi mais uma ilustração desse poder.

Os cinco candidatos participaram ontem num debate televisivo, organizado e transmitido em directo pela BBC One. Vi o debate. Rory Stewart, o candidato com mais cabeça e que era visto pela comunicação social e pelos analistas políticos como uma estrela montante, capaz de fazer frente a Boris Johnson, teve uma má prestação. Sentou-se mal, na ponta da cadeira, mostrou enfado e uma linguagem corporal que parecia dizer que os outros candidatos não sabiam o que estavam a dizer, tirou a gravata a meio do debate, e deixou os outros ocupar uma boa parte do tempo de antena. Em resumo, deu a impressão que não queria debater, que não estava ali a fazer nada e que tinha pouca consideração pelos outros candidatos.

No fim da emissão, a minha conclusão foi clara: Rory colocou-se fora da corrida. Não mostrou aquilo que se espera de um futuro líder e futuro Primeiro Ministro, atenção, argumentação e presença.

E assim aconteceu. Na votação de hoje, perdeu uma parte do apoio que havia conquistado entre os seus colegas parlamentares e foi eliminado. Brilhante, sim, mas incapaz de passar na televisão. E, nestas coisas, a imagem conta imenso.

 

Theresa May e a sua sucessão

Theresa May anunciou hoje a sua demissão. A pressão vinda dos Brexiteiros mais duros, dentro do seu partido, acabou por derrubar a Primeira Ministra. Foram muito ajudados pelos jornais conservadores, que fizeram uma campanha diária contra May.

No fundo, como escrevi noutro lado, foi uma vitória da ala mais nacionalista, mais idealista e irrealista da classe política conservadora, que pensa que poderá restaurar a Grã-Bretanha do tempo da Rainha Victoria. Uma ilusão irracional que é muito difícil de combater com argumentos racionais, como a Primeira Ministra tentou fazer.

Boris Johnson será provavelmente o próximo líder do governo de Sua Majestade. Boris tem muitas facetas de alienado e pouca profundidade na compreensão dos problemas. É um confuso mental. A sua capacidade de mentir e exagerar é legendária. Mas fala bem, escreve à antiga mas de uma maneira que atrai algum público, é o menino querido da imprensa da direita tradicional. O principal trunfo que tem é ainda mais forte. Muitos membros do partido conservador pensam que Boris é o único líder que conseguirá derrotar Jeremy Corbyn, o dirigente trabalhista, em caso de eleições gerais. Boris irá cultivar essa crença e, por isso, deverá ser eleito chefe do partido. E, consequentemente, tornar-se o sucessor de Theresa May.

Vai também repetir, alto e bom som, que é o único capaz de fazer frente aos dirigentes europeus. Isso dar-lhe-á votos igualmente. Mesmo que se diga e repita que não há nada a que fazer frente, pois as negociações de saída estão terminadas.

Deve ficar claro que a escolha de quem manda na política britânica cabe aos cidadãos do Reino Unido. A Europa sentar-se-á à mesa com quem vier a ser escolhido. Não haja, todavia, ilusões. O lado britânico pode fazer o barulho que entender, mas isso não fará esquecer aos europeus que a saída da União tem regras e que os interesses da UE são a primeira preocupação de quem tem a responsabilidade de conduzir os destinos do projecto comum. Nós tratamos de nós, Boris ou qualquer outro que venha, que trate dos seus, se puder.

 

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