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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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O vírus e a cooperação internacional

Um amigo próximo está positivo há dez dias. É um homem forte, com muitas décadas de mato africano coladas à pele, um combatente em todos os sentidos. Mas vive numa plantação, algures na África Austral, e a vacina ainda está a caminho da região. Lentamente. E o meu amigo dizia-me hoje que isto da Covid não é brincadeira nenhuma. Ele, que é um sobrevivente de muitas lutas, sabe do que fala.

A sua condição actual veio uma vez mais pôr em evidência a extrema desigualdade que existe no acesso às vacinas. Num país como o seu, e em todos os outros que têm o mesmo nível de desenvolvimento – um nível baixo – a percentagem de gente vacinada é ínfima. Não há vacinas, não existe infra-estrutura nem meios.

Sem um esforço internacional, esses países continuarão a manter o vírus vivo. Depois, mais tarde ou mais cedo, ele saltará daí para o resto do mundo. Os países que contam, em termos de recursos e de capacidade, precisam de agir e de cooperar. É urgente e no interesse de todos.

 

Uma crise que está longe do fim

Meio ano já passou e a quase totalidade da população residente nos países economicamente menos desenvolvidos ainda não foi vacinada contra a covid-19. As promessas de ajuda feitas têm uma materialização muito lenta – faltam as vacinas e a infra-estrutura sanitária. Ora, sem um progresso considerável dos programas de vacinação nesses países, o risco de novas variantes continuará a ser uma realidade para todos, ricos e pobres. Por outro lado, o isolamento dessas partes do mundo continuará a ser um facto, o que levará ao um empobrecimento ainda maior. Também irá dar azo à consolidação de certos interesses, como por exemplo, os da China, em detrimento de relações económicas mais diversificadas.

É preciso voltar a sublinhar a urgência da cooperação internacional no combate à pandemia. E voltar a ver o mundo como um todo interdependente. Essa deve ser, aliás, uma das lições a retirar da crise sanitária.

Biden e Putin: dois actores com muita experiência

A cimeira entre Joe Biden e Vladimir Putin surpreendeu muitos de nós. Estava bem preparada, de ambos os lados. Havia uma vontade comum de mostrar resultados. E exibir cordialidade, apesar das posições muito diferentes e contraditórias. Mais, cada um procurou ser visto pelo seu público como sendo capaz de dar resposta às acusações vindas do lado oposto.

A declaração sobre as armas nucleares – ninguém ganha uma confrontação nuclear – foi positiva. Como também o foi a decisão de criar uma comissão mista para um Diálogo Estratégico sobre a Estabilidade.

De um lado e do outro estavam duas velhas raposas das relações internacionais.

Uma primeira conclusão sobre a cimeira do G7

A Cimeira do G7 terminou esta tarde. De uma maneira geral, a atmosfera e a retórica foram positivas. Mas genéricas, mais promessas do que verdadeiros compromissos. O único pacto concreto foi o das vacinas, a disponibilização de mil milhões de vacinas para serem aplicadas nos países mais pobres até finais de 2022. É, no entanto, uma decisão insuficiente. A OMS estima que seria necessário disponibilizar cerca de 11 mil milhões, para que a humanidade possa de facto vencer a pandemia. Estar longe desse número e demorar muito tempo até se atingir uma percentagem global de 70% de vacinados, quererá dizer que a saída da crise não acontecerá num futuro próximo. As variantes irão continuar a aparecer. E o mundo viverá, durante um longo período de tempo, em bolhas isoladas, de um lado países com a maioria da população vacinada e do outro, vários agrupamentos, segundo o avanço dos programas de vacinação. Ou seja, uns a avançar e outros a ficar para trás.

A segunda grande prioridade deveria ter sido sobre a protecção do ambiente. Esta é uma área de grande urgência. Os líderes deveriam ter indicado quais são as grandes linhas que irão defender na conferência de Glasgow sobre o clima, no final do ano. Essa indicação teria permitido uma maior focalização dos trabalhos preparatórios. As promessas feitas hoje são pouco claras e insuficientes em termos financeiros. É verdade que os diferentes líderes mostraram compreender a importância e a urgência da matéria. Isso já não é mau. É, porém, necessário agir, criar parcerias, definir melhor os planos de acção e financiar.

Estas e outras medidas foram profundamente influenciadas pela posição norte-americana em relação à China. O Canadá e o Reino Unido seguiram sem hesitações a linha americana. Já do lado europeu, houve muitas reticências. Com o tempo, a brecha entre as duas partes irá ficar mais clara. E a própria China irá adoptar contra-medidas que agravarão a fractura.

Estamos perante uma dinâmica nova, foi o que ficou claro com este encontro do G7. Mais do que nunca, é preciso muito cálculo e muita prudência.

 

Mais uma reflexão sobre o G7

https://www.dn.pt/opiniao/um-g7-muito-especial-13824080.html

Este é link para a minha crónica de hoje no Diário de Notícias. Há um mês, a 7 de Maio, escrevera sobre o assunto, por ocasião da reunião preparatória dos ministros dos negócios estrangeiros (Inquietações: um G7 muito combativo).

 O texto de hoje aborda outros aspectos, complementares ao que então escrevi. Um dos aspectos é uma análise da lista de Estados convidados, para além dos países membros do G7. Faço igualmente referência à complexidade de parcerias com a Índia. O ponto aqui é não cair na ilusão que a Índia pode ser um contrapeso à influência global da China. São duas realidades muito diferentes, apesar da semelhança em termos de população. 

Cito de seguida, como de costume, um parágrafo do meu texto. 

"Na Ásia, a grande aposta é agora a Índia. Por isso, andam todos com os olhos postos em Narendra Modi. É, no entanto, uma cartada complexa e pouco segura. Modi é um radical hindu, que está a arrastar a maior democracia do mundo para uma crise nacional intensa. É igualmente um proteccionista, pouco disposto a abrir a economia a estrangeiros. Oferece, no entanto, a grande vantagem de aparecer como uma possível alternativa de peso à China."

Fechados sobre nós próprios

A Austrália anuncia que manterá as suas fronteiras fechadas até meados de 2022, excepto para a Nova Zelândia. É uma decisão que diz muito sobre os próximos tempos. Também nos lembra que ao ritmo de vacinação actual, que é muito lento nas economias mais pobres, por faltar tudo o que é preciso para acelerar o processo, a imunidade global contra a covid não será atingida antes dessa mesma altura.

Que futuro, que autonomia, que Europa?

https://www.dn.pt/opiniao/a-autonomia-estrategica-da-europa-13742991.html

O link acima abre o meu texto de hoje no Diário de Notícias. E o texto abre com uma referência à cidade de Tianjin, uma metrópole portuária a 120 quilómetros a sudeste de Beijing. Há dez anos, Tianjin tinha um PIB que era pouco mais de metade do PIB português. Em 2025, terá um PIB duas vezes e meia superior ao de Portugal. 

Dados assim devem fazer pensar. 

A minha crónica também procura contribuir para que se pense nestas coisas.

Como de costume, cito de seguida um parágrafo do meu texto. 

"O exemplo de Tianjin mostra como é importante ver o mundo com realismo. A China é um gigante imparável. Tem a seu favor a dimensão populacional, o centralismo autoritário do poder, a vontade política e o investimento maciço na ciência, na tecnologia e na aquisição de matérias-primas. Nesse contexto, que futuro pode ter Portugal, ou cada um de entre a maioria dos países europeus, na relação de forças mundial? Felizmente, existe a União Europeia. A integração produtiva e a conjugação de esforços políticos permitem aos Estados-membros ter algum peso nas relações económicas internacionais e no xadrez geopolítico. Se não houvesse mais nenhuma razão para justificar o aprofundamento da UE, esta, por si só, já seria suficiente."

Os europeus perante as migrações vindas de outras culturas

https://www.dn.pt/opiniao/a-europa-a-deriva-no-mar-das-migracoes--13473410.html

O link abre a minha crónica de hoje - desta semana - no Diário de Notícias. Volto a escrever sobre um tema que parece não ter solução, no contexto europeu: as migrações internacionais com destino à Europa. 

Cito o último parágrafo do texto que escrevi, mas aconselho a leitura completa da minha reflexão,

Já vimos que o mar não é barreira suficiente para quem está desesperado ou sonha com uma vida melhor. Mas como a intenção de quem manda é a de travar movimentos populacionais que parecem ameaçadores, a Europa irá mais longe. Irá despejar fortunas nos países que têm o potencial de nos enviar novas levas de migrantes - como já está a acontecer com a Turquia. É a aposta do pau e da cenoura. Ora, nesses países, os poderosos ficam sistematicamente com a cenoura, e os pobres e os fracos levam sempre com o pau. Por isso, muitos procuram fugir para a Europa.

A escrita semanal

O meu texto de ontem no Diário de Notícias, em que falava de Robert Mugabe e de Donald Trump, despertou interesse. Curiosamente, a versão em inglês, traduzida em segundos por meio de Inteligência Artificial e editada por mim, atraiu quase um milhar de leitores.

As duas mensagens principais por detrás das palavras escritas eram as seguintes: primeiro, que é preciso lutar pela democracia todos os dias; segundo, que a União Europeia deve dar uma prioridade absoluta às actividades que reforcem a sua coesão interna.

Claro que havia outras mensagens. Mas parece-me importante sublinhar essas duas.

Também quero esclarecer que as minhas crónicas procuram ser um misto de análise combinada com a promoção de uma certa maneira de ver a política. Não se trata de exercícios académicos. Igualmente, não são expressões de vaidade. Na verdade, o objectivo é construir um pensamento novo, que contribua para o progresso social e para o respeito por cada uma das pessoas. A análise é, por isso, enviesada. Mas no bom sentido.

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